Num mundo sem mocinhos músicos também são mesquinhos

Estamos vivendo um período intermediário no mundo da produção cultural, o advento da distribuição E produção digital mudou tudo. Em alguns anos teremos resolvido esses problemas, mas por enquanto temos gravadoras que não aceitam morrer, artistas que não sabem direito pra que lado ir, usuários que querem o conteúdo e vão consegui-lo de um jeito ou de outro…

A única constante é a ganância, que continua muito bem, obrigado.

Exemplo: Nos EUA um grupo está fazendo lobby junto ao Congresso em prol de legislação que regule os royalties de execução para mídia digital. No grupo temos gravadoras, publishers, artistas e compositores.

Os royalties de performance são os mesmos que no Brasil ficam sob controle do famigerado ECAD. É o dinheirinho que se paga cada vez que uma música é executada publicamente, seja em um elevador, em um seriado de TV ou em uma festa de aniversário.

Não é que quem criou/produziu a música não ganhe quando ela é vendida no iTunes. Ganham, uma fração bem maior do que na venda tradicional, aliás. O que não ganham é quando a música é executada em uma rádio online ou quando aparece em um filme baixado ou assistido via streaming.

Até aí tudo bem. Se há a cobrança desses royalties em outras mídias, é justo que sejam cobrados no meio digital. O que é mesquinho MESMO é que querem cobrar royalties de performance das músicas baixadas, o que é um absurdo. Não é uma execução, caceta, é uma venda. NÃO ganham royalties de performance na venda de CDs.

Pior: Compositores E gravadoras querem receber royalties de performance inclusive dos previews de 30s que o iTunes disponibiliza para você saber se a música é legal e vale a pena comprá-la.

Eu até diria que achei estranho gravadoras e artistas unidos assim, mas não só a necessidade, a mesquinharia também faz estranhos companheiros de cama.

Fonte: Ars Technica


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  • Wow Cardoso, desculpe a ignorância, mas o que seria o termo "royalties de performance" ? To por fora…

    • Lê a porra do texto que ajuda.

  • Cristiano

    Cara, esse lance de cobrar por música executada seja onde quer que seja é uma sacanagem!!!

    Uma vez o jornalista e apresentador do grupo Bandeirantes Ricardo Boechat recebeu um email de um cara que sempre deixava ligado o rádio na BandNews FM no seu estabelecimento comercial… Um dia apareceu um "fiscalzinho" dizendo que estava lá pra cobrar o dinheiro do ECAD pelo comerciante deixar na rádio!!! Daí o Boechat perguntou: "-Ae pessoal do ECAD, eu quero meu dinheiro! Se estão cobrando em nome da rádio, eu quero o meu dinheiro!!!"

    Sei que não é só aqui… mas O PAÍSZINHO!!

  • Ainda não entenderam que não adianta usar a força contra a internet, seja pra controlar música, ou conteúdo político. Aqui as regras viram excessões se estas não funcionarem bem para os usuário. Não sou um visionário e não tenho uma solução, mas sei muito bem q isso não vai funcionar. O momento da extinção total desse antigo modelo está chegando, e as gravadoras q não usarem a inteligência e o bom senso irão afundar junto com o modelo. Acho q a internet trás muitos problemas, mas tb muitas oportunidades diferentes. A questão é q acostumados com o dinheiro fácil do passado, aonde as pessoas não tinham opção, as gravadoras querem recuperar isso. Não vão! Por exemplo, pra que produzir albúns, se só queremos escutar 2 ou 3 músicas de cada um(e eles sabem muito bem quais serão). Ira ocorrer uma reforma geral nesse meio, queiram as gravadoras e astistas, ou não. Como sempre a seleção fara seu trabalho. Se segurem quem conseguir e se reeinvente quem for esperto.

  • 'Prá que produzir àlbuns se só queremos escutar 2 ou 3 músicas de cada um' – comentário típico da nova juventude…

    Prefiro ser um dinossauro e experimentar as surpresas de ouvir um àlbum inteiro (e ir maturando as músicas menos legais com o tempo). E Sim, eu ainda compro cd's!

    E querer cobrar a performance de amostras de música só comprova 2 fatos óbvios, redundantes e adivinháveis:

    1 – a indústria fonográfica está mesmo desesperada, coitada;

    2 – a indústria fonográfica está mesmo perdida, tadinha;

    Possíveis soluções:

    1 – abrir uma igreja e cobrar dízimo;

    2 – comprar um gps;

    Só queria entender qual a fórmula que eles iriam usar para calcular a quantidade de "performances" e assim saber qual valor cobrar (sou péssimo em matemática).

    • Realmente, comentário tipico da nova juventude. Que é exatamente quem a indústria da música deve se preocupar em atender. Já q a juventude de hj vão ser todos os possíveis consumidores q eles terão em alguns anos.

  • Está na hora dos artistas/produtores reverem seus conceitos. Divulgem em todas as mídias e ganhem dinheiro em shows. Abraço.

  • avontz

    Cardoso, mas geralmente, os vulgos 'artistas' que querem essa bolada são caras que ninguem nunca ouviu falar… é como no ECAD..tem gente que ganha uma grana e ninguem conhece.. mas estão lah.. 'artistas' filiados do ecad… mto tosco…

  • hcvenceslau

    Isso é atitude daqueles que vem na música uma forma para ficar milionário….

    Não estão interessados em criar e distribuir sua arte mas sim em comprar ferraris.

    Não são músicos mas sim péssimos vendedores.

  • A situação tende a taxarem tudo, mas como funcionaria em um mundo globalizado digitalmente, mas regionalmente com leis próprias? Botar um servidor na china e rir do cara que te processa nos EUA é complicado.

    Ainda é cedo para dizer algo, falta maturidade e experiência digital, jurídica e artística de todos os lados.

  • Eu acho que é o tipo de coisa que se ganha mais não leva, haja visto que eles ainda não conseguiram nem consolidar direito a venda de das músicas em formato digital( eu acho que a quantidade de mp3 baixada ilegalmente deve dar uma lavada no i-tunes). Eu acho mais difícil ainda eles conseguirem ganhar royalties por execução das rádios on-line.

  • Os artistas e produtores do ramo musical precisam saber usar o cenário tecnológico atual a seu favor. Cobrar pela exibição dos previews de 30s é um absurdo. Daqui a pouco vão querer uns trocados pela exibição da capa do CD também.

    Abraçøs!

  • MR

    Eu acho que é o tipo de coisa que se ganha mais não leva, haja visto que eles ainda não conseguiram nem consolidar direito a venda de das músicas em formato digital( eu acho que a quantidade de mp3 baixada ilegalmente deve dar uma lavada no i-tunes). Eu acho mais difícil ainda eles conseguirem ganhar royalties por execução das rádios on-line.