Louis C.K., Velha Mídia é a Mãe e a batalha contra a pirataria

Louis C.K. é um dos grandes nomes do stand up americano da atualidade. Em alguns medições ele atinge 450 miliCarlins. Como todo comediante do ramo ele vive de shows, DVDs e programas de TV. (Exceto o Rafinha Bastos, que agora é cantor, mas pensando bem eu disse “comediante”)

Ele (Louis C.K., não o Rafinha) tem enfrentado problemas pois a HBO não passa mais seus especiais –só prestigiam artistas da casa- e canais alterativos como Showtime e Cartoon network consideram a comédia de Louis muito controversa.

A saída foi a Internet, mas ele resolveu fazer diferente. Ao invés de se associar com um grande nome, uma grande distribuidora, ele preferiu fugir das restrições impostas por esses modelos e está distribuindo o novo show direto de seu site oficial.

Sem DRM, sem restrições, sem limite por regiões, ele diz com todas as letras: “Você pode baixar o arquivo, ver quantas vezes quiser, queimar um DVD, whatever”. A única coisa que ele pede é que você PAGUE POR ESSE DIREITO, são míseros US$5,00 por um show inteiro, gravado profissionalmente em um teatro, editado e produzido.

 

É tudo que o discurso da pirataria (diz que) pede, não? Material de qualidade (o vídeo é em HD), original, sem DRMs e outras restrições, a um preço razoável.

Não, não é o bastante:

louis

O arquivo já chegou nos torrents. mesmo com a mensagem onde Louis explica que está experimentando com um meio novo de distribuição, que não entende muito o que são torrents, mas que quer chegar aos fãs diretamente, sem o custo das corporações e intermediários, então por favor pague a porra dos US$5,00.

Nos comentários no Pirate Bay, Metafilter e outros sites todo o racional do Louis C.K., fazer “a coisa certa”, falar direto com os fãs rendeu aprovação de –se tanto- 50%.

Há gente dizendo que Louis tem patrimônio de US$5 milhões então não precisa de mais. Outros dizem que se ele editou o show por conta própria o custo foi zero –ignorando toda a produção do teatro, cinegrafistas, etc, claro- e portanto não deveria cobrar.

Também há gente dizendo que ele está fazendo isso por propaganda e que o show já se pagou antes de começar a ser vendido.

CLARO, também tem o clássico “com tanta gente passando fome”. Um fã disse que baixou o torrent e PAGOU pelo show, “vamos mostrar ao mundo que nos importamos”. Outro caiu em cima dizendo que ele deveria doar os US$5,00 pras criancinhas famintas.

Em tudo é gente justificando não pagar os US$5,00, fazendo um malabarismo moral imenso. Fosse no Brasil provavelmente diriam que está caro, usando alguma lógica como dividir o preço da TV por assinatura pelo número de horas no mês.

android_pirateO preço é o fator menos importante para a pirataria. O iPhone e o Android estão cheios de esquemas de jailbreak e market places ilegais onde o sujeito pirateia jogos de US$0,99. Alguns usam a desculpa de que querem experimentar antes, mas HELLO? Jogos têm resenhas, vídeos, no Android dá até pra DEVOLVER o programa e pegar o dinheiro de volta.

Ninguém entra de graça no cinema “só pra experimentar o filme”, você não pede uma prova num restaurante antes de pedir o prato.

A GRANDE explicação para pirataria lembra a resposta de George Mallory quando perguntaram o porquê de ele ter escalado o Everest: “Porque [o Everest] estava lá”.

As pessoas baixam filmes músicas e fotos porque podem.

Eu não compro a idéia de que pirataria estimula vendas. Simplesmente não faz sentido. TODO MUNDO que já vi comentando sobre algo pirata que baixou, quando gera interesse o interesse vem na forma de “copia pra mim”. Paulo Coelho paga e bonzinho disponibilizando seus livros na Internet, mas é um caso bem especial. Primeiro, seu grande público não está online. Segundo, sua base de leitores é grande o suficiente para que a venda em loja não seja afetada.

Há casos de quadrinhos que fracassam no offline mas são sucesso na web, justamente por isso. O autor banca uma edição física do próprio bolso mas os “fãs” preferem esperar alguém comprar, escanear e subir. 1% de pagantes é uma proporção aceitável se você tem 1 milhão de leitores, não se tem 1000.

Vejam como funciona: Meu Twitter tem 32.605 seguidores. Se eu cobrasse R$0,50 de cada um todo mês pelo (imenso) privilégio de ler as pérolas de sabedoria que compartilho diariamente isso garantiria uma renda de R$16.302,50. Mesmo que eu cobrasse R$0,20 já seriam R$6.521,00 todo mês, é um bom trocado.

leoni_lnk1Só que o mundo fora das planilhas não funciona assim. As pessoas querem as coisas de graça, estão acostumadas a elas assim. R$0,20 soa ofensivo como se eu tivesse pedido uma foto pelada de minhas seguidoras. Não que não sejam bem-vindas.

Mesmo a televisão por assinatura racionalmente pensamos no decodificador, no canal, não no conteúdo. É complicado quantificar o intangível. Essa Mais-Valia intelectual ainda é algo a ser definido.

Um excelente exemplo é o Leoni, um músico de primeira, que está aí desde sempre, Kid Abelha e Heróis da Resistência são nomes que entraram pra história do rock nacional.

Ele tem mais de 50 mil followers no Twitter e está experimentando com um projeto de crowdfunding, para determinar se consegue apenas com fãs montar um show em São Paulo.

Com tudo isso suas vendas online de músicas não são impressionantes. Tá certo que o site que ele escolheu não é nada amigável pra venda, mas mesmo assim ficam na casa de 5 downloads por semana.

Quando Leoni libera o álbum “A Noite Perfeita” para download gratuito ele atinge fácil 200 downloads em algumas horas.

Como assim, Bial?

 

Percepção de Valor

Simples, gafanhoto: Percepção de Valor. O Touchpad da HP era uma bosta de tablet quando custava o mesmo que um iPad. Não vendeu absolutamente nada. Quando foi tirado de linha e pra não sair 100% no prejuízo a HP o ofereceu abaixo do preço de custo, em alguns casos a US$99,00 ele se tornou best seller.

A música do Leoni é uma merda? NÃO, mas a percepção de valor de conteúdo midiático na Internet é ZERO. Qualquer coisa que você possa baixar de graça, sem consequências se torna cara quando o valor atribuído é acima de zero. Por isso o jogo de US$0,99 é pirateado. A percepção de valor igual todo mundo, Leoni, Beatles, Restart, todo mundo no mesmo barco, mas se o Restart começar a tocar os primeiros 5 desejarão que seja o Titanic.

Todo mundo que baixa filmes na boa se sentiria ultrajado diante da idéia de roubar um DVD pirata de um camelô. Na cabeça da gente roubar um sujeito que está LUCRANDO com um filme pirata ainda é moralmente inferior a roubar toda a cadeia produtiva que viabilizou o filme.

Radio GaGa

O experimento de Leoni em focar no download não é inédito. O Radiohead também lançou seu álbum In Rainbows como um download, sem DRM, alta qualidade. Foram até mais ousados: Usaram o sistema de Honra, você baixa e paga se quiser, o quanto quiser.

Pois bem; 2 milhões de cópias foram baixadas via Bit Torrent e outras fontes não-autorizadas, mesmo o álbum estando disponível de graça no site oficial. Fornecer um email pelo visto é preço alto demais para prestigiar sua banda favorita.

Dos downloads oficiais, somente 38% decidiram pagar alguma coisa pelo álbum. Na média o valor considerado “justo” pelo fã foi de US$6,00.

A estratégia funcionou tão bem pro Radiohead que foi abandonada. O novo álbum deles está disponível para download no bom e velho modelo pague primeiro pegue depois, por US$7,00. Quem não gostou que pirateie.

Uma banda iniciante jamais sobreviveria com números assim. Muito menos um escritor de nicho.

 

Velha Mídia é a Mãe!

A grande verdade é que a Internet AINDA é porta de entrada. Todo mundo quer um especial no HBO, todo mundo faz seu viralzinho e reza pra passar no Letterman, a música vende horrores no iTunes mas o sujeito SONHA em ser contratado por uma grande gravadora para poder fazer o circuito de shows.

Os projetos realmente independentes são poucos. Quando aparecem são devidamente hostilizados, inclusive pelos próprios fãs. Muitos consideram produção independente sinal de fracasso.

A música ainda precisa ser legitimada pela Billboard, pela Rolling Stones e pelo Grammy. Mesmo o Grammy Latino.

O blog ainda ganha prestígio quando lança um livro. De verdade, não ebook.

A Velha mídia tem o poder de massificar um produto, coisa que a fragmentação dos meios online impossibilita. Anunciar em 100 blogs não dá o mesmo retorno que uma Oprah ou uma Ana Maria Braga promovendo um livro. Mesmo políticos se sujeitam nos EUA até a programas de humor, em busca de exposição.

Quem quer viver de digital hoje precisa manter ótimas relações com a velha mídia, mandar releases educados para as redações, fazer o circuito de talk shows e rádios. Com ESCALA é possível vender o suficiente para poder desconsiderar a pirataria e dizer que ela é inofensiva.

A mentalidade de querer tudo de graça na Internet exige um esforço bem maior de massificação, pois quem vive de produção intelectual precisa atingir a minoria que ainda considera válida pagar por conteúdo. Dada a oferta de opções, a massificação via Internet é inviável.

Portanto, trate bem a Velha Mídia, se você vive de produção intelectual ela ainda é uma mãe.


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Leia Também:

  • IlustreBOB

    Eu acho que serviços como o Spotify e o Rdio (que agora já está disponível do Brasil) estão lentamente provando que o sistema de assinatura pode ser a solução. Como o criador do Steam fala, "Pirataria não se combate. Ofereça um serviço mais fácil, mais funcional, com características que lhe atribua valor e as pessoas optarão por pagar pelo serviço."

    Por exemplo, baixar um jogo pirata é possível pelo PirateBay, mas você fica fora do círculo social criado pelo Steam, onde você adiciona amigos, marca partidas, forma times e comunidades de discussão desse jogo. Ao comprar um jogo pelo Steam você não está pagando pelo jogo em si, você está pagando para fazer parte desse grupo.

    O mesmo exemplo serve para descrever o valor que as pessoas dão ao Spotify e ao Rdio. A pessoa paga 8 reais mensais não pelas músicas, mas pela rede social que vem no pacote. São 8 reais para ter um melhor "discovery", onde artistas são indicados para você, onde você vê o que seus amigos tem ouvido, onde você pode fazer reviews de artistas e compartilhar com esses mesmos amigos — tanto na própria rede do serviço quanto no Facebook, Twitter, etc.

    Há ainda o modelo do iTunes, cujo valor está na apresentação/design e no sistema simplificado de compra. Uma vez inscrito no iTunes, basta clicar uma única vez em "comprar" e boom, o disco é seu. Ou seja, o iTunes deixa invisível todo o processo de compra (preenchimento de dados, cartão de crédito, etc.) para que a decisão do consumidor não seja barrada no meio do percurso.

    Sinceramente, eu acho que todos esses modelos tem funcionado muito bem… e, principalmente, estão conseguindo conviver em relativa harmonia com a pirataria. Muitos previam a sumiço dos popstars num mundo tomado pela pirataria, mas ainda temos diversas Lady Gaga por aí.

    • jdeiro

      Concordo. Com o Oi Rdio por 15 pratas, nada justifica a pirataria. Alguns reclamam que não tem diversos álbuns. Eu me informei com eles, consegui acesso a uma planilha do Google Docs e agora insiro lá todos os álbuns que me interessam. Em 1 mês, já incluíram 60% deles, nada mal.

      Convenço as pessoas a assinarem mostrando que é mais fácil do que piratear…

      Não que eu pirateasse antes, era usuário do Spotify e MOG com uma gambiarrazinha.

  • As pessoas baixam filmes músicas e fotos porque podem.

    Discordo. Eu posso assaltar as pessoas na rua, mas não faço. Muitas pessoas não assaltam apenas por medo de serem presas, coisa que dificilmente acontece ao baixar filmes e música.

    Paulo Coelho paga e bonzinho disponibilizando seus livros na Internet, mas é um caso bem especial. Primeiro, seu grande público não está online. Segundo, sua base de leitores é grande o suficiente para que a venda em loja não seja afetada.

    Me lembrei do Stephen King, que falou que qdo lançou No Rastro da Bala online, ele passou a ser conhecido por pessoas que nunca leram um livro dele.

    Qualquer coisa que você possa baixar de graça, sem consequências se torna cara quando o valor atribuído é acima de zero. Por isso o jogo de US$0,99 é pirateado<?i>

    99? Meh! Eu aproveitei a promoção do Google e comprei um jogo que hoje custa 13 reais por 18 CENTAVOS de real no Market. Falei isso no meu serviço e já me perguntaram se não tinha como passar do meu celular pros celulares de um pessoal que ganha até mais que eu. Preço não é motivo para pirataria. É, como vc falou, o mais-valia internético, ou Lei de Gérson, mesmo.

    • Se vc assaltar pessoas na rua há consequências, vc pode até ser morto por isso. Existe tb o fator vergonha.

  • profeloy

    Excelente texto!!!
    É por isso que eu concordo que é oferecendo um serviço melhor que o dos piratas que se combate a pirataria, a um preço aceitável. Não basta só o preço aceitável. Se o show que está no site é o mesmo que está no site oficial, eu acredito que deve ter gente que vai direto no piratebay até por força do hábito. Mas se o show estiver na AppStore (paga-se os 30%, eu sei) eu imagino que seja bem mais difícil que ele vá parar no piratebay (só acho, não tenho nada pra embasar meu achismo e aceito de bom grado quem contradiga minha opinião).

  • Um dia desses eu estava tentando argumentar com minha chefia, ela insiste em ler jornal impresso e eu insistindo que isso é "fora de moda" etc…etc. que a moda é o negocio online, na hora, no pulo do gato. Mas aí experimentei a sensação de ler algo impresso no jornal, está escrito, é permanente.

    Gosto muito de romances de banca, mesmo com a tamanha facilidade de fazer downloads deles na internet, adoro procurar nas bancas, ler a contra-capa e pedir um desconto.
    Talvez o hoje ainda seja prestigio divulgar algo na Ana Maria ou na Hebe Camargo ou que seja Oprah. (nossa Oprah !!), mas isso durará até quando? até quando a "velha mídia" vai aguentar? Ou você acha que Leoni e Kid Abelha vão durar mais duas décadas?

    Hoje um vídeo bomba no youtube para poder chegar ao Faustão, antes era ao contrário. Penso que a dita velha mídia terá que se inovar, porque os artistas ao contrário, envelhecem e outros nascem e esses novos aprendem outros meios, outros padrões que podem dominar o mercado.

    Fica sossegado, os tipos como Restart acabam logo, vide polegar, Paquitos(as), RBD, Dominó, boquinha na garrafa, é o tchan. O chato é que sempre vão existir.

    Eu ainda acho que a melhor forma é fazer algo tão bom, mas tão bom, que mesmo de graça e a seu dispor, você ainda sentirá a necessidade de pagar por ele. Que mesmo que você tenha todos os canais de entretenimento, mesmo assim, ainda é bom parar para te ver em um comercial ou num programa de televisão.

  • Eu acho que o Lobão tem tido uma carreira como músico independente interessante, mas realmente ele tem muitos contatos na televisão e imprensa na hora de fazer divulgação.

  • Recomendo um texto de João Ubaldo Ribeiro chamado "O Conselheiro Come", que fala justamente de como as pessoas têm dificuldade de aceitar que produções intelectuais têm valor. Ninguém pensa em pedir um quilo de carne grátis para o açougueiro, mas lhe taxam de mercenário se você cobra por um texto.
    Nunca tinha pensado como esse texto antigo fica mais atual à luz da internet.

  • É verdade. O mais triste nisso tudo é que se a coisa fosse um pouquinho diferente muita coisa boa apareceria. Afinal, vemos inúmeros blogs com material de primeira linha e que, mesmo quando o autor tenta a publicação de um livro por meios próprios, normalmente o investimento sequer se paga.

    Mas, se a realidade nos EUA e Europa ainda é como você bem exemplificou; imagine o quanto teremos que caminhar para que algo mude por aqui. Simplesmente não há perspectiva. E, com o acesso a "velha mídia" também cada vez mais restrito aos "jabaculês" e aos "amigos dos amigos" a coisa não decola mesmo.

  • Olha só,

    Sou assinante NET (R$ 300,00 pacotão com tudo), assino NetFlix (R$ 14,90, ou algo assim) e tenho Net Movies (R$ 39,90) e ainda assim não consigo consumir todo o conteúdo que quero, toda semana tenho que baixar minhas séries favoritas e o mais interessantes é que algumas como (The Walking Dead) estão disponíveis na minha TV em HD, toda terça-feira em algum horário maluco que a emissora escolheu e claro não consigo consumir neste horário.

    Se algumas pessoas acham um show do Louis valem menos que $U 5,00? Não sei. estou acostumado a baixar, sinceramente nem acesso o site dele e sem este post nunca saberia que com menos de R$ 10 poderia ter acesso ao mesmo conteúdo pagando pois simplesmente já estou acostumado a baixar conteúdo dele no torrent, pois nem sei se minha TV a cabo disponibiliza os episódios ou os shows dele.

    O que você chama de hipocrisia da “piratosfera” falar que um conteúdo da forma que eles “desejam” esta disponível de forma acessível da forma que eles desejam eu chamo de hipocrisia do Louis querer que eu saia do meu lugar comum (meu sitesinho de torrent) para procurar um conteúdo no site dele (que sinceramente nunca tive interesse de acessar), pq não oferecer uma parceria aos sites de torrent? Te dou 40% por torrent vendido? cobrasse sei la, 9 obamas.

    Pode falar que esta é só mais uma desculpa, que é mais barato baixar do que comprar pelo custo, bom, eu estou aqui, sem cartão de crédito internacional, tentando adquirir o show e advinha? Pois é, meu cartão e crédito nacional não é aceito.

    Tentei comprar um app de android outro dia e advinha? meu mastercard também não passa la (não tentei com outros cartões, sinceramente o meu é meio pitoresco, nem no MC Donald passa), mas de qualquer forma, se eu estivesse tentando vender algo, eu tentaria procurar os lugares que eles costumam frequentar para comprar/baixar coisas minhas e tentar oferecer as mesmas facilidades que eles já possuem.

    Sinceramente acho que sua opinião esta focada muito no discurso do que vale ou não vale (o que com certeza é uma grande influência) e esqueceu de pensar um pouco nos fatores mais primários do comportamento humano que é o “meio comum”.

    Não deixo de concordar com o seu texto, mas creio que sua visão foi um pouco obtusa sobre o problema.

    • Que absurdo o supermercado querer que eu saia da minha casa para ir comprar lá, se eu posso filar almoço na casa do vizinho.

      • falkory

        Eu faço compra pela internet, você não?

        E claro André, sempre que tenho a necessidade de algo urgente que não possuo na minha geladeira, como por exemplo, hoje mesmo irei preparar um macarrão, vou passar no supermercado para comprar. Mas mesmo assim estou sendo obrigado a sair da minha zona de conforto pois são 19:30 da noite e sei que se pedir a massa e o queijo que faltam, só vou receber daqui a 3 dias, então é mais confortável para mim ir ao supermercado.

        Quando for mais confortável para mim comprar um vídeo do que baixar, eu vou comprar, alias, já comprei, hoje mesmo, estava com preguiça de ter de baixar 16GB de Senhor dos anéis que comprei os Blu Ray's, chega semana que vem.

        Se você quer fazer algo diferente do que as pessoas estão habituadas a consumir, você tem de esfregar na cara delas que existe esta possibilidade, se não, ocorre como no relato do Cardoso, as pessoas vão se manter no lugar comum.

    • Bruno Guedes

      "O que você chama de hipocrisia da "piratosfera" falar que um conteúdo da forma que eles "desejam" esta disponível de forma acessível da forma que eles desejam eu chamo de hipocrisia do Louis"

      Porque obviamente o Louis prega uma coisa e pratica outra, diferente da "piratosfera" que exige conteúdo de tal e tal forma e quando ele vem eles igualmente se recusam a pagar. Isso não é hipocrisia de forma alguma, não senhor…

      "(não tentei com outros cartões, sinceramente o meu é meio pitoresco, nem no MC Donald passa)"

      Aí eu imagino que vocẽ tenha roubado o Big Mac também, certo?

    • Craunch

      Beleza, mas aqui, quem te disse que Pirate Bay vende algo? Esses 40% que eles repassariam podiam ser 100 que daria na mesma (U$0,00).

      E se você assiste o show e gosta, sim, você irá atrás de mais conteúdo, e logo cairá no site do cara, a não ser que possua a mentalidade evoluída de achar que ele ta fazendo o show e não tem nada que cobrar, tem que fazer mesmo e deixar as cópias rolarem soltas, porque o que importa é as pessoas verem e se divertirem (não duvidem, eu já vi gente com pensamentos assim).

      Pense bem, vc reclama que não quer mais problemas, empecilhos, mas o que é melhor que ir no site do cara, pagar um valor bem bacana, baixar rápido, download direto, sem preocupações com versões, vírus, fontes, seeds, peers, etc etc, e poder ver onde quiser, como quiser?

      É melhor que torrent, a única diferença é sim o preço, e isso é fator fundamental que afasta as pessoas da via legítima de adquirir o conteúdo, se elas podem ter de graça, por mais barato que seja elas vão querer o de graça, e ter mais trabalho para isso, com tudo que coloquei logo acima (onde achar, qual versão, que programa precisa…)

      • falkory

        "Beleza, mas aqui, quem te disse que Pirate Bay vende algo? Esses 40% que eles repassariam podiam ser 100 que daria na mesma (U$0,00). "

        Eles vendem sim, camisa e algumas outras coisas la, e com certeza (ta, nem tanta certeza assim) se alguém com o Louis tentasse chegar a eles e solicitasse que vendessem sua mídia ou pelo menos anunciassem aonde esta o torrent disponível ou algo assim eles tornariam a solução viável, não são os mantenedores do site que postam os torrents, são os usuários. Sabia?

        "E se você assiste o show e gosta, sim, você irá atrás de mais conteúdo, e logo cairá no site do cara, a não ser que possua a mentalidade evoluída de achar que ele ta fazendo o show e não tem nada que cobrar, tem que fazer mesmo e deixar as cópias rolarem soltas, porque o que importa é as pessoas verem e se divertirem (não duvidem, eu já vi gente com pensamentos assim). "

        Você tem que estudar um pouco mais sobre comportamento humano antes de falar uma asneira desta, você até pode ser uma destas pessoas empolgadas que sai pesquisando tudo quando gosta de algo, mas 99% (fui otimista?) da massa consumista prefere ficar no "lugar comum". E só pq não esta pagando não significa que não esta consumindo, quem baixa torrent também consome, inclusive vejo mais coisa original na casa de quem baixa torrent do que na casa de quem compra DVD de camelô.

        "Pense bem, vc reclama que não quer mais problemas, empecilhos, mas o que é melhor que ir no site do cara, pagar um valor bem bacana, baixar rápido, download direto, sem preocupações com versões, vírus, fontes, seeds, peers, etc etc, e poder ver onde quiser, como quiser? "

        Não me preocupo com vírus me *.avi ou *.mkv, deveria?

        "É melhor que torrent, a única diferença é sim o preço, e isso é fator fundamental que afasta as pessoas da via legítima de adquirir o conteúdo, se elas podem ter de graça, por mais barato que seja elas vão querer o de graça, e ter mais trabalho para isso, com tudo que coloquei logo acima (onde achar, qual versão, que programa precisa…)"

        Sério, o único fator de diferença é o preço? Se você esta afirmando que é o único ponto de vista a ser observado, não temos o que discutir, não há argumentos aqui, você e o Cardoso estão certo com esta afirmação e pronto, certo?

        Tentar justificar o comportamento de um individuo com base em apenas 1 premissa é ridículo. O Cardoso até pode justificar isso, pois no texto ele esta montando o argumento para uma discussão, as reafirmar isso em um debate.. é …. humm… coisa de salsinha?

        • jdeiro

          Você está certo, falkory. Essa história de vender vídeo, música, etc, em sites que não acessamos é um absurdo.

          Eles que se virem lá com os suecos pra arrumar um jeito e, mesmo assim, só compro se der vontade, senão vai de graça mesmo.

          Parabéns, você é um idiota!

  • A propósito, esse show do Louise CK é bem meia boca…

    Mas não me senti mal de pagar os $5, especialmente por todas as vezes que ele me fez (chorar de) rir de graça (thanks, YouTube).

    Ah, e também depois de ter visto essa bonita homenagem que ele fez ao George Carlin: http://youtube.be/R37zkizucPU.

  • Rodrigo

    Mas será que não tem um perigo nisso tudo não, tipo, uma comoditização da arte?

    Dias desses estavam tentando vender álbuns musicais online a US$ 1,00. Aí é brincadeira. Conheço estudantes que acham justo baixar software pirata ‘porque o desenvolvedor do software já está rico’; e qual é o maior sonho desses jovens? Ganhar milhões desenvolvendo softwares. Pagos, lógico. Consumir como o Stallman, criar como o Jobs e ganhar como o Gates, tem umas contradições entre o offline e online que, sei lá…

    Não que eu seja contra os downloads, pelo contrário. Mas eu meio que tenho medo desse conformismo com o consumismo orientado ao objeto, sem atribuir valor à fonte… estagnação…

    • Luiz Felipe

      Isso dá uma raiva tremenda. Uma coisa é ouvir isso de uma pessoa que não trabalha criando programas de computador. Outra coisa é ouvir isso de estudantes de computação.
      Outra coisa é o debate do Free Software. Claro , que se considerar tudo que é open source e comparar com o total inteiro de todo software desenvolvido em termos de dinheiro, vai ver que o open source / free software não passa de 5%, que é pago pelos resto desenvolvi inhouse ou vendido com serviço. Senão estariamos todos os programadores trabalhando de graça. Até porque as empresas que mais contribuem com o open source não são software houses e sim fabricantes de hardware ou software de banco de dados ou redes.
      Acho que deveria ter aula basica de economia no curso de computação para evitar essas atrocidades.

  • Em eras passadas ficava P da vida por querer pagar por algo e não ter como comprar, como é hoje com os jogos do iTunes (gambiarra não conta, não podemos comprar os jogos sendo moradores do Brasil). Ainda compro CDs e DVDs, não gosto da ideia de pagar por algo e só poder vê-lo como a loja quer.

  • Eu ainda acho que isso tem haver com o caráter da pessoa, porque não tem outra explicação para quem pirateia jogos de 99 centavos, eu não pirateio nem mesmo jogos de 50 dolares, eu fico sem jogar ou o Steam limpa minha carteira. Mas conheço gente rica, que tem jailbreak em iphone 4, anda de carrão e faz questão de não pagar um centavo na hora de consumir algum tipo de mídia (música, seriado, etc) e facilidades para se consumir conteúdo pago hoje em dia é o que não falta. Para mim este tipo de gente mesquinha eu estou dispensando de minha convivência. Alias, o mais triste, é ver quem trabalha com programação, piratear aplicativos e joguinhos de centavos e ainda achar que está certo. Pra mim isso tudo é caráter mal formado ou falta dele.

  • lfz

    Sobre o papo todo do Louis C.K. , ele deu um esclarecimento de vários aspectos da "experiência" dele aqui: https://buy.louisck.net/statement

    A minha parte favorita: "I have a profit around $200,000 (after taxes $75.58). This is less than I would have been paid by a large company to simply perform the show and let them sell it to you, but they would have charged you about $20 for the video. They would have given you an encrypted and regionally restricted video of limited value, and they would have owned your private information for their own use."

  • Vladmir Jr

    Vejo muitos dessas pessoas que baixam filmes, revistas etc como aqueles indivíduos do tempo de colégio que pegavam sua revistinha ou fita de VHS emprestada (eventualmente, nem devolviam). Ou seja, pessoas que não iriam comprar mesmo assim. Duvido que, se os downloads fossem proibidos, pelo menos metade das pessoas que baixam pagariam pelo serviço. Essas pessoas não baixam pq podem, mas pq é de graça, simples assim. Já vi vários amigos baixando filmes que nem lhes interessava apenas pelo fato de estar disponível.

    Outro ponto é que, com o desenvolvimento da internet, ficou cada vez mais evidente como o mercado brasileiro é restrito. Quanto coisa gostariamos de comprar, mas nunca será comprado no Brasil. A solução é baixar ou comprar nas Amazon da vida (procedimento que ainda é vista com insegurança por muitas pessoas).

    • Rasherx

      Tenho conhecidos que fazem questão de ter todos os programas pagos imagináveis instalados em seu computador, incluindo antivírus, jogos, visual studio, photoshop, autocad e similares. E não usam – muitas vezes, sequer sabem como usar. Por que piratear softwares que você não vai usar? Para ter um sistema "completo", já ouvi como resposta.

      Outra explicação é que há pessoas que gostam de ser "o cara que tem os CDs". E assim, sempre que alguém quiser algo, pede a ele. É a forma absurda que alguns encontram para serem populares.

  • Uma coisa que eu descobri sobre pessoas que baixam livros e revistas de forma pirata na internet: elas acabam não lendo. Acontece que o processo de pagar por conteúdo escrito obriga esse tipo de gente a realmente ler o conteúdo.
    Pena que não é assim com filmes e músicas.

  • Não acho que baixar músicas para consumo pessoal seja pirataria.
    Semanas atrás tentei comprar um CD de música do cantor Gilbert, para a diretora de uma firma à que dou assistência em informática.
    Entrei no site do cantor e achei um link para comprar.
    Não estava disponível.
    Voltei ao site do cantor e achei um telefone em SP. Liguei e me disseram que o disco estava esgotado mas poderia comprar por 50 reais, depositando o valor numa conta.
    A diretora estava até disposta a pagar, mas… eu tenho mais cartas na manga, senhora!
    Resultado, pesquisei no google e achei todas as músicas dele em mp3.
    Baixei e gravei o CD para a diretora.
    Custo: Zero. (o CD virgem ela forneceu, e o fiz no computador da empresa)
    Até agora comprei muitas coisas pela internet para a empresa.
    ***
    Para mim, comprei apenas passagens de avião internacionais e domésticas (com meu Mastercad) e com meu American Express comprei um antivirus que me custou U$S 20,00.
    Parabéns, Cardoso.
    VL&P

  • Esse é um posto polemico pois muitas vezes me pego pensando o que será das antigas maneiras de divulgar os trabalhos de cantores , etc…por meio de CD, se hoje em dia a qualquer momento posso ir na net e baixar o que eu quiser…

  • sou novo aqui no blog, e achei ótima a dica do show do Louis CK a venda. To baixando..
    alias, 5$ é mto menos que ir no show dele ou comprar um dvd..

  • Aproveitando o repost no Twitter… O Louis C.K. fez um breakdown da grana que recebeu. Bem interessante…

  • RJP

    Protesto: O HP Touchpad é um tablet muito bom. Mas q a HP foi imbecil e vendeu caro d+. Eu tenho um Touchpad, tá rodando Android 4.0 (CyanogenMod 9) e eu vou doar p/ o projeto, pq esses caras n vivem de luz, precisam de um incentivo. E é uma forma de agradecer pelo excelente trabalho feito. Assim como já doei p/ o Legendas.tv, p/ o Humble Bundle e outras. E vou ver o vídeo do Louis C. K. Se gostar, serão US$ 5 q serão doados, n vai doer no bolso.

    Essa geração atual quer tudo rápido, de graça e em excelente qualidade. E ainda acham q são ixperrtos. Bah.