Lucrando com os erros de seus usuários menos brilhantes
Sejamos realistas. Grande parte da Internet é composta de analfabetos funcionais, ou pior. Vide meus artigos sobre pérolas recebidas em emails. Este blog quase não sofre com isso, mas outros mais populares são assolados por comentários de gente que com certeza não passaria no Teste de Turing. Além da 1337 speak e do miguchês, temos os erros claros, como “estalar” programas, “imbutido”, “pesso por favor”. Isso é ruim? Sim, de ler. Dá vontade de apagar o comentário? Com certeza.
<blink>NÃO FAÇA ISSO!</blink>
Você usa Linux porque é fodáximo maravilhoso perfeito absoluto? Ou porque gosta?
Na verdade essa discussão vem de berço. Nossa cultura do Maior do Mundo só admite que nos aliemos a campeões. Ronaldinho é o Melhor do Mundo? Beleza. Ayton Senna imbatível? Ótimo. Barrichello disputando junto com os cabeças, mas sempre atrás do alemão? Inconcebível, é um perdedor, um fracassado. Não basta correr na Ferrari. Tem que ser o máximo entre os maiores.
Sejamos realistas. Todo mundo só anda de Porsche, come no Fasano e namora a Luciana Vendramini? Uma Sarahyba também pode ser divertida. É vergonha ser visto do lado dela? Na Internet brasileira a cultura do Maior do Mundo achou terreno fértil (talvez abundância de adubo) para se desenvolver. “Eu uso YYY, dizem que é o melhor”. “Instalei o sistema YYY. Li que não há nada superior”.
As argumentações são várias, coloridas e emocionais, mas ninguém tem a decência, a hombridade, a humildade, a SIMPLICIDADE de dizer “eu sei que YYY é tecnicamente melhor, experimentei as alternativas e uso XXX porque gosto”.
“Minha namorada é piloto de caça, e a sua?”
Convenhamos, não é muita gente que pode dizer uma coisa dessas. Claro, as meninas na foto não fariam feito mesmo em outra profissão, mas sendo companheiras da Starbuck, melhor ainda. Elas, para quem ficou curioso, são pilotos de F-15 na Base Aérea em Elmendorf, Alaska, e um tapa na cara em mach-2 para toda uma eternidade de machistas tradicionais e homens inseguros, que preferem suas mulheres por baixo. No mau sentido.



