Um libelo desesperado em defesa do saudosismo

Existe toda uma classe de pessoas que vive no passado. São versões reais do Vovô Simpson, sempre criticando o presente e temendo o futuro, sempre dizendo o quanto o passado que muitos sequer viveram era bem melhor.

Eu gostaria de ser como eles, gostaria mesmo. Queria poder dizer que meu CP-200 com 16KB de memória era melhor do que meu Mac ou meu PC, ambos com 4GB.

Queria ter a cara de pau desse pessoal, a visão seletiva de mundo que considera aquelas máquinas feitas de barro fofo e pedra lascada melhores pois “não travavam”- o que é mentira, aliás.

Queria ser saudosista e dizer que monstros com zíper eram melhores que os monstros atuais, ou que as cenas de combate da série clássica eram melhores que a magnífica batalha final contra o Dominion em Star Trek: Deep Space Nine, com milhares de naves na tela, em um conflito épico.

Queria ser do grupo que defende cegamente a série original de Galactica (que amo profundamente) nem que para isso tenham que elogiar um garoto chato e um cachorro-robô, e fingir que o Comandante Adama de Edward James Olmos não é um líder que qualquer um seguiria até o Inferno.

Queria poder dizer que comprar revistas de péssima qualidade no jornaleiro conivente e sintonizar o TV Link do vizinho era uma forma mais conveniente de acessar pornografia do que a Internet, mas não consigo, até porque digitar com uma só mão é complicado.

Queria poder dizer que o mundo era mais pacífico, mas crescer à beira de uma Guerra Total Termonuclear me faz ver conflitos no Oriente Médio como no máximo briguinhas.

Queria poder dizer que a música de antigamente era melhor, mas boa parte da música boa de minha juventude já era velha. Ela se manteve, o que surgiu de bom continua e o descartável foi esquecido. Como sempre aconteceu.

Queria poder dizer que ouvir música era melhor, mas meus LPs vivam arranhando, minhas fitas K7 só me permitiam ouvir música na sequência e compartilhar música significava emprestar um LP, que geralmente não voltava.

Queria poder dizer que meu videocassete era superior ao DVD (sim, ouvi esse argumento) pois gravava, mas meu LP também não permitia gravação e nem por isso eu comprava meus álbuns em fita K7.
A primeira vez que liguei um DVD e comparei a imagem com uma fita de vídeo passei por uma experiência religiosa. Uma imagem FullHD dá a mesma sensação. Queria poder dizer que isso não importa.

Queria poder dizer que a fotografia digital banalizou a arte, mas eu lembro como era caro comprar filme, tirar fotos de momentos únicos sem saber se saiu ou não, esperar dias pela revelação e só então descobrir se a única lembrança do momento existiria apenas em nossas memórias.

Queria dizer que a Internet afasta as pessoas, as isola e as torna superficiais. Gostaria mesmo de repetir esse discurso fácil, mas minhas maiores amizades e meus maiores amores chegaram até mim por um fio na parede. Só quem fala essas coisas da Internet é gente que não entende que há gente de verdade do outro lado daquele fio.

Queria dizer que era melhor pesquisar em enciclopédias “de verdade”, e que hoje as crianças fazem copy/paste, mas tenho a DECÊNCIA de lembrar que naquele tempo o principal objetivo era encontrar uma imagem recortável para ilustrar o trabalho, e o copy/paste era feito manualmente, copiávamos de forma autômata o conteúdo. NUNCA aprendi nada em trabalhos de colégio, que aliás nunca foram sequer discutidos em sala de aula.

Uma vez eu tirei 7, SETE em um trabalho para Teoria da Percepção, na UFF. Meu trabalho? Uma foto da Luciana Vendramini em um cenário futurista, com esferas de computação gráfica ao fundo. Impresso em uma matricial Elgin Lady Nojenta, de um amigo.

ISSO é o passado onde se aprendia com os trabalhos escolares?

Eu queria também ser daqueles que odeiam o passado, mas adoro o meu. Aprendi muito com ele, aprendi que nossas maiores tragédias um dia se tornam História, que NADA é insuperável. É tudo uma questão de perspectiva. Um braço perdido 20 anos atrás ainda incomodará, mas você não passa 20 anos gritando de dor. Achar sua paz e viver com um braço só não diminui a dor da perda, não é essa a intenção. O tempo me ensinou que aceitar e viver com o que passou não é trivializar. É apenas a alternativa a enfiar uma bala no coco, atitude em geral nada recomendável.

Eu queria muito ser um repórter das antigas. Sério, queria mesmo. Clarke Kent pode inspirar mais que o Super Homem, se você gosta mais de escrever do que tentar ser mais forte que uma locomotiva. Queria, mas não posso. Hoje não existe mais “parem as máquinas”, hoje não existe mais a separação Imprensa / Mortais.

Hoje eu não sou o Último Filho de Krypton (ou ao menos digo que não sou) mas minha voz tem alcance muito maior. Não dependo de Perry White ou Lex Luthor para determinar o que falo ou deixo de falar. Sou meu próprio Roberto Marinho, meu próprio Chatô, embora o Guilherme Fontes não tenha pedido dinheiro em meu nome (acho).

Eu queria ter a certeza dos adolescentes e dos trolls da Internet, de que se algo dá errado na vida é culpa de todos menos de mim mesmo. Queria poder justificar com os pais, os professores e orientadoras. Queria poder dizer “fulano me persegue”, e fazer disso justificativa suficiente para não atingir meus objetivos.

Eu gostaria de querer isso tudo, mas sendo sincero eu só quero uma coisa, que inviabiliza todos esses quereres:

Quero ver o que vem adiante e o quê o Destino me reserva, e se não gostar, mudar, afinal de contas, “Destino Não Existe”, me ensinou Sarah Connor, no Exterminador do Futuro, no distante passado de 1991.


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Leia Também:

  • Essa gente com saudade do que não viveu, ou com Alzheimer, só pode.

    A melhor coisa daquela época era a idade que a gente tinha, desperdiçada pela falta de experiência.

    Lamento informar que as únicas maneiras boas de conciliar o presente e o passado é com uma Delorean voadora, ou com uma namorada tipo assim, 12 anos mais nova.

  • Eu acho que a grande mágica dos tempos modernos é o poder de escolha. Você pode escolher viver como em 1980, se preferir. E nem é tão complicado. Tudo ainda está disponível, tudo ainda existe, pelo menos por enquanto. Mas ninguém vive, então, sem hipocrisias de falsos saudosismos baratos.

    E quanto ao passado, é ele que nos torna quem somos. É clichê, mas não deixa de ser verdade. Eu jamais apagaria meus momentos ruins. Não pagaria pra ver o que eu poderia ter me tornado sem perdas e decepções…

  • _g

    Eu acrescentaria no seu texto:

    -Queria voltar a época em que tínhamos paralisia infantil, ou em que, se pegássemos tuberculose, era mais fácil deitar na cama e morrer logo do que tentar escapar com tratamento médico.

    -Voltar para a época em que os celulares eram tijolos de 5kgs levados na cintura.

    -Falando em celulares, era boas as bateris de Níquel, né?

    -E os carros? Aaaah, os carros antigamente eram muito mais duráveis. E mais perigosos. Mais gastões. Mais desconfortáveis. E que exigiam mais força pra fazer uma simples baliza. Fora que os sensores auxiliares (como os da Grand Pajero) são totalmente desnecessários hoje em dia.

    -Álias, antigamente era bom pq não tínhamos google. E, se nos perdessemos, era só procurar no Guia de Ruas 1996 sua localização (COMO diabos você sabia que estava em Itaquaquececetuba do Norte é um mistério) e traçar, manualmente, o local de seu destino.

    Queria ter esse saudosismo também :/

  • Tive uma discussão sobre isso ontem, ficamos 3hs falando dessas coisas até que meu saco explodiu e sai de perto. Só faltou alguém vir e dizer que viver sem luz elétrica era melhor.

    Quanto a internet também tenho a impressão que as pessoas acham que na verdade não estão interagindo com outras pessoas, mas sim com maquinas, coisa estranhíssima.

    • Sei lá. Pelos comentários que aparecem no meu blog, nos sites de jornal, no YouTube e no Yahoo!Respostas, fico pensando se aquelas coisas são seres humanos. Os blogs tipo "Pérolas do Orkut" não me deixam mentir.

      • leandrolopesp

        O ser humano falha. O ser humano ignora, mas acha que sabe. O ser humano se engana, ele busca respostas fáceis e o caminho mais curto pra resolver um problema. O ser humano tem orgulho de si próprio, de seus parentes e gente que ama, mesmo que eles sejam feios, mesmo que analfabetos, mesmo que morem em um lugar simples, ou ainda num lugar sujo e destruído. O ser humano gosta de se divertir, gosta de sexo, gosta de se maravilhar com o esplendor e com o detalhe. Gosta de parecer inteligente, bonito, de ter alguma forma de poder.

        Aquilo, meu amigo, são humanos autênticos.

  • Vinícius Cord

    Mais um texto sensacional. Muito do saudosismo também é fruto da memória emotiva das pessoas, algo que a Regra dos 15 Anos™ costuma no mostrar.

    PS1: Eu também seguiria o Almirante Adama do Olmos até o Inferno.

    PS2: "– Como assim?! 1991 é passado longínquo?" "– 20 anos, Vinny." Estou definitivamente velho.

    PS3: Um bom video-game, pena não ter muito tempo para jogar.

  • Queria poder dizer que preferiria ler esse texto filosófico em um folheto impresso e colado na porta do banheiro da rodoviária e comentá-lo escrevendo com a caneta bic do que ter a liberdade de fazê-lo pela internet.

  • Um texto maravilhoso. Me fez refletir, creio que outras pessoas também refletiram. Hoje passo muito tempo com a cabeça no passado, me esquecendo de olhar para o futuro, não vou mais apagar o histórico, pois quando me perder no passado, encontrarei esse texto que me mandará pro presente em direção ao futuro.

  • Há 40 anos não havia internet, quando vi minha prima Margot por última vez, ela tinha 9 anos e eu 18.

    No ano passado ela me encontrou no Facebook.

    Daqui a 18 dias vou encontrá-la. Estou com a passagem ida e volta da Gol no bolso.

    Espero não chorar.

    • Profeloy

      @martin, quem quase chorou fui eu quando li o que vc escreveu. Que história emocionante, cara! Boa sorte!

      • Profeloy:
        Estou contando os dias para minhas férias, em tres dias estarei de férias, em sete estarei voando para minha terra.

  • Mais um texto daqueles memoráveis. Verdades que incomodam e realidades que alguns não querem aceitar. A vida sempre muda e o momento atual é sempre o mais importante. Mesmo sabendo que somos o resultado de nossas experiências (passado) temos sempre a chance de recomeçar e de mudar. Só pára quem já morreu e não sabe…

  • É tão engraçado ver as pessoas falando tão bem do presente e escarnecendo do passado. Só esquecem que tudo foi uma evolução gradual. Se não fosse o passado, não teríamos o presente. Se não tivéssemos o CP-200 não teríamos os i7 de hoje, pois nada aparece — PUF! — do nada. Eu não festejo tecnologia, ela é apenas uma ferramenta para mim e eu não dou maiores importâncias a objetos inanimados.

    PS. Cardoso, não era o processo de fazer trabalhos o responsável por você não ter aprendido com eles e sim culpa dos professores. Hoje não é diferente, pois sempre haverão bons e maus profissionais. Eu não abro mão de pesquisas manuscritas. Não aceito modernidade de impressoras e imagens bonitinhas. E o conteúdo do trabalho sempre consta nas minhas provas. Foi assim no colégio onde estudei, é assim meu método de trabalho hoje.

    • Lucas

      Qual a diferença de pesquisa manuscrita pra algo digitada? Escrevendo a mão aprende mais?

      Caso afirmativa positiva para segunda pergunta, gostaria que citasse a pesquisa que chegou a essa conclusão.

      Acho que já tenho a resposta. "Não aceito modernidade de impressoras e imagens bonitinhas."

      Patético.

      • A pesquisa manuscrita ao menos ajuda a habilidade manual das crianças com a escrita e tal. :-?

        • Mario

          Até entendo certo ponto, é a questão dos "paraquedistas de posts" tipo, hoje a piazada lê o titulo e lasca um ctrl+c ctrl+v no texto ( ja vi trabalhos que eram assim e sobre a materia pedida,, somente o titulo e olhe lá)

          ja na questao manuscrita o vivente le o titulo na enciclopedia e acha que é sobre o trabalho, para conseguir mesmo que seja um ctrl+c ctrl+v, ele vai ser obrigado a ler linha a linha ( em certas escolas o aluno é tao fraco que seria palavra a palavra) e copiar pro papel, o que de certa forma obrigaria ele a ver que de duas uma ou não é sobre o assunto do trabalho ou ele saí da "biblioteca" sabendo pelo menos umas 2 ou 3 palavras a mais no dicionario pessoal….

          é triste mas é a realidade.

        • leandrolopesp

          Habilidade manual? Eu sou muito hábil no mouse e no teclado. Não posso dizer o mesmo com colas e tesouras. O importante é que a gente ia até as bibliotecas, xerocava (podia fazer isso naquela época) ai quando em casa, a gente lia rapidinho, sublinhando algumas coisas, pra poder escrever menos. Depois escrevia aquilo num papel almaço, com muito medo de não errar e entregávamos. Depois vinha a nota. Eu sei que eu reli um trabalho desses a alguns anos e eu ri. Eu não sabia o que estava fazendo, meu texto não fazia sentido. Só que ele era diferente por que todo mundo buscava na Barsa e eu tinha uma enciclopédia diferente em casa, que nem o nome eu lembro mais.

      • Morais

        Ao menos, ao escrever, a criança se dá ao "trabalho" de ler, para poder copiar. No computador, é "seleciona tudo, cola, muda a fonte, imprime".

        Eu como estudante já senti a diferença entre um trabalho manuscrito e um completamente digitado. O fato de você estar lendo e repassando a mensagem pra outro papel, acaba deixando alguma coisa na sua cabeça. Copy+Paste da wikipédia, a única coisa que você vai lembrar é o título do trabalho.

      • Na verdade, há alguns dias foi sim divulgada uma pesquisa sobre isso:

        "Writing By Hand Strengthens The Learning Process; When Typing On A Keyboard, This Process May Be Impaired": http://www.medicalnewstoday.com/articles/214297.p

        Talvez só esse ponto do texto que discordo levemente. Mas claro, o problema principal continua sendo nosso fraco sistema de ensino.

        • Juca

          O que alguns baba-ovos do Cardoso (que isso não me torne um opositor dele, muito pelo contrário) precisam é pensar mais na hora de concordar, escrever e corroborar as idéias que o autor larga – de maneira geral – nos seus posts (leia-se Lucas).

      • Juca

        Não desfazendo a tecnologia, mas, sim, escrever à mão facilita mais a memorização do que pelo digitar. Não julgo quanto à questão aprendizado, mas, sim, memorização por si só.

  • Arthur Tavares

    Queria poder dizer que o mundo era mais pacífico, mas crescer à beira de uma Guerra Total Termonuclear me faz ver conflitos no Oriente Médio como no máximo briguinhas.

    Isso é algo que penso todos os dias…

    A população de Porto Alegre Triplicou em 50 anos.

    Da grande Porto-Alegre foi multiplicada por 8.

    Mas, mesmo assim, o número de páginas "policial" dos grandes jornais da cidade continua o mesmo: 3.

    Em comparação, as páginas "políticas" aumentaram de meia para 7 (em média) e as de esportes aumentaram de duas para 6.

    O que eu noto, nos meus quase 30 anos, é que, com o passar do tempo, esquecemos o ruim e valorizamos o bom. Minha primeira namorada era leviana, desengonçada, fanfarrona, fútil e me traía. Mas, hoje, guardo com carinho a risada dela.

    O mesmo ocorre com as pessoas próximas que já morreram: meus bisavós, avós, tios, amigos… Todos são pessoas boas, sábias e impressionantes, hoje. Muito embora, na época, fossem pessoas normais.

    • Juca

      Ótimo ponto de vista sobre as páginas do jornal!

  • Cardoso, como todo futurista/saudosista compartilho do seu sentimento de saudade do meu passado, e também tenho consciência de que o lugar dele é na memória. Entre meus amigos temos a prática de nunca jogar jogos de SNES ou Mega-drive que nos divertiram quando crianças, só para preservar nossas recordações. Recordações aliás, diversamente visitadas.

    Mas assim como todo futurista/saudosista sinto um gosto amargo por saber que não estarei sempre na vanguarda do mundo, acompanhando a história sendo escrita. Entendo que para o mundo, a espécie e a evolução, por mais brilhante que eu seja não mereço a imortalidade. Tenho a obrigação de ficar velho, de ser substituído por alguém que aprendeu em 20 anos tudo que aprendi a vida inteira para aprender.

    É o gosto ruim de entender seu papel na história. Por isso, assim como você, trocaria esse conhecimento pela rabugice de dizer que o passado era melhor!

  • Alexandre

    Texto lindo, Clarke Kent ficaria orgulhoso.

  • Letícia

    Acho que nesse lance passado x futuro sempre haverá um impasse justamente pela sutileza entre os extremos. Não querendo me passar por uma alucinada – o que talvez eu seja! – mas considerando o futuro como algo estático, porém alcançável e já vivido – ou seja, eu estou vivendo, ao mesmo tempo, presente E futuro em relação a um ponto na história – eu diria que há coisas boas e ruins nos dois momentos. Muita coisa melhorou, muita coisa piorou e é assim que a vida segue. A única certeza que fica é de que nada foi, é nem será perfeito. Nossa fome de mudança nunca será alimentada e nós sempre estaremos famintos pelo novo E pelo velho.

    Mas não se bitole por isso, não. No final das contas, o que importa mesmo é o meio, e não o ponto de partida nem o ponto de chegada.

  • Primeira vez que eu comento em um texto seu, mas realmente preciso falar: Pela música eu viveria loucamente feliz na década de 80, apesar de gostar de alguma coisa atual. Mas pelo resto todo eu não troco esse presente por nada. Parabéns.

  • Queria dizer que a F1 do século passado era mais impressionante. E que no futebol os jogadores tinham mesmo habilidade com a bola, não apenas dançavam em campo.

  • Ricardo Silva

    Só sobre a questão musical faria uma mudança, acho que mundialmente hoje temos muito melhores musicas e bandas, mas em termos nacionais… Faz uns 10 anos que não surge nada de bom alguém precisa falar para esta geração de músicos, que refrão não é canção.

    Nacionalmente as músicas ficaram burras, poucos instrumentos, o tema único é sempre o amor, a música é só um fundo para o cantor, quando ele dá uma pausa, o som repetitivo de fundo sobe de volume, fora isto continua igual só que mais baixo.

    Eu sou da geração da prova de mimeografo (prova cheirando álcool), máquina de escrever (tinha dificuldade de usar os dedos mindinhos). Não sinto saudades de nada disto.

    Apesar de concordar 100% este texto não é contrário a aquele sobre mandar um meteoro para cá pois não demos certo?

    • Marcelo Torres

      Véi… pesquisa direitinho.

      Tem muita coisa impressionante na música hoje em dia, não digo boa, digo impressionante. Se não se cria uma partirura nova, cria-se um ritmo, um jeito novo de tocar um instrumento, cria-se um instrumento, enfim, algo novo de alguma forma que impressiona e emociona do mesmo jeito que "antigamente". Eu diria que até mais, pq quando não esperamos que mais nada surja, quando achamos que a originalidade e criatividade foram pro brejo, que só sobraram os predadores dos quais fala Tom Zé, é só pesquisar um pouco e achar um grupo como o Sa Grama, um inventor como Antúlio Madureira, André Abujanra. Pra quem puder apreciar, há um senhor chamado Elomar Figueira Mello, compõe ainda hoje, música erudita, com uma temática completamente brasileira, digna (sem tirar nem por) dos romances de Graciliano Ramos, do sertão nordestino, música nova e antiga, ao mesmo tempo.

      Eu sempre preferi e continuo preferindo a música produzida aqui no Brasil, não deixo de escutar o que foi criado a alguns anos (porque não muitos anos?), tampouco deixo de procurar e conhecer coisas novas, e faz anos que não ouço rádio alguma (faz mal pra saúde), ou seja, repito, pesquisa que você vai se impressionar.

      Abraço.

      PS.: Cardoso, é repetitivo, mas parabéns pelos textos.

  • Deh

    Genial. Como sempre.

  • Cristiano

    Em se falando de tecnologia e ciência, óbvio que quanto mais no futuro melhor vai ser. O texto só enfoca essas diferenças. Existe muito mais do que sentir saudade. Não acho muito legal quem fica falando mal do presente se apoiando no passado, mas as comparações do texto são injustas. Cada época tem o seu melhor e o seu pior, cada um tem que aproveitar e se lembrar daquilo que mais lhe agrada. E sempre, não só na juventude.

  • Texto bom é aquele que me faz tirar o phone do 'gancho'. Parabéns!

  • Este foi um dos melhores posts que você já escreveu. Arrepiei e mandei para vários quarentões e quarentonas saudosistas e a maioria adorou.

    Foi muito bom relembrar cada época citada, mas imaginando o que ainda está por vir.

    Considero nossa geração privilegiada, pois vivenciamos cada pedacinho do longo processo da evolução tecnológica. O antes e o depois da internet, do celular, do CD e do DVD, do Google, dos blogs, do Twitter e etc.

    PS: eu ODIAVA fazer trabalho de escola pesquisando naquelas Barsa(s) empoeiradas :)

    • Fabio F

      PS: eu ODIAVA fazer trabalho de escola pesquisando naquelas Barsa(s) empoeiradas :) [2]

      E eu ainda usava Delta Larousse..rsrs

  • Acho que as comparações são um tanto o quanto superficiais.
    Ning reclama de hoje ter um computador muito melhor e mais acessível que antigamente.
    O que se discute tanto, é que antigamente as pessoas pensavam mais, davam mais importância a coisas que hoje são esquecidas.
    Antigamente as pessoas se uniam para lutar por uma causa: Woodstock
    Hoje as pessoas se unem para discutir qual é o blog mais chato ou o pentelho das internets.

    Basta lançar um produto novo da apple que o mundo se cala e volta a atenção para a maçã e se esqueça do resto.

    É por isso que sou a favor do Banksy e sua arte

  • Quando olho pra trás vejo que hoje estou muito melhor hoje que quase sete anos atrás, quando cheguei em Curitiba, caipira, crente e besta de dar dó. Mas não consigo parar de pensar no tempo que perdi, virei uma escrava do passado. Tá certo que se for pensar direito, naquela época eu fiz o melhor que podia com as informações de que dispunha.

    Às vezes penso que a alternativa é melhor. Uma pena eu não ter porte de armas nem saber atirar.

  • "NUNCA aprendi nada em trabalhos de colégio, que aliás nunca foram sequer discutidos em sala de aula."

    Alguém me entende!

    Acho que algumas pessoas sentem saudade do passado por ser uma época em que as coisas eram mais simples, o controle remoto tinha menos botões, não tínhamos que nos preocupar com codecs de video e os livros não tinham especificações como níveis de cinza, velocidade de virada de página nem dependiam de formatos como pdf, e-pub, azw, etc.

  • Rosi

    Tanto o passado, o presente e as perspectivas para o futuro tem as suas delícias. Tem muita beleza do passado q foi perdida, isso é fato. Como também a evolução nos trouxe a um presente inimaginável e muito confortável, por sinal. Temos q aprender e valorizar o que já passou e viver o mais intensamente possível o presente. Pra q este se torne um passado inesquecível…

  • Que texto fantástico!

  • Pingback: Tweets that mention Um libelo desesperado em defesa do saudosismo -- Topsy.com()

  • Ótimo texto!!

    O pessoal sempre confunde demais as coisas. Não é errado lembrar com gosto do passado… se divertir lembrando das histórias cômicas do assopro mágico na "fita de videogame" pra fazê-la funcionar ou o como o carburador fazia um carro ter uma alma (que era extremamente temperamental)

    Mas daí a comparar com inovações de hoje e de amanhã e dizer o famoso "naquele tempo XYZ era melhor MIMIMI… ou "Naquela época que se faziam XYZ MIMIMI X2" não dá mesmo pra engolir.

    Fazer isso é de uma tremenda contradição. Celebrar a inteligência humana do PASSADO e rebaixar a *mesma* inteligência humana do presente é não ter muita inteligência em nenhum dos tempos.

    Vale lembrar que a inteligência do presente aprendeu com o passado e é bem mais experiente, evoluída e com novas abordagens sobre tudo ( isso se aquele maldito estagiário não se esqueceu de documentar, claro)

    É verdade que o pioneirismo pode trazer algum transtorno.. Eventualmente até matar. Mas faz parte do nosso processo evolutivo. É algo que vamos conviver e temos que entender como parte de nosso aprendizado. Eu realmente prefiro estar digitando esse texto hoje mas se amanhã eu puder pensar nele e o computador materializar ÓTIMO!!!
    (a pornografia tbm ficaria divertida assim)

    Enfim texto ótimo e definitivo sobre o porquê o saudosismo não vale a pena a não ser que você seja uma velha tv GE a válvula… "aquela sim, uma tv de verdade" kkkkkkk

  • Uhn, acho que você entendeu meu comentário errado. O você não era você e sim as pessoas de um modo geral.

    Ok, fui confundida com uma salsinha, shame on me.

    Ou não aceitou de sacanagem, só porque o blog é seu e você faz o que quiser. Tomara que seja este o caso.

  • Caraca, Cardoso, fez poesia aqui. Esse post ficou MUITO bom.

  • Não tenho nada contra meu passado(mesmo que tenha esquecido quase sistematicamente minha vida pré-14-anos misteriosamente), mas evito muito a nostalgia. Entre outras razões, porque eu vejo gente que é nostálgica e diz coisas como "esses jovens de hoje"… e não tem nem 30 anos! What.

    Em outras palavras, eu prefiro evitar soar como um velho de 60+ anos aos tenros 21. =/

    Nonetheless, este texto foi lindo. :)

  • Olivia

    Bravo!

  • Após ler este texto, senti vontade de escrever um monte de coisas: como concordei com ele; como sinto saudades de meu passado, mas estou feliz com o presente e ansiosa quanto ao futuro; queria falar de minhas próprias experiências, enfim….

    Totalmente desnecessário. Seu texto está completo.

  • Texto fodão. Sem mais.

  • Helô Fialho

    Clap, clap, clap!

  • Queria poder dizer que olhar pra céus sem estrelas é melhor do que o passado estrelado. Queria poder dizer que ficar preso em congestionamentos poluídos é melhor que um belo passeio matutino por áreas verdes. Queria poder dizer que o copiar e colar moderno é melhor do que o copiar e colar antigo, no qual pelo menos eramos obrigados a ler e a praticar nossa caligrafia. Queria poder dizer que o arquivo digital com compressão baixado pela internet é melhor do que o vinil bem cuidado, sem arranhões, com capa e encarte incríveis. Queria poder dizer que ser obrigado a fazer sexo com camisinha porque teme-se a doença letal é melhor do que o sexo natural do passado. Queria poder dizer que Lady Gaga é melhor que Led Zeppelin.

    Queria mesmo, porque se fosse verdade, o mundo seria um lugar melhor.

  • So say we all!

  • Felipe Augusto

    Seu texto me intrigou sobre essa questão. Tô tentando pensar num argumento pra comentar aqui. Falo depois.

  • Jegue do Pantano

    Gostei do texto…quando alguem vem com esse papo eu conto uma pequena historia..

    Meu sogro e minha sogra, ambos com, respectivamente, 50 e 47 anos atualmente não tem nenhum dente na boca. Usam uma prótese. Caíram todos – dirá alguém. Que nada! O próprio pai os levou ao dentista por volta de uns dez a doze anos e por conta de um pequeno furinho ou uma cárie ordenou ao dentista que arrancasse todos. Eu disse, TODOS os dentes da boca, em duas rodadas. Primeiro, todos os de cima, depois o restante, embaixo.

    Segundo eles contam, 90% dos dentes estavam bons, era só fazer o que hoje chamamos de limpeza. A prática era muito comum na vizinhança, porque uma dor de dente era uma coisa quase irremediável, porque eles viviam na roça e porque os dentistas tinham algo de inescrupuloso.

    Escova de dente, fio dental, enxaguante bucal? Esqueça. Imagine voce acordar no dia seguinte e ir à escola assim, parecendo o rocky balboa com protetor bucal depois de uma luta.

    Essa era somente uma das atrocidades cometidas num tempo que, segundo alguns, era melhor que hoje.

    Abraços e parabéns pelo texto.

  • Muito bom o texto…

    Como disse um colega lá em cima, Clark Kent ficaria orgulhoso.

    Parabéns…

  • sratoz

    Fodaço como SEMPRE, @Cardoso. Em especial a parte sobre os trolls para quem o responsável é sempre outro. E me lembro muito, muito bem de ter que configurar tudo manualmente, e de travamentos infinitos do Win 3.1, do Win95… "Bons tempos", né?

    (Bem, eu aprendi sim com os trabalhos de colégio, e não fazia Ctrl+C-Ctrl+V da Barsa, não: resumia para minhas palavras, tendo pensado no conteúdo. Até hoje sei a química do besouro-bombardeiro, graças ao trabalho que fiz na oitava série. E alguns trabalhos eram discutidos em sala, e quase todos os professores liam antes de comentar e dar nota. Mas admito que minha escola era atípica.)

    É esse o tal texto que está sendo trollado no Twitter?

  • Limão

    Outro dia comentei com minha mulher que sentia falta de ir a uma locadora alugar um filme.
    Claro posso fazer isso hoje mas é muito mais fácil baixar em HD do que esperar 3 meses um DVD estar disponível no Brasil. Não é sobre isso que estou falando e sim do "ritual", da expectativa de encontrar um lançamento, do sair de casa e caminhar com a namorada e na volta passar passar num pizaria, a noite perfeita. Olhar o passado pela ótica tecnológica é risível, o I7 de hoje é o 386 de amanha, provavelmente Cardoso já se pegou recordando o tempo que a sua "internet" não era cheira de "troll" e "raters". Bons tempos hein Cardoso.
    Eu sinto falta do horário de pico do transito em SP que era as 7:00 da manha e 5:00 da tarde, fora disso a cidade era uma paz, do campinho de futebol que tb era forte apache e pista de bicicross.
    Do meu professor de escola publica que falava Latim.
    A primeira coisa que veio a cabeça lendo esse texto do Cardoso é musica Ouro de Tolo de Raul Seixas.

  • josealonsoneto

    Belo texto.

    Mas sou um saudosista de nomes, que se recusa a chamar o Super-Homem de Superman apesar de nunca ter visto problemas em chamar o Batman de Batman. Sempre digo pros meus sobrinhos que o nome do ursinho retardado é Puff e não Pooh, e que a fadinha gostosa não é Tinker Bell e sim Sininho.

    Também sou um saudosista de coisas que não vivi, acho os anos 70 a melhor década de todas, aí me lembro que sou brasileiro e os anos 70 aqui não foram como nos filmes. Aliás, nem lá fora.

  • Parabéns, texto fantástico, algumas decadas atrás ninguem teria o privilégio de botar os olhos nesta obra.

  • Cardoso:
    Como sempre seus textos são fantásticos. Também tenho uma saudade das coisas antigas, embora eu prefira meu computador atual ao meu primeiro xp de 640 k, e meus pendrives de oito gigas aos disquetes de 1,4. Quanto à música… não abro mão dos Beatles, Creedence Clearwater Revival, Seixas, Abba, Bee Gees e os tangos de Gardel (há um site maravilhoso sobre ele com letras filmes e músicas.) Aliás, o primeiro video-clipe da história foi "Por una cabeza", gravado no hipódromo de Long Island pela Paramount, proprietária dos direitos da maioria dos filmes de Gardel.
    Quem diria?
    Também é proprietária de Star Trek.
    Vida Longa e Próspera Cardoso!

  • Eu acho um porre uma parcela dessa geração – a minha geração, que nasceu no fim dos 70 e início da seguinte – que insiste em manter um vínculo quase doentio com a infância, promovendo revivals intermináveis, com "Festas anos 80", emails, sites e etc.

    Uma das razões é puramente sentimental: como nos lembram quase todos os dias das "maravilhas da infância" da Década Perdida, aquela emoção de rever lembranças perde a graça, por que o texto está todo ali, pronto, exposto. Recordo do brilho nos olhos dos mais velhos quando, coincidentemente, ouviam alguma música ou algo similar que os remetia à juventude. Hoje basta googlear os termos corretos ou irmos à "festa brega" mais próxima pra recarregar essa bateria da eterna infância.

    Outra razão de eu achar um porre o povo dos anos 80 é justamente aquilo apontado no texto do Cardoso: saudosismo barato e acrítico. Valores mudam, culturas mudam, e ter sido criança/adolescente naquela época (ou em qualquer época) não foi melhor que hoje, nem o será amanhã. Os pequenos espartanos nos achariam faggots hiper-afeminados, pois uma das iniciações dos filhos dos nobres na vida adulta era a caça dos então "favelados" gregos (é, 300 não era tão nobre assim…).

    É normal as pessoas romantizarem seu passado. Entrevistas, principalmente com pessoas mais velhas, são perigosas quando o objetivo é obter-se alguma informação sobre fatos do passado. Elas tendem a mostrar a sua versão como "verdadeira", já que elas participaram de tal evento ou conheceram fulano. Mas o problema reside quando essa memória é reafirmada a cada momento como sendo a melhor, e seu poder de persuasão é multiplicado pela internet. Tanto, que se vê gente nascida a partir dos 90 pegando o bastão do revival oitentista e incorporando ao seu estilo.

    Cada um faz o que quer, se veste e age do jeito que quer. Mas que me irrita essa onda oitentista, irrita. Porém, ainda assim, prefiro essa galera que reciclou as memórias dos outros e construiu um estilo mais interessante do que mera cópia de uma memória inventada*, reflexo de uma infância cada vez mais longíncua.

    * "memória inventada" por que é resultado de uma seleção daquilo que se quis colocar em evidência, a partir de determinados critérios. Exemplo disso é o texto do Cardoso: os saudosistas dizem "bons tempos do LP", mas ninguém lembra que compartilhá-los envolvia o risco de não voltarem, e que o acesso a mais discos dependia da boa vontade das gravadoras.

  • Marcio

    Cardoso é uma grata surpresa em meio ao mar de lixo produzido na internet. A internet possibilita que pessoas com real talento (em inúmeras áreas) possam exibi-lo e encantar os que tiverem olhos para enxergar tal talento. Infelizmente, também facilita aos que não o possuem, mas acreditam tê-lo. E, seguindo uma curva Gauseana, 95% do produzido é mediocridade mas os 2,5% de bom padrão fazem valer a pena a procura em encontrá-los.

  • Simplesmente fabuloso! "Libelo" nunca foi tão bem empregado.

  • Gabi

    Li seus últimos 14 textos. Esse foi o 14º e fico triste em ver como textos tão claros como os seus podem ser interpretados de maneira tão errada (ou rasa) por alguns – talvez não nesse texto especificamente, mas sempre leio você argumentando contra os 'haters'.
    Infelizmente sou professora da rede pública em São Paulo e passo isso com os alunos, contudo, eles não escrevem críticas sem fundamento, uma vez que poucos na oitava série são alfabetizados de fato, é através da comunicação verbal que eles agridem e intimidam.
    Me impressiona como dói pensar, como é penoso raciocinar….
    No final das contas, o que me deixa mais decepcionada é saber que o que eu prezo não dá "IBOPE", que amadurecer não é natural. O interessante e popular é manter a postura adolescente do embate vazio até o fim da vida.
    Abraços

  • Acredito que não levaria a nada gastar linhas elogiando a indiscutível qualidade do texto. É a ideia que interessa aqui.

    Acredito que, na luta entre o novo e o velho, saem perdendo aqueles que escolhem um lado e esquecem ou desprezam o outro.

    Porque o que passou ergue-se como o registro do que viveu uma pessoa, um país ou o mundo. Seria arrogância demais depositar confiança apenas no que esta por vir e esquecer que os erros e acertos ocorridos formam uma intrínseca rede de aprendizado (ou assim se espera…) que acaba por moldar nossa forma de ver as coisas.

    Já viver e reviver o que passou, debochando do presente e de tudo o que está por vir, é demostrar total falta de confiança na capacidade que cada pessoa tem de lutar pelo melhor ou por seus sonhos ou por seus desejos ou simplesmente pelo que mais quer.

    Já vivi coisas boas e ruins, delas tirei e tiro o necessário.

    Mas o que quero está aqui e um pouco depois.