Marinha Brasileira se rende a feminazis e desrespeita milhares de fuzileiras

As mulheres do Ocidente tiveram dois grandes avanços, com as Guerras Mundiais. A necessidade de cobrir as vagas deixadas por homens que iam para o Front fez com que gerações inteiras trocassem o tanque pela fábrica de tanques. Os soldados combatiam o inimigo com armas construídas por suas mães e irmãs. Esse novo mundo de independência financeira e social foi o germe da revolução sexual dos Anos 60/70, Woman`s Lib e outros movimentos importantíssimos.

Mesmo instituições conservadoras como o Corpo de Fuzileiros dos EUA passou a aceitar mulheres em seus quadros não-combatentes, e isso não é de hoje. A primeira delas foi a moça da foto acima. Ela se chamava Opha May Johnson, nascida em 1879, com 39 anos atendeu ao Chamado do Dever e se voluntariou para o Corpo de Reservas dos Fuzileiros dos EUA, alistando-se em 1918.

Seu primeiro trabalho foi coordenar as outras voluntárias atrás dela na fila. No total os EUA recrutaram 300 mulheres para os fuzileiros, na Primeira Guerra Mundial.

 

Na Segunda Guerra a primeira mulher oficial do Corpo de Fuzileiros foi a Capitã Anne Lentz, designer e estilista, assumiu a área responsável pelo projeto de uniformes para os fuzileiros, adequando padrões, de camuflagem, conforto, resistência e proteção contra clima. Ela não foi a única. Mais de 20 mil mulheres serviram no Corpo de Fuzileiros. Durante um tempo 95% do contingente no QG dos Fuzileiros era de mulheres. Elas eram telegrafistas, controladoras de vôo, mecânicas, criptógrafas, estenógrafas, instrutoras de artilharia antiaérea, a lista é imensa.

Com o fim da Guerra elas foram desmobilizadas, mas por ordem do General Alexander Vandergrift 1000 foram mantidas, como base de um corpo de treinamento para criar protocolos para caso fosse necessário novamente convocar mulheres. Isso, claro, fez com que elas ficassem de vez.

Em 1965 já era comum mulheres servindo nos fuzileiros, o incomum foi o que a Master Sergeant Barbara Jean Dulinsky pediu: Uma transferência para Saigon, durante a Guerra do Vietnã. Ela foi atendida e se tornou a primeira fuzileira a servir em uma zona de combate.

Hoje isso não é novidade, temos por exemplo…

Capitã Nicole Jansen-Hinnenkamp, callsign Cougar (ela odeia)

Capitã Jessica M. Moore

Capitã Vernice Armour (um puta nome!)

A presença de mulheres entre os fuzileiros é algo antigo e respeitado, pois uma vez Fuzileiro, sempre Fuzileiro, se você conseguiu cumprir as exigências pra se tornar um Marine, você é um, independente de sexo. Semper Fi não faz distinção de gênero. Por isso é no mínimo decepcionante este twit da Marinha do Brasil:

É uma vergonha, estão apagando da História milhares e milhares de mulheres, várias que fizeram até o sacrifício final por seus companheiros de farda. A notícia fake, que ninguém se dá ao trabalho de pesquisar surgiu de um twit infeliz do Jezebel, aquele antro feminazi que só aceita mulheres como coitadas indefesas oprimidas por homens malvados.

Elas foram menos piores, apenas ignoraram todas as oficiais desde a  Capitã Anne Lentz, em 1943. Sim, cuspiram na cara até das Generais Frances C. Wilson, Loretta Reynolds, Margaret A. Brewer e Carol Mutter mas é justo. Quem acha que mulheres são sofredoras indefesas jamais conseguiria imaginar que quatro delas só nos Fuzileiros chegassem ao posto de General.

É uma pena, eu estava tentando evitar esses assuntos, mas se há algo que eu gosto de mostrar no Contraditorium são mulheres incríveis, resgatando suas histórias. Eu jamais poderia ficar calado diante de uma injustiça dessas. É preciso proteger os mais fracos, que no caso são os estagiários da Marinha do Brasil. Quantos segundos você acha que eles duram na mão de uma Fuzileira enfurecida? Eu não levaria mais de 15 pra ser polpificado.

Ah sim, a notícia: A história é que a primeira mulher está prestes a se graduar na Escola de Oficial de Infantaria dos Fuzileiros. A escola foi aberta para mulheres em 2015, mas até hoje nenhuma tinha conseguido chegar ao fim. Não é sexismo, é difícil mesmo. É um curso de 28 semanas, com uma taxa de desistência altíssima e exigências físicas e psicológicas tão pesadas que eu nem consegui colocar aqui.

É um grande feito em nome da Igualdade? Nem de longe, qualquer um que se gradue nesse curso é superior a 99,9% da Humanidade, equivale a usar Mozart como exemplo da superioridade masculina na música. O importante não é uma mulher se graduar, o importante é que elas tenham a oportunidade de tentar. Igualdade não é todo mundo igual, isso é delírio comunista de gente medíocre que quer nivelar o Universo por baixo.

Igualdade é todo mundo ter as mesmas oportunidades. Daí em diante, é com você. Semper fi!

PS: Este foi o fake news que a Marinha do Brasil replicou.

Eva, então?


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Leia Também:

  • André Luiz

    Lembrei de um filme da Demi Moore dos anos 90 em que ela era uma Seal da marinha ( a força naval que vale, marines é uma jaboticaba americana) e tinha que lutar contra o estereótipo de que mulher militar em função de combate é sapatão ou masculinizada.

    Ainda tem isso, mas é só lembrar das russas ou das israelenses

    • lembro vagamente desse filme, vou pesquisar no ImDB

    • naoseidenada

      Até o limite da Honra ou G.I. Jane no título original.

      • Julio Cesar Ferranti

        Peraí! É G.I. Jane mesmo no original? Lembro de um G.I.Jane (ou a personagem) mas era comédia. Gozação mesmo com G.I. Joe!

    • NestorBendo

      Tem até uma cena que um marmanjo tenta estuprar ela no meio do pelotão, só pra “mostrar como é numa guerra”.

      • Rodrigo Cavalcante da Silva

        Faz tempo que vi o filme, mas ele não consegue não?

        • NestorBendo

          Cara… Sinceridade: não lembro.

          It was a long assfucking time ago…

  • Caramba, quero escrever igual o Cardoso quando crescer!

  • José Carvalho

    Não tive um colapso sozinho quando vi isso… fiquei me coçando pra sugerir a matéria ao @ccardoso:disqus , mas soube esperar e… Foda! Parabéns pelo texto!

  • Luis

    Não entendi direito, quando pensamos em Marines pensamos na infantaria, aqueles caras que combatem no solo, a pé.
    Piloto de helicóptero ou jato tem o mesmo treinamento da infantaria?

    Se o titulo da noticia é “First female Marine in history to graduate infantry” não estou vendo aonde esta o erro ou forçada na lacração.

    • ochateador

      Todos tem o mesmo treinamento inicial. O que varia é o treinamento posterior que é mais específico para a área escolhida para atuação.
      Pois imagina um piloto de caça/helicoptero ter que abandonar a aeronave e andar 100km por dentro do território inimigo a pé.

    • Você pensa errado. O corpo de fuzileiros vai muito além de infantaria. Eles inclusive estão operando um esquadrão de F35s no Japão. A matéria da Fox está correta, problema é a matéria do Jezebel e as brasileiras.

      • Luis

        Sim, esse Jezebel ainda fez um adendo no final do texto.

        Ainda teve o famoso “seu corpo minhas regras” onde reclama que a oficial não queria contato com a mídia, onde poderia “servir de exemplo”.

        Tomou uma invertida da uma Mariner

        “Quiet professional” is what all Marines are supposed to be. Do you
        remember when the first female Marine tank officer graduated? She was
        forced to do interviews and people raked her over the coals for being
        “attention-seeking.” Did anyone care that her command ordered her to do
        the interviews? No. This Marine probably doesn’t want the same thing to
        happen to her, and luckily got a command that was on her side.
        Regardless, military officers are not your entertainment figures, and
        are not obligated to sing and dance for the public. Respect her choice.

  • Davos, o lord cebolito!

    O que é polpificar? E porque não encontro definição deste termo na internet?

    • Monstro Medieval

      Transformar em polpa.
      Pensa num tomate.

  • Paulo Henrique Duarte

    Livro bom: ” A guerra não tem rosto de mulher” escrito por uma jornalista russa. Vale ler. Cardoso, dá uma conferida A guerra não tem rosto de mulher de Svetlana Aleksiévitch
    https://itunes.apple.com/br/book/a-guerra-n%C3%A3o-tem-rosto-de-mulher/id1123142218?mt=11

  • Pobretano

    Mano, tô tentando analisar essa fake news: primeira mulher da história” – seria quem, a Eva do mito judaico ou a Lucy fóssil?

    • Julio Cesar Ferranti

      Tecnicamente, Lucy pertence a pré-história, então, talvez uma das mulheres de Nabucadonossor seja a mais indicada à matéria

  • Just Marcelo

    ”primeira mulher da história” Caralho, que ÓDIO disso. a pessoa não para pra ler oq escreve? Será que na cabeça do estagiário essa frase tinha sido bem traduzida? Li umas 4 vezes pra entende.

    • SiouxBR

      “mim usar gugou traduteitor para traduzir matéria original”.

      O resultado não precisa fazer sentido. Afinal, se o Google traduziu, está certo (fico pê da vida quando leio matérias dizendo que os tradutores automáticos já estão em um nível próximo ao humano).

  • LG

    O problema é que essa gente xiliquenta cria padrões, réguas, para medir os outros e classificar os outros, e se esquecem que algumas pessoas são maiores que tudo isso.

    Todos querem deter o monpólio da virtude, mas se esquecem que a virtude é um pássaro caprichoso que quando encerrado, simplesmente para de cantar…

  • Lucas Timm

    Capitã Nicole Jansen-Hinnenkamp, callsign Cougar (ela odeia)

    Eu ri igual um idiota, desculpa. Valeu Cardoso.