Post é o cacete, eu escrevo artigos

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Longe de mim me associar com os loucos do mv-brasil (note a ausência de maísculas e links, denotando desprezo) e similares, mas uma coisa tenho que concordar: Há uma acomodação muito grande, palavras estrangeiras estão sendo usadas sem a menor preocupação em procurar um similar nacional. Claro que email é mais prático e curto que correio eletrônico, mas printar ao invés de imprimir já é exagero.

Blog é Blog, usar “diário eletrônico” para não usar o termo novo é besteira. Blogar já virou verbo informal. Excelente. Só que eu blogo um texto, uma notícia, um artigo, uma nota. Não um post. Aliás, eu posso até postar algo, mas não um post. Post é genérico de “bloquinho de texto que não tenho saco de classificar”.

Eu reconheço a preguiça. Falo o tempo todo “vou fazer um post”. Acho que isso ocorre por dois motivos:

  1. A preguiça em si – Dizer “vou fazer um post sobre isso” dá menos trabalho do que decidir de antemão se o assunto vale uma foto-legenda, uma notinha ou um artigo completo.

  2. Preconceito / complexo de inferioridade – vindo da mídia tradicional, já tendo escrito para revistas e livros, parte de mim ainda sente o blog como uma mídia menos nobre. O blogueiro iniciante, por sua vez, não se sente confortável em chamar o seu trabalho de “artigo”. Talvez pelo grau de cobrança envolvido com o termo.

Ambas as posturas são bobas, irreais. Estou adorando a experiência como blogueiro, encontrando gente excelente com material de primeira linha, da mesma forma que a mídia tradicional dá cada mancada de morrer de vergonha.

Curiosamente o fenômeno também se reflete na literatura. Não só o jornalismo é considerado “superior” ao blog, a literatura também. Muitos autores fazem posts que na verdade são contos ou crônicas, mas não os chamam pelo nome. No caso do blog uma rosa por outro nome não é uma rosa, pelo visto.

Claro, quand posts de blogs são impressos sofrem uma evolução pokemon e viram livros. Vá entender.

Eu sou a favor da precisão. Passarei a usar o termo mais adequado, na língua que for. Se for review de filme é resenha, se for de equipamento/software é avaliação, se for falar do Google é Search Engine, se for de blog é o que for o texto final do post. <== ARGH! viu? fiz de novo…

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  • Po, mas isso não é culpa nossa, e sim da influência que a gente recebe no dia-a-dia, já é assim fora da internet (A gente vai ao shopping, para em um fast food, come cheeseburger, pega o buzão e volta pra casa happy).

    Não acho isso um problema, até acho legal, fantasio com o dia em que todo o mundo vai falar uma única lingua do país “dominante” (o inglês seria uma boa, parece ser bem menos complexo que nosso português). É claro sem perder os laços culturais (quer dizer, acho que isso é meio impossível, já imaginou marchinhas de carnaval em inglês?).

    Sobre o complexo de inferioridade, é claro que tenho, dizer que os “posts” do meu blog são artigos seria uma forma de elevar meu ego até a termoesfera e desrespeitar meus amigos formados que estudam anos em uma faculdade para poder dizer que fazem artigos. É o que eu acho.

  • Realmente Cardoso…

    Acredito que o erro não está em, vez ou outra, empregar o termo. Os excessos é que são prejudiciais.

    Já faz um tempo que tento abolir a palavra post por postagem, mas admito que de vez em quando acabo deslizando e usando post.

    Aliás, em Portugal blog é blogue. O que pra nós virou verbo no imperativo.

    Abraço.

  • Aldemir, blogar está virando verbo por aqui também. Não sei quanto ao substantivo, acho que vai ficar "blog", mas isso só o tempo dirá.

    O post é complicado mesmo. Ainda mais com o termo arcaico "posta" pra mexer com nossa cabeça.

  • Desculpa Cardoso… Mas eu sou brasileiro e estou no Brasil, diretamente de Maceió na "Répública" das Alagoas. Quando me referi a blogar como verbo é por aqui mesmo.

    Abraço.

  • Se considerarmos que quem utiliza o Google não está a "pesquisar", mas sim a "googlar", então é tudo válido.

    (Para os menos atentos, "googlar" foi há pouco tempo adicionado ao dicionário na categoria de verbos, ou seja, aceite como uma expressão válida).

    Mas há muitos exemplos e que variam entre o Brasil e Portugal:

    – Brasil: Mouse / Portugal: Rato

    – Brasil: Baixar / Portugal: Download

    Etc, etc…

    Mas o mais importante é que nos consigamos entender!

  • Muito legal. Realmente, agente que ta começando a blogar se sente meio rídiculo chamando nossos “posts” de artigo. MAs é verdade: Post que nada… os meus são artigos, avaliaçoes, opinioes, entre ooutros…

  • Concordo, tenho tentado me policiar para usar os termos mais corretos.

    Mas, tenho tanto hábito de usar os dois idiomas que as vezes “foge a tartaruga”…

    Quanto a menospresar, acho absurdamente errado, minha visão em relação a blogs mudou muito, desde que comecei a blogar (tanto que hoje tenho mais de 5 blogs).

    Encontro mais informação (e melhor) em blogs do que em algumas revistas semanais (que me recuso a dizer os nomes), que insistem em me mandar exemplares gratúitos para ver se eu assino.

    Abraço.

  • Antes de mais nada só uma correção sobre o “comment” (HEHE) do “EL_LOPEZ”:

    Brasil: Baixar / Portugal: Descarregar

    Lá eles não usam o termo Download não viu!

    ——–

    Sobre o ARTIGO, eu tenho mania de usar o “post” eu assumo, mas foi culpa do wp que só fala inglês, aí né a gente se apega ao termo 0.o

  • "Lá eles não usam o termo Download não viu!" (Cobalto)

    Eu estou a comentar este "post" do lado de "lá"…

    Apesar da expressão "Descarregar" por vezes também ser utilizada, o vulgar é "Download".

    :)

  • Rafael H.

    Aliás, isso me lembra a pobre da Xuxa, que foi muito malhada há muitos anos por usar xou ao invés de show (que de português legítimo tem o quê, afinal?). Lembro de professores dizendo que as crianças iriam aprender "errado". Tem boi-corneta para tudo…

  • Rafael H.

    Engraçadas são as palavras que não estão nem lá nem cá. Um bom exemplo? Mouse. Qualquer brasileiro que tiver de comprar dois pediria por dois mouses, nunca dois mice. Ou seja, não é mais inglês, mas também não chegou a virar português. Quando me dá na telha, escrevo mause e pronto, hehe.

    Tem coisas, afinal, que são uma questão de hábito. Deve ser sido um choque para muita gente ver o football virar futebol, stress dar estresse, sport mudar para esporte, mas assim é a vida. Contudo, tem de ter coragem para enfrentar uma possível ida ao xópim para comprar um xorte novo. De qualquer forma, já me habituei tanto a usar blogue, flogue, escâner e escanear, entre tantas outras, que as formas originais usadas em português me saltam aos olhos.

    E eu já saí totalmente do assunto…

  • Brasilkeiro: ser americanizado ou americano falsificado?

    Não é nada estranho usar termos ou palavras em inglês. Isso tende a aumentar cada vez mais, principalmente na blogsfera.

    Agora, vou dar uma de narcisista… a culpa não é minha, e nem é nossa. A culpa é da mídia.

  • Vou fazer um post sobre isso. Achei o assunto hype demais para perder.

  • Antes a minha página oferecia um "jornal" e nós publicávamos "artigos". Eu me acostumei tanto com esses termos que levei um susto quando o sistema mudou os nomes para "blog" e "posts". É mesmo, dá a sensação de que fomos rebaixados, ou que incorríamos no exercício ilegal de jornalismo…

  • “Apesar da expressão “Descarregar” por vezes também ser utilizada, o vulgar é “Download”. ” (EL_LOPEZ)

    Cara aqui também se fala Download!

    “Clique aqui para fazer o Download”

    tudo que é site em portugues de portugal vem escrito Descarregar…

  • A pior palavra é empowerment.

  • Ja acostumei a postar … acho que isso já deve até ser um verbo na nossa língua … não dá mais para voltar atrás … tente outro termo que a gente segue !

  • Tranqilo Cardoso?

    Eu escrevo Textos . . .

    É isso.

    FALOW !

  • Pingback: Sérgio Blog 2.3 - Mais sobre acessibilidade lingüística()

  • Tantos nomes estrangeiros são utilizados na nossa lingua , pq este lhe chama mais atenção?? pelo fato de ser visto de forma diminuitiva ou menosprezada por entidades?? que entidades??

    O Blog está cada vez ganhando mais espaço, e se você de fato for bom, terá seu lugar. O seu post só é menosprezado pelas pessoas que ainda não perceberam o alcance do Blog como ferramenta de compartilhamento de conteúdo..

    E se a palavra post tem esse significado literal, não quer dizer que ele possa evoluir, basta a massa ativa da 'Blogosfera' (outro termo muitas vezes menosprezado) enriquecer seus conteúdos, que cada vez mais, mais pessoas olharão, anexarão e validarão perante as entidades…

    Até o mesmo número que tem de pessoas como você e os que postam em seu blog, tem de meninas adolescentes que falam AXIM e pessoas melancolicas que tentam expressar seu lado emocional pela vida (ou morte). Então seria mesmo artigo? Daria uma bela reunião o dia que juntassem para discutir um novo termo nacional..

  • Jin

    @Bernard

    Alguém me corrija se eu estiver errado, mas até aonde eu li, o autor não menciona ninguém e não tenta estabelecer um termo padrão, ele apenas compartilha a sua opinião pessoal perante o assunto. Se ele, ou qualquer pessoa escreve um artigo, uma crítica, um conto ou seja lá o que for em um blog, ela tem todo o direito de mencionar-lo pelo tal. Em nenhum lugar ele diz que todos os [insira-seu-termo-preferencial-aqui] não deveriam ser chamadas de post, até porque, alguns são posts mesmo.

  • Jorge Flávio

    Só pra testar se eu fui mesmo bloqueado aqui… Talvez eu tenha dito algo que você não gostou, quem sabe?

  • Jorge Flávio

    Humm, aparentemente não. Mas provavelmente a partir de agora, serei :). Desculpa aí a nossa falha!

  • Para, para!!!! Assim não dá!!!

    É a primeira vez que venho ao blog, já li alguns… hum… artigos, digamos, muito interessantes. Todos me fizeram pensar e deram vontade de comentar. O único problema é que logo agora, meu marido começou a perguntar pela janta, e já vi que não vou poder comentar nada (estou ouvindo daqui os roncos da barriga). Tá bom. Revolução sexual, não é? Pois sim! :)

    Enfim, apressadamente, quero pelo menos dizer que achei excelente a qualidade do site. Volto amanhã sem falta, para ler mais, com tranquilidade.

    Ah, e que vou roubar a idéia do Grande Líder da Silva. É tentador demais.

    Não é à toa que meu blog se chama Peccata Minuta. Sou uma pecadora mesmo.

  • Quando vou jogar algo no blog escrevo um novo post.

    Não é um comentário nem um artigo, é um post.

    Entendo o que você diz mas não entendo quando considera "blog" e "e-mail" aceitáveis e "post" não. Me parece um julgamento completamente pessoal e subjetivo.

    A internet nasceu de embrião americano, fala inglês de nascimento, temos que pensar em comunicação antes de pensar em nacionalismo.

    Você come um bife que já foi beef. Mas só porque chama bife é mais gostoso?

    Um abraço, Arturo.

  • Pingback: As músicas tristes que sempre me enganaram | Pessoais()

  • Pingback: Banana com Casca e Tudo » "Post é o cacete"()

  • Interessantíssimo o seu ARTIGO! E não digo artigo para usar a sua expressão, mas no sentido da alta qualidade do conteúdo. Eu, por OPÇÃO, use "post" para me referir a um ergistro em um forum. Na verdade uso mais a expressão. Tenho lá alguma resistência a não utilizar palavras de nosso idioma, em casos que muitas vezes denotam um DESEJO de falar "bonito". Não digo que vou enviar um "mail" ou em "emial", mas costumo dizer mensagem. Quando escrevo, e dependendo para quem, até uso email (sem "-"). É um assunto em que o fato "gosto pessoal", ou até mesmo hábito tem o seu peso. Mas admito que fico "louco" (preciso ficar menos, e respeitar o próximo) quando vejo referências a "sítio" em lugar de "site", "porque estamos no Brasil e precisamos preservar nosso idioma". O que é "idioma", afinal? A palavra já foi absorvida, já é nossa também, e isso não desmerece nem um pouco a nossa (riquíssima, por sinal) língua portuguesa. E ouvir "parede de fogo" de quem não, pelo chamado "nacionalismo", não fala "firewall"? Quantos dentro todos nós que falamos o português, em suas mais variadas versões? Sabem o significado "literal" de firewall? Temos que admitir que não muitos (ao menos percentualmente). Mas quantos, dentre os usuários de computadores, são capazes de entender "de pronto" o que é um firewall, ainda que não saibam traduzir literalmente. Certamente que o percentual aí já sobe, e muito! Eu me senti um ignorante quando ouvi, pela primeira vez, alguém usando a expressão "parede de fogo" como referência a firewall. Em questão de segundos, quando a ficha caiu, tive que conter o riso.

    Mas nessa questão "comunicação", há uma coisa que eu não consegui fazer: não usar maiúsculas para nomes próprios e não usar caracteres especiais de nosso idioma, como "á, à, ç…".

    Sem a menor intenção de crítica a quem quer que seja, e reiterando meus parabéns ao autor do artigo, apenas digo: é isso aí!

    Elildo Mancebo Reis

  • Elildo

    Escrevi um comentário enorme (que está salvo) o qual foi bloqueado como "SPAM". Para onde posso enviar, de modo que possa ser avaliado?

    Elildo

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