Dilema ético ou pura frescura?

Quando ajudei o Cobra a montar o Frank Sinatra Brasil sabia que ele era fã absoluto, e cuidaria do blog, aproveitando o empurrão dos mil e poucos posts gerados pelo meu script, para em seguida colocar mais informações, catar vídeos no YouTube, etc.

Só que como você agiria se a situação não fosse tão eticamente clara?

Digamos que você tenha a possibilidade de gerar um ou dois blogs, com milhares de posts, que serão úteis para os visitantes, mas são assuntos que não te interessam minimamente, sequer contam com sua simpatia. Imagine que você pode, por exemplo, fazer um blog que atrairá milhares de fãs do RBD. Não serão enganados, ficarão satisfeitos com o conteúdo encontrado, e você nunca mais passará pelo blog exceto para limpar os spams nos comentários.

É válido fazer um blog assim, levando-se em conta que ele dará um bom dinheiro?

Qual o compromisso ético pessoal de um blogueiro nesse caso? O quanto você fica confortável em abrir mão por um momento da máxima de blogar por prazer (mesmo que do ponto de vista da Bruna Surfistinha) e produzir um blog completamente alienígena? Fazendo uma analogia, equivale a dar carona para seu cunhado chato, e em troca ele enche seu tanque.

Indo mais além, sequer um dilema ético aqui ou eu estou levando essa coisa de blog muito a sério?


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Leia Também:

  • É claro que não há nenhum dilema ético.

    Isso é tão cristalino que sequer consigo escrever uma justificativa para o que acabei de dizer.

  • Não há dilema, Cardoso.

    Se o que o cara vai fazer é licito (no sentido de não "roubar" o conteúdo de ninguém), então basta lembrar que o WordPress é apenas um gerenciador de conteúdo, que calha de ser adequado a um determinado formato de matéria, coisa e tal.

    E prazer por prazer, mesmo que não haja o prazer diário de escrever conteúdo para esse blog, o cara continuará tendo o prazer diário de ver seu orçamento engordando com receita oriunda do blog, bem como terá o prazer de em alguns minutos ter publicado de maneira adequada milhares de páginas de informação.

    Vejamos o que os demais pensam disso.

  • Anderson

    Os fins justificam os meios ou melhor: dinheiro no bolso justifica o meio.

    Dilema nenhum. Negócio é ganhar dinheiro, dominar o mundo e destruir todas as fabrícas da hello kitty.

    Mesmo que para isso você inicialmente faça um blog da hello kitty. hahah

  • Não vejo nenhum dilema ético.

    Anti-ético é pirataria, pornografia infantil, roubo de direitos autorais, propaganda de correntes engana-trouxas e mais tudo nesse sentido que a fértil imaginação dos internautas é capaz de engendrar.

    O único senão seria manter a motivação para para manter o trabalho, seria mais ou menos como um emprego que não se gosta. Seria penoso. Mas não anti-ético.

  • Anti-ético, de jeito nenhum, o blog vira apenas um negócio mas você fica feliz com dinheiro no bolso, e os fãs ficariam felizes. Os outros que se lasquem.

    Mas teria o problema de suas convicções filosoficas, já que o que fazemos é parte do que somos, ou nos tornamos, sei lá … acho que to viajando….

  • Se isso tu achas um dilema ético, o que o McDonald's faz seria o que?

  • frescura mesmo :)

  • eu nao vejo problemas. além de meu blog principal, criei vários outros, em nichos que acho que não estão completamente preenchidos na net brasileira, pra ganhar uma grana com eles. afinal a pessoa vai entrar de graça no meu blog, absorver o conhecimento que ela quer, e clicar nos adsense se quiser, ela não é obrigada.

  • Não há dilema nenhum. O mundo está cheio de gente que trabalha com coisas que odeiam, mas consideram apenas para ganhar dinheiro.

    Se o que você faz é bem feito, mesmo que odeie aquilo, mas os fãs vão adorar, quem se importa com isso?

  • Se você fizer um blog do RBD no máximo que você vai conseguir é zuação dos seu amigos, mas depois você mostra o chequinho do adsense pra eles e ri por último.

    O fato em um blog que acabo não gostando é quando começo a sentir a sensação de que o blogger foi em uma lista de palavras chave bem pagas pra se inspirar em um artigo.

    Mas é assim o capitalismo é selvagem e o blogger tem que caçar.

    t+

  • E vc criaria conteudo de um assunto que não lhe agrada?

  • Concordo, não há dilema ético.

    Aliás, o que é ética no mundo capitalista?

    Uma coisa é você blogar por prazer. Receber em cima daquilo é excelente. É como uma realização profissional. Mas se não receber, que diferença fará se você bloga por prazer?

    A não ser quando você se acostuma com as verdinhas…

    Blogar por prazer não é ética, é fato.

    Já quanto a alguém fazer algo que não gosta muito, mas que renderá alguns trocados, não vejo mal nenhum, desde que aquele "trabalho" não prejudique ninguém, nem seja trabalho sujo. É como o pai advogado que quer que o filho também siga o Direito. O filho pode não gostar muito, mas não é nada que venha infrigir as leis dos bons costumes. Se não der certo, é como um projeto que não deu. Antes você abrir mão de algo que não gosta muito a abrir mão de algo que te completa.

    P.S. Acho que se você chegou a este dilema, você tá levando um pouco a sério sim, bicho! Faça a tua parte e não se preocupe muito com esta coisa de ética bloguística, cada cabeça é um mundo e cada qual ganha da forma que acha válida.

    Enquanto não tirarem do meu bolso, eu não tô nem aí!

  • Eu tô tão fula com os "kibadores"(para usar uma expressão do Mr. Manson) que não acho nem um pouco anti ético fazer um blog com intuitos comerciais. Já que muita gente ganha dinheiro com o texto e idéia alheia, porque não ganharmos dinheiro honestamente com um nicho de mercado?

  • Não existe dilema. Se eu arrumasse conteúdo bom para fazer um blog sobre algum assunto que não me interessa mas traria retorno financeiro colocaria o bichinho no ar sem pensar duas vezes.

  • resumido: pura frescura sua.

  • Eu não entendo essa história de acharem que o blog, como ferramenta, deve ser algo pessoal.

    Eu entendo o blog, como uma ferramenta para facilitar a publicação de conteúdo. Não precisa ser necessariamente algo para publicar assuntos do seu gosto.

    Um webdesigner não é obrigado a criar apenas sites que ele goste. Ele faz o site para o cliente. Mesmo que o cliente seja você mesmo, porque não publicar o blog com o conteúdo que você já possui?

    Como disseram, se você não está fazendo nada ilegal, imoral ou "que engorda" (alguém lembra disso?), não há problema nenhum em fazer, se terá gente que vai gostar.

  • Não há nenhum dilema. Muitas vezes somos levados a fazer algo que não gostamos para descolar algum trocado a mais. Sem exageros, é importante ressaltar!!!

    Se é lícito e não prejudica ninguém, porque não?!

    Abraço,

    Rui Nelson
    http://www.uebbemais.com

  • Cara, não sei, mas sabe que a idéia é boa? aí, vou pensar nisso e criar um império bloguístico.

    Mas acho que não é anti-ético. Digamos que você produz conteúdo para um site de resumos de obras literárias e te mandam ler Paulo Coelho e você não suporte o charlatão escritor. Estão te pagando pra isso, você vai fazer seu trabalho numa boa, trazendo informação, o leitor vai encontrar o que procura e tals.

    Acho que dá na mesma.

  • Não acho anti-ético.

    Pagando bem, que mal tem?

    Mas sabemos que o dinheiro não compra tudo. Se ele não for uma motivação convincente o suficiente, aí não precisa fazer mesmo.

    O que importa é que vc não deve trair a si mesmo por ninguém que não você.

    :D

  • Jadisleine Ferreira

    Cadê o blog do RBD?

  • Rapaz,

    Eu faço a seguinte analogia:

    Você tem um carro (para seu uso pessoal). Um cara vem e te oferece uma boa grana pra você levar ele a um lugar. Vai recusar? O carro já tá ali e é uma grana honesta…

    Nesse caso, o carro é o blog, o cara é o assunto e a grana… é a grana.

  • Certo… Não há dilema se pensarmos sob a ótica "blog is money".

  • Zictor

    Eu acho que o cara que tiver saco de fazer um blog sobre RBD merece ganhar dinheiro e adicional de insalubridade.

  • Pingback: BetaBlog - Me dá um dinheiro aí()

  • Dilema ético, como já falaram, não tem nada demais.

    Mas pense bem… Por mais que os motivos sejam totalmente profissionais, você fará uma coisa que não gosta, por isso terá o desempenho prejudicado. Acredite, os leitores sabem quando você gosta do que está escrevendo. Então ou você aprende a gostar de RBD (na minha terra chamam isso de "suicídio neural coletivo") ou creio que seu projeto não fará muito sucesso entre os fãs daquele negócio (que não sei se é uma novela ou uma banda).

  • Só para tranquilizar, aviso que meus projetos não têm nada a ver com o RBD ;)

  • Nem sempre vale a pena…

    Acho que escrever sobre algo que nao se gosta apenas pela grana não dá tanto retorno qnto c vc escrever sobre algo que gosta…

    imagine se o fred não desse a minima pra usabilidade, ele ia ter tanto retorno assim (não sei qnto ele ganha, mas sei q o nome dele como referencia nacional com ctz é graças ao blog, unido ao merito dele :P)

    pode até dar certo, mas acho que poderia dar mais certo…

    e se tem chance de dar mais certo, o que voce vai fazer entao é perda de tempo e dinheiro.. :D

    é como criar uma empresa sobre algo q vc não gosta, só pelo dinheiro. muitas delas morrem. ai o cara ve uma area q ele gosto, e cria uma nova empresa e dá certo, ai ele se pergunta, pq eu nao começei direto por aqui?

    hehe… essa é a minha humilde opinião

    ;P

    []'s

  • Iria comentar…mas o Janio logo no segundo comentário disse exatamente o que eu pensava…

    Não há dilemas, desde que não ultrapasse os valores pessoais (colocando valores como: não roubar, não enganar, etc)…

    O resto a máxima "ganhando bem que mal tem" cuida!…

  • Márcio Dias

    Minha unica analogia com relação a profissão de "Bloqueiro" seria com a profissão de jornalista.

    Se esses profissionais só escrevessem sobre o que gostam não haveria matérias suficientes, ou talvez o assunto se esgotasse logo.

    Existem muitos reporteres de política e economia que começaram a carreira em esportes ou matérias policias. Ou já gostavam de outro assunto e com o passar dos anos é que puderam dedicar ao assunto que gostavam, ou aprenderam a apreciarar a mudança na carreira e se tornaram especialistas no novo assunto.

    Lembrei-me de uma matéria que saiu na Veja a algum tempo sobre o ex-juiz de futebol Arnaldo Cesár Coelho. Alem de juiz e comentarista da Globo ele é um excelente corretor de ações da bolsa de valores.

    Nesse caso seria antí-ético ele gerenciar uma corretora na bolsa sendo comentarista de arbritagem de futebol? Acho que não.