Tecnologia rosa, fofinha Ótima para ajudar mulheres e confundir feminazis

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Ontem não foi um dia bom para mim, tive muitas pequenas aporrinhações, felizmente passei a maior parte dele na rua, e não acompanhei a sucessão de mimimis que se tornaram as redes sociais.

PARECE que resolveram lançar Kinder Ovo com brinquedos para meninos e meninas, e rolou um certo revolt entre a galera que acha que todo homem deve praticar pegging (não clique) para compensar a violência que é o ato sexual hetero.

Depois começou a discussão sobre cor de menina e cor de menino. O que é uma bobagem, ninguém é OBRIGADO a vestir o pimpolho de rosa ou azul. “ah, mas é difícil achar roupa de bebê em outra cor”  então se planeje melhor, filha, em 9 meses você aprende a costurar e faz até roupa Flicts pro Cléverson Carlos.

O melhor é que enquanto as interwebs se digladiavam com banalidades de fazer o Psy ter vergonha, do outro lado do mundo um grupo colocava em bom uso essas convenções de cores masculinas e femininas.

 

É o pessoal da OXFAM, uma espécie de ONU anti-pobreza, composta de 17 organizações presentes em 90 países. No caso, no Camboja, que como todo mundo que cresceu vendo filme de Vietnã sabe, é uma merda. (cartas pra redação)

Em um projeto eles doaram telefones celulares para fazendeiras pobres com potencial de se tornarem líderes comunitárias. Treinaram as mulheres em como utilizar os equipamentos para se comunicar com outras líderes da região, e montaram um serviço de envio de informações de preços de produtos, meteorologia, agendas de reuniões e muito mais.

Mulheres já usaram os telefones para fazer partos, com uma mais experiente explicando enquanto a outra metia a mão na massa. Os aparelhos também são usados em casos de violência doméstica. Um telefonema e a mulherada vai em peso resolver o Charlie 04.

AQUI um vídeo com depoimentos das beneficiadas.

Agora, o ponto polêmico: Os celulares em questão são… ROSAS.

Isso mesmo, a cor polêmica, sexista, que cria uma divisão em gêneros. Feministas devem estar espumando diante disso, é praticamente o equivalente à Bic For Her, aquela idéia genuinamente estúpida de criar uma esferográfica para mulheres.

Claro, se você pensar fora da boceta, perceberá que há sim sexismo na criação do celular rosa, mas é sexismo inteligente, que sabe que não faz a MENOR diferença para a mulher se o aparelho é rosa ou não, mas faz toda para o homem.

Ao doar aparelhos rosa-choque, a ONG os tornou indesejáveis para os machões cambojanos, que assim não os doarão às mulheres.  O conceito bem-sucedido já havia sido usado em outro projeto, que doou bicicletas rosadas.

E agora? O rosa deixa de ser sexista por ser benéfico às mulheres? Ou continua sendo sexista, é ainda inaceitável e só devemos ajudar as criaturas quando vivermos em uma sociedade livre de preconceitos, definições de gênero e com muito pegging?

Ou é só uma porra de uma cor, e não vai arrancar seu braço usar algo cor-de-rosa?

Sinceramente, se meninas gostam de rosa eu não sei. Um monte de mulheres que conheço (né, @FlaRomani?) adora. Só sei que se há um incentivo social para meninas usarem coisas rosadas, ao invés desse mimimi todo, eu daria isto pra minha filha:

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  • tonnydourado

    Hmmmm, Mixed feelings. Por um lado, a sacada dos caras foi genial, usar o sexismo contra ele mesmo. Por outro, duas coisas: Primeiro, vi comentários no twitter que o tal abaixo-assinado/manifesto/sei lá o que talvez fosse fake, uma "paródia" para "zuar" as feministas. Não sei se procede, mas, né, com pastor homofóbico presidindo a comissão de direitos humanos e a história da Jesuscracia, num to duvidando de nada. Segundamente, cor é um detalhe, ok, mas é um detalhe de um panorama maior que é opressor pras mulheres. Também daria de boa um telescópio rosa pra minha futura-eventual filhinha, mas nem fudendo dava um fogão. Enfim.

  • Começaram a vender Kinder Ovo por aqui eu devia ter uns 10 pra 11 anos de idade. Nessa época eu já estudava alemão, com uma vizinha alemã, e lembro da alegria dela quando os ovinhos surgiram na padaria da esquina – apesar da qualidade das surpresas ser muito diferente das de lá, ela lembrava de casa.
    Eu e meus irmãos viciamos nisso. E não era pelo chocolate, era pela tal surpresa, pra tentar completar alguma coleção, montar um brinquedo mais complexo, essas coisas. E honestamente, que ódio que eu tinha quando vinha um carrinho de fricção. E a frustração deles era evidente quando vinha uma bonequinha.
    A Maíra criança (no interiorzão, onde cresci, 11, 12 anos ainda é criança), ia ADORAR a idéia de separar os gêneros. Meus irmãos idem. A única coisa que, no meu pontinho de vista, de fato se perde nessas horas é a obrigação das crianças de diferentes gêneros interagirem e negociarem trocas – o que também rolava no recreio da escola. No mais, vai vender mais Kinder Ovo, e só.
    Entendo o movimento, entendo que tem muita coisa errada ainda, precisamos evoluir e tal, mas é nessas horas que as feministas (e feminazis) dão a rajada de metralhadora no pé. Sei lá, vai trabalhar pela não violência contra a mulher, dar palestra em escola pra pré-adolescente influenciável, ensina teu filho que tem que dividir as tarefas em casa (e não ajudar à mulher), depois reclama do fato das empresas pintarem as coisas de meninas de rosa PORQUE VENDE MAIS. O motivo deles é apenas esse, e a única função das empresas é fazer dinheiro, né não?

  • Alexandre

    No link sobre pegging a moça esta portando um rosa…é sexismo da parte dela?

  • Eu não cheguei a acompanhar muito o problema do Kinder Ovo, mas até onde eu entendi o problema não é escolher a cor rosa ou azul, mas diferenciar a menina do menino na hora de separar as "surpresas" que vem dentro do chocolate. Criança é criança.

  • A tal petição foi feita por um cara e foi feita por um piazete de prédio, material obviamente feito pra zoar feministas. Tô vendo UMA PORRADA de gente que adora falar da falta de capacidade de captar sarcasmo dozotro caindo na pegadinha. Ah, a ironia…

  • Cyntiab

    Exato, Dennis. O problema não é a cor em si (que nem representava as meninas até o início do séc. XIX) e sim a separação temática de brinquedos para menina e para menino. Eu já presenciei meninas reclamando em uma loja que não podiam levar um carrinho de controle remoto para casa porque "não tinha para menina", ou seja, não tinha em rosa. Também já vi menino falando que não ia brincar de fazer compras de supermercado em atividade escolar porque "compra é coisa de menina". É só dar uma passeada numa loja de brinquedos e ver a diferença radical entre os brinquedos para menina e para menino. Não existe nada de estímulo científico no setor de meninas, p.ex. Na parte dos meninos, nada de bonecas, claro. Como se meninos não brincassem de casinha e não se preparassem para ser pais e cuidar de uma casa em conjunto.

    E o problema não é o rosa ser usado nesse tipo de estratégia, que é até interessante. O problema é dizer que meninas SÓ PODEM USAR ROSA sendo que existe todo um arco íris lá fora à espera delas.

    Ah, e o termo feminazi é uma tristeza de ignorância. Comparar a luta histórica de mulheres por igualdade de direitos, acesso a estudo, trabalho e proteção contra violência de gênero com o nazismo é má fé, pra dizer o mínimo. Lembrando que o nazismo era anti feminista e prendeu e matou várias representantes do movimento na Alemanha e países ocupados.

  • Maya

    Vou ser muito franca que não discordo do seu texto, até porque eu sou feminista e adoro rosa e isso não tem nada a ver com a minha criação, uma vez que na minha infância eu só tolerava amarelo.

    Mas antes de seguir o cerne da questão, queria apontar o primeiro erro básico do seu texto: FEMINAZI. Uma marca do feminismo é a luta incessante pelas causas sociais, minorias e oprimidos em geral. Sabe qual a semelhança entre o movimento feminista e o nazismo? Isso mesmo, nenhuma. Nós tentamos salvar vidas, o nazismo as tirava a rodo. Eu sei que pra muita gente ainda é engraçadinho usar o "nazi" no depois do "femi" e que nem se preocupam com o que estão dizendo com esse termo, mas pra quem é feminista, ser comparada com nazista é MUITO ofensivo, já que se o nazismo fosse instaurado no Brasil, estaríamos e terceiro na fila de extermínio, perdendo somente para judeus e homossexuais, e os que nos chamam de nazistas seriam justamente os que nos matariam sem ver problema nenhum nisso.

    De resto: acho que a intenção de garantir que os celulares fiquem com a mulher usando uma cor que mos machões não pegariam pra eles não demonstra o sexismo que reclamamos, demonstra que lá os direitos das mulheres nem começou a ser conquistado, se uma propriedade delas pode ser pega pelo marido sem questionamento. De minha parte, entendi o objetivo do uso do rosa. É sexista? É, mas se fôssemos lutar pelas cambojanas, não seria pela cor do celular, mas pelo motivo que levou as autoridades a escolherem uma cor específica para o mesmo. A causa é muito maior do que a cor. A causa sempre é muito maior do que a cor de deprime ver que tanta gente só enxerga uma pontinha tão pequena da causa. Mínima.

    Que é o que o Dennis comentou, muito bem por sinal. A polêmica das cores do kinder ovo não era pela cor da embalagem, mas por separar "brinquedo de menina" e "brinquedo de menino" como se ter uma princesa na brincadeira do menino fosse gravíssimo (ué, não podemos ter guerreiros em missão de resgate?) ou um carrinho na brincadeira da menina (as bonecas precisam de transporte tb). Como bem disse ele, criança é criança, criança é aquele ser capaz de contruir um universo encantado com uma folha de papel. Eu brincava MUITO de carrinho quando criança, tinha meus próprios inclusive, e sou hétero e muito feminina, não afetou minha sexualidade brincar de carrinho. E se tivesse, se hoje eu fosse lésbica, com toda certeza não teria alterado meu caráter, esse eu aprendi em casa, minha heterossexualidade veio comigo "de fábrica".

    Enfim, espero ter sido clara. Espero que leia de mente aberta. Não há nenhum motivo de piada no aque escrevi e vim em missão de paz.

  • A pia deve estar cheia.

  • "O melhor é que enquanto as interwebs se digladiavam com banalidades de fazer o Psy ter vergonha"

    Quando não é assim?