Na Favela do McGyver quem não tem lâmpada usa Coca-Cola

Os TEDs da vida são cheios de idéias mirabolantes para salvar o mundo, todas custando uma fortuna, quase em uma versão moderna de Maria Antonietta, mandando os pobres pegarem um avião e irem até a Confeitaria Colombo comerem brioches.

Neste artigo aqui comentei de um equipamento de filtragem de água genial, mas que custava US$299,99 a unidade. Muito bom, salvaria vidas mas é inviável, custa mais caro que o PIB de alguns países africanos.

Já na história do garoto que domou o vento, apresento William Kamkwamba, guri de 14 anos africano pobre mesmo pros padrões locais que usou o conhecimento aprendido em uma biblioteca para construir um gerador eólico, e produzir energia para televisão, eletrodomésticos, rádio, iluminação, recarregar celulares e o mais importante, bombear água.

Ele usou peças de bicicleta, sucata e criatividade, o custo foi praticamente zero.

Soluções realistas precisam ser geniais E baratas. Sei que é pedir demais, mas é assim que o mundo funciona. Felizmente esse dificultador não assusta quem realmente é genial, como esse cidadão das Filipinas, que resolveu um problema sério:

Nas favelas do país não há luz elétrica, as casas ficam no escuro durante o dia, isso é péssimo para crianças, que não podem estudar, adultos que não conseguem cozinhar ou enxergar e idosos, que correm risco de se acidentar andando no escuro.

A solução? Um sujeito inventou uma saída genial, veja:

Uma garrafa de Coca-Cola de 2 Litros cheia de água, uma telha de zinco recortada, duas colheres de cloro para evitar crescimento de algas e um buraco no teto.

A luz recebida pela parte externa da garrafa sofre difração por causa da água e se espalha no ambiente, iluminando com o equivalente a uma lâmpada de 50 Watts.

“mimimi não resolve o problema da noite”

Sim, claro reclamão, mas ao contrário de você esse pessoal não tem luz 24/7, uma idéia SIMPLES, acessível resolve 50% do problema. Eu GARANTO que eles preferem ter luz ao menos durante o dia, e não vão pra Internet reclamar da ausência de um link trifásico junto com a garrafa.

Infelizmente esses projetos não são mirabolantes, não garantem centenas de milhares de Reais desviados via comissões e esquemas, então nunca serão implementados ou mesmo incentivados por aqui.


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Toda moeda é bem-vinda, desde que seja de país com luz elétrica e água encanada.




Leia Também:

  • Fantástico.

  • maccrow

    Caracas e quem disse que as garrafinhas d´agua não serviam para dimiinuir a conta de luz! Mais útil que uma #

  • Eduardo

    Na real essa ideia já existe no Brasil faz um bom tempo – no mínimo desde 2008 que vejo notícias sobre isso. Até algumas indústrias fizeram isso nas fábricas.

    Mas concordo que algumas ideias do TED são um pouco viajonas.

    • Rodrigo Cesconeto

      Eu ja tinha visto reportagem sobre isso na TV aqui no Brasil. Link: http://www.youtube.com/watch?v=g8LIOltVQBM

      • Muito legal isso, queria fazer na edicula de casa, mas hj em dia tem adaptar o projeto, potinho de filme é um negocio dificil de achar, acho que ate mesmo na africa onde tem rios de fotografos da national geografic e afins!

        • Wallacy

          Só não usar o filme fotográfico, funciona do mesmo jeito se você vedar com fita isolante. O importante mesmo é preservar a tampa e não deixar que a cor dela "pinte" sua casa.

    • Pierre

      É, eu também lembro de já ter visto notícias falando sobre essa solução aqui no Brasil mesmo, há vários anos já.

  • Márcio Tondin

    Excelente idéia, mas tenho quase certeza que já vi isso em algum lugar, não lembro onde.

  • Isso é uma solução genial mesmo. O garoto que pensou nisso está de parabéns.
    Pensar que tem gente que pensa que tem que colocar a garrafa de água em cima do relógio de luz para economizar energia elétrica…

  • Gley Riviery

    Como já disseram, essa idéia aqui no Brasil já é bem antiga, e difundida em várias cidades. A primeira vez que ouvi falar disso foi em 2001, quando eu ainda estava na faculdade, e até onde eu conheço o primeiro a "criar" isso no Brasil foi um mecânico chamado Alfredo Moser. Sou arquiteto e uso esse exemplo em várias palestras sobre sustentabilidade, e considero esse um dos mais bem-sucedidos exemplos de reuso "verdadeiro", onde o objeto que seria lixo tem uma nova utilidade REAL e que não consome praticamente nenhum recurso para ser adotada. É confortante saber que essa idéia surge espontaneamente em outros lugares também.

  • stormfelix

    Ja vi acho que no Globo Rural até. E já faz bastante tempo.
    Sim, eu acordo cedo no domingo "sem querer", meu biorritmo esta afetado permanentemente.

  • Tem um cidadão aqui em Osasco, SP, que instalou um sistema deste em sua marcenaria.
    Tem no telhado umas trinta garrafas.

  • Já tinha visto a ideia em prática, porém sem o cloro. Também há muito tempo era comum ver na periferia aqui de Goiânia, o uso dessas garrafas em cima dos medidores e eletricidade (padrões), com intuito de economizar energia. Acreditem.

  • Vinicius

    Não dá pra usar janelas?

    • Boa pergunta.
      Bem lógico.

    • Estevao Domingues

      nao da pra voce ver o vídeo?
      (sem querer trolar mas assim fica phoda)

  • livroitinerante

    De fato. Isso já existe no Brasil e faz tempo. Um conhecido chegou a iluminar um barracão de oficina assim. A ideia, no Brasil, disseminou-se quando do Apagão, quando as pessoas tinham cotas de energia para consumir.

  • Aliás, segundo este site (http://goo.gl/bPqzg), o brasileiro Alfredo Moser idealizou a lâmpada solar de garrafa plástica em 2002, e o projeto foi posteriormente adotado pelas Filipinas com apoio do MIT.

  • Quandt

    Bem legal, mas essa 'tecnologia' existe no Brasil pelo menos desde 2008 também: http://ovelho.com/node/4395

  • Jefferson Martins

    Cardoso meu caro, voce anda meio desinformado, ou talvez não perceba a situação dos favelados daqui do país, e só deve ter sabido disso nas Filipinas porque deve ter aparecido em algum site. Essa técnica já é utilizada nas favelas daqui há anos, em todo o canto.

  • Rodrigo

    Realmente é uma ideia não muito recente, mas na realidade ainda tem pouco impacto econômico, pois não basta ser genial pra uma ideia pegar.

    No caso das garrafas, a classe média, grande perdulária de energia elétrica, acha tudo muito lindo mas, na real, jamais enfiaria garrafas PET no teto porque, bem, é ‘coisa de pobre’.

    Ideias assim precisam se utilizar do ‘Método Havaianas‘ de difusão social: mandar a Gisele Bundchen e outras celebs usar e dizer que é bacana. Aí a ideia pega.

    • Wallacy

      A primeira coisa que eu pensei naquelas casas "moderninhas" com fontes e tudo mais.

      Se parar para pensar bem, da para ter uma especie de "Aquário"(sem peixes de verdade) em um canto da sala.

      Não precisa ser algo "feio" como uma garrafa pet. Só usar o mesmo principio em algo mais "estiloso".

  • Alexandre S.

    Só, corrigindo, não é a difração da luz, a propriedade física responsável, mas a refração.

  • Louis

    OK, a ideia é antiga e já usada em diversos lugares.
    Mas teve um sujeito que criou uma ilha com garrfas PET no Amazonas! E o negocio tá ficando grande; daqui ha pouco vai parecer com a "ilha" de lixo que fica nos oceanos.

  • Pequenas idéias que realmente mudam o mundo. Parabéns.

  • Boa postagem.

  • Interessante, mas como apaga luz? e a noite? problema só parcialmente resolvido né…

  • Limao

    http://www.cec.com.br/telhas-e-calhas/telhado/tel

    Uma telha como do link acima custa em media uns R$10,00 reais, e desde que a pessoa tenha dinheiro pra fazer um teto como nas casas mostradas no vídeo o problema é falta de informação, a "solução" ja existe sem ter quer fazer essa gambiarra, fora que deve dar "pouco" vazamento.
    Eu mesmo tenho no meu escritório e tive que acabar cobrindo grande parte da telha por ficar muito claro, deixe com 1 metro por 20 cm.