Morreu um homem que fez diferença

Você provavelmente nunca ouviu falar de Norman Borlaug. Eu também não conhecia, até vê-lo em um episódio do programa do Penn Jilette. Ele era um agrônomo americano especializado em desenvolver variedades de alta produtividade e resistentes a doenças, através de cruzamentos seletivos. Ele também defendia a introdução dessas espécies no Terceiro Mundo. Tendo recebido apoio de vários países, suas sementes transformaram o mundo. O México em 1943 importava 50% de seu trigo. Em 1956 se transformou em exportador. Índia e Paquistão em 5 anos dobraram sua produção agrícola. As sementes de arroz de Borlaug eram 10 vezes mais produtivas que as usadas na índia.

Tudo, TUDO que você come hoje passou pela mão desse homem. A chamada Revolução Verde, o grande incremento em produção e qualidade agrícolas que começou em 1945 foi obra basicamente de Norman Borlaug. Estima-se que ele tenha salvo a vida de mais de um bilhão de pessoas, que sem suas técnicas teriam morrido de inanição.

Por sorte Borlaug não era gay como Alan Turing, então foi reconhecido em vida, em 1970 ele ganhou o Prêmio Nobel. Não o de Agricultura (eu sei!) mas o da Paz, em 1970. Ele também recebeu a Medalha de Ouro do Congresso dos EUA e a Presidential Medal of Freedom.

Suas técnicas são criticadas por ecochatos e hippies em geral, pois não tem nada de “orgânicas”, que diga-se de passagem apresentam produtividade baixíssima. Desses críticos, Borlaug declarou:

“Eles nunca experimentaram a sensação física da fome. Eles fazem seus lobbies de escritórios confortáveis em Washingont ou Bruxelas. Se eles vivessem um mês entre a miséria do mundo subdesenvolvido, como eu fiz por 50 anos, estariam gritando por tratores, fertilizantes e irrigação, e irados com os elitistas em casa que tentam negar o acesso a essas coisas”

Borlaug morreu ontem, aos 95 anos, em casa.

Claro, nem todo mundo é fã do trabalho de Norman Borlaug. Mark Dowie, jornalista americano e militante comunista disse, da Revolução Verde:

“O objetivo primário do programa era geopolítico: Prover comida para a população em países subdesenvolvidos e assim trazer estabilidade social e enfraquecer o fomento da insurgência comunista”

É incrível, mas para alguns nem alimentar um bilhão de famintos é considerado coisa boa.

Para mim é. Obrigado por ter existido, Doutor Borlaug.

Fontes: Wiki de verdade

Leia Também:

  • Putz,é incrível como tem pessoas com tanta importância, mas que ninguém conhece. O ruim é saber da existência dele, logo no dia após sua morte.

    • Também fiquei chateada pra caramba, Eduardo… :´(

      Sempre tento dar o reconhecimento em vida às pessoas que fizeram algo legal pelo mundo ou que fazem diferença na minha vida… Sabe, gente como o Cardoso, que, apesar de me considerar uma fraude como nipônica, nos últimos dias, me apresentou a duas pessoas admiráveis, que gostaria muito de ter conhecido e aprendido a respeitar antes.

      Agora, o que posso fazer é rezar pelas suas almas e divulgar seus trabalhos e histórias de vida para que obtenham parte do reconhecimento e respeito que lhes é devido pela humanidade.

  • Realmente fez muita diferença. E é incrível ver como um homem fez muito mais do que um batalhão de hippies, vegans e ecochatos intolerantes, intransigentes e odiosos.

    E a respeito da frase dita pelo jornalista, eu fiquei simplesmente chocado com a mesquinhez e insensibilidade da frase. Eu jamais esperaria por algo assim, ainda mais vinda de um comunista. E depois eles dizem que os capitalistas e direitistas em geral é que são monstros insensíveis e mesquinhos.

    • Depois de trabalhar 3 anos em um sindicato da CUT, posso te dizer que a frase e a origem não me surpreenderam nem um pouco.

      • Alberto

        Se é assim fica difícil, porque nada agradaria a comunistas desse tipo. Se há fome, é por causa do imperialismo americano e da exploração dos países subdesenvolvidos pelos países ricos. Mas se a fome é saciada, isso também é ruim?

        Norman Borlaug deve ter sido uma das pessoas que mais contribuiu para o bem estar da humanidade.

  • Cardoso,

    trabalhei na aviação agrícola e muita gente condenava, mas nunca os vi renegar um pratinho de arroz… E lamentavelmente eu também não conhecia o doutor Borlaug. RIP

  • Leticia

    Por respeito ao Dr. Borlaug – que eu também não conhecia – é bom que a gente comece a voltar nossos olhos para milhões de profissionais que estão aí, vivos e trabalhando pra cacete pra melhorar a vida das pessoas, mas que por um ranço jornalístico não aparecem na mídia nem a pau.

    • Falou e disse.A gente quase que se acostuma a só saber das pessoas ruins e das desgraças do mundo.Enquanto isso,tanta gente,tenho certeza,fazendo coisas boas pra melhorarem o mundo e ninguém fica sabendo.

  • Pingback: Lucho via Rec6()

  • A frase do jornalísta me lembrou do lance do raciocínio motivado que estava lendo ontem, que diz que quando os fatos interferem na crença o cérebro prefere ignorar os fatos. Acho que será sempre assim, sempre teremos boas pessoas lutando sozinhas pra fazer algo realmente bom e positivo para o bem geral, enquanto outros tantos preferirão ignorar os fatos e apenas chatear os outros com suas crenças.

  • thiago

    olá,

    apenas porque não consigo deixar passar. mesmo sabendo que aqui não é um bom lugar para debates.

    a revolução verde pode ter salvado a vida de um bilhão de pessoas, como está alegado no texto, mas ao mesmo tempo – e como um de seus objetivos principais -, ela transformou a vida de pequenos produtores rurais ao redor do mundo em um ciclo vicioso de dependência dos produtos vendidos por um punhado de empresas de vários setores industriais, especializadas na produção de espécies geneticamente modificadas, os chamados transgênicos.

    para sobreviverem, essas novas espécies exigem determinados tipos de insumos – que são comercializados apenas pelas empresas donas das patentes das sementes transgênicas. sem esses insumos (agrotóxicos, fertilizantes, adubos, etc.) as plantas não nascem ou não chegam à colheita com a "qualidade" e a "produtividade" da propaganda.

    para a primeira compra os pequenos produtores dos países do terceiro mundo viam-se tentados em função da intensa propaganda de melhores resultados nas colheitas – com muito menos riscos -, e aceitavam as ofertas de sementes e de insumos. no entanto, para a segunda colheita, as empresas donas das patentes exigiam a compra dos insumos (não os mandavam mais, junto com as sementes acordadas na primeira "promoção").

    os pequenos produtores, então, sem opção (já que toda sua propriedade estava plantada com a variedade transgênica), se endividavam em bancos para manter sua produção. essa dívida é até hoje uma corrente na vida de muitos – à exceção daqueles que, em função da dificuldade de assegurar os pagamentos, viram-se obrigados a deixar suas terras; que, imediatamente, passaram às mãos dos grandes proprietários.

    os métodos utilizados pelas empresas da "revolução verde" significaram a destruição de antigas formas de produção e de propriedade da terra em diversos países (com resultados desartrosos, por exemplo, nas regiões pobres da Índia). a "qualidade" das espécies geneticamente modificadas é discutível, uma vez que a predominância dessas variedades tem exterminado o conjunto tradicional de cultivos, desenvolvidos por gerações e gerações de agricultores ao redor do mundo. um exemplo trágico e cruel é o que tem acontecido com as espécies de milho – cultivo nativo da América Central, com uma variedade de formas, cores, sabores e funções gigantesca; que têm perdido espaço nas fazendas e sofrido com mutações genéticas inesperadas quando uma planta "natural" entra em contato com uma planta modificada antropicamente.

    de forma que, de acordo com o exposto (muito sinteticamente), a preocupação sincera e abalizada com a 'herança' do dr. Norman Borlaug vai muito além de mera 'chatice' de ambientalistas, pesquisadores, vegans, comunistas ou outros grupos (ou estereótipos) possivelmente associados com o impedimento do avanço dessa 'conquista', de resultados tão duvidosos.

    espero ter contribuído para algum esclarecimento,

    Thiago.

    PS: vale lembrar, também, que grande parte do nosso alimento hoje é resultado, sim, das pesquisas do dr. Borlaug e que essas variedades transgênicas passaram por muito poucos testes que garantissem nossa segurança ao ingerir alimentos modificados geneticamente. nos poucos lugares do mundo onde aconteceram as pesquisas e os testes, a plantação de variedades transgênicas foi proibida.

    • Cara, na boa. Que se foda o pequeno produtor. Ele não conseguia suprir a demanda, neguinho morria de fome, azar?

      E pra começar, meu caro, a Revolução Verde começou em 1945. DNA sequer tinha sido descoberto, essa histeria de transgênicos toda é pura palhaçada de sua parte. Não tem NADA a ver com o trabalho do cara. De resto qual a SUA alternativa? O que você propõe, o que você FEZ para salvar 1 bilhão de pessoas de ter morrido de fome? Nada, certo? Então pede pra sair.

      • thiago

        Cardoso,

        a produção em pequena escala, nos cinturões verdes ao redor das grandes metrópoles do mundo, é o que garante a maior parte dos alimentos frescos na sua e na minha mesa diariamente.

        a agricultura praticada pelos grandes produtores tem uma função simples: produzir matéria-prima para setores agroindustriais – e não levar comida para a mesa das pessoas, como você sugere. até porque, se fosse assim, a maioria da população mundial não estaria sujeita à fome crônica, já que a quantidade de alimentos produzidos é bem maior do que a demanda real por eles.

        a Revolução Verde é um movimento internacional, orquestrado pelas empresas do ramo do agronegócio, para a criação de novas variedades de cultivos ("mais resistentes e mais produtivas", na propaganda) através da modificação genética de determinadas espécies. associado à dependência dos produtos químicos necessários ao crescimento e sobrevivência das plantas, vem destruindo a agricultura de subsistência, dos camponeses e pequenos proprietários de terra dos países mais pobres; justamente os países que dependem de um incremento da produção de alimentos, mas que não usufrui dos níveis altíssimos de produção porque apenas trabalha para a exportação dos bens. esse processo foi intensificado a partir das décadas de 1960 e 1970, Cardoso, como mostra este PDF da professora Durvalina Maria Mathias dos Santos, da UNESP-Jaboticabal: http://www.fcav.unesp.br/download/deptos/biologia… uma leitura didática e interessante, talvez. :)

        a "minha" alternativa? bom, eu não trabalho no campo. não sou agricultor e, de certa forma, isso dificulta um pouco qualquer tentativa de ajudar no problema na produção e distribuição de alimentos ao mundo. no entanto, sou professor e pratico dentro das salas de aula o exercício de procurar esclarecer preconceitos e má-interpretações do mundo que meus alunos possam trazer consigo (obviamente, dentro do que eu considero correto ou certo – e sujeito às minhas próprias falhas). penso que seja uma tarefa importante. sem "histerias", como você sugere. apenas dialogando. ;)

        um bilhão de pessoas ainda assim morreram de fome, Cardoso. apesar das inovações trazidas por Borlaug. essas pessoas todas morreram, foram esquecidas, outras tantas ainda morrem hoje – num momento em que se produz mais comida do que em qualquer outra era da humanidade. de forma que me parece que algo não bate na sua conta.

        abraço,

        • É, tem razão, salvar um bilhão não vale nada, ou se salvam DOIS bilhões ou dá no mesmo. Vou apagar o texto, o cara é um filho da puta. Certos estão os africanos, que não aceitaram as técnicas propostas e hoje vivem bem, sem ter problema com produção de comida.

        • Cara, me fala o colégio onde vc dá aula para eu não matricular meus filhos, ok? Nunca li tanta merda na minha vida (eu vivo dizendo isso e esses caras vivem me surpreendendo).

        • Primeiramente eu acho que tudo isso que você falou não tem nada a ver com o descrito a respeito do trabalho deste senhor. Se grandes empresas se basearam no trabalho dele para ter lucros qual é a grande surpresa? Elas existem pra isso, é um conceito novo chamado capitalismo que eu acho que vai pegar pra esse verão. Outra coisa que não é surpresa são grandes empresas ferrando a vida de pequenos produtores. Isso ja acontecia nos feudos na europa, aconteceu nos anos 30 nos EUA, quandos os banqueiros descobriram que dava mais lucro mecanizar as plantações de algodão e chutar os arrendatários pra fora das terras. E se você quiser bons exemplos de pequenos produtores se dando bem, aqui no Brasil existem muitos. Trabalhei com análise de contratos de financiamento para o Bradesco. Recebiamos uma média de 4.000 contratos de financiamento de veículos por dia. Cerca de 30% deles se originavam de pequenos municípios do interior do Brasil onde a principal atividade é a agricultura. Em sua maioria eram contratos de pequenos produtores comprando suas L200 e Hillux. Porque se existiram os que se deram mal pelos motivos que você citou, também existem os que se dão bem se organizando em cooperativas, trabalhando diretamente com grandes varejistas e atacadistas. O mundo é assim, tem os que pensam em como ser feliz e agradar as pessoas, e tem os que pensam em como arrancar as bolas do concorrente e comê-las fritas no jantar.

    • Dalton

      Cardoso, "que se foda o pequeno produtor", por favor, para de ser ignorante e que Deus permita que não seja um agrônomo pois envergonharia milhares!!.
      Thiago, não confunda agricultura com economia. Em relação aos trangenicos, pense na frase; NÃO TENHO MEDO DE OMG, SÀO APENAS PROTEINAS", se não entendeu não tem capacidade de discutir o assunto.

  • Salvar 1 bilhão de pessoas em um mundo pós-guerra, de fato não é importante.

  • thiago

    Cardoso,

    a situação dos países africanos não é muito diferente da que encontramos nas regiões pobres de qualquer outro lugar. os pequenos vão sendo expulsos em função dos interesses dos grandes. a expulsão desses camponeses, mais do que sinalizar uma mudança bem-vinda no processo produtivo é um risco, uma vez que a terra cultivável passa às mãos de megaprodutores de matérias-primas e não de alimentos. na África são produzidos muitos bens agrícolas – muito pouco de fato se torna alimento pros milhões de famintos que habitam o continente.

    Andre,

    a capacidade de ouvir aqueles que não concordam consigo é uma qualidade invejável – que poucos possuem. passem bem, você e seus filhos. :)

    Betinho,

    vou me concentrar em um ponto (porque é domingo à noite e corrigir alunos equivocados, só amanhã à partir das 7h00 ;). você talvez esteja esquecendo, meu caro, que esses proprietários de terra que iam às agências do Bradesco fazer os empréstimo pra comprar carros importados, não são os mesmos de que venho falando. os 'produtores de cidades do interior' a que você se refere, podem ser qualquer coisa entre um sitiante de Mogi das Cruzes e um mega-latifundiário do Mato Grosso.

    as pessoas a quem me refiro, são camponeses e trabalhadores rurais – que nem sempre têm suas próprias terras -, expulsos do campo (onde têm sua história) pela alteração drástica, à partir dos anos 60 e 70 (com a Revolução Verde, certo, Cardoso?), da estrutura de produção e trabalho nas regiões agrícolas. não só os transgênicos chegaram, mas a intensificação da mecanização do campo também – agravando o processo de exclusão daqueles que perdiam seus empregos para as máquinas. há ainda o caso dos pequenos que tiveram suas terras griladas, mas isso é outra história. o ponto é: não estou falando dos produtores que acataram as novidades e se deram bem (óbvio que os há), estou falando dos muitos que se deram mal. e, mesmo que haja os que financeiramente se beneficiaram, perdemos todos, em conjunto, porque fica piorada a qualidade da agricultura praticada no mundo. o que não é bom pra mim, pra você, Betinho, nem pro Cardoso.

    por fim, como é possível dissociar o trabalho do nobre falecido aos efeitos que eles engendraram? pois que se foi justamente em busca desses resultados que o homem e sua equipe trabalharam durante anos na 'melhoria' da qualidade das sementes. uma coisa e outra andam juntas e se as criações dele têm efeitos nocivos para uma parcela significativa da população mundial, então ele tem sua parcela de responsabilidade.

    abraços,

    • "foi piorada a qualidade da agricultura praticada no mundo"

      Cara, na boa. Chega. Você perdeu o direito de falar tanta merda.

    • Cobra

      É impressionante como algumas pessoas parecem pensar que podem compensar a falta de argumentos escrevendo textos grandes. Nada — eu repito, NADA — do que o tal Thiago escreveu invalida a imensa contribuição que Norman Borlaug deu para o mundo.

      O que ele fez (em suma) foi desenvolver técnicas para aumentar a produtividade das plantações. Isso salvou a vida de incontáveis pessoas que, sem essa produtividade extra, teriam morrido, por não terem alimento. O que foi feito com isso não tem NADA a ver com a contribuição dele.

      E esse papo de "como é possível dissociar o trabalho do nobre falecido aos efeitos que eles engendraram" é uma falácia crassa. Cada um é responsável pelo que faz, não pelo que os outros fazem, ainda que os outros se baseiem nas suas idéias. Seria o homem primitivo que inventou a roda culpado por TODOS os atropelamentos que já aconteceram no mundo? Seria Roger Bacon responsável por todas as explosões causadas na história? Seria Marie Curie responsável por todo o mal que o uso agressivo da radioatividade causou em Hiroshima?

      Please… desce do banquinho e volta pra casa, filho. Você não vai achar ouvidos (ou olhos) simpáticos ao seu discurso pseudo-humanista, infundado e tangencial aqui, não.

    • Lucas

      Cara, só queria que vc explicasse essa frase “foi piorada a qualidade da agricultura praticada no mundo”.

      Porque não vejo como foi piorado, uma vez que grandes industrias começaram a tomar conta dessa produção. Vc se refere a oligopólio ou coisa assim: o.O

  • Yuri

    “O objetivo primário do programa era geopolítico: Prover comida para a população em países subdesenvolvidos e assim trazer estabilidade social e enfraquecer o fomento da insurgência comunista”

    Como assim, Mark Dowie? É necessário deixar populações inteiras com fome para que fiquem resmunguentos com os governos e façam funcionar a democracia? Excelente idéia. Mudemos o mundo matando as pessoas de fome…

  • Alan

    R.I.P.

  • Só quem já teve fome de verdade(não é o meu caso),quem tem um mínimo de sensibilidade e quem tem contato constante com quem tem fome de não saber o que vai comer ou dar para os filhos no outro dia,pode avaliar a importância de uma pessoa dessa para o mundo.RIP

  • Leticia

    Parte dessa discussão, me parece, se dá a partir de premissas falsas. Criou-se o fato de que alimento bom é aquele produzido ao acaso, naturalmente, sem agrotóxico e cheio de bichos, pelas mãos de um capiau que supostamente teria firmado um pacto com Deus e a Natureza e ter um ofício elevado no mundo, que é o de fornecer, por suas mãos calejadas, comida ao mundo inteiro, o que matematicamente é impossível.

    O homem não nasceu pra apertar parafuso, muito menos estourar a coluna e ficar desdentado e com câncer de pele numa roça, de sol a sol. Apenas a galera do conforto urbano-distraído imaginaria idealidade que um quadro desses, especialmente no BR, é bom: um bando de miseráveis entra com a mão-de-obra sacrificada, e eu, aqui na cidade, entro com minha seletiva e "consciente" boca.

    Primeiro que nem todos os povos do mundo são talhados para a agricultura. Segundo que a agricultura não é tarefa pra qualquer pessoa, como se fosse a última coisa a fazer na falta de especialização melhor. Tipo "Eu, que fio agraciado pela especialiação, fico aqui escrevendo e comendo, e vocês aí, que são o excedente da população, fiquem na enxada".

    Terceiro que não deu certo na África. E no Brasil também não, já que um sem-terra não tem ânimo nem pra plantar uma mísera mandioca e prefere comercializar a terra que ganhou. Quarto que produtos gerados assim são caros pra cacete. Já viu a quantas anda a mandioca no supermercado? Um orgânico? Ninguém merece e ninguém compra, a não ser a fofolete ecológica de Vila Madalena.

    Então, acho isso de uma crueldade sem par. Porque a vida na roça és fueda. E porque a geração de alimentos é atividade gigantesca.

    Gostaria mesmo é que as pessoas miseráveis parassem de ter filhos, de serem empurradas para a agricultura vai-não-vai, e ocupassem seu tempo em melhorar de vida, estudar e se dedicar a um ofício mais humano. Não está escrito em lugar nenhum que é obrigatório ter 90% do rebotalho plantando e nós, os 10%, indo ao Ceasa aos domingos em busca de temperos exóticos.

  • Admito que não sabia que uma só pessoa fez tanto pela humanidade.

    Realmente é uma perda imensa para a terra.

  • Cardoso, como a gente esta conversando no Twitter ontem o grande problema do camarada que escreveu é que ele não entendeu que você estava falando da importância do HOMEM e de sua OBRA e não discutindo o conceito em si.

    Agricultura de subsistência não tem nada de nobre e bonito: É ruim, só trás miséria, as pessoas têm que sobreviver com o mínimo do mínimo. Coloca o ser humano em um nível evolucional próximo de um homem da idade da pedra-lascada. Não por acaso, o mesmo nível dos nosso índios (hoje, ontem e enquanto o governo continuar enchendo esse pessoal de terra, ou melhor 2/3 de Roraima).

    Os pequenos agricultores precisam é de diversificação, especialização, trabalhar produtos diferenciados, produzir aquilo que não se produz (por vários motivos) em grande escala. Não penso "Foda-se os pequenos agricultores" não (embora entenda o sentido que você deu à expressão), pois acompanhei isso bem de perto e sei que o maldito êxodo rural é uma das raízes da grande maioria dos problemas sociais que nosso país enfrenta. Lugar do agricultor é no campo (pequeno ou grande), mas as políticas e as áreas de atuação deles têm que ser diferentes.

    Sem o trabalho do Borlaug, nós já teríamos entrado há muito tempo numa espécie de convulsão social, pela falta de alimento no mundo. Os pequenos poderiam ter se beneficiado da chamada "revolução verde" de maneira muito mais efetiva, mas não foram orientados, capacitados, etc … por que no Brasil (e em várias partes do mundo) agricultor (principalmente o pequeno, o "capial") é visto de forma pejorativa, e até "cômica", até mesmo em programas humorísticos, pela sociedade dita "Civilizada".

    É uma coisa bastante complexa tudo isso … E não se explica com teorias pseudo-marxistas.

  • semosso

    Quem assistiu The West Wing já ouviu falar do trabalho do Borlaug, numa comovente cena de um dos primeiros episódios da segunda temporada ('In this White House', se não me falha a memória).

    Quem não conhece a série, ou conhece mas não viu a cena, vale a pena procurar no youtube, realmente bonita.

  • É incrivel a quantidade de gente chata que só ve o lado ruim das coisas, generalizando tudo e simplesmente não para pra pensar o bem feito. Pensem apenas que todo mundo comeu mais e melhor, um viva ao cara!

    VIVA!

  • Ana

    Eu trabalhei com pequenos produtores rurais por 2 anos e posso afirmar que os que aderiram a produção orgânica e diversificada estavam bem melhor de vida e muito mais felizes que aqueles que resolveram ficar no padrão da Revolução Verde.

    Esse padrão só funciona para grandes propriedades e monocultivos.

    Vale ressaltar que mais de 70% da comida que você compra no supermercado hoje é proveniente da produção familiar e não do agronegócio. Agronegócio produz para a indústria e para alimentação animal, não para alimentação humana.

    Por isso acho bom pensar bem antes de mandar o pequeno produtor as favas.

    O trabalho do Borlaug foi importante em um período, mas hoje esse modelo não serve mais. Os ecochatos tem seus defeitos, mas é sério quando eles falam que a perda de diversidade biológica é um problema para todos nós. E a agricultura convencional é um dos principais causadores dessa diminuição em todo o mundo.

    No mais, acho que é de extrema grosseria responder a um comentário de alguém que expressou sua opinião de forma educada e com referências de forma chula como o autor do blog fez.

    • Que bom que o blog é meu.

      • Psychlo

        bom saber…

        assim não voltarei a acessá-lo…

      • Maximus

        Essa Aninha aí de cima que diz que 70% da comida que se compra no supermercado é proveniente da produção familiar deve alimentar-se apenas de salsa e cebolinha. Nada que leve farinha de trigo, milho, óleo de soja, arroz, feijão e carne. Também está preocupada com a perda da diversidade biológica. Podia mandar uma carta ao homem que começou tudo isso, pena que ele morreu. Morreu há 10.000 anos, quando selecionaram apenas uma meia dúzia de espécies que hoje são a base da nossa alimentação. E o modelo do Bourlag não serve mais? Porque?!? A população do planeta diminuiu? Vencemos a fome e não me avisaram? Que venha a revolução da salsa e cebolinha.

    • Ana,

      Os agricultores que foram trabalhar com orgânicos estão ganhando dinheiro agora, enquanto "orgânico" for grife. Daqui há um tempo a ficha cai e o custo (10 vezes maior para o consumidor em alguns casos) não ser´´a mais aceito e consequentemente a rentabilidade do negócio será irrisória, pois aprodutividade é mínima.

      Não gosto do conceito dos "orgânicos", gosto de comprar alimentos para mim com o mínimo ou sem agrotóxicos, mas não tenho absolutamente nada contra o uso de fertilizantes, corretivos de solo (calcário, etc …). Vou além, alimentos produzidos em solo pobre serão nutricionalmente pobres também.

      Assim acredito que o meio termo é sempre bom … Até por que realmente os pequenos agricultores não têm como competir com a produção em grande escala e, ao meu ver, nem devem. Mas abraçar o conceito diametralmente oposto como tábua de salvação, para mim. é burrice.

      Muitos dos conceitos da chamada "revolução verde" podem ser aplicados em agricultura familiar se a necessidade de confundir agricultura familiar com agricultura de subsistência (esta sim uma praga, bem no estilo "jeca Tatu").

      O grande problema dos pequenos agricultores foi esquecer da diversificação. Monocultura em pequena escala é suicídio, mas é mais fácil de operacionalizar e gerenciar, aí depois, como os produtos agrícolas viraram commodities há muito tempo, culpam o agronegócio, pela decisão equivocada deles de colocam todos os ovos na mesma cesta.

  • Não quero saber se o pato é macho, eu quero é o ovo. Ao melhor estilo Maquiavel o importante é produzir alimento pra encher as bilhões de barrigas que existem. Se depois disso alguém quizer gastar os olhos da cara pra comer umas verduras metidas a besta o problema é deles. Mas o tal do orgânico é insustentável para o mundo todo.

  • Defensores do comunismo tem todos os argumentos possíveis [principalmente os menos plausíveis] para defender que o mundo só será melhor, se todos forem comunistas e comerem criancinhas, sendo assim, é mais carne na mesa e menos criancinhas africanas passando fome.

  • Quero ver se este vocês conhecem………JOSÉ SARNEY……conhecem!!! coisa ruim todos nós conhecemos rsrsrsrsr. Infelizmente estou conhecendo o Borlaug através deste blog que por sinal é muito bom….parabéns Cardoso

  • Luis Eduardo

    Desculpe o bordão, mas toda unanimidade é burra. E pensar diferente é essencial para se analisar processos aparentemente bem-intencionados. O que temos aqui é uma discussão entre o individual e a sustentabilidade. É óbvio que passar fome por necessidade é uma experiência assustadora, amoral. E é fácil defender as criancinhas pobrezinhas. O que não dá, entretanto, é se considerar o ser humano como uma boca-intestino-cu que anda. Existem mais coisas alem de matar a fome e se reproduzir, e isso não está presente no trabaho de Norman Borlaug. Pelo contrário, a fartura de alimentos de alta caloria (nao de qualidade nutricional) esgota recursos locais e cria condiçoes para o avanço da desnutrição (que é diferente da fome). Existem dados, muitas pesquisas sobre o assunto, não é preciso entrar no jogo ideológico para se constatar que a contribuição do sr. Borlaug foi prejudicial para a humanidade por inteiro.

    Para os que quiserem me criticar pelo argumento fácil da criancinha com fominha, sugiro que leiam antes (ai, ai, vai ser difícil…) o trabalho do professor Maurice King, da University of Leeds: Health is a Sustainable State, no qual fica clara a rede de interesses por tras de iniciativas aparentemente Madre Tereza de Calcutá (que por sinal também era um monstrinho, mas isso nao é assunto para este post…)

    • onde vc conseguiu esse livro (Health is a Sustainable State)?

    • Pois é, Cardoso. Não é só para esse jornalixeiro comunistinha americano que acha que salvar a vida de um bilhão de pessoas não significa nada.

      .

      Esses comentaristas deveriam sentir o que é Fome (com F maiúsculo mesmo), antes de vir aqui criticar ou falar as suas idiotices.

  • E pensar que só de entrar no BBB o povo fica famoso e vira celebridade, e quem realmente faz algo de interessante pelo mundo as vezes passa desapercebido, irônico não?

  • Mateus Stefani

    Procurei por Washingont no Google Earth e não achei

    to começando a achar que teus erros de português é uma tática para que as pessoas venham aqui no teu blog te corrigir, e assim sairem dos seus respectivos rss

  • Nossa,parece que o povo se acostuma tanto a criticar que não pode ver um elogio a um morto que fica irritado,defendendo teses raivosas em comentários.Credo.

    • Sério? É assim mesmo? Cada post é debatido por gente que não leu? Ou leu e não entendeu?

      Eu li os comentários e me dá impressão de gente que defende a insalubridade de refrigerantes a base de coca quando eu falo "Poutz… que sede!"

      Eu leio via feed e não vejo comentários. Hoje deu na veneta de ver o que o público comenta… [medo]

  • Realmente, concordo com o texto.

    Parabéns

  • Algumas pessoas tem raiva e não se expressam direito. Se esta nota tivesse sido divulgada como "morreu um bom velinho que ajudou pessoas na agricultura" seria "viram???? é possivel mudar o mundo, chupa bush, chupa stadusunidus,etc." mas não, tocaram na ferida que o cara foi criticado por ter se posicionado a favor dos famintos do terceiro mundo e mostrou que tem q arregaçar as mangas e trabalhar ao invés de ficar fumando maconha com camiseta do che.

    Esse tipo de posição causa dor, pois a galera q não faz nada se sente lesada: puxa, quem esse velho VANDALO pensa que é? Ele ajudou um bilhão de pessoas a favor do IMPERIO DO MAL (ignoremos os abusos do comunismo aqui)! Maldito! FDP!

  • Pingback: Achados na web67 | Ladybug Brasil()

  • Luis Eduardo

    O artigo do professor Maurice King (de quem tive a honra de ter sido aluno), Health is a Sustainable State foi publicado na Lancet. Pode ser acessado na Bireme, em . Vale a pena ver como ele desmascara os burocratas da Unicef, Save the Children Foundation e outros, e o que é melhor, discutindo diretamente com os dirigentes dessas organizações.

  • Luis Eduardo

    Oppss, não consigo publicar a URL da Bireme. Mas é só googlar "Health is a Sustainable State" que aparece o link.

  • Eu também não conhecia, até vê-lo em um episódio do programa do Penn Jilette. Ele era um agrônomo americano especializado em desenvolver variedades saudades….

  • O artigo do professor Maurice King (de quem tive a honra de ter sido aluno), Health is a Sustainable State foi publicado na Lancet. Pode ser acessado na Bireme, em . Vale a pena ver como ele desmascara os burocratas da Unicef.

  • Eduardo

    Por que a maioria dos retardados virgens que frequentam essa pagina não conseguem concluir uma frase sem generalizar?

  • eduarda

    que do