Chamemos de Cojones Marketing

É moda criar nomes pra tudo que é obviedade em termos de propaganda e marketing, isso serve para vender livros, comer calouras e impressionar clientes, não necessariamente nessa ordem de interesse.

Daí termos como ambush marketing, guerilla marketing, transmedia marketing e -meu favorito- realtime marketing.

A única coisa que esquecem é que o único marketing que funciona é o marketing BOM, e pra isso é preciso ter cojones.

As empresas querem ser amadas, conhecidas, desejadas mas não querem se diferenciar da concorrência, não querem se indispor com ninguém, seguem a tradição (principalmente no Brasil) de pagar de bonzinho a qualquer custo, fazendo tudo pra sair bem na fita.

Problema é que não fazer nada funciona muito bem para passar despercebido, não para se destacar da concorrência.

É impossível agradar todo mundo. É triste, eu sei, mas se você vende costeletas de porco não conseguirá a simpatia do público vegan ou muçulmano. Mesmo assim a maioria das empresas tentar ser a legalzona.

Daí temos gestos ridículos como a churrascaria Porcão cobrir o letreiro para não ofender uma comitiva de clientes árabes.

Felizmente há gente que não se interessa em manter esse discurso, são empresas que colocam seus consumidores em primeiro lugar, onde por seus consumidores entenda-se quem realmente frequenta, consome e é leal à marca e à empresa. É uma estratégia de nicho, mas que pode ser o GRANDE diferencial.

Um excelente exemplo, que dificilmente veríamos no Brasil aconteceu com no Alamo Drafthouse, uma pequena cadeia de cinemas no Texas. No caso, na filial de Austin. O cinema tem uma clientela fiel, disposta a pagar um preço diferenciado por boa comida, boa bebida e principalmente filmes em uma sala onde é terminantemente proibido telefonar, mandar SMS ou conversar.

Isso mesmo. São as regras, e antes que alguém reclame, lembre-se: Um celular mesmo silencioso se torna uma enorme fonte de luz balançando e aporrinhando a visão periférica dos outros.

Um belo dia uma guria foi ao cinema e ficou o tempo todo punhetando o celular mandando torpedos pras amigas, pro macho, pro diabo. Depois de alertada duas vezes, na 3a reincidência foi removida do recindo. Ra re ri ro RUA.

Indignada a MALA deixou uma mensagem irada no correio de voz do cinema.

Aqui seria respondida com um pedido de desculpas, afinal isso queima a imagem da empresa, bla bla bla.

Para os responsáveis pelo cinema, só queima a empresa para gente que ache razoável violar as regras do estabelecimento, falar e ficar aporrinhando no celular durante um filme. Exatamente o público que o cinema deles -e seu público fiel- não querem.

Que fazer então?

Um vídeo com a chamada da cliente mala, que termina agradecendo a ela por não voltar nunca mais.

Resultado? Subiu no YouTube hoje, já tem 1510 likes e menos de 30 dislikes. Custo de produção? Próximo de zero. Retorno? Mundial, a história está correndo os intertubos.

Claro, só é possível quando reconhece-se a hipocrisia da frase “o cliente tem sempre razão”.

 


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Leia Também:

  • delaorden

    Muito bom. Eu até chamaria de pura inteligência marketing, mas cojones marketing é totalmente apropriado. valeu !

  • @fran_molina

    Esse pessoal chatíssimo com smartphones foi um dos grandes motivos que me fizeram parar de ir no cinema em dias de estréia. Queria que algumas das redes mais famosas aqui no Brasil como o Cinemark ou o Unibanco (que são os dois mais populares aqui em Porto Alegre) tomassem essa mesma medida.

    Pior que a rede de cinema ainda deu 2 warns antes de chutarem a mina (que tem uma baita voz de adolescente, não dou mais de 20 anos pra ela). Eu chutava na primeira flagrada dela mandando sms. Que cinema é tão escuro assim que tu precisa usar o smartphone de lanterna pra achar um lugar? Nunca vi disso antes.

    Quer ficar thumbfuckando o celular por 2 horas? Fica em casa então. Bando de gente sem noção.

    • Magno

      "Que cinema é tão escuro assim que tu precisa usar o smartphone de lanterna pra achar um lugar? Nunca vi disso antes."

      A primeira vez que eu fui no Cine Odeon (na Cinelândia) eu fiquei perdidinho. Eu conseguia ver as paredes e o teto mas não conseguia enxergar o chão e as cadeiras. Há alguma coisa realmente impressionante no projeto do lugar.

      • leonardo

        a ideia é chegar e sentar ANTES das luzes do cinema se apagarem =)

  • Ótimo!
    Cojones mesmo!

  • Muito bom mesmo
    e o video do diretor? huahuahuhua

  • golfclap
    • well

      Mas o quê que tem a ver o cú com as calças?

      • Felipe

        Porque, naturalmente, se uma notícia sai em qualquer canto da internet, ninguém mais pode reproduzi-la.

  • Marcelo

    Só acha isso fora do normal quem nunca foi na Alamo Drafthouse. Enquanto em cinemas normais as mensagens são "por favor, tenha consideração e evite falar durante o filme", na Alamo é "if you talk during the movie, we'll kick your ass out", nessas palavras mesmo.

    Somando a isso:
    . não podem entrar menores de 21 anos
    . "preço diferenciado" que na verdade significa ser mais barato que a maioria das grandes redes. Mesmo comes e bebes são mais baratos do que em bares, por exemplo.
    . sem propagandas antes dos filmes.
    . rolling road shows! (Vejam o site.)

    E a Alamo é a melhor rede de cinema que existe, IMO.

  • livioribeiro

    O pessoal do Alamo Drafthouse se parece com Duke Nukem em uma coisa: eles tem "Balls of Steel".

    E a tal frase "O cliente tem sempre razão" só faz sentido na cabeça de um patrão retrógrado (estilo o chefe de Peter Parker) que acha que um cliente ruim vale mais que um funcionário bom.

    • É a mania do empresariado brasileiro: Funcionário é um número na folha de despesa, junto com detergente e papel higiênico.

      • Rodrigo Santiago

        Caralho, nunca vi uma definição tão perfeita de como os chefes veem os funcionários!

  • GarreteReis

    GENIAL!!!

  • Janio s

    Escrevi algo parecido esses dias sobre para quem eu trabalho. Clientes que não entendem os meus valores e da minha empresa não me interessam, e quando falam mal de mim e afastam potenciais clientes como eles estão me fazendo é um grande favor.

    Essa imbecil é o tipo de mula que é cliente que não serve, e divulgar a mensagem dela para que outros sem noção se solidarizem e nunca ponham seus rabos nos cinemas da rede pode ser considerada profilaxia.

  • Luis Santos

    Bem interessante o post, mas você disse que "Um belo dia uma guria foi ao cinema e ficou o tempo todo punhetando o celular mandando torpedos pras amigas, pro macho, pro diabo. Depois de alertada duas vezes, na 3a reincidência foi removida do recindo. Ra re ri ro RUA."

    Mas na mensagem deixada ela conta uma história diferente.

    Eu também odeio o uso indiscriminado de celular em cinemas. Acho mesmo que, se legamente possível fosse, deveriam ser instalados bloqueadores de celulares (não entendo por que o tal Alamo não o faz…).

    Mas usar o celular como lanterna para enxergar no cinema é algo que eu faço.

    Onde você obteve a versão citada, de que ela " ficou o tempo todo punhetando o celular"?

  • Rafael Leite

    Isso me lembra as filas de caixa rápido dos supermercados: sempre tem um fanfarrão para passar mais produtos que o limite. O pior é que raramente o supermercado tem coragem de não deixar passar.

    • Sergio Masa

      Eram 10 itens no caixa rapido, agora sao 20 itens. Os folgados venceram. Ninguem vai ficar contando pra ver se tem 20 itens no maximo, 10 era facil.

      • E são itens únicos, mas o povo sempre distorce as palavras para levar no sentido de "produtos únicos": aí levam 10 latas de óleo, 15 pacotes de macarrão e 5 de sal e alegam que estão só com 3 produtos. Acredite, já presenciei isso :P

  • Paulo de Loyola

    O início do post lembrou-me uma vez que fui fazer o material de papelaria para uma empresa de TI. Claro que isso incluía o cartão da dita empresa, cujas cores institucionais eram laranja e branco. Fiz um cartão com um chapado laranja em 1/3 da frente. O cliente pediu que tirasse aquilo pois assim o cartão chamaria muito a atenção. "Peraí", disse eu, "você quer um cartão que não se destaque?" "Isso", respondeu ele, "quero um cartão que seja igual ao de todo o mundo para não parecer diferente".

    Em tempo: a empresa já fechou.

  • O Alamo Drafthouse é realmente o máximo. Se estiverem em Austin (durante o SXSW, de preferência), não deixem de ir! E que bom encontrar outros redditors por aqui, golfclap!

  • Sergio Masa

    Comecei a ler este texto e pensei que ia ser sobre a Proibida x Panico, mesmo que tardiamente. Fica aqui o registro. :)

  • Felipe DiSouza

    Cliente, só por ser cliente, acha que é Deus dentro da loja… Incrivel como reclamam quando acordam pra realidade.

  • Não é exatamente o que tu disse no texto, mas pra mim, isso é a velha história de que, se tu quer fazer algo que preste da tua vida, tu vai ter que incomodar alguém por isso. Não deve ter nada nessa vida que seja fácil e valha a pena.

  • Clássicos universais

    Olá, Cardoso.
    Acompanho teu blogue, postagem a postagem, há pelo menos um ano; os registros que deves ter do IP hão de comprovar isso. Nunca comentei, é verdade, porque sou do tipo que prefere ficar a só com seus botões e estive ausente das comunicações durante muito tempo.
    Resolvi enfim passar aqui nos comentários para te dar este breve feedback e oferecer uma pequena recomendação. Do teu blogue posso dizer que é muito bom ter em meio ao mar eufórico de informações um lugar onde se possa parar, desenvolver, refletir e entender um pouco mais dessas informações. Não digo que tua palavra é lei, mas é pelo menos uma busca válida pelo entendimento (que será diferente para cada um).
    E a recomendação é a seguinte: acabei de montar um blogue para descrever objetivamente os clássicos do cinema, da literatura e da música, além de trazer algumas informações extras sobre essas áreas. Se tiveres tempo – e quiseres, bem entendido – dá uma olhada na postagem "A evolução e influência dos processos de gravação musical", no menu "Mixórdia cultural", onde trato da história desses processos de gravação e distribuição, do LP ao MP3, e de como afetaram a criação das músicas em si.
    Creio que o assunto é do teu interesse. Nele lido com a transição das mídias físicas para as virtuais e das conseqüências envolvidas. E seria muito importante para mim a opinião de alguém mais experimentado em lidar com o público e em escrever em blogues para saber no que preciso melhorar e no que posso ser mais útil aos leitores.
    Deixo meus parabéns, meu muito obrigado e um abraço.
    Atenciosamente,
    Christian.

  • Eu também acho tacanha essa idéia que temos da publicidade, apesar de não ser do ramo, como consumidor, gostaria de ver coisas mais audazes. Como aquela propaganda da Pepsi em que um garoto pisa na lata de Coca só para alcançar o botão superior da Pepsi na máquina de Refri.

    Não sou totalmente contra à idéia de que o cliente tem sempre razão, para alguns negócios ISSO pode ser o diferencial também, mas o cliente também será cobrado por isso.

    Entretanto nossa propaganda poderia ser um pouco mais livre. Um pouco mais.

  • Gustavo

    Marketing bom é marketing morto.

  • nana

    CARA, VOCÊ É UM BOSTETICO!

    ACHA QUE FICAR DANDO BLOCK NAS PESSOAS VAI MUDAR O QUE ELAS PENSAM DE VC?

    VC É UM MERDA, UM IDIOTA QUE SE ACHA MELHOR DO QUE OS OUTROS E NÃO É NADA!

    É SÓ MAIS UM PATETICO QUE FICA ENFURNADINHO NUM QUARTINHO CRITICANDO AS PESSOAS.

    TÃO RIDICULO QUE NÃO TEM PEITO PRA FALAR NA CARA

    VAI SE FODER!

  • Juvenal

    Tô de SACO CHEIO de FILHA DA PUTA atendendo celular no cinema.

    A educação desses elementos os faz parecerem com macacos.

  • Pedro Couto

    Um bom site para quem quer publicar posts e ganhar muitos acessos é o REDBUS. Pelo endereço http://redbus.freevar.com/enviarlink é possível cadastrar quantos posts forem precisos ao dia e sem a aprovação do editor do site – Não precisa de cadastro e o link sai na página inicial do site na hora. O site é muito legal, muito melhor, inclusive, do que o Ocioso, Colméia ou Uêba (cujos editores nem sempre aprovam os links na home page do site). O endereço é http://redbus.freevar.com/enviarlink

  • É o que eu chamo de transformar o ônus em bônus, o problema em solução. Brilhante!

  • Realmente não é sempre que o cliente tem razão!
    Mais temos que ter jogo de cintura pois dependemos deles e muitas vezes também somos clientes e queremos ter razão!! rsss

  • Parabéns pela matéria.

  • Parabéns

  • Muito bom

  • Só faltava essa.
    Cojones… http://www.modafemininaefitness.com.br

  • Pojones, fala sério.

  • Cliente não é nada, entendam isso pelo amor de Deus! http://www.youtube.com/watch?v=95mwPxxDcx4

  • Mais um novo tipo de marketing: Inbound Marketing by Rand Fishkin (SEO)

  • Mais um tipo de marketing: Inbound Marketing by Rand Fishkin /via @bluebusbr http://www.bluebus.com.br/show/2/105033/expon_201

  • Lucas Lopes

    De boa cara, teus post são muito fracos e conteúdo copiado, tenta escrever algo de autoria tua pelo amor de deus…