Palco HSBC – Leitores e Responsabilidade

Semana passada vivemos um momento de utopia, na nossa discussão sobre Responsabilidade na campanha Palco HSBC perguntamos “Como seria o mundo se apontássemos os próprios erros com tanta eficiência como apontamos os dos outros?”

Somos bem tendenciosos quando estamos sob o holofote, nem dá pra reclamar. Farinha pouca meu pirão primeiro, mas será que precisamos ser tão liberais justificando todas as nossas besteiras E ao mesmo tempo apontando o dedo para quem faz exatamente a mesma coisa?


Vejamos o que o pessoal tem a dizer:

David Marcon, de Campo Grande, MS
Agir dá trabalho, falar é mais fácil, por isso a maioria das pessoas prefere procurar alguém para culpar. O aquecimento global, culpa dos países desenvolvidos, não de quem pega o carro ao invés de andar duas quadras. Políticos corruptos, vamos fazer um protesto na internet, é melhor do que votar com consciência e verificar se a pessoa que você ajudou a eleger está fazendo o que prometeu. O inferno são os outros, sempre.

Quando não é “o Governo” é “alguém tem que tomar providências”. Eu já vi a rua ficar sem luz por mais de 1h, porque ninguém se dignou a ligar pra Cia de Energia. “alguém deve ter ligado”. Quando peguei o telefone e fui procurar o número, ainda me criticaram.

Mariana Braga, do Rio de Janeiro, RJ
É isso que falta ao Mundo, que as pessoas parem de apontar os culpados e vejam os próprios erros, se dando conta que o erro começou por ela. É fácil falar que fulano joga lixo no chão quando você faz o mesmo, mas acha certo porque depois o gari vai varrer… A sociedade tem que parar com isso e passar a fazer as coisas em vez de empurrar o trabalho para outras pessoas, se cada um fizer a sua parte sem perturbar ninguém, aí sim estaremos encontrando o rumo para um mundo melhor.

Se o sujeito vai virar um ecochato, eu prefiro que continue jogando lixo, melhor isso do que ficar me patrulhando. Aliás bom mesmo é a justificativa. “Se ninguém jogar o gari perde o emprego”. erá que usam essa justificativa para o crime também? Afinal policial também tem que levar comida pra casa.

Flávio Simões, de Santos, SP
Se apontássemos nossos próprios erros, o mundo seria um stand-up de piadas repetidas. Talvez seja a hora de fechar as cortinas.

O mundo já é um stand-up de piadas repetidas. Uma das poucas coisas chatas de ficar velho é ter que aturar a repetição desenfreada. Entra ano, sai ano, nada muda. Só os atores, o texto é o mesmo.

Francisco Carlos A. dos Santos, de Diadema, SP
Aprenderíamos, verdadeiramente, que não somos melhor ou pior do que outras pessoas. independente do título, da cor ou classe ecônomica. Na vida, desde o nosso nascimento até a nossa morte estamos em constante ajuste, portanto qualquer receita pronta para viver é ineficaz sendo que a experiência de cada um, é única.

Discordo. Eu sou melhor do que um monte de gente. Há gente ruim, gente sem consideração, gente malvada. O problema não é reconhecer os erros, é evitar repeti-los.

Ulisses Adirt, de São Paulo, SP
Se apontássemos nossos erros, com tanta eficiência, de maneira engraçada (estilo humoristas judeus tirando sarro de judeus), seria um mundo absurdamente mais divertido.

Isso sim é utopia. Humor autodepreciativo, rir de si mesmo? Já tentei, quase apanhei.

Eduardo De Bastiani, de Flores da Cunha, RS
Seria um lugar com menos críticas ressoando ao nosso redor. Nada é perfeito, mas ao reconhecermos nossos erros, evitamos o trabalho de outras o fazerem. As críticas aos poucos se transformam em elogios. Os efeitos da responsabilidade são muito bons a curto, médio e longo prazo.

Estava pronto a discordar, mas vi que você tem razão. Ao ser o primeiro a reconhecer a besteira deixamos o leitor mais tranquilo, não há tanto “patrulhamento”, exceto no caso dos trolls, mas eles são incorrigíveis.

Assim paradoxalmente nos policiamos mais, mas temos mais liberdade.


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  • Daniel Sugui

    "O mundo já é um stand-up de piadas repetidas. Uma das poucas coisas chatas de ficar velho é ter que aturar a repetição desenfreada. Entra ano, sai ano, nada muda. Só os atores, o texto é o mesmo."

    Penso exatamente assim, e só tenho 30 anos. Me preocupo ao imaginar como será daqui mais 30…