O Post, assim como a baitolice, é um caminho sem volta

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É comum ver casos onde a gente escreve um post, se arrepende e depois conserta. Acontece todo o tempo. Só que isso é apenas uma ilusão. A Crueldade Natural do Universo, que rege fenômenos como o lado da manteiga caindo para baixo, o sumiço dos táxis na chuva e sua mulher pegar o celular na hora que a estagiária ninfeta liga pra você determina que quanto mais inoportuno o conteúdo do post apagado, mais chances ele tem de existir em outro lugar.

Imagine que você faça um post comparando sua ex a uma vaca (não que eu fizesse isso, sou um gentleman). Tempos depois se arrepende, apaga o post. Tranquilo, não? Caso encerrado.

Uma pinóia. Existem alguns recursos que podem reverter uma página apagada ou mesmo modificada.

1 – Cache do Google

Essa desgraça guarda versões antigas. É muito comum seu uso quando a página original saiu do ar por excesso de banda, ou foi apagada. Para acessar, basta fazer uma pesquisa normal no Google. Use o comando site: na frente, seguido da URL do site que queira identificar, assim ele mostrará todas as páginas indexadas daquele site, mesmo as que não estão mais linkadas na página inicial do mesmo.

Quando encontrar a página que quer, se você clicar no link, provavelmente encontrará uma página de erro, ou a versão modificada. Vejamos o formato de um link de resultado do Google:


Blog do Cardoso | All I ask is a tall ship and a star to steer her by– [ Translate this page ]

Blog sobre cultura digital, mundo pop e humor, com conteúdo original e pessoal.
www.carloscardoso.com/ – 53k – 8 Oct 2006 – CachedSimilar pages Note this

Note que ao lado da URL e da data, há a opção Cached. Clique nela e será levado a uma versão mais antiga da página. No caso acima, a versão em cache é a de 3/10/2006.

2 – RSS

Se o seu leitor de feeds estiver corretamente configurado, mesmo que o artigo tenha sido apagado, ele ainda estará listado na sua máquina. Se o feed for completo, com título, resumo e conteúdo, você terá uma cópia local. Basta salvá-la e confrontar o idiota que te chamou de vaca.

3 – Archive.org

Este site é maravilhoso, tem toneladas de material em domínio público. Também tem um robô que rastreia a Web, atrás de sites. Ao invés de indexá-los como o Google, o Archive.org… Os arquiva. Cronologicamente.

O Carloscardoso.com, por exemplo, tem arquivos desde 1999. Separados por ano. E mês. Não são completos, mas se formos confiar na sorte, o que não deveria ser arquivado com certeza o foi. Basta usar a ferramenta de busca deles.

Fora esses principais, se você tem uma audiência grande, fatalmente atrairá a atenção de alguém, se postar algo mais polêmico, inadequado ou constrangedor. “cara, olha só o que fulano postou!”, com um screenshot anexado. Pronto, acabou seu dia. Ou seu mês, ou mesmo o seu ano.

Por isso, algumas dicas:

Nunca suba nada para o blog sob influência de álcool, drogas ou estupefaciantes.

Na verdade não escreva nada sob efeito de álcool, drogas ou estupefaciantes. Vais ter o trabalho de reescrever, quando ler a obra-prima no dia seguinte e não parecer tão genial quanto no momento da autoria.

Não escreva com raiva. Se quiser brigar com alguém, use o email. Ou o Flickr. Meu método é escrever o texto, salivando, reler, tomar um café e apagá-lo. Nunca falha. A próxima versão sai muito melhor, sem os ataques generalizados.

Cuidado com piadinhas particulares. Nunca são tão particulares assim. Seus leitores sabem com quem você se relaciona, sabem somar 1 + 1. Se no meio de um texto eu falar, sem citar nomes, de uma “perua-sem-fio” a maioria dos visitantes não precisará nem clicar no link para deduzir de quem estou falando. Minha espetada particular se tornou um ataque e deboche, público. No mínimo deselegante, mesmo para um ogro como eu.

Escreva como se estivesse mandando um email ou uma carta. Assuma que não há volta. Mesmo que você tenha a sorte de conseguir reverter a mensagem, não ser indexado por ninguém e nenhum leitor testemunhar a alteração. Melhor estar seguro.

Assuma seus erros. A tag <del></del> faz este efeito de texto apagado. Use-a. Não apague simplesmente o que está publicado, trocando por conteúdo novo. Ninguém espera que você acerte 100% do tempo. Seus leitores irão corrigir seus erros, tenha certeza. Filtre os trolls (JESUS é o SALVADOR e você deve apagar este post pois ofende O SENHOR) e agradeça as correções. Seus leitores ficarão satisfeitos, se sentirão participando e seu artigo ganhará em precisão.

Corrija, mas não peça desculpas. Se você deixar, grupos de “ofendidos” irão invadir seu blog. Logo ele se tornará um reduto de retidão moral e discurso politicamente correto, e você será menos interessante do que press release de fabricante de sacos de aniagem. (é aniagem o termo correto?) Assuma sua opinião e brigue por ela. Se alguém te convencer que está errado, faça um novo post, atualize o antigo dizendo que mudou de idéia mas não o apague. É no mínimo falta de respeito com quem concordou com você, à época.



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Leia Também:

  • Jin

    Bottom line: danou-se.

  • Lagais as dicas.. nunca deletei um post, mas ja atualizei várias vees mudando o texto.. mas dps q descobri o preview do wordpress, minha vida nucna mais foi a mesma XD

    muito boas as dicas, colocarei-as em pratica XD

    []’s

  • Jin, o Exchange Server tem uma opção que permite desenviar uma mensagem, mas somente dele para ele mesmo. Assim, se eu mandei um email para dentro da empresa, e o destinatário não está logado, posso recuperá-la. ÀS VEZES funciona. O problema é que isso acostuma mal os usuários, que tentam fazer isso com QUALQUER email. E aí, haja paciência pra explicar que NÃO podemos acessar o servidor do Hotmail e apagar nada lá…

  • Vlw plas dicas irão ser muito úteis!! ^^

  • Olá!

    Eu acho que quando o erro é de informação, sim, devemos "riscar" e escrever a correção ao lado. Mas se for erro de pruttugueis (sic), aí acho que vale só corrigir para a gramática/ ortografia correta.