Pra desespero de DeGaulle nós somos um país sério

Ontem o Colbert Report, programa de humor jornalístico (não confundir com CQC) apresentado pelo comediante Stephen Colbert levou ao ar o primeiro de 3 programas especiais, com a platéia composta de militares recém-chegados do Iraque. No começo do programa ele exaltou os soldados, explicou que para recebê-los estava com um monte de brindes e produtos que eles não tinham quando em combate, como cerveja de verdade e… cachorro-quente. Estava inclusive com uma barraquinha de hotdogs no cenário.

O sujeito da imagem acima, distribuindo cachorro quente para os soldados é nada menos que Joe Biden, Vice-Presidente dos Estados Unidos da América.

Isso mesmo. Um comediante que por mais liberal que seja critica constantemente o Governo conseguiu que o segundo homem mais poderoso do planeta não só fosse em seu programa como ainda topasse participar de uma brincadeira.

Não é a primeira que o Colbert arma. Ano passado ele levou metade da equipe para o Iraque, fez uma semana de programas direto de um dos palácios de Saddam Hussein. Entre diversas entrevistas ele falou com gente do nível do General Ray Odierno, supremo comandante das tropas aliadas no Golfo. Durante a entrevista comentaram da “prova de respeito” que visitantes costumam demonstrar para com os soldados, que é cortar o cabelo com máquina zero. Colbert brinca, diz que o General não pode passar a máquina pois ele, Colbert só responde ao Presidente.

Nessa hora um link de vídeo é aberto e nada menos que Barack Obama, Presidente dos EUA aparece, saúda os soldados e diz para Colbert que está acompanhando a discussão.

“Sr Presidente, seus satélites são tão bons assim?”  ao que Obama responde:  “Não, mas minhas orelhas são tão grandes assim”.  Em seguida dá a ordem como comandante geral das tropas, para que o General passe a máquina no Colbert. A cena é fantástica:

The Colbert Report Mon – Thurs 11:30pm / 10:30c
Obama Orders Stephen’s Haircut – Ray Odierno
www.colbertnation.com
Colbert Report Full Episodes 2010 Election Fox News

Durante a semana ainda aparecem mensagens em vídeo de George Bush, Bill Clinton, John McCain. Um programa de humor conseguiu reunir vários dos homens mais poderosos de seu tempo, sendo que esses homens não pensaram duas vezes antes de fazer piadas com suas próprias imagens públicas. John McCain, herói de guerra veterano da 2a Guerra Mundial do Vietnã (thanks Betinho) não teve problemas em dar aos soldados o conselho que aprendeu em uma guerra passada: “limpem sempre seus mosquetes”.

Os políticos fazem fila para participar do programa, mesmo os conservadores se beneficiam, já os liberais ganham em média 44% a mais em doações de campanha, após aparecer no show.

Já o Daily Show, programa-origem do Colbert Report e “mais sério”, recebe com frequência chefes de Estado, embaixadores e políticos de primeiro e segundo escalão. Há casos como o do picareta em último grau Rod Blagojevich, ex-governador de Illinois deposto por corrupção descarada. Ele foi massacrado de todas as formas por meses no Daily Show, mas no dia em que foi convidado, topou na hora. É melhor estabelecer uma política de “fairplay” do que cometer o Supremo Sacrilégio Americano, protestar contra um programa de humor.

Eu digo protestar pois lá a Constituição, já que não tem que se preocupar em regular juros de mercado, pode proteger o direito à sátira, à paródia, ao Humor.

Bolas, há eventos oficiais inteiros dedicados ao Humor. O Jantar dos Correspondentes de Imprensa da Casa Branca é basicamente uma noite de comédia, onde um humorista é convidado para… sacanear o Presidente, que por sua vez também faz seu showzinho. Ano passado o Obama mandou muito bem:

É, eu também não consigo imaginar o Lula ou o FHC fazendo isso. NA HORA iria aparecer a galera do mimimi com o discurso “fazendo piada enquanto tanta gente passa fome…”. Em uma parte do discurso Obama faz uma piada com David Axelrod, seu principal estrategista de campanha. Diz que falou “podemos fazer coisas maravilhosas juntos”, ao que David teria respondido “então vamos para Iowa tornar isso oficial”. Iowa havia recentemente legalizado o casamento gay.

Brincasse o Presidente assim no Brasil,  o mimimi “presidente homofóbico” atingiria proporções bíblicas.

O conceito-chave aqui é Liberdade, algo tão entranhado na cultura ianque que consideram natural. Todas as formas de discurso são igualmente válidos, já passaram da Infância, não têm mais a necessidade de autoafirmação de nós latinos, que precisamos desesperadamente repetir todo o tempo que “isso é coisa séria”, e a maldita frase “com coisa séria não se brinca”.

Essas frases são o último refúgio do covarde, pois políticos não saber como lidar com Humor. A crítica do humor inteligente é rápida, mordaz e não pode ser combatida da mesma forma que políticos combatem críticas normais: com hipocrisia, frases de sentido vago e muito bla bla bla. Por isso tantas tentativas de censurar humor em tempos de eleição. A comédia além de ser vista como uma arte menor por boa parte do público e dos próprios artistas, é considerada subversiva. Humoristas nada mais são na visão dessa gente do que encrenqueiros.

Aqui cabe uma mea culpa, se a classe política ainda está na idade da pedra, os humoristas também não vão muito longe. Há muito pouca gente aqui capaz de sentar numa mesa com um Lula e ir além de piadas com o dedo, e definitivamente o tempo do Presidente da República é valioso demais para ouvir um engraçadinho perguntando se é verdade que ele fez 3 faculdades.

Infelizmente a questão é -mais uma vez- cultural. Nossos políticos temem o Humor por não saber lidar com ele. Não lidam com ele por não ser algo “digno” de importantes políticos, e o público compartilha da percepção de que no fundo Humor É uma atividade menor, bem menos nobre que o Jornalismo. Seja ele qual for.

Eu prefiro acreditar que se ganhadores do Nobel como Paul KrugmanMuhammad YunusJoseph Stiglitz acham o Colbert Report relevante o suficiente para merecer suas visitas, talvez o Humor deva ser levado a sério.


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Leia Também:

  • Leo Augusto

    Tem jeito desse post virar material didático?

    Abraços

  • Tem também aquele mimimi que surge após uma crítica como esta sua: "Tá achando ruim? Muda pros Estados Unidos!"

  • o raciocínio está errado. é justamente por estarem na infância que vivem a autoafirmação do americanismo na sua totalidade, pelo que todas as esferas são envolvidas no processo mediático através do qual se realiza a socialização. tudo é aparência, não é sequer envolvido nela, é aparência imediata da tela, as "orelhas" do presidente; nada de realmente consequente se extrairá desse universo e, portanto, todo o entretenimento goza despreocupadamente sua existência.

    • hahahahhahahahahahhahha ô plínio, volte pra campanha!

    • Matheus Brito,

      Você acaba de entrar para a galeria de imortais do Yolhesman Crisbelles.

    • só um idiota pode pressupor uma censura aí e qualquer objeto é compreendido na justa medida da capacidade de compreensão. ironias de revistinha comigo não funcionam, amiguinhos, senão como confissão legítima de que o raciocínio – volto a dizer – está errado. sem mais, beijos.

      • Matheus,

        Pelo seu blogue vejo que de acordo com seus conceitos escrever de forma prolixa é sinal de inteligência. Ainda pelo que vi você tenta imitar, em forma, outros autores como Saramago. E tenta ainda ser rebelde por não respeitar algumas regras gramaticais. Quanta incoerência. Porém em seu texto, apesar de longo, falta conteúdo e contém apenas sua opinião tomada de folhetins popularesco-comunistas, sem argumentos.

        Sinceramente,

        Orlando.

        • pela seu comentário vejo que é um falador, já que não deu prova de nada, e – se é que leu mesmo meu blog – vejo que não lê tão bem quanto supõe. em primeiro lugar, estou longe de qualquer comunismo, nunca fiz alusão a revoluções, proletariado, transformação social, estatização, e não me preocupo objetivamente com a fome, o capital, a pobreza, as más condições dos serviços públicos, etc. se uso "americanismo" e o termo é ligado ao discurso esquerdista, ou se tão só discursar "contra" os americanos é marca de "popularescidade", é pena que a inteligência em questão seja tão curta. isso justifica o que vem a seguir. "tentar imitar" Saramago?! exemplo grosseiríssimo. ao fazer o quê? e.e. cummings, que eu não tento imitar, já deixara de usar capitais, p.ex., e as razões pelas quais faço são outras. são marcas de estilo, possibilidades inscritas no próprio aparelho da escrita ocidental, comuns a muita gente e não faço questão de dar ou não nomes aos bois, já que não tenho a pretensão da menor originalidade, outro pressuposto furado utilizado como argumento para desmerecer meu discurso.

          a seguir: opinião sem argumentos? e que tal se se deixasse definitivamente de lado a falácia de atacar o sujeito Matheus para dar um pouco de compreensão ao que ele diz, hem?

          sem a compreensão exata do que implicam "mediático", "aparência", "tela" ou "ecrã", "socialização", ou mesmo a propósito do uso dos media e da ausência de consequências (a propósito de quê a noção de "terrorismo" de Baudrillard, no contexto, teria piada), dificilmente alguém poderá nortear-se. compreendo que fui abusivo, mas aqui também não parece espaço para longas dissertações (e inevitavelmente seria rotulado de abusivo ao fazê-lo, entre a cruz e a espada, etc., como serei agora; poderia dizer que qualquer pensador genuíno será tido por abusivo, mas isso eu próprio considero um abuso). depois, é óbvio que qualquer signo chega ao nível do dado, isto é, aquilo que não carece de argumentação, inclusive os signos culturais. e.g., a autoafirmação do americanismo: no cinema representam a si próprios desde como salvadores do planeta à única nação em que se passa alguma coisa de relevante, surgindo como campo neutro de eventos (veja-se como os cinemas estrangeiros preocupam-se em colocar marcas bem específicas em seus filmes, ao contrário de Hollywood); sua identidade não vem à baila tão frequentemente na música porque, à partida, ela já supera, consoante o consumo, a própria noção de fronteira; seu espírito "patriótico" é tal que não se posicionam no mesmo nível das demais nações, a não ser por certas referências ultrapassadas ao perigo comunista, uma vez que a América representa toda a ideologia ocidental e todo o progresso humano, razão pela qual somente as nações divergentes foram dignas de comparação, mas um nivelamento a fim de conjurar o perigo, etc.

          a seguir, estes bobinhos aqui acham que sou anti-americano e, portanto, devo ser de esquerda. lanço-lhes a questão: o que é que determina o quê? já sabemos que a galinha veio antes do ovo, mas como é que se pretende avaliar as bases de uma crítica e ainda à partida desmerecê-la – o que é duplamente estúpido -, sem que se tenha sequer a capacidade de simplesmente não a polarizar de uma maneira tão reles?

          eu não critico, num sentido ofensivo, a nação americana. ao contrário, até faço elogio da imbecilização. afinal, é o que a televisão pública (e até mesmo parte da programação da tv por assinatura) deseja e o que todas as instituições, sob a máscara de suas pedagogias, realiza. deve ser o sonho do indivíduo contemporâneo, mesmo no seu discurso da eleição das inteligências. é o descanso do homem, princípio do menor esforço, uma lei econômica e, a certo modo, ecológica (num sentido lato) e nada mais. voltando à infância americana, seu segredo fascinante é a magia: na infância (tanto dos povos primitivos como das crianças) as causas são apagadas da consciência e o que ocorre é a sobredeterminação da causa pelo efeito ("as orelhas do presidente"); neste caso, o humor é um "tempero", o verdadeiramente mágico/circular/infantil é o entrelaçamento de toda a existência social na ausência de profundidade da representação no ecrã, a circularidade máxima de toda uma cultura construída a partir do medium massivo de comunicação. e isso – agora sim minha opinião – é a própria essência do que tomamos por "divino". posso alargar este parágrafo mencionando, p.ex., a noção de que os gregos receberam suas formas da natureza, isto é, as formas artísticas eram "dadas", não se prendiam a leis causais, e nisso residiu sua superioridade; de maneira análoga, a superioridade dos americanos consiste em simular sua superioridade e fazer dela uma noção tão geral que deixe de ser preocupante – sua autoafirmação não ilustra, como o faria no Brasil ("o melhor do Brasil é o brasileiro" é um mote exemplar de nossa fragilidade), a tentativa de legitimar a identidade. ao contrário, ela própria, consoante a circularidade do sistema cultural americano, É a identidade.

          por fim, eu não cometo erros gramaticais "intencionais". se muito, um ou outro lapso.

          • Desculpe, depois do seu comentário original, Kamarada, não achou que eu ou qualquer um fosse ler isso tudo, né?

        • Te feri? Acho que sim…

      • considerando que a burrice anda premiada por aqui, é mesmo preferível que não.

        • "September 11th, 2010 at 12:39 pm

          Te feri? Acho que sim…"

          não sei porque esperava mais de ti, já que o melhor que podias fazer não devia ir muito longe daquilo.

        • kspakspkapskpa. Que babaca esse Matheus. Se não quer dividir sua opinião com "burros", na próxima vez, escreva esse texto inútil em seu diário. Até porque ninguém vai lê-lo mesmo. rs

        • causa e efeito devoram-se por toda parte, meu caro jumentinho.

    • Alguém entendeu alguma coisa?

      • aqui sim está uma resposta de valor. claro que toda palavra obscurecida soará oca, mas basta olhar uma segunda vez para construir-lhe o sentido. uma tirada irônica mais fina que as das revistinhas, se, ao contrário destas, não foi copiada.

  • Pingback: Tweets that mention Pra desespero de DeGaulle nós somos um país sério -- Topsy.com()

  • Some-se a isso o fato que o público médio do Brasil é extremamente burro e não entende piadas, preferindo coisas do tipo pastelão. Isso é ilustrado pelos vários sites "de humor" que existem por aí. O povo é burro e não entende piadas complexas. Não vemos isso aqui mesmo no Contraditorium?

    • Temos ai uma contradição. Afinal todo mundo diz que o americano médio é tão burro quanto o brasileiro médio.

      • AC de Souza

        Vemos aí uma diferença entre nós e eles: Se é pra nivelar que seja por cima. E que se foda os que estão abaixo.

        [],

        AC

      • O americano médio é burro. Os brasileiros em quase sua totalidade são burros. Que tal isso?

        • rogerio

          Você é brasileiro? Então é burro também! kkkk

        • Não, pior que não sou brasileiro, pois nasci na Irlanda. Perdeu boa oportunidade de ficar calado, ou fez jus ao que eu disse logo acima. Obrigado.

        • rogerio

          André, eu vivi 6 anos na Irlanda, em Dublin eu não penso como você. Eu acho os Irlandeses bem burros como os Ingleses, tem até uma piada Inglesa para o Irlandeses: O que é um irlandes embaixo de um carrinho de mão? resposta: um mecânico!kkkk (dorme com essa!!!!!!!!!!!!!)

    • Temos ai uma contradição. Afinal todo mundo diz que o americano médio é tão burro quanto o brasileiro médio.

      Ainda mais se considerarmos o sucesso que fart-apps fazem… Afinal donos de iPhones são pessoas inteligentes por definição.

      • Como assim?! Se fossem inteligêntes não comprariam iPhones ;)

  • Vou defender o nosso vice-presidente. Ele só poderia participar da brincadeira com uma UTI móvel e um balão de oxigênio.

    • Maximus Gambiarra

      AHAHAHAHAHA!

  • julio

    Excelente texto.

    Brincadeiras como estas não seria bem recebidas nem por políticos e nem pela imprensa.

    Assim como os políticos brasileiros não tem senso de humor, os jornalistas também não.

    Guardado as devidas proporções, eu gostava do quadro da Sabrina Sato no congresso. Muitos políticos tinha o 'fairplay' que até me surpreendia.

    • É pq ali não estão pensando como políticos, se é que vc me entende…

      • Quero ver se fosse um "cueca" entrevistando se eles teriam todo este "fair play"…

  • Alessandro Ciapian

    Concordo com você, Cardoso.

    Só uma coisinha pra acrescentar: o último refúgio do covarde é o patriotismo, segundo Samuel Jonhson, o famoso escritor da linha inglesa.

    • Só corrigindo, o patriotismo é o último refúgio do canalha, segundo o próprio Samuel Johnson.

  • Aqui pelo jeito estão achando que "Humor deva ser levado a sério" significa fazer ativismo vazio e humor do bem.

    • Este "humor do bem" do Legendários me dá nauseas =/

      • Concordo, a maioria dos nossos comediantes são ainda piores que os políticos.

  • Acredito que o problema dos políticos brasileiros não serem receptivos à este tipo de humor (e a qualquer outro, a propósito), é que a maioria não tem uma instrução adequada. Se candidatam apenas para estuprarem os cofres públicos em benefício próprio.

    A falta de uma boa instrução dos políticos e líderes desse país é que o fazem ser como é.

  • Perfeito em todos os aspectos.

  • "segundo homem mais poderoso do planetasegundo homem mais poderoso do planeta" essa foi engraçada, depois dessa frase pensei se eu leria o resto do texto ou não

    • Maximus Gambiarra

      Isso foi exatamente a mesma coisa que o 3º homem mais poderoso do mundo disse antes de tornar-se o 6.000.000.000º homem mais poderoso do mundo.

  • Que tal outro ponto de vista? Só pra provocar?

    Nossos humoristas estão preparados para brincar com nossos políticos? Porque o que eu vejo é só naquela brincadeirinha infantil de fazer dancinha e de colcoar nariz de palhaço em computação gráfica.

    Fazer humor com finesse igual aos exemplos aí de cima é muito mais difícil. Não há incentivo e não dá audiência. Há esse paradigma que o povo quer ver é o pastelão, a torta na cara.

    Aí vocês não querem que os políticos morram de amores pelos nossos comediantes.

    Acho que em parte, o político brasileiro não foge do humor, ele foge desse esculacho grotesco que fazem por aqui.

    Agora lembrei da Zélia Cardono na Escolinha do Professor Raimundo. Ela tava de Chico. Sem mais.

  • Que tal outro ponto de vista? Só pra provocar?

    Nossos humoristas estão preparados para brincar com nossos políticos? Porque o que eu vejo é só naquela brincadeirinha infantil de fazer dancinha e de colcoar nariz de palhaço em computação gráfica.

    Fazer humor com finesse igual aos exemplos aí de cima é muito mais difícil. Não há incentivo e não dá audiência. Há esse paradigma que o povo quer ver é o pastelão, a torta na cara.

    Aí vocês não querem que os políticos morram de amores pelos nossos comediantes.

    Acho que em parte, o político brasileiro não foge do humor, ele foge desse esculacho grotesco que fazem por aqui.

    Agora lembrei da Zélia Cardoso na Escolinha do Professor Raimundo. Ela tava de Chico. Sem mais.

  • Humor americano geralmente é inofensivo e só tem graça pra eles mesmos. O humor bem feito acaba sendo universal e atravessa o tempo. Pode colocar o Brasil no último lugar em muitas coisas, mas na comédia acho que não.

    • Aham, com certeza Legendários dá de dez em 30Rock e Saturday Night Live.

      • 30Rock é muito bom, Saturday Night Live é muito ruim…

        E como os humoristas do Brasil não mandam bem? O Tiririca é candidato! Quer piada mais bem feita que essa?

        • Piada bem feita? Piada bem feita não precisa de explicação, Tiririca candidato é a maior piada pronta do planeta, a piada mais bem explicada do planeta. Bah.

    • Bruno

      Gosto é que nem cu, cada um tem o seu.

      • Bruno

        E uns fedem mais que os outros.

      • Luan

        Não, cu é tudo igual.

    • rogerio

      Que isso cara, o humor americano é tão bom que todos copiam. Veja o caso das comédias stand up que é uma invenção americana!

    • Humor americano só tem graça para eles mesmos? Bem, só por isso ele já é melhor que o humor brasileiro. O humor brasileiro nem aqui consegue ser engraçado.

      Sim, sou bem radical. Acho o humor brasileiro um lixo.

  • "A comédia além de ser vista como uma arte menor por boa parte do público e dos próprios artistas, é considerada subversiva. Humoristas nada mais são na visão dessa gente do que encrenqueiros."

    Não sei não. Subversão é a melhor parte da comédia, o fato de os nossos humoristas serem encrenqueiros não tem nada a ver com isso. Analisa as entrevistas em "programas de humor" nos EUA e no Brasil. Lá, são espaços para "ser engreçado" e permitir que o político expresse sua opinião e até se desculpe quando há algo errado – se quiser. Aqui, Casseta e Planeta faz piada sobre pum, pipi e racha e CQC faz uma armadilha verbal tentando fazer com que o entrevistado ou não responda (portanto, maleducado), ou responda algo que o incrimine de alguma forma (portanto, idiota).

    Quem faz humor respeitando a opinião do outro por aqui?

    • A visão de humorista como encrenqueiro é geral, mas não quer dizer que não existam, infelizmente é o tipo de humor que funciona, no país do kibeloco.

  • Lucas Jim

    Esse ano Rod Blagojevich participou também de O Aprendiz, a versão americana, e foi demitido.

    Um polício brasileiro… nem que fosse um vereador de cidade que não está no mapa não daria a casa pra bater de tal forma.

    Uma pena.

  • Eu não costumo comentar muito aqui (sou até bloqueado pelo querídissimo Cardoso no Twitter mimimi) mas, geralmente quando ele fala de humor, limites do humor, originalidade do humor e tudo mais, eu concordo com ele (incrível q isso seja possível né? É.) como humor, em sua forma mais genuína, nos estamos engatinhando ainda. E não e pq o humor aqui ainda é totalmente infantil e primitivo de vez em quando (na verdade é). O problema é que aqui ainda não temos a capacidade da auto-critica… Nós não conseguimos aceitar alguém disposto a esfregar na nossa cara algum desvio de conduta. E com Legendários, CQC (que não é um formato nosso, mas é o que temos de referência), Pânico, Casseta & Planeta… Talvez demore algum tempo pra acontecer.

  • Muito bom. Essa origem cultural é um fato, assim como o tudo que você disse no post.

  • Aqui no Brasil, políticos não se dão bem com o humor, assim como as leis não se dão bem com a democracia. Afinal, tem coisa mais antidemocrático que o voto e o serviço militar obrigatório?

  • Richelieu

    Esse blog é altamente subversivo. Alguém deveria demitir você e fechar este blog.

  • Richelieu

    Aliás, lá nos "States" também curtem fazer tiro ao alvo em presidentes.

  • Rodrigo

    É que vocês não assistem a TV Senado…

  • guilherme

    Texto muito bom, sem mais.

  • Pingback: Nós somos um país sério, pra desespero de De Gaulle – Ouse ter uma idéia diferente, tenha IDEA.()

  • marcelo valen&ccedil

    Acho que a capacidade de raciocínio dos politicos brasileiros é tão pífia que pelo medo de passar vergonha preferem nao responder a questões simples como muitas vezes acontece no CQC.. acontece que aqui a gente tem poucas referencias boas de humor e os programas se limitam aos mesmos formatos de sempre…nao tem nada de original…nada de inovador…muitas das coisas que vemos, na sua essencia foram extraidos de Charles Chaplin, Gordo e o Magro, Chico Anysio etc… Quando será que existirá um formato original do humor no Brasil? tenho medo desse formato ser o Zorra Total, Casseta e Planeta… Deus me livre, nao gosto nem de imaginar…acho que a parcela de culpa por parte do humor brasileiro é não buscar essa inovação…agora que a grande culpa é do povo e dos politicos isso é verdade pois o medo de ter que descer de seus tronos e mostrar sua face humana e falha acaba massacrando a qualidade do humor, pois o politico é o reflexo do povo e se nem o povo entende as piadas mais inteligentes, ironicas e sarcasticas como o politico iria aceita-las? talvez por isso Zorra-kibe-total faz tanto sucesso..nao é a toa que esta a 10 anos no ar né :/

  • rogerio

    O culpado pela política que nós temos no Brasil é o jornalismo brasileiro. Lá nos EUA se pode falar merda e não sai como bomba de campanha! Político nos EUA nem dá a mínima pra jornalista. Sabe por quê? As pessoas que leêm sabem ler um jornal ou assistir um jornalismo. Aqui no Brasil se o Dirceu fala: Dilma, minha amiga de armas. O Jornalistas já falam e pensam que a Dilma e o Dirceu saíram atirando e matando todo mundo! Essa é a diferença!

    • Sim. Por isso que lá Watergate derrubou um presidente e aqui a quebra de sigilo fiscal não dá nada, correto? Por isso que lá blogueiros sobre política têm um poder incrível e aqui eles praticamente inexistem (sem que tenham outra profissão). Você deve acreditar mesmo que quando o Zé fala "minha amiga em armas" é apenas uma figura de linguagem e os dois foram santinhos torturados na ditadura…

  • rogerio

    Eu acho que Serra deveria ter o Tiririca com Vice, ele teria mais chance!!

  • rogerio

    O Lula é muito mais cômico que o Serra. Ele não vai ser um bom Presidente, ele deveria se candidatar a presidente da Suíça!

  • rogerio

    Humor na política brasileira é só pra chargistas!

    Já pensou o Serra fazendo uma piada, acho que a Veja e a Globo não o apoiaram nunca mais!

    • Se a Dilma vai fazer piada eu não sei. pra mim ela mesma já era uma piada, até eu ver um filme dela dos anos 80. Estava incrível no papel da Cenobita Fêmea do Hellraiser…

  • rogerio

    Eu sou fã dos políticos americanos, eles não são hipócritas como os brasileiros.

  • Olá, fizemos este video lá na avenida paulista. Um candidato a deputado Estadual pelo PV fazendo campanha vestido de sapo no meio da avenida. Foi um alvoroço total.

    Todo seu!! rs

    Abraços

    Rita Motta
    http://www.youtube.com/watch?v=7hvyZ8Aj6Y4

  • Apesar de ter discordado inúmeras vezes da sua opinião e achar que muitas vezes você distorce muito pequenas coisas, neste texto em específico, não tiro nem ponho nem sequer uma vírgula. Foi brilhante em sua exposição. Parabéns.

  • Wallacy

    Bem que a TV Pirata podia ter evoluído para algo melhor…. Essa onda do politicamente correto cagou com tudo!

    Agora vou ali usar meu motoshave….

  • huahuahuah … guerra deveriam existir só em piadas mesmo

  • "Brincasse o Presidente assim no Brasil, o mimimi “presidente homofóbico” atingiria proporções bíblicas."

    Ele brincou. E a bricadeira atingiu proporçõe bíblicas: http://www.youtube.com/watch?v=c_2csPaWL4s