Imagine se o Iraque não existisse

Stephen Colbert é um comediante que apresenta o Colbert Report, um programa de Fake News no Comedy Central. Embora seja restrito a uma audiência de TV a Cabo, por volta de 1 milhão de espectadores, esse milhão é extremamente relevante, Colbert já levou todo mundo no programa, de Rainhas a Presidentes. BIll Clinton é figurinha carimbada lá.

Na última semana o programa está sendo transmitido do Iraque; o programa foi convidado para participar de eventos da USO, organização que entre outras atividades promove entretenimento para os soldados. Colbert apareceu diante das tropas com um terno feito em tecido camuflado e segurando um taco de golfe, referência ao lendário Bob Hope, ator que fez shows para as tropas nas linhas de frente em todas as guerras, da 2a Guerra Mundial até a 1a Guerra do Golfo, quando já tinha 87 anos.

No primeiro episódio Colbert entrevista o General Ray Odierno, o Comandante Máximo das tropas da coalisão no Iraque. Como parte do quadro, o General diz que se Colbert quer ser um dos soldados, precisa cortar o cabelo. Ele recusa, diz que só com ordens superiores. Nessa hora aparece em um telão ninguém menos do que Barack Obama.

O Presidente dos EUA diz que está acompanhando a discussão. Colbert pergunta: "O senhor estava ouvindo? Seus satélites são tão bons assim?" para o quê Obama responde: "Não, minhas orelha são grandes assim". Em seguida ele manda o General cortar o cabelo do apresentador. Veja:

The Colbert Report Mon – Thurs 11:30pm / 10:30c
Stephen Gets His Hair Cut
www.colbertnation.com

Colbert Report Full Episodes Political Humor Stephen Colbert in Iraq

Você deve ter pensado que Colbert tem um puta prestígio, para conseguir que o Presidente dos EUA participe de uma brincadeira. Não. Ele é conceituado, mas o motivo essencial para Obama ter participado é prestigiar as tropas.

Uma das lições mais duras aprendidas no Vietnã foi o resultado de tratar mal suas tropas, o dano que isso causa a sociedade como um todo. Toda a sociedade, exceto os mais radicais aprendeu que independente da validade das guerras, os soldados estão na Linha de Frente dando seu sangue, e merecem todo o respeito e admiração por isso.

Agora imagine que não há Colbert, não há Obama prestigiando as tropas, imagine que ninguém nem sabe que os EUA tem tropas no Iraque. Imagine esses veteranos voltando pra um país que nem sabia que eles haviam partido.

Isso está acontecendo AQUI, meus caros. Este revoltante relato no Diário de Um PM fala sobre soldados brasileiros com síndrome de stresss pós-traumático, após integrarem as tropas brasileiras no Haiti.

Sim, Virgínia, existem tropas brasileiras no Haiti. Fazem parte das tropas de paz da ONU (na verdade o Brasil é o principal membro e comandante da operação) e estão lá desde 2004. O Haiti é uma favela cercada de água por todos os lados, que conseguiu resistir a toda e qualquer tentativa de civilização. Nem ditadores sanguinários conseguiram colocar ordem naquilo.

Infelizmente grandes poderes regionais exigem grandes responsabilidades regionais, e o Haiti está dentro da esfera de influência brasileira. Isso resulta em relatos assim:

Conversando com alguns deles [os veteranos[], depois de mais calmos, ouvi relatos horríveis sobre o dia-a-dia entre o MEDO DE TER QUE MATAR e a CERTEZA DA MORTE, nas favelas haitianas.

Segundo eles, os corpos das pessoas mortas nos combates ficam expostos por semanas a fio, sem que ninguém os recolhessem, pois justamente as pessoas que tentam dar cabo do trabalho funesto são os alvos preferidos dos franco-atiradores, além de enfermeiros e paramédicos.

Você sabia que ainda havia tropas brasileiras lá? Ou sequer que haviam sido enviadas? Pois é. Eu nem diria que a mídia está boicotando. Ela está é cagando e andando. Uma busca no Google por "Tropas Brasileiras no Haiti" traz na primeira página:

  • Uma notícia da Agência Brasil, de 2007
  • Uma notícia da Folha de S. Paulo, de 2005

Fora isso nenhum veículo de mídia relevante. Os outros links são só "denúncias" de gente como o PSTU e aquele site nojento, o comitê de mídia independente, que é composto basicamente de fracassados que odeiam o mundo. O que esses comunistas FDP não entendem é que imperialista é o cacete. O Haiti não tem petróleo. O Haiti não tem porra nenhuma. A principal atividade econômica do país é tirar leite de formiga.

O Brasil está lá como Capacetes Azuis, tropas da ONU tentando estabilizar um país que não tem governo viável em nenhum nível hierárquico. Chamar essas tropas de invasores imperialistas é cuspir na cara tanto desses soldados quanto da população que sobrevive graças aos donativos distribuídos e serviços de saúdo providos pelos médicos militares.

Informações, há. O site do Exército traz uma página detalhada sobre a Missão de Paz, com informações atualizadas.

Infelizmente parece não ser do interesse de ninguém divulgar sequer que essas tropas existem. Então voltarão ao Brasil, sem apoio, sem suporte, traumatizados e prontos para explodir. Aí quando matarem alguém, a mídia irá denunciar os "Rambos" brasileiros, com toda a intensidade e veemência de quem não viu Rambo I, ou se viu não entendeu.

Leia Também:

  • O brasileiro só dá valor a jogador de futebol, e piloto de formula 1. E olhe lá. O governo brasileiro não vai dar a mínima para esses caras quando eles voltarem.

  • Não só os militares do Exército estão na MINUSTAH, como também policiais.

    No caso específico do Haiti, onde a maior parte das atribuições das forças da ONU são de natureza policial, a participação de policiais torna-se ainda mais relevante, e são muitos os policiais brasileiros que participam da MINUSTAH, não só na atividade de rua, mas também em postos-chave da ONU.

    Um pouco da história da participação de policiais brasileiros em missões da ONU em diversos países é retratada neste blog, de colega aqui da PMDF que também esteve na Missão do Haiti: http://missaodepaz.wordpress.com/

  • Excelente texto. Devo admitir minha parcela de culpa nisso, pois soube do envio das tropas e de certos problemas enfrentados por estes soldados no Haiti, mas acompanhei tudo pela mídia tradicional e não busquei informações.

    A maior parte da população (aquela que coloca uma pessoa na presidência) sabe menos do que eu e provavelmente só se preocupará com este problema quando um soldado invadir uma lanchonete e matar todo mundo. Este inclusive é o maior motivo para o presidente não dar a mínima para estes soldados.

  • Nisia

    Obrigada, Cardoso, por trazer essa notícia.
    De fato, é lamentável o desinteresse da mídia pelo trabalho dessa turma – pesadíssimo, diga-se.
    Creio que isso faça parte do ódio às Forças Armadas, que continua a ser instilado pela mídia-esquerdista, que ignora as tarefas realizadas pelo Exército, principalmente, por pura incompetência da administração civil. A atuação na Amazônia, por exemplo. Oferecimento de assistência médica e odontológica às populações isoladas, por exemplo, e tudo com um orçamento franciscano.

  • Gustavo

    Aepnas para constar, há um bom tempo saiu uma matéria sobre os soldados brasileiros no Haiti, na revista Época… mas provavelmente isso foi em 2006/2007, já que faz tempo que tive que cancelar a assinatura…

    Mas de qualquer forma, por mais que este blog e alguns outros tenham certa relevância, enquanto se manter apenas na internet, não haverá mudança enquanto não atingir as massas… é uma mudança de cultura geral que deve ocorrer.

  • Sem dúvida muito degradante esta situação. Nossos soldados morrem tentanto ajudar um país devastado e recebem menos atenção da midia nacional do que as "tropas imperialistas" de verdade, que estão metidos numa guerra sem inimigos no orinete médio.

  • Eu sabia que tinham ido para lá, mas pensei que já tivessem voltado a muito tempo.

    Teve bastante gente indo para lá, mas até onde eu sei cada um fica algum tempo e depois é substituido por outro. Até aqui no fim de mundo onde eu moro deve ter uns 10 que estiveram por lá.

  • Armando Vieira

    O Brasil sempre perde oportunidades como essa do Haiti, com o sucateamento existente nas forças armadas estamos jogando fora um treinamento indispensável para a futura guerra civil que teremos nas favelas do Rio e outras grandes cidades que o tráfico está tomando conta.

    Nossa Amazônia é outro palco para disputas e como ocorre com o esporte, onde só há patrocinio quando já está jogando, será tarde demais para conseguir proteger nossas terras.

    O país está se tornando uma potência mas esquecendo que de nada adianta ser grande mas não poder ajudar as outras nações a se proteger, isso mesmo, hoje um país como a Coreia do Norte se arma não para uma guerra solitária contra outros e sim para proteger um continente, em uma disputa pode apostar que ninguém vai olhar se esta ou aquela nação é boa ou ruim, irão ver sim seu poder de ataque e proteção.

    • "…a futura guerra civil que teremos nas favelas do Rio e outras grandes cidades que o tráfico está tomando conta"

      Armando:

      Você nem imagina a grande verdade que está dizendo.

      É uma predicção.

      Quem viver verá.

  • Leon Santiago

    Ótimo texto!
    Eu também sabia da ida mas nunca parei pra pensar ou acompanhar desse jeito. Fudido.

  • Se o governo pouco se importa com os policiais militares que estão atuando em território nacional, por que diabos iria se importar com as tropas que estão no Haiti?

  • Matheus Pintor

    Cara, ótimo texto. O meu pai foi para o Haiti, a uns dois anos. Ele disse que lá é horrível, o stress come solto, as crianças comem pratos de barro com manteiga. Pelo menos quando ele foi para lá não houve muitas mortes, só um soldado morreu eletrocutado.

  • muito bom o post.
    me lembrei que um militar de alat patente, tempos atrás se matou no ahaiti, presionado pelas condições impostas, fui procurarr no ggogle. o resultado da perícia foi "acidente com arma de fogo". mas se vc abrir o link de busca – militar brasileiro morre no haiti vai ver que não há somente essa notícia, mas várias, dadas com pouco destaque na mídia tradicional. http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=mi

    a questão é grave, e mostra o descaso com a tropa.

    o envio de militares como capacetes azuis ao haiti atende aos anseios do brasil de participar d o conselho de segurança da ONU, coisa que não aconteceu, e pelo visto não vai acontecer.
    o exército brasileiro anada sem orçamento faz tempo, tendo que inclusive dispensar a troap por não haver comida, mas para atender anseios políticos mandam jovens mal treinados para morrer em solo alheio para figurar em um problema aparentemente insolúvel.

  • Ivaldo

    É infelizmente nesse país de hipócritas fica mais fácil valorizar ou enaltecer pessoas como "ex-BBB, Celebridades Globais(se vc me entende), o que este ou aquele fez na TV, enquanto as verdadeiras celebridades e HERÓIS BRASILEIROS que estão realmente fazenda algo pra mudar o mundo, são largados a sorte porque simplesmente o que eles fazem não vende jornais. Devemos também cobrar do nosso governo destacar mais o HONROSO trabalho feito por nossos irmãos brasleiro no Haiti.

    É frustrante ver uma sociedade tão decadente como a nossa perder seu valor, simplesmente por desvalorizar sua própria Hitória.

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  • Hugo

    Pelo Google News encontrei a seguinte reportagem (02/05/2009), pela agência do senado:

    Romeu Tuma elogia atuação das tropas brasileiras no Haiti http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?…

  • Apesar de achar o texto do Diário de um PM exagerado, sim, a "síndrome do Rambo" acontece de fato, mas da forma que foi escrito parece que é algo que atinge a maioria dos combatentes, o que não é verdade.

    Sempre tive forte convivência com militares do Exército Brasileiro, inclusive conheço alguns dos que estiveram lá no Haiti, de diversas patentes, do soldado ao general, e todos voltaram bem. Diferentes, mas bem.

    Digo diferentes, pois estiveram em contato com outra realidade, viram tristeza e pobreza pra todo lado e foi isso que mexeu com eles. Não estavam com parafusos a menos desesperados com guerra estando aqui em solo brasileiro. Segundo eles mesmos contavam de experiências próprias e de outros colegas, o maior transtorno não eram "MEDO DE TER QUE MATAR e a CERTEZA DA MORTE", era a tristeza de saber que apesar de todos os esforços, pouco resultado seria gerado, por causa da falta de interesse e apoio político (nacional e internacional). É fácil mandar pessoal treinado para matar bandido e enquanto uns morrem surgem outros tantos pra assumirem os seus lugares e não aparece ninguém para tomar o poder deles de uma vez.

    Tristeza essa que dá o sentimento de impotência, que provavelmente foi o que fez o Gen. Bacellar cometer suicídio durante a missão. Que aliás, foi a única vez que a "mídia" deu importância para a presença do EB na missão de paz no Haiti.

  • varallo

    Enviei o post para o governo federal. Aquele site horrível, cheio de loop e com o certificado de segurança vencido hahahahaha… o único e-mail que tava funcionando era o da presidência. Vamos ver qual será a resposta.

  • Os Fuzileiros Navais também integram as forças de paz no Haiti.

  • Engraçado, Cardoso.
    Eu acho que faz, mais ou menos, um mes que meu cunhado me mostrou a foto de um amigo dele no 'caribe. Ai eu vi a boina e a roupa camuflada, e falei: Aa, ele é boina azul. E infelizmente, meu cunhado nao sabia nem o que significava o termo ou a boina azul, e muito menos o que ele estava fazendo la. Tentei explicar, e me lembrei que fazia tempos que ninguem mais falava disso. Eu imagino que as baixas sejam poucas, ou nenhumas, por que se não, ja estariam falando, e aproveitando pra falar mal do presidente que faz os jovens morrerem por la. Agora o trauma desses soldados, ninguem vai curar. Um ex-combatente americano, é tratado como heroi por la, e respeitado como tal. O ex-Boina Azul vai ser tratado como um qualquer, ou, talvez, um desocupado, que não fez nada de bom na vida.
    Infelizmente, so vamos ser patriotas em copas do mundo, e nossos verdadeiros herois, ou pelo menos, verdadeiros representantes da patria, aqueles que dão o sangue pelo pais, vão ser jogados na vala do esquecimento.

  • Eu vou ser sincero, não sabia que ainda tinham soldados brasileiros no Haiti, a mídia adora veicular tragédias, últimas notícias dos artistas, baixaria, mas só ouvi falar de uma missão do Haiti ano passado.
    Os EUA tem uma ótima relação com as suas tropas, o próprio patriotismo deles é bem mais visto, nos seus filmes, seriados, onde quer que eles possam passar uma mensagem para os demais países, sempre mostram sua parcela de patriotismo.

  • Na mentalidade de esquerda polícia e militar é bandido… só tem outros intelectuais que pensam assim: os traficantes do morro, exemplo de filantropia e humanismo para a esquerda, defensores da liberdade de drogar-se etc… um herói guevariano.

    Que Deus abençõe essas instituições que defendem a democracia e a liberdade no Brasil, elas tem minha reverência.

  • Gustavo

    Cardoso, já ouviu falar de Darfur e o que está acontecendo lá (AGORA)? Haiti não é nada comparado ao descaso da mídia e das autoridades em relação ao genocídio que está acontecendo em Darfur neste exato momento…

    Como em Rhuanda, foi a mesma coisa! Limpeza étnica… triste, triste demais!

    Não é nem preciso ir tão longe. Em qualquer favela do Rio é assim, a gente ouve a notícia, mas, a vida humana é apenas um número, uma estatística! Não nos sensibilizamos at all, ligamos o "foda-se" e seguimos em frente… é triste mais é a mais pura verdade!

  • Vinicius

    Correto cardoso, afinal o futebol paraçe ou é um ópio no brasil…
    E na hora de apontar o dedo podre todos estão lá, merda de país!

  • Parabéns!!!

    O blog é muito legal. Voltarei mais vezes.

    Sucesso!

  • Pingback: Cabresto sem Nó » Blog Archive » Fora de pauta: Brasileiros matam no Hiati, em nome de q()

  • Quero comentar sobre o humor da coisa.

    Eu tenho inveja (inveja boa, se é que existe) desse humor americano. Lá o presidente se submete a contar piadas e participar de quadros de humor como esse que vimos, outros do David Letterman e dezenas de outros shows que fazem isso. Aqui no Brasil a gente não tem nada assim. Artista "grande" e político não se submetem ao humor – grande exemplo disso é o CQC, que sofre resitências em Brasília.

    Mesmo que com o propósito de mostrar atenção às tropas, o Obama se submeteu a uma piada. Aqui quando político faz piada é pra gozar da cara da população. Vide a marolinha.

  • Quando chegamos ao Haiti, houve uma campanha forte na mídia. Teve reporter indo pra lá, jogo de futebol com a seleção brasileira, etc…

    Mas o Brasil não é um país acostumado a se ver em guerra, então esse tipo de coisa acaba sendo esquecida. Imagina que nós impedimos uma guerra civil no país quando teve eleições. Quem nos imaginaria com essa importância, mesmo num país como o Haiti?

    Isso sem contar, que, seu eu não me engano, o Brasil está lá há mais tempo que o previsto.

  • O que estou achando pior de tudo isso é ter sido lembrado do nosso exército no Haiti através de blogs, por um lado é bom ver blogs fazendo esse papel mas penso na maioria dos brasileiros, quer dizer, se não passa no Jornal Nacional então não existe… Puta coisa triste essa. Nós somos um país que se importa só com porcaria e não com o que realmente importa. Parabéns ao Diário De Um Pm e a você que continuou com a informação!

  • Bicho, a mídia aqui no Brasil só se preocupa com novidades, enquanto não acontecer algo novo lá (como o Genereal Bacellar, encontrado morto, ou um jogo da seleção por lá) as coisas ficam meio esquecidas. Acho que bastante gente soube que o Brasil foi, porque foi bastante noticiado, mas muita gente não sabe que ainda está lá. Se não é noticiado na mídia, não existe.

    A culpa é dos soldados, que não fazem nada de novo acontecer por lá, só ficam nesse mata-morre, estressando-se pela situação e tentando sobreviver. Sei lá, saiam em patrulha vestidos de coelho, promovam um massacre a civis em algum bairro, quem sabe assim seja noticiado.

  • Hernani

    Cardoso não lembro o numero da edição mas teve uma reportagem completa na Superinteressante falando sobre esses soldados brasileiros que estão lá, realmente há relatos dos soldados de andarem pelas ruas e sempre terem queficar alertas para possiveis ataques, mesmo quando estão em missão de paz naquele país.

  • Excelente texto. Com a FEB aconteceu coisa parecida – e isso tudo só demonstra a vocação do brasileiro pra cagar pra própria história como um dos mais evidentes traços de nossa auto-sabotagem civilizatória.

  • Por que, de vinte oito comentários, só há três publicados? Falha técnica ou editoração? De qualquer forma, termos como "fracassados" e "comunistas" andam tão fora de moda que denotam uma certa displicência na composição de sua análise. Esperava algo um pouco mais embasado de sua parte para um assunto tão polêmico e delicado.

  • Diego

    Se não me engano fizeram um jogo de futebol (da seleção brasileira) no Haiti há alguns anos. Desde lá não vi mais notícias/comentários sobre as tropas brasileiras.

    Nosso governo populista não está nem aí mesmo, e o exército está cada vez mais jogado às moscas. Triste.

  • Muito bom Cardoso, muito bom. Para'bens por mais um excelente post. Existe um livro escrito por um soldado brasileiro que voltou de lá com relatos impressionantes. O Brasil está certo de estar lá no Haiti. Mas é preciso se preocupar com os soldados brasileiros também.

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  • Dito e feito, dê uma olhada nisso. Saiu dia 18/06/09 http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/06/18/h

  • Pode aprecer exagero, mas não é. eu tive que transportar alguns militares do EB pro HGuN (Hospital de Guarnição de Natal), na viatura da qual fazia parte, como patrulheiro esquerdo (o guarda-costas do piloto). E todos eles apresentavam problemas de ordem psicológica, em maior ou menor grau, mas o interessante é que quase ninguém sabe que o problema existe, e que não atinge somente os militares das forças armadas. Talvez a diferença maior, se posso dizer assim, é o fato de que os militares das forças armadas estão se deparando com uma situação para a qual seus componentes, na maioria muito jovens, não estão preparados, enquanto que a rotina diária do policial, tanto militar quanto civil, torna-o um ser digamos, brutalizado. Eu entrei na PMRN por três vezes, sendo a última aos 26 anos. E como já tinha visto de tudo, um muito, poucas coisas me surpreenderam, até que um tiroteio à mínima distância, no qual um colega foi alvejado a menos de um metro de mim, me abalou por um tempo, porém, tornando-me mais brutalizado ainda. E não foram poucos os tiroteios nos quais me vi envolvido, mas este, apesar de não ter sido o primeiro, foi o mais trumático. Creio que todos têm sua própria versão particular da "SÍNDROME DO RAMBO".

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  • STALIN

    FASCISTA!!!!

    • Sami

      Idiota.

      • Evandro Cesar

        Stalin foi um grande comunista Sami, idiota nunca! Enquanto o povo matava e comia ratos nas ruas ele se deliciava com lagostas, um assado de salmão…

        • Severino

          Parem de falar do passado, isso são coisas que só aconteciam em ditaduras antigas e muito ultrapassadas!!! Imagine em uma democracia moderna, como a brasileira, alguém ia conseguir comer lagostas e outras iguarias caríssimas, com o salário público pago por nós, os mesmos que os elegemos, pois temos o sagrado direito do voto obrigatório. Esse cidadão público não iria suportar ver seu semelhante comendo lixo na rua por onde ele passa! Só se fosse um comunista como Stalin mesmo.

  • Estêvão

    Texto de precisão cirúrgica. Parabéns, Cardoso. Poucas pessoas enfrentam esse tema justamente com medo de serem rotuladas de fascistas.

  • Gilberto

    Até que em fim alguén escreve algo sobre esses pobres garotos que são mandados para fora , para representar o País em MISSÕES HUMANITÁRIAS, e são execrados por esses falsos brasileiros. PARABENS.!!!!!!!