Ivan Lessa não tem medo de blogueiros

Ivan Lessa é um dinossauro, daqueles que ficavam batendo na porta do Gutemberg para ele terminar logo de inventar a impressão tipográfica para que ele pudesse começar a escrever. O Ivan foi um dos fundadores do Pasquim, e depois de uma vida de aventuras por trás da Remington, leva uma vida tranquila, morando em Londres e escrevendo para a BBC.

Ele teria tudo para detonar os blogs. Pombas, o Ivan nasceu em 1935, não havia nem máquina a vapor ou fogão à gás, em 1935. Como um cara desses vai entender blogs?

Pois é. Mas vejam o que ele disse sobre a gente:

Bloguear é sobre os amadores passarem a bola por entre as pernas dos profissionais e deixá-los caídos de bunda no meio do campo.

Leiam a crônica completa do Ivan na BBC neste link. Em tempos de ataques contra blogueiros, é um alívio ver que ainda existe gente inteligente o bastante para não nos ver como concorrência predatória e fonte de todo o Mal. Ivan diz, sobre blogueiros, referindo-se a um texto de Scott Rosenberg, do Salon:

Faz o que toda gente dessa estirpe deve fazer: levantar dúvidas. Como bom blogueiro.

Eu não vi nada no estilo “morte aos blogs, vão roubar meu emprego”, ou “não acreditem em blogs”. Ele captou perfeitamente o nosso espírito:

Em primeiro lugar, toda a graça dos blogues é que não há fatos. Há suposições, há versões, há interpretações. O mundo é muito pessoal e só pessoalmente há como entendê-lo e interpretá-lo.

Mais: o mundo começa em casa, diante do computador e o longo e, por vezes, doloroso processo de pesquisar as coisas que vai se bloguear.

Assim, enquanto um professor anônimo da USP nos chama de lixolândia, um dos maiores jornalistas brasileiros, que já garantiu seu lugar na História chafurda nos blogs e distribúi carinho. Sim, o texto dele é extremamente carinhoso. Me parece que ele vê os blogs como algo que ele poderia ter feito, me parece que ele meio que se desencatou com os fatos crus, e está atrás das opiniões, coisa que encontra com muito mais facilidade nos blogs.

Depois desse afago não-solicitado, por parte de um Jornalista De Verdade, não me resta nada a não ser, com a autoridade a mim concedida por mim mesmo, declarar Ivan Lessa Mega-Blogueiro Honorário. Palmas pra ele.

Mil agradecimentos ao Anderson Zardo, que me passou o link. Obrigado mesmo.


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Leia Também:

  • Mas também Cardoso, estamos falando no melhor jornalista (vivo) brasileiro, comparar Ivan Lessa com um "professor anônimo da USP" é covardia, você está desmerecendo o Ivan :)

  • Oi Cardoso, eu tenho um blog por razões pessoais, sem qq pretensão profissional. zero. e acho que a grande maioria da "blogosfera" é mais ou menos assim.

    gosto de ler vários blogs, e sou uma leitora exigente. acho que tem muito lixo na "blogosfera", coisas boas são raridades.

    agora, sinceramente, acho que vc está dando mais importância para o assunto do que ele merece. duvido que o estadão tenha medo dos blogs. achei a campanha ridícula, mas eles conseguiram um propósito: cahamar a atenção e causar polêmica.

    considero os blogs um fenômeno importante, interessante, mas se ficarmos discutindo muito sua importância na história da comunicação a gente se perde. os blogs são revolucionários? não. surgiram pra ficar? talvez. mas na minha visão sua principal qualidade é de permitir aos blogueiros, sejam eles "profissionais" ou não, usar uma ferramenta de comunicação e de relacionamentos. nada mais.

    acho que tanta discussão acaba descaracterizando um pouco a natureza original dos blogs, mas por outro lado penso que não existe mídia mais flexível, mais livre, mais capaz de se reinventar.

    não sei se seus leitores e outros blogueiros continuarão dando tanto valor a essa discussão, mas, sinceramente: pra mim (e aposto que para a maioria dos que lêem blogs) esse assunto já deu o que tinha que dar.

    abraço

  • Renata, me desculpe, mas discordo de você.
    No final dos anos 90, começo deste século, esse era o argumento usado pelos mesmos veículos para a tal da internet, que estavam supervalorizando algo que só tinha lixo, e que no final das contas não iria "pegar".
    Pois bem, os anos passaram, até a bolha das pontocom explodiu na cara de muita gente, mas a internet está ai, firme e cada vez mais forte, o futuro é aqui. Tanto é que estou sentindo cheiro de nova polêmica em pouco tempo (bom para os blogs, vai dar muito assunto), a televisão anda atacando sistematicamente a internet, veja a chamada do Fantástico de domingo passado e o de hoje, ambos sobre o mesmo assunto, jovens x internet x pais.

  • Se não me engano o Ivan Lessa é autor desta frase:
    "O brasileiro é um povo com os pés no chão. E as mãos também."

  • Concordo com a renata, acho que o estadão está ganhando com o fato de estarmos todos chateados, mas ao mesmo tempo alimentando a discórdia.

    O melhor a se fazer é olhar à frente, continuar trabalhando para que nossos blogs, nossas idéias e nossas opiniões sejam cada vez mais levadas em consideração aumentando assim o poder da blogosfera.

    De qualquer forma parabéns cardoso, gostei do texto e acho este tipo de leitura muito animadora, incluir informação com opinião não é característica exclusiva de jornalistas…

  • Anderson Zardo

    Fico muito feliz em ter sido útil, sempre leio os "blogues" do cardoso, e dar uma pequena contribuição era o mínimo que eu podia fazer, hehee. Parabéns pelo excelente trabalho.

    Ah, sim, o Ivan é uma figura, eu ainda pretendo comprar o Gip! Gip! Nheco! Nheco!

    Brasil, ame-o ou deixe-o
    "O ultimo a sair apague a luz do aeroporto"

    HAHAHAHA :)

  • Não acho que devemos "olhar pra frente e continuar", se eu coloco uma campanha na tv falando que todos os jornais são uma merda, mera cópia de jornais internacionais, e que é um meio não só ultrapassado, mas muito menos inteligente que a TV e a Internet, que os jornais hoje são feitos pelos estagiários e que não contratam jornalistas decentes, aposto que os donos de jornais não "olhariam para frente e continuariam", a campanha seria alvo de muita reportagem, sem contar a exigência de um "pedido de desculpas", isso no mínimo.
    Ao invés de um simples debatezinho com professor da USP (que por sinal não vejo nada demais, a maioria do lixo no Brasil sai das instituições falidas, com professores retrógrados e alunos hippies, chamada de universidade), exigiriam que eu retirasse imediatamente a campanha do ar e daria o maior problema, acho que estão substimando os blogs, e não somente isso, estão com medo SIM, afinal, como disse o Cardoso, há blogs que tem mais visitantes que tiragem de revista de mulher pelada, e sem apelar pra sacanagem, e quem disse que não poderíamos ultrapassar em pouco tempo a tiragem de qualquer maior jornal do mundo? Até o NY Times já está pensando em migrar completamente para a internet, deixando assim de produzir o jornal em papel.
    Temos força SIM, somos um veículo de mídia SIM, somos mais dinâmicos que meios tradicionais de mídia SIM e isso deve ser debatido à exaustão SIM.

  • Renata, não vale ficar segmentando, dizendo que há muito lixo na blogosfera. Há muito lixo na civilização como um todo. Posso arriscar que 99% do que é produzido culturalmente – internet, jornal e o escambau a quatro – é lixo. Por que então dar essa atenção especial para os blogs? Não será para desmerecê-los?
    O mesmo digo para você ILO. Você repetir o que o Estadão fez com os blogs, mas com a universidade, não é lá muito certo…
    Ou é válido nós fazermos com os outros, mas os outros conosco, não?

    Então vamos discutir, sem cair nas mesmas armadilhas que caimos naquele debate…

    abraço

  • Pai Cardoso, seguindo estes caras que a gente gosta de ler, recomendo o Manoel Lobato, se ainda não o conhece.

  • “[…]Me parece que ele vê os blogs como algo que ele poderia ter feito, me parece que ele meio que se desencatou com os fatos crus, e está atrás das opiniões, coisa que encontra com muito mais facilidade nos blogs[…]”
    Levando em conta que ele foi um dos fundadores do que eu considero como a maior manifestação de resistência à ditadura que apareceu por aqui naquele negro período, com certeza blog é algo que ele faria, se na década de 60 já existisse internet. Quanto a estar mais interessado em opiniões do que em fatos crus, bem, o próprio Pasquim funcionava deste jeito…

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