O triste estado da divulgação científica. Há esperança?

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Espero que me perdoem esse desabafo, mas é necessário.

Primeiro de tudo, eu não sou um cientista. Já fui. Carl Sagan dizia que toda criança nascia cientista, até os adultos expulsarem dela o senso de deslumbramento, a curiosidade e a coragem de dizer “não sei” e explorar seu mundo em busca de respostas.

Tive kits de química, microscópios, eletrônica, me interessava por tudo, lia Júlio Verne e assistia ao Mundo Animal, nos sábados de manhã na Globo. Vi ao vivo o primeiro pouso da Colúmbia, uma das raras vezes em que a TV brasileira parou a programação para exibir ciência.

Não segui uma carreira em ciência por dois motivos: Primeiro, sabia o quanto era complicado ganhar a vida como cientista no Brasil, e segundo, eu gostava de todas as ciências (as de verdade, claro. Enquanto isso, percebi que admirava não só os cientistas, mas o que divulgavam a ciência. Nomes como Sagan, Asimov, Clarke, Beakman, James Burke e tantos outros.

Com o tempo percebi que o grande diferencial desses divulgadores não era o conhecimento –que tinham- mas o entusiasmo. E isso faltava na mídia já nos anos 80. Imagine agora então.

Isso gera um paradoxo onde temos cientistas que querem divulgar seu trabalho mas só entre seus pares, ao mesmo tempo em que reclamam que não são reconhecidos ou respeitados pela sociedade. Muitos não querem, outros não conseguem simplificar sua pesquisa, o que é um absurdo.

Um grande cientista cujo nome estava nos neurônios que meu último gin-tônica matou disse, certa vez, que se uma teoria não pode ser explicada a uma garçonete, é perda de tempo explorá-la. É verdade. Mas demanda didática.

Eu não vejo isso na maioria dos blogs de cientistas, o que é compreensível, mas não vejo isso também nos blogs de ciência. Não há didática nem há paixão. O redator que escreve o artigo sobre o asteroide russo o faz como se descrevesse uma batida de fuscas num estacionamento.

Pior ainda: Há muitos, demais casos onde o redator não tem a menor noção sobre o que está escrevendo, transcreve burocraticamente releases, que são replicados por sites terciários, que por sua vez alimentam outros e outros sites, numa comédia de erros que só desinforma o leitor.

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Um excelente exemplo é a nãotícia sobre o maçarico de uma empresa chamada SafeFlame. Em essência é um maçarico que utiliza uma chama de Hidrogênio. Você coloca água num recipiente, liga o aparelho numa tomada de alta Amperagem, ele faz eletrólise, separando as moléculas de H2O, que em seguida são recombinadas no bico do maçarico, em uma reação exotérmica clássica. O Hindenburg que o diga.

Não há NADA demais nisso. Qualquer criança, ao menos nos anos 80 brincou de eletrólise no colégio ou em casa. Você precisa de uma pilha, dois tubos de ensaio, água e sal. E uns fios. É um experimento básico, pra lá de conhecido, e que como qualquer um com um mínimo de conhecimento científico sabe, é terrivelmente ineficiente.

Como neste Universo respeitamos as Leis da Termodinâmica, a energia que você gasta para produzir o Hidrogênio e o Oxigênio é muito maior do que a que você obtém recombinando-os.

O resultado? Manchetes em vários sites alardeando a incrível tecnologia –um usou o termo “mágica”- que permitia que um maçarico “funcionasse apenas com água”. Vários sites omitiram o pequeno detalhe da necessidade de eletricidade.

Equivale a eu dizer que tenho um carro mágico que aparece no alto de prédios quando eu estalo os dedos, omitindo que o processo envolve um guindaste e vários dias de planejamento.

Quando o “inimigo” da divulgação científica são os fanáticos religiosos, os bigoleiros, vegans, anti-vacinas, vegans (são tão chatos que entram duas vezes) naturebas, ufeiros, nova era, “quânticos”, teóricos da conspiração, tudo bem. Só que agora além desse pessoal todo, temos que consertar as cagadas de “coleguinhas” que trabalham de má-vontade.

Ontem mesmo vieram me perguntar sobre planetas “gêmeos da Terra” que haviam sido descobertos. Nope, Apenas planetas com tamanho parecido com o nosso, com uma margem de erro de uns 800%. Todo asteroide descoberto é um asteroide mortal, todo terremoto é o Big One.

Mais ainda: Eu percebi que quem espalha pânico é recompensado. Sites de “ciências” com mensagens apocalípticas são incensados, as pessoas gostam de divulgar os “perigos” da ciência, mas quando você mostra que estão erradas, ficam irritadas, xingam ou na melhor das hipóteses, te ignoram.

Quando a Internet (re)descobriu as vacas Belgian Blue, que parecem halterofilistas anabolizados, imediatamente espalharam que era terríveis vacas transgênicas criadas por corporações inexcrupulosas. Vi posts com essa bobagem com mais de 10 mil compartilhamentos.

Fiz um texto, expliquei, mostrei que eram uma mutação com mais de 100 anos, absolutamente natural, tão comum quanto cenouras laranjas. Depois de 3 meses mal passei de 800 compartilhamentos. Ninguém quer ser contestado, ninguém quer ter sua verdade, por mais tênue e embasada em nada, contestada.

A “divulgação científica” da mídia atual sabe disso, então abrem sempre espaço para a “outra opinião”, mesmo que seja um astrólogo, a mídia covarde sempre termina seus textos com interrogações, sempre deixa um túnel da Mancha aberto para que todo mundo que não quer ser convencido pela argumentação científica possa passar, com suas certezas.

O resultado é que os textos são escritos em cima do muro, pensados para não ofender, não colocar em xeque NENHUMA crença do leitor, por menor que seja. Quem os escreve não conhece a área, não tem paixão pelo tema e muitas vezes mal o tolera.

E não é preciso muito. Fiz um texto sobre o desafortunado incidente onde um foguete russo colidiu com um micro-satélite do Equador. Um país pobre, com PIB menor que a cidade de São Paulo, mas com investimentos modestos e honestos em exploração espacial, sem abraçar o mundo com as pernas e dar calote pra todo lado como o Brasil. Consegui me entusiasmar, me solidarizar mesmo sem investimentos de bilhões de dólares. Mais ainda: Consegui passar isso no texto.

Mendel criou as bases da hereditariedade com ervilhas. Um “jornalista” de ciências falaria de ervilhas, um entusiasta chegaria no Golden Rice e humanos imunes ao HIV.

Só que esse tipo de texto dá trabalho, consome tempo, pesquisa e proporcionalmente ninguém lê. “Conheça as Pedras de Seu Signo” rende muito mais visitas. Mapa astral de cientistas, qualquer lixo com o sufixo “quântico”, tudo rende mais.

Divulgação Científica é ESSENCIAL, mas não é algo que se faça sozinho, não por muito tempo. É muito moinho de vento pra pouco Don Quixote. Não podemos depender dos cientistas, eles não querem falar, não consigo sequer lembrar da última vez que recebi uma pauta diretamente de um. Vamos buscar nossas pautas na marra, direto dos sites onde eles as escondem.

Temos que mostrar aos leitores que a divulgação científica feita por quem ama ciência é muito melhor do que o lixo burocrático que os jornais publicam. Temos que compartilhar essa paixão. Mostrar que não estamos na torre de marfim da academia, que qualquer um pode fazer parte de nosso clubinho.

Também temos tem que interagir mais entre nós, colegas divulgadores, precisamos de uma rede de feedback E incentivo, não adianta ser uma vela na escuridão se temos um estádio inteiro para iluminar. Temos que virar um candelabro.


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  • Vinícius Porto

    hmmm

  • ACHO que a frase sobre explicar ciência de forma simples é de Einstein. Pelo menos lembro de algo parecido, envolvendo ele, a teoria da relatividade e a secretária (e eu não bebo gin).

    Excelente texto. Concordo em especial com o trecho sobre como as pessoas não gostam de ser contrariadas naquilo que já decidiram que é o certo. Eu sou advogado (mas estou em tratamento) e frequentemente me deparo com gente que acredita ter uma “causa ganha” porque, sei lá, acha que sua imagem foi violada quando ele apareceu no jornal por um segundo no meio de uma multidão. Quando eu explico que não é bem assim, o sujeito não consegue aceitar, porque em sua cabeça a indenização já está entrando na conta e ele só queria mesmo a minha confirmação para começar a gastar.

    As pessoas não sabem lidar com frustrações se já decidiram que estão certas quanto a um assunto e têm preguiça de pensar quando se deparam com uma outra explicação para algo que sua mente já decorou.

    • Gara

      Essa frase já foi atribuída a Albert Einstein e Richard Feynman.

      No livro Cat's Cradle de 1963, no capítulo 15, diz: "Dr. Hoenikker used to say that any scientist who couldn't explain to an eight-year-old what he was doing was a charlatan".

  • Amém.

  • Brilhante texto, Cardoso. Acende at'e um pouco da vontade de escrever mais sobre ci^encia.

  • Infelizmente eu, como um mero leitor, não tenho muito o que fazer para te ajudar, exceto apoiar sua ideia e tentar esclarecer outros leitores sobre as bobagens que vejo por essa internet nossa de cada dia. Parabéns, belo texto.

  • Leonardo

    Acho que as pessoas preferem o mistério (ainda que sem sentido algum) a simples explicação que a ciência dá sobre aquele fenômeno.
    Talvez por isso religiões façam tanto sucesso. A realidade pra muitos é sem graça então preferem acreditar em algo sobrenatural ainda que de mentirinha.

  • Excelente tema e texto! Algo que acho interessante é notar que o ambiente de pesquisa não dá a liberdade ao pesquisador para fazer ciência, estamos presos às normas e formalidades, por isso acho que é mais fácil encontrar ciência de verdade em um blog do que em uma revista científica.

    Como você disse, é preciso a coragem pra dizer "não sei", e também é preciso a liberdade para tal.

    Nas palavras de Descartes, em Regras para Direção do Espírito: "julgaram indigno de um homem letrado confessar que ignorava alguma coisa, habituaram-se de tal modo a adornar as suas falsas razões que, insensivelmente, acabaram por a si próprios se persuadirem e as tomarem como verdadeiras"

    Outra coisa triste são os "cientistas" que "se formam" sem nem terem ouvido falar do Discurso do Método (eu, se dependesse da universidade para tal)… :(

    Talvez a maior explicação disso tudo seja dada no próprio Discurso do Método: "graças a Deus não me sentia de maneira alguma numa condição que me obrigasse a converter a ciência num ofício"… Situação rara para um cientista…

  • Divulgar a ciência sem entrar nas equações pode ser uma arte mas não é impossível, como você fez. Algumas pesquisas podem ser complexas para o público em geral entender mas não custa nada um esforço de quem estudou pra isso, tanto cientistas quanto jornalistas.
    Por outro lado, as pessoas buscam na internet a sua confirmação de mundo. Quem quer acreditar que celular causa câncer vai atrás disso, infelizmente as pessoas que acreditam nessas crendices ainda é muito grande então as manchetes e até as notícias vão enfatizar isso. Agora então que os cientistas estão sendo vistos como assassinos torturadores de bichinhos fofinhos, quais as chances de pesquisas que envolveram testes em animais serem bem recebidas ou até divulgadas? Se olhar os comentários só vai ter gente gritando contra a monstruosidade dos experimentos. Mais fácil a sogra do meu irmão conseguir algo divulgando as pesquisas com os carrapatos que ela faz.

    Agora, você sabe dizer se esse cenário é no Brasil ou mundial?

  • Ranieri

    Você conhece o site Inovação Tecnológica (www.inovacaotecnologica.com.br)? Acho uma boa fonte de divulgação científica, já que os posts são geralmente baseados em artigos científicos. É realmente uma pena que sites como este sejam tão poucos e tão pouco divulgados.

    • garreteareis

      Leio diariamente!! Excelente recomendação!!

    • Existe um outro site chamada Apolo11 (apolo11.com) que também divulga ciência (mais astronomia e exploração espacial, como o nome dá a entender). Infelizmente os criadores do site criaram uma conta no Intense Debate e abriram os textos para comentários. Aí já viu, né? A escória da Internet decidiu dar vazão aos seus dejetos cerebrais. É conspiracionista, crente, arauto do fim dos tempos, denunciador dos Illuminattis (sei lá como escreve essa porra), da maçonaria, dos Bilderberg e da nova ordem mundial, madre Teresas de Calcutá de Internet (aquele pessoal do "com tanta gente passando fome") e outros ignorantes de mesma estirpe.

      Não adianta. O populacho, o povão, a ralé é ignorante. Aliás, não só é ignorante, como quer ser ignorante, gosta de ser ignorante e não faz o mínimo de esforço para deixar de ser ignorante. E depois não sabem porque eu sou antissocial.

      • Martin Juan

        Concordo com sua colocação sobre a massa ignara. As vezes é inútil jogar pérolas aos porcos.

  • Marcos

    Belo texto, concordo com tudo.

    Ainda concordando que em geral nos interessemos muito mais por soluções mágicas do que pela história do melhor caminho – real – para a solução de nossas mazelas e que isso é ruim, não acho que isso vá mudar.

    Admiro o esforço para aumentar o público que compreende e participa divulgando e comentando textos científicos, que lê criticamente e rejeita o que não presta. Admiro mas não vai acontecer. Não no espaço de tempo de uma ou duas gerações. Formar uma mente crítica leva tempo e uma vez mal formada, raramente é reformada. Somos casos perdidos.

    Sobre o obscurantismo que cerca as publicações científicas, gostaria de acrescentar que o mesmo véu cobre outras áreas importantes para cada um como indivíduo. Filosofia, psicologia, direito, economia e quantas outras. Restringir o conhecimento destas áreas à academia é cruel. Desperdiçamos muito do que conhecimento produzido pela sua má distribuição.

    Parabéns pelo texto.

  • Mas você acha que é possível lidar com o problema da falta de interesse do público? Mesmo que exista um exército de Cardosos para escrever sobre ciência do jeito que você acha certo, e apenas um “curandeiro-quântico” para escrever sobre pseudo-ciência, este vai ser bem mais sucedido, por que é isso que as pessoas querem ler, não?

    • garreteareis

      Cara, é só ter mais material de qualidade! A SuperInteressante, qnd começou e tinha qualidade, conseguiu uma legião de leitores. Alguns bem fiéis, como eu! Caiu no populacho, ficou marrom, mas vende como água. Já vendia antes, mas queria mais… A Scientific American, muito boa, vende bem aqui no país e no mundo. A National Geographic tbm!
      O problema é a concorrência. Se tem mais porcaria exposta, menos material de qualidade é produzido e vendido. É igual à tv: eles alegam q programas educativos não dão ibope. Se eles produzissem mais, a cultura de acompanhar esses programas faria a audiência aumentar. Mas eles preferem o caminho fácil…

      • achsanos

        Mesma opinião quanto a Super – leitor desde 1987. Uns dez anos atrás, quando cortaram a página do mapa do céu e puseram um poster da historia da lambada, já antevi no que daria. Meses atrás a chamada de capara era "Enfim, a cura da AIDS". Pulei pra Scientific.

        • garreteareis

          Exatamente!! Tirar o mapa do céu, pra mim, foi a gota d'água!! As capas passaram a ser mais sobre religião do que sobre ciência!!

      • Salomão

        " É igual à tv: eles alegam q programas educativos não dão ibope"

        Cara, semana passada o NAT GEO estava exibindo um genérico do Polícia 24h00!
        Já não basta o History Channel e o Discovery viraram aquelas coisas, agora isso…

      • Carlos

        O problema da Super Interessante é que durante um período 5 a cada 4 reportagens eram sobre "polêmicas religiosas". Revisavam o mesmo tema várias vezes só para "chocar e vender" … acabei abandonando por falta de outros assuntos.
        O mais triste é saber que o Cardoso tem razão… o LHC é mais famoso pelo buraco negro do fim do mundo, que pelos seus resultados e homens como Neil Degrasse Tyson acabam virando memes…

  • Laura

    Posso postar o link desse texto na fan page do gizmodo? =p
    Pra mim esse é um problema comum na industria de conteúdo, capitalizaram o portal/jornal e o chefe não quer qualidade, ele quer quantidade e o mais rápido possível. Pesquisa e averiguação passa a ser firula.
    E não é q não tem mais jornalista sério, hoje em dia nós temos: jornalistas com medo de perder o emprego, ou jornalistas que abandonaram o portal sensacionalista e foram para um veiculo sério, porém menos didático.

  • Michaell

    Li e concordo, em partes, com seu texto. Mas o que devemos levar em conta é que o contexto que você aborda, além de ser ambíguo, é extremamente paradoxo. A imagem que você usou é de uma charge americana, que critica a forma impessoal e bastante popular que a ciência é colocada. Trazendo para o contexto brasileiro, o desapego pela ciência tem causas muito mais profundas. A mídia simplifica a notícia porque simplesmente, seu interlocutor não absorveria de outra forma. Uma mensagem mais simples atinge um número maior de pessoas, ao passo que o nível de curiosidade é diferente em cada pessoa. Cada pessoa decodifica de um jeito, e vai buscar a veracidade da informação quem quer fazer isso. As manchas, buracos, 'porquês', são colocados pela mídia de massa para estimular quem quer respostas, ou desinteressar quem não as quer realmente, ou as querem mastigadas, prontas. Depende do contexto, depende de cada um. Se a ciência fosse repassada de forma complicada, acadêmica, atrairia bem menos curiosos do que hoje em dia.

  • achsanos

    É possível fazer uma "divulgação científica" envolvendo H20, eletrólises etc. ainda pior:
    http://www.youtube.com/watch?v=-jNGtPSAkBI

    observe, nos comentários, o esforço do "divulgador científico" para que todos compreendam o que ele está dizendo.

  • Rodrigo

    Excelente post!

    Gosto muito dos seus posts sobre ciência, principalmente os de astronomia. Inclusive me motivou a estudar mais astronomia por hobbie, vlw!

    Você recomenda algum blog/site de ciência de qualidade? Hoje em dia ta difícil encontrar algum site que ñ fale de horóscopo, homeopatia, florais e coisas quanticas.

    Vlw
    Rodrigo

  • Roberto Romano

    Excelente texto! Independente do fato de outros textos rasteiros sobre pseudo-ciências gerarem mais burburinho e compartilhamentos….Keep the good job!

  • AndreNascentes

    O Miguel Nicolelis é um dos poucos cientistas que acompanham que demonstram grande entusiasmo na divulgação de suas pesquisas. Hoje mesmo ele tuitou sobre um artigo que será lançado amanha. https://twitter.com/MiguelNicolelis/status/397739

  • Muito bom o texto. Gostaria de sugerir nosso podcast, feito por cientistas:
    http://frontdaciencia.ufrgs.br

    e blog (meio parado):
    http://coletivoacidocetico.blogspot.com.br/

    Abs
    Jeferson

  • Olá!
    Acho que você apresenta muitas problemáticas pertinentes, mas além disso não vejo muita sugestão do que fazer a partir delas, que deveria ser justamente o ponto.

    Faço doutorado, como não tenho título de doutorado ainda por isso não sou considerada 'pesquisadora oficial', mas eu me considero cientista. Sou apaixonada pela ciência e pela academia. Entendo que uns 90% dos acadêmicos vivem de fato numa torre de Marfim, mas os outros 10% podem fazer a diferença, e nesse texto você coloca todo mundo no mesmo saco, e acho que não é o texto ideal para o não-cientista: ele distância mais ainda os dois mundos.

    Sou divulgadora por ser apaixonada por ciência, mas principalmente por pensar que tenho um dever social de mostrar as pessoas o porque de um pensamento racionalista ser o mais coerente, e por isso dever ser adotado.

    Estou a disposição para fazer a diferença, junto com você. Mas no momento não consigo pensar numa maneira mais eficiente do que através da divulgação na internet! Embora como você mesmo tenha dito, ninguém leia. O que podemos fazer?

    Aqui estão dois exemplos da minha tentativa: http://www.catarse.me/genoma
    improvisocientifico.blogspot.com

    abraços!!!

  • Júlio César

    Cardoso, conhece o site http://www.projetoockham.org/ ?
    É um site já antigo e "abandonado", mas de conteúdo que não se vê mais pela internet.
    Ele já saiu do ar por um tempo por falta de manutenção ou pagamento de hospedagem.
    Não é otimizado para os buscadores, por isso não tão conhecido…
    Quem não conhece, vale a pena uma visita.

  • Wagner

    "não consigo sequer lembrar da última vez que recebi uma pauta diretamente de um"

    Eu acredito que você não lembra :D

  • Cardoso, só para vc sorrir um pouquinho com o assunto.

    Neste ano, eu (historiador) e um professor de Biologia amigo meu demos um curso sobre História da Ciência e divulgação científica (http://www.incautosdoontem.com/2013/08/curso-magia-da-realidade-uma-visao-das.html). Além dos nomes clássicos, como o do Sagan, utilizamos bastante alguns divulgadores científicos da internet. Tanto que troquei muitas ideias com o Gabriel Cunha (do Ciensinando – http://www.ciensinando.com.br/ – e do ScienceBlogs Brasil – http://scienceblogs.com.br/rnam/) e o Pirula (http://www.youtube.com/user/Pirulla25) foi até palestrar para o público em um dos dias.

    Abraços.

  • 1k2

    O engraçado é assistir "O Mundo de Beakman" 20 anos depois e ainda gostar.
    Mas hoje preferem chamar Carl Sagan de inútil por não ter feito "nada que mudou o mundo" e o Neil DeGrasse Tyson de falastrão.
    E o pior é que canais de documentários investirem em pseudociências como ufologia e mitos religiosos por que isso dá audiência.
    Corremos o risco de voltarmos a uma nova era das trevas, onde uma minoria detém o conhecimento e a maioria vive em um mundo povoado por ignorância e sofrimento.

    • Luiz

      Talvez nunca saimos realmente da idade das trevas. Ignorancia é somente o que vejo. Por outro lado eu até tento saber e aprender o maximo possivel, mas existe limites fisicos.

  • Nélio

    Excelente texto.

    Acredito que a citação que o Cardoso procura é esta:
    "A theory that you can't explain to a bartender is probably no damn good" Ernest Rutheford.

  • Lígia

    Infelizmente é uma verdade, o Brasil simplesmente não valoriza a ciência e não está interessado em valorizar. Eu tentei ser cientista, confesso, mas logo percebi que uma prostituta teria mais chances de se dar bem na vida do que eu. Eu sou da área do estudo da física da radiação e vejo tantos absurdos serem compartilhados nas redes sociais, cheguei até mesmo a corrigir certa vez uma página famosa no Facebook e adivinhe o que aconteceu: apagaram o meu comentário explicando sobre aquele determinado assunto, esclarecendo que não era necessário tanto alarde e que aquela informação era falsa. Também já tentei corrigir alguns blogs, mas para eles mais importa o sensacionalismo do que a verdade de fato, portanto meus comentários eram removidos ou rejeitados e os emails ignorados. A verdade, como você disse, não aumenta o número de visitas no blog. Além do mais, é mais fácil para o Brasil importar novas tecnologias do que desenvolvê-las e deixar que revistinhas de grandes editoras vomitem sensacionalismo barato em cima de tecnologias e avanços científicos muitas vezes banais. É uma mentalidade que nunca consegui conceber. Enfim, só queria deixar o meu desabafo, o desabafo do que hoje é uma ex-cientista frustrada e dizer que o admiro, Cardoso, por expor essa questão com tanta clareza.

  • Rodrigo

    Isso me faz lembrar como a revista super interessante era boa nos seus primeiros anos… Devo ter as 50 primeiras edições.
    Depois que ela começou a publicar pseudo ciência… Virou lixo puro… Capas uma mais ridícula que outra… “Deus realmente existe? Existe vida após a morte? Alienígenas entre nos? Veja as descobertas da ciência sobre isso… Que merdä

  • O gizmodo e seu grafeno não curtiram este post!

    • Eric Mac Fadden

      Gostei daqui rapá…

  • Rebeca Yasmin

    Li esse texto agora e só posso dizer como fiquei feliz essa semana quando o Nerdologia atingiu a marca de 1 milhão de inscritos.

  • Martin Juan

    Concordo em teor, numero e grau, até a última virgula desse post.

  • Hristu

    Só falta os “divulgadores de ciência” perguntarem: Quem é John Galt?
    (Aquele que ler A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, vai entender)

  • Bruno Sousa Alencar

    Sinto vontade de quebrar a TV quando vejo o que está passando no History. Sim, era só um desabafo mesmo.

  • Josmael

    Parabéns! Você contribui muito mais para a compreensão da ciência do que eu e meus colegas sentados numa bancada de laboratório e escrevendo papers em busca de altos IF para agradar a CAPES e pleitear uma posição acadêmica. Abraços

  • Fiquei arrepiado e perdi o sono com tudo Cardoso. O politicamente correto esta entrando num nivel de respeitar ate o que nao é coerente, de modo que basta gerar visualização para ser legitimo. É muito mais triste quando percebemos que pessoas de nossa familia se comportem dessa forma, misturando conceitos com achismos.

  • Diego Matias

    Compartilhando, now!

  • Luiz Gustavo

    “Não adianta ser uma vela na escuridão se temos um estádio inteiro para iluminar.”
    Carl Sagan ficaria orgulhoso de ti Cardoso, ele com toda certeza é o maior exemplo de divulgador cientifico que temos, mesmo não tendo grandes descobertas como cientista/astronomo, ele contribuiu muito mais para a comunidade cientifica do que muitos pesquisadores, incrível a maneira como ele tentava tornar o conhecimento cientifico acessível á todos, e ele, assim como fazia Asimov, assumia quando errava e fazia atualizações e esclarecimentos, a sutileza com que ele falava na original Cosmos era algo de encher os olhos e ouvidos, Neil deGrasse até tenta fazer igual, mas…
    Parabéns pelo texto, concordo contigo em todos os aspectos, primeiro texto que leio do blog e já me enche os olhos :’) (cheguei aqui pelo 1/2 bit)

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  • JEFERSON G SANTOS

    Muito bom o post, recomendo o site, abs,
    Advogado SP
    http://advogadosaopaulosp.com.br/

  • JEFERSON G SANTOS

    Também indiquei o site para alguns colegas do site http://advogadosbaruerialphaville.com.br/
    abs