Dica: O mundo vai além dos seus sicofantas

Existe uma forma bem rápida de garantir que um projeto será de baixa qualidade e isento de autocrítica: Mostrar pra mãe. É o tipo de opinião mais inútil que existe (exceto se você for o Leonard) pois elas são totalmente parciais quanto ao talento dos filhos.

Botar a mãe como estrategista da empresa é algo bem idiota, mas muitos administradores fazem coisa parecida, até pior, diriam alguns.

Colocam sicofantas, puxa-sacos bajuladores profissionais. Faz bem ao ego mas garante um resultado final de qualidade duvidosa. Na melhor das hipóteses refletirá a opinião do CEO, sem filtros ou críticas, e se você acha que isso não é ruim, saiba que nem Steve Jobs toma decisões sem ouvir seus consultores.

Quer um exemplo? pegue a GAP, aquela loja de roupas tradicional. Eles resolveram contratar a Laird+Partners, escritório chique de novaióqui, pagaram uma baba pra reformarem a logo, afinal quem tem tempo livre e está com a vida ganha, reforma a logo. A anterior, como todos sabem, era esta:

Correta. Nenhum primor de originalidade mas 20 anos sem atualização e continua decente. Se é pra mudar, mudemos pra algo fantástico de moderno, certo? Claro que está correto, não se contrata uma das firmas mais caras de NY para produzirem uma porcaria qualquer…

Isso mesmo. 30 segundos de editor de imagens do Word. Céus, 2 minutos de GIMP e essa bagaça está criada.

Com as redes sociais o que seria uma cagada restrita ao submundo dos designers se tornou algo público. Uma decisão claramente impensada, de gente que não sabe dizer “isso está uma merda!”  e desagradar o chefe agora é alvo de críticas em toda a web.

Calma que piora.

Lembre-se, as redes sociais que constroem também destroem, ninguém tem peninha da  cagada alheia e se for possível produzir MAIS sacanagem ela será produzida.

No melhor estilo colaborativo, um grupo passou a chamar o Gap Logo de Crap Logo, para logo em seguida surgir o site Crap Logo Yourself, onde você pode criar sua própria versão do logo criado por um escritório chique de design. Eu já fiz o meu.

Calma que piora mais ainda.

Como? Fácil: O LOGO da Crap, digo, GAP tem uma conta no Twitter. Paródia, claro, mas já está com 3800 seguidores.

A saída da GAP? A CEO da empresa está dando entrevistas dizendo que gostam da logo (ELA gosta, seja realista, dona) mas que ouvindo os consumidores, estão propondo um movimento de crowd sourcing atrás de uma nova logo.

Então vejamos: Você faz a cagada, descobre que o mundo não é obrigado a achar todas as suas idéias geniais, como os puxa-sacos à sua volta, e quem tem que consertar é a Internet?

Isso não é interagir com consumidores, é dizer “não gostou, faz melhor” sendo que é um caso onde qualquer criança faz melhor. Só faltou usarem o argumento número um das mentes medíocres: “inveja”.

A lição é que nem sempre devemos apelar pras redes sociais em busca de auxílio, principalmente quando tentamos corrigir uma besteira indesculpável. Nesse caso o melhor, por mais contraditório que seja, é pedir desculpas e ir em frente.


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  • Mauro SP

    Gente, isso acontece muito tb no Poder Público! Os caras dizem para o prefeito: "Olha, isso é o máximo, vá em frente! Vai melhorar a cidade!". Só que não são técnicos, são políticos ou marketeiros. E depois dá merda, claro…

  • Philipi Schneider

    No caso, o logotipo não é ruim por ser simples, ou ser feinho. Ele é ruim por, ao propor uma mudança para uma marca já mundialmente estabelecida e com muita história, propor algo que tem dois defeitos. É completamente diferente do logo anterior (para se ter uma ideia de como isso é complicado, quando o The New York Times mudou seu logo em pequenos detalhes, e entre mudanças sutis, tiraram o ponto final do nome, teve uma queda de venda de exemplares em banca de 3 mil unidades), e parece apenas mais um dos logos corporativos usando helvetica que surgiram aos montes nas décadas de 60 e 70. O novo logo basicamente não tem nenhuma característica distintiva.

  • Pingback: Tweets that mention Dica: O mundo vai além dos seus sicofantas -- Topsy.com()

  • Calma, que piora: Eles eles estão querendo processar um site chamado GapNote, pelo uso da palavra Gap. É parecido com aquela ação do Facebook contra uma rede social que usa a palavra "book". A diferença é que Facebook que é uma rede social está processando uma rede social. A Gap que é uma empresa de roupas (geralmente), está processando uma rede social de compartilhamento de "gap", que seriam "lacunas, fragmentos" do seu passado, presente e futuro…

    E claro, para variar, outra grande empresa fez outra grande caga**… O MySpace. O logo é um My e um [_____] espaço… http://techcrunch.com/2010/10/08/new-myspace-logo

    Ó CÉUS, e agora? Bom, pelo menos as redes sociais terminam por f**** tudo: http://twitpic.com/2vu168 :)

    • Não acredito que My_____ seja um logo ruim, muito pelo contrário, o site já é tão conhecido que não precisa escrever o nome no logo, McDonalds que o diga…

  • Não precisa ir até a GAP. Claro, você quis fazer uma análise a partir das redes sociais mas lembra quando tentaram mudar o nome da Petrobras pra Petrobrax? Não tinha Twitter, Facebook, Orkut mas a repercussão foi horrível e acabaram voltando atrás depois de pagarem uma nota pelo estudo do novo nome pela "internacionalização da marca". Mexeram no que remetia ao país, o Bras e o povo não gostou.

    Essa história me lembrou o episódio dos Simpsons em que o Sr Burns vai à falência porque seus consultores não tem coragem de dizer que ele estava fazendo tudo errado.

    • O twitter grita fácil: O rei está nu

      • Verdade. Fiquei imaginando agora como deve ter sido manter resistências à ocupação durante a Segunda Guerra.

    • Rodrigo

      E, ainda assim, gastaram os tubos só pra tirar o acento do nome, lembram?

  • Nossa, o antigo logo era classico e estava fortemente ligado a marca, o novo parece mais uma copia no minimo fulera do primeiro, e bota fulera nisso. Acho que vou abrir uma agencia, contratar meia duzia de muleque com cursinho de "computasão" que sabe usar bem o Paint e começar a morder parte desses investimentos na criação =]

  • Campos

    A Coca-Cola está aí para provar que modernizar logotipos são pros fracos.

  • D.

    Um logo de marca de roupa que nem pode ser bordado.

  • Como já disse nosso amigo lá em cima, Cardoso, "o" logo (logotipo) não é ruim porque é simples ou porque qualquer um o faz. Na grande maioria das vezes, os logotipos mais geniais são assim, simples, porém com personalidade. O mérito, ou demérito, não está em saber reproduzi-lo no "Córel" ou "Paint".

    O que faltou para o novo logotipo da GAP foi justamente isso, personalidade. o estúdio contratado, simplesmente esqueceu a história da marca e criou algo sem referência alguma ao antigo, e pior, sem personalidade.

    Além disso, o logotipo criado, utiliza-se de um degradé de um gosto no mínimo duvidoso.

  • se tem agência que faz me_da é porque tem gente aprovando as me_das né? excelente post!

  • Bem colocado Cardoso. Concordo com o pessoal acima. Realmente não é o fato de ser simples que desmerece a criação. E sim o fato de que não houve criação alguma aí ;)

    Design é projetar e não desenhar. Ou seja, não basta fazer uma marca linda, ela precisa ter conteúdo, concentrar e expor o que a empresa tem a comunicar.

    Há vários casos desses. Achei um site esses dias que comenta dessas gafes "brandinescas":

    The Best and Worst Identities of 2009 http://www.underconsideration.com/brandnew/archiv

    Brand New: Best & Worst 2008 http://www.underconsideration.com/brandnew/archiv

    Quem não lembra de outro exemplo famoso, e daqui do Brasil? Uma marca que foi enxovalhada foi a criada para a querida Copa do Mundo. Aquele "desenho" até que não era "feio"… mas PQP, eu não me reconheci sediando, e representando com orgulho, uma copa com ela…

  • Dan

    Só um #corrections, é O logo, de logotipo, "A logomarca" é utilizado por "micreiros" e afins.

    • Dan, na verdade não é bem assim… mas eu concordo em não utilizá-la também, por questões técnicas…

      Se analisarmos etmologicamente, a palavra "logomarca", a tratariamos como um termo redundante pois estariamos unindo "conceito" (logo) + "significado" (marca).

      Mas alguns defendem como neologismo, ou seja, como uma nova palavra criada e incorporada ao vocabulário por simples popularização, mas não como sinônimo de logotipo, talvez sim de marca (mesmo redundante). E é aí é que faísca heheh ;)

      Então, pra ficar mais simples e garantir um uso menos polêmico…defende-se:

      Logotipo = Tipografia (letras).

      Símbolo = Sinal gráfico que não seja uma letra ou algarismo.

      Marca = Logotipo + símbolo ou apenas o logotipo, ou apenas o símbolo, desde que "marque" ou "materialize" o conceito.

      Portanto, neste artigo, o termo logotipo foi aplicado corretamente, pois a marca Gap não dispõe de símbolo que a represente (a não ser o próprio tipo), portanto, neste caso pode ser chamada tanto de marca como de logotipo.

      • Apenas corrigindo… "etimologicamente" ;).

        Mas lembrando também que há quem defenda que etimologia não define o sentido das palavras.

        O que também tem seu sentido.

        Então… acho mais fácil não usar. Mas não recrimino quem usa ;)

  • LIBERDADE É E

    Puta que pariu, tinha que ser publicitário mesmo para dar pitaco em logo de uma loja de roupas.

    Porra, como vocês são desocupados. A empresa escolhe o logo que quiser, se não gostam foda-se. Parem de cuidar da vida dos outros.

    Como sempre, os fúteis privilegiam mais a forma do que o conteúdo.

    • E qual o grau de desocupação de quem perde tempo reclamando de quem dá pitaco no logo alheio?

    • Sr. "LIBERDADE É ESCOLHA" já ouviu falar de estudos de caso?

      E sabe qual a maior vantagem de se aprender a história das coisas (não a história distorcida que ensinam na escola)? Aprender com os erros do passado.

      Então porque não compartilhar e discutir o erro alheio com o intuito de evolução própria ou das outras pessoas que tenham interesse?

      "…os fúteis privilegiam mais a forma do que o conteúdo."

      Concordo plenamente contigo, e é justamente o que o artigo quer passar também.

      Não basta ter forma, por mais bonitinho que seja, deve haver conteúdo. Precisa representar e comunicar. Fazer seu papel.

      Por isso não faz sentido utilizar essa frase para atingir os que estão aqui discutindo a mesma coisa que você defende.

      []s a todos.