O cabeludérrimo e complicado caso das feministas que queriam esquecer que foram mães

Eu sei que soará assustadora essa informação, mas a Internet é lugar com muitas brigas.

Entre os vários grupos se estapeando, temos as mulheres que não querem ter filhos versus as que consideram a maternidade uma obrigação moral e o ápice de suas vidas. Dentro do segundo grupo temos as defensoras do parto normal versus as “mães de cesárea”, consideradas menos mães pelo primeiro grupo. Também há a turma do parto humanizado, que prefere abrir mão de ciência e tecnologia e ter fihos em casa, ou em uma piscina com golfinhos.

Essas brigas todas são pinto, perto da primeira grande porradaria verbal envolvendo mulheres, crianças e ciência, no começo do Século passado.

Parto, como todo mundo que assiste seriados de TV sabe, é uma coisa desagradável. E nem é por não explicarem pra que diabos serve a água quente que sempre pedem nos filmes. São horas de gritos contrações, ameaças de morte e charutos. Na melhor das hipóteses se tudo der certo passa-se por uma situação que já vi descrita como, perdoem o meu francês, “cagar uma melancia”.

Yes eu sei foi lindo e maravilhoso a melhor experiência da sua vida. Claro, por isso tanto riso e alegria nas salas de parto.

Parabéns, é um menino!

A idéia, apavorante para a maioria dos homens, é assustadora para algumas mulheres também, mas isso não quer dizer que elas não queiram filhos. Querem, só não querem a experiência. Essas mulheres já existiam no começo do Século XX, e uma clínica na Alemanha achou uma solução.

O método era acompanhar a gestante, e quando ela entrasse em trabalho de parto administrar um coquetel de drogas, cuja principal era Escopolamina, a droga usada para fazer zumbis. Ela tem efeitos sedativos, alucinógenos, hipnóticos, anestésicos E um dos efeitos colaterais é amnésia.

Em 1914 uma americana chamada Charlotte Carmody leu sobre a tal clínica, e viajou para Freiburg para ter seu filho lá. Ela conta que lembra de ter ido dormir, extremamente grávida. Acordou pensando que talvez naquele dia teria o filho, então reparou que a barriga estava bem menor. Uma enfermeira então entrou trazendo o pequeno Charlemagne. Ela havia entrado em trabalho de parto, recebido o coquetel, teve o filho normalmente e não lembrava de absolutamente nada. Essa era a experiência-padrão entre as pacientes do Dr Krönig.

Charlotte se tornou uma ativista do chamado Parto indolor, também conhecido como Sono do Crepúsculo (ainda assim uma história de amor melhor do que Twilight).

Herrrr doktor Bernhardt Krönig, inventor do Sono do Crepúsculo.

O Movimento Feminista nos EUA aderiu em peso ao novo método, diziam que era uma forma de abolir toda a violência que envolvia o parto, e fazia com que as mulheres tivessem de novo controle sobre o próprio corpo. Não só mulheres ricas defendiam a técnica, havia até professoras viajando de cidade em cidade dando palestras sobre o Parto Indolor.

Uma certa Mrs Sargent, do Nebraska, relata sua experiência na clínica de Freibrug:

“Eu nem senti a injeção de escopolamina, eles primeiro aplicaram cocaína no local antes de usar a agulha hipodérmica. Logo depois em comecei a ficar grogue e em meia hora caí no sono, tão naturalmente quanto como quando vou para a cama. A próxima coisa de que me lembro foi estar acordada, ouvir a simpática voz do Dr Krönig dizendo que tudo está bem, e pensei quanto tempo demorá até eu ter meu bebê. Uma enfermeira então entrou carregando um travesseiro e nele havia um bebê. Eu pensei – talvez eu tenha tido um filho mas nunca poderei provar no tribunal – “

Como você provavelmente nunca ouviu falar disso tudo, está claro que não é algo comum hoje em dia, então vamos ao outro lado: Os médicos americanos tinham HORROR ao conceito. Achavam extremamente perigoso administrar Morfina, Escopolamina e outras drogas em parturientes perfeitamente saudáveis. Outras mulheres acusavam as feministas de querer o oposto de controlar o próprio corpo, já que estavam apagando as experiências.

Com o tempo começaram a aparecer os efeitos colaterais sérios. Como a escopolamina não era filtrada pela placenta, os fetos recebiam uma alta dose de drogas, e isso não é bom, daqui a pouco o seu feto estará quebrando vidro de carro pra roubar cd player.

Do ponto de vista psicológico, as Mães do Crepúsculo algumas vezes apresentavam um distanciamento de seus filhos, não havia a mesma conexão emocional presente em um parto, e sim, a cesárea conta, é estressante o suficiente.

POR OUTRO LADO, os alemães já tinham identificado e controlado os efeitos colaterais, nunca tiveram nenhum problema cardíaco e das 500 primeiras pacientes, 500 sobreviveram sem problemas. Os efeitos nos fetos eram controlados com reanimação, e eles (os médicos, não os fetos) aprenderam que poderiam ser minimizados se as drogas fossem administradas até 4h antes do parto. Na parte psicológica, variava de mulher para mulher algumas eram mais apegadas aos filhos via Sono do Crepúsculo do que aos que vieram por parto normal.

No final o grande problema era que o método, assim como Ruby não escala. Com uma equipe inteira acompanhando é fácil tudo dar certo, mas as pacientes tinham que dormir em camas especiais, para não caírem, por causa dos esfeitos da escopolamina. Nos hospitais dos EUA não havia mão de obra suficiente para dar esse nível de atenção, e muitos casos acabavam com dosagens erradas, onde as pacientes acabavam lembrando do parto, e como eram amarradas às mesas cirúrgicas, a lembrança era mais traumática ainda.

Os médicos não aceitavam o conceito de “parto sem dor”, afinal eles viam a paciente gritar e chorar e xingar durante o parto. Ela não se lembrar de nada não era justificativa para nada. Convenhamos, se você surrar alguém até o sujeito desenvolver amnésia, isso não serve como atenuante.

A controvérsia continuou grande, os partos “sem dor” continuaram acontecendo, até 1915, quando Charlotte Carmody foi ter seu segundo filho, e acabou morrendo de hemorragia afinal era 1915. Ela ter optado pela Escopolamina não teve qualquer influência na hemorragia, mas o grande público não conseguiu entender isso e o parto indolor caiu no esquecimento.

Essa é uma daquelas histórias onde não há certo ou errado, ao menos para mim. Consigo entender os argumentos dos dois lados. E os contra-argumentos. Sim, há toda uma ligação mãe/filho com o parto, mas como ficam as mães adotivas? Seu corpo suas regras não vale se você não quiser ser lembrada da pior forma que sua ppk não evoluiu com a mesma velocidade dos cérebros que nos deram esses cabeções?

O Sono do Crepúsculo é uma aula de como maniqueísmo nem sempre é a resposta. Principalmente, é perfeitamente aceitável estudar uma situação e decidir que você não tem um lado. Não é o “eles que se matem”, das brigas coxinhas vs petralhas. É uma posição mais singela, tipo a Dolores em Westworld.

Não é fácil, eu sei. Fico imaginando cenários pra tentar me convencer de uma posição ou de outra, mas o mais difícil é perceber que não é preciso, dá para ser feliz sem ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Exceto nesse caso, sou tão cagão se que fosse mulher eu escolheria o Parto Indolor E usaria mãe de aluguel, só pra garantir ;)

Para saber (muito) mais: The truth about twilight sleep, de Hanna Rion, publicado em 1915. Texto completo aqui.


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Leia Também:

  • “…ter fihos em casa, ou em uma piscina com golfinhos.”

    Considerando a incrível tendência que golfinhos têm ao infanticídio, tenho certeza que isso vai dar muito certo.

    • Rodrigo Cavalcante da Silva

      No mínimo teremos melhores nadadores…

    • Diego Diego

      Essa é uma boa ideia a se por em prática (a piscina com golfinhos), pois caso a criança nasça com algum problema físico ou mental é muito mais fácil de dá-la para os simpáticos cetáceos arrancarem sua cabeça e se masturbarem com o corpo.

    • Só é infanticídio se for da mesma espécie, pros golfinhos é só almoço.

      • Tecnicamente, mas tem o porém…

        Golfinhos são tão maníacos por matar os filhotes que não são deles(seleção sexual e tals e coisa) que eles costumam matar espécies de golfinhos menores e baleias anãs simplesmente porque parecem filhotes.

        Sim, a natureza é uma coisa linda.

    • Gui

      E não se esqueça também de o quão tarados são esses cetáceos.

  • Rafael Rodrigues

    Minha irmã teve esse “parto com golfinhos”, achou o máximo. As amigas dela resolveram ter também. Minha outra irmã também embarcou no surto.

    Até que há 3 meses uma outra amiga resolveu também ter em casa de Darwin cobrou seu pedágio.

    O mais impressionante foi que todas acharam suuuuper normal o bebê ter morrido e tem outra amiga com o parto em casa já engatilhado.

    Vai entender…

    • Gabriel Nunes

      Bom, na verdade, é semelhante ao caso do texto. Qual foi a causa da morte da criança? Pode ter sido complicação, pode ter sido negligência, pode ter sido simplesmente uma fatalidade, que aconteceria de qualquer forma mesmo em um hospital. Assim como a hemorragia da moça no texto não foi causada pela medicação, não necessariamente a morte foi causada pelo parto em casa.

      A questão é escolha e preparo. Se a mulher (ou o casal) escolhe aquilo, espera-se que leiam sobre, pesquisem e saibam exatamente o que esperar e em que condições isso é possível ou não. Fazer à moda caralha é pedir pra dar problema mesmo, mas feito direito, em uma gestação plenamente saudável, com acompanhamento correto, não costuma ter grandes problemas.

      • Rafael Rodrigues

        Cara, a mulher teve o filho em casa, no meio do mato. Com um centro cirúrgico na porta ao lado, dá para resolver (ou atenuar) muitos problemas. Quando se dispõe só de uma tesoura velha (by Bibiana Terra) e água quente, não é.

        • Gabriel Nunes

          Justamente. Uma coisa é ter o parto em casa, acompanhada por uma enfermeira obstétrica experiente, após uma gestação saudável e completamente livre de complicações e a uma distância segura de um hospital (essa é a forma correta, normal de fazer, e nenhum profissional que aceite fazer diferente disso é profissional de verdade). Outra coisa é se enfiar no mato, sem suporte ou longe bagaray. Aí é irresponsabilidade mesmo.

          Em geral nesses partos, feitos corretamente, o acompanhamento é feito bem próximo, e ao MENOR sinal de alguma complicação mais grave, vai pro hospital. Como eu disse antes, pra fazer isso não adianta querer apenas, precisa de estudo, precisa de preparação, precisa de contingências… Para as mulheres que querem isso, o parto em casa é infinitamente mais confortável e prazeroso, mas só tem como ser feito, com segurança, dentro de regras bem rígidas. Mas sempre tem algum maluco que caga pra isso tudo e tenta fazer de qualquer jeito.

          • Rafael Rodrigues

            Pois é, mas aí entra a parte do “Show me the paper!”. Essa vibe de parto domiciliar é ancorada em um estudo feito na suécia que diz que é melhor para a mulher. Quem “divulga” isso no Brasil, diz sorrateiramente que é melhor para a mulher “e para o bebê”.

            Olhando o original em inglês, vê-se que o abstract é claro em dizer que nenhum tipo de avaliação foi feita com os bebês. Esse é o ponto 1.

            O segundo ponto é que existe um estudo estatístico da sociedade americana de pediatria, com um universo de 30 milhões de nascimentos. Esse sim, focado na mortalidade de mãe e filho.

            Segundo esse estudo, a escala de risco de morte é:
            mais baixo: normal em ambiente hospitalar;
            intermediário: cesárea em ambiente hospitalar;
            mais alto: normal em ambiente domiciliar.

            Esse estudo é sorrateiramente omitido pelas defensoras de parto com golfinhos.

            É bom lembrar que oxigenação é crítica e se faltar, em 5 min já começa a dar merda. Vamos agora somar o procedimento de levar uma criança entalada na pélvis materna a um PS:
            – Levar a mulher até o elevador;
            – Pegar o elevador;
            – Entrar no carro;
            – Abrir o portão da garagem;
            – Dirigir até o hospital avançando os sinais (se possível);
            – Chegar fazendo escândalo e pedindo centro cirúrgico pra ontem;
            – Colocar a mulher na maca;
            – Levar até o centro cirúrgico.

            Ou seja: sob qualquer aspecto é uma modinha. Uma modinha plenamente irresponsável.

            “Ainn, mas a Gisele Bündchen fez em casa”. Não! Ela transformou sua casa em hospital temporário e teve o filho no “hospital”. Até centro cirúrgico a 3 min de helicóptero estava preparado.

          • Gabriel Nunes

            Sim, eu não discordo de você. Parto domiciliar, por mais contingências que se tenham, é um risco maior que qualquer outra modalidade “oficial” de parto. Tanto que quando tivemos nosso filho, nós sequer cogitamos essa possibilidade, mesmo sendo favorável à humanização.

            E justamente esse é o ponto. Existem realmente essas modinhas que gente milionária faz e diz que é maravilhoso, e realmente deve ser, se vc tem a estrutura que essas pessoas têm, mas não é totalmente factível por pessoas comuns. Em contrapartida, acaba que essas pessoas mais fanáticas prejudicam outro movimento importantíssimo, que é o da humanização do parto DENTO dos hospitais. Conforme o próprio estudo que você mencionou, é forma mais segura de parto, o normal dentro de hospital. O problema é que atualmente todos os procedimentos comuns de um parto hospitalar, são criados e projetados pra facilitar a vida DO MÉDICO e não da mãe. Desde as medicações e intervenções, até a posição de frango assado (que é uma das menos favoráveis anatomicamente para se parir, afinal, o esforço muscular é semelhante ao da evacuação. Tenta evacuar deitado de barriga pra cima, com gente mexendo em você :P).

            Dito isso, acho que a medicina evoluiu bastante então se existe a opção de minimizar riscos, deve ser respeitada a escolha da mãe, cesária, normal, domiciliar, etc… E batendo novamente nessa tecla, o importante é informação. É a decisão ser baseada em conhecimento e informação, pra que, caso sejam assumidos riscos, estes sejam conhecidos e consentidos. Até pra não ferrar os profissionais envolvidos depois.

          • Rafael Rodrigues

            Eu gosto da estatística. Mesmo com médicos feios, bobos e maus, a estatística diz que é mais seguro o frango assado em ambiente hospitalar.

            A questão do tratamento dispensado à mãe é necessária, mas eu entendo que é outra discussão.

          • Sara Oliveira

            Não são médicos, feios, bobos e maus, são médicos preguiçosos mesmo. É mais fácil e prático marcar uma cesárea e os riscos da cesárea são muito maiores que o parto normal, você mesmo constatou. Então, mesmo em um ambiente hospitalar os médicos optam pelo mais fácil, ao mais seguro. (Isso são palavras de amigas minhas médicas )
            Sobre o tratamento dispensado não é uma necessidade, vide hospitais maternidade como o CAISM da Unicamp. Estes possuem infraestrutura para partos humanizados e em posição de cócoras. Inclusive há alguns professores doutores somente para orientar os partos nesse sentido.
            Partos na maca laceram mais, pressionam mais o crânio dos bebês, aumentam o risco de asfixia, etc, etc…
            E não, não é por isso que deve se estimular o parto em casa. Por isso que em muitos países se desonera o sistema hospitalar construindo-se casas de parto. Lugares estes com infraestrutura até para possíveis complicações.
            E eu defendo o parto humanizado não por ser modinha, até porque existem uma crescente de ajuste na medicina à humanização ao atendimento ( só dar uma procurada na quantidade monstruosa de simpósios médicos sobre o tema, nos últimos tempos), mas pelo fato de que toda mulher sabe o que sofre em qualquer hospital, são maltratadas até por gemer de dor. Sim isso existe e por isso é necessária a humanização da medicina. Mesmo achando que isso deveria ser implícito no ensino da mesma, não o é. E muitos profissionais da classe brigam por isso.

          • Pedro Cerqueira

            Não constatou porque não diferenciou cesárea planejada da de risco. Aqui no Brasil já vi uns 3 casos noticiados, mas deve ter mais que não apareceram no jornal, de mãe tentando fazer parto humanizado, ficar 24h em trabalho de parto, desistir e fazer cesárea, perdendo o bebê ou ela morrendo. Se a estatística não descrimina esses casos ela não é segura para dizer que o normal é melhor

          • Reinaldo Matos

            “Tanto que quando tivemos nosso filho, nós sequer cogitamos essa possibilidade, mesmo sendo favorável à humanização.”

            Longe de mim questionar qualquer que seja o método adotado, afinal, não sou médico e também não sou mulher para descrever todos os incômodos de um parto, porém, perante a todas as evidências médicas atuais, acredito ser mais humanizado fazer um parto em ambiente hospitalar com uma equipe de profissionais capacitados maximizando as chances de sobrevivência da mãe e do bebê do que se aventurar nos partos ditos “humanizados”.

            O problema é que atualmente todos os procedimentos comuns de um parto
            hospitalar, são criados e projetados pra facilitar a vida DO MÉDICO e
            não da mãe.

            Não vejo problemas em facilitar a vida do médico, afinal, tanto a vida da mãe quanto a do bebê, estão sendo confiadas a este profissional, então, quanto menos obstáculos ele tiver que passar para ter o sucesso do procedimento acho válido.
            Não vou comentar no que diz respeito as medicações, intervenções e posições que mencionaste, pois como disse antes, não sou médico e não pesquisei se há algum tipo de estudo que embase este procedimento (mas duvido que não tenha). Gostaria realmente de ouvir a posição de um médico sobre esse ponto.

          • Pedro Lira

            No brasil vivemos um surto de cesarianas e eu espero que todos aqui saibamos que essa modalidade de parto é muito mais arriscada do que o parto normal em ambiente hospitalar. A medicina enquanto ciência abre as pernas para as cesárias porque é um parto mais fácil para o médico; rápido, rentável e quantificável para o hospital; entre outros. Nas vésperas de feriados as maternidades ficam lotadas pra o médico curtir o feriado com a família. A última coisa que se forma durante a gestação é o sistema respiratório e o infeliz do médico que marca uma cesárea com duas, três e às vezes quatro semanas antes da data provável de parto muitas vezes está impedindo a formação correta dos pulmões.

            Nos manuais mais modernos de obstetrícia no Brasil faz parte do pós parto a administração de nitrato de prata no olho do recém nascido. Esse nitrato de prata serve para prevenir infecções decorrentes de sífilis. Acontece que se a parturiente foi acompanhada, fez pré-natal e exames anteriores essa porra desse colírio só serve pra deixar o feto puto e com uma possível reação alérgica.

            Outro ponto polêmico é a questão das infecções presentes em ambiente hospitalar. É necessário que o parto seja feito numa maternidade com alas separadas por riscos para diminuir os possibilidades das infecções.

            Sou partidário da escolha consciente. Cada um sabe os riscos que corre com cada uma das suas escolhas. Mas tem que estudar pra não ser enganado por médico que acha que parto é uma linha de montagem da ford, sei que esse é o snho de assepsia de muitos daqui, mas vcs estão errados, parto e medicina é mijo, cocô e sangue. Acho que esse problema com os médicos não é nem uma questão de caráter, mas sim de formação. A medicina é a última corporação de ofício nos moldes do feudalismo ainda em prática na nossa sociedade.

            A questão é GRANA. E por mais que um grupo se coloque as pessoas sempre vão confundir prática médica com ciência.

          • ochateador

            Até onde lembro.
            Com menos de 37 semanas era proibido pelo Ministério da Saúde de fazer cesárea (seja SUS ou particular), exceto em casos que o bebê e a mãe corre risco de vida. Agora aumentou para 39 semanas (mas ONU está fazendo pressão para aumentar para 40 ou 41 semanas e reduzir as cesáreas para valores abaixo de 10%, hoje está em 70% por aí ).

            O que os médicos fizeram ?
            Atrasam a cesárea para não ter que justificar a cesárea antes do prazo para o Ministério da Saúde.

            O problema é que em uma cesárea o médico cobra de 2 a 5 mil reais (e os outros profissionais + hospital cobram com base no valor do médico), logo o custo total fica entre 2 e 3x o valor cobrado pelo médico.
            Já no parto normal o médico cobra acima de 7 mil reais (mas chega fácil nos 15 mil a depender da época ou data (fim de ano e carnaval por exemplo) )…

            p.s.: informações com base no hospital onde trabalho. Valores de 2016.

          • Alexandre

            Nitrato de prata no olho: Não é sífilis, é gonorreia. Sífilis se trata com penicilina.
            Cesárea x normal por escolha (não indicação clínica): Sim, cesárea é mais fácil para o médico, mas tem muita mãe que quer também por medo de como vai ficar a perseguida depois do parto (folclore, sei, mas, enfim…). Tem também gestante que prefere cesárea agendada porque assim dá para os familiares distantes virem visitar e acompanhar o nascimento… Sim, o Brasil tem mais (muito mais) cesáreas do que o necessário, mas isso é muito uma questão cultural da população como um todo, não apenas de médicos. Agora, pergunte para muitas gestantes que tem convênio (pois no SUS não tem escolha) se preferem uma cesárea com o médico que fez todo o pré-natal ou um parto normal com o plantonista do dia na maternidade… Não estou discutindo o que é certo ou errado, mas colocando alguns fatos que talvez @ped@disqus_AUKWyZCPj3:disqus desconheça.

          • Fábio Peres

            Brasileiro tem medo de dor. Parto normal dói, logo…

          • Estou falando de memória e ela pode me trair, mas essa conclusão “Segundo esse estudo, a escala de risco de morte é:
            mais baixo: normal em ambiente hospitalar;
            intermediário: cesárea em ambiente hospitalar;
            mais alto: normal em ambiente domiciliar” tem lá suas armadilhas, porque a cesárea nesses casos é feita quando já deu uma encrenca numa tentativa de parto normal, o que eleva artificialmente o risco da cesárea. O nome disso em Epidemiologia Clínica é “per protocol” contra “intention to treat”. Se a cesárea for planejada desde o início, é possível que o resultado seja igual ou melhor que o parto normal, mas acho que não há dados sobre isso, abraço

          • Alexandre

            Cara, melhor que sua explicação, só desenhando… Quer dizer, nem desenhando!
            A modinha é por causa das teorias da conspiração sobre os malvadões médicos desumanizados dinheiristas (mas ninguém que fala do parto em casa faz um atendimento desse pelos mesmos cerca de R$ 300,00 que um convênio paga por um parto).

        • Craudin

          Bibiana Terra foi demais!

      • Ivan

        Serio que vc acha que um parto em casa e em um hospital são iguais? quais a chances de algo dar errado e vc conseguir consertar a situação em casa?

        • Rafael Rodrigues

          Isso pq nem chegamos na fase da contaminação, né? Até porque não tenho entre meus amigos pessoas com o hábito de esterilizar a sala de casa com frequência…

      • ElGloriosoRangerRojo™

        Você está assumindo as fatalidades ocorridas em hospitais como algo normal e corriqueiro, quando sabemos que não é…

        No hospital quando acontece uma fatalidade é possível prever com altas chances de acerto as causas da morte. E em casa sem acompanhamento, qual a chance?

      • Tenho a opção de ter meu filho nascendo em casa, na banheira com uma doula qualquer OU tê-lo no hospital Johns Hopinkins acompanhado pelo Dr. MacCoy e com Dr. Bashir de Anestesista. Se no segundo caso ocorrer uma fatalidade, pelo menos eu terei a convicção de 99,999% que fiz TUDO para minimizar os riscos.

      • Lucas Timm

        E é aquela coisa. Se uma mulher for parir um filho meu, não tem “meu corpo, minhas regras”. O filho também é meu. Não parou lá por obra do espírito santo. Vai nascer num hospital SIM, cheio de enfermeira em volta SIM, e se tiver qualquer problema, vai ter que ser cesariana também.

        “Doula” não é médica. Tá bem fácil ganhar 4 mil reais pra ficar massageando as costas de uma gestante numa banheira cheia de água podre enquanto ela tenta matar o filho dentro dela.

        • Rodrigo

          Aí você faz o que se ela se recusar? Camisa de força?

    • gfg

      Tá ai algo pra nos salvar do Idiocracy.
      Os idiotas perdendo suas crias pelas mais adversas bobagens(natural, homeopatia, veganismo, etc)
      E os inteligentes, passando e mantendo seus genes, com a ajuda a medicina e ciência.

      • André K

        Ainda assim nascem muito mais idiotas. Infelizmente, a proporção fica apenas ligeiramente menos pior.

        • Rafael Rodrigues

          Pois é. Idiota no nosso planeta é mato.

          • Daniel

            Não sei, como as coisas andam se deteriorando acho mais provável o mato acabar antes de 2100, já os idiotas..

      • Rafael Rodrigues

        Nunca vi um idiota estéril. Isso é um prolema ;-)

        • kleber peters

          E se reproduzem como ratos!

      • Rodrigo

        Veganismo?

        • Ariadna Grande

          Veganismo?²

        • gfg

          https://www.google.com.br/search?q=pais+deixam+filho+morrer+por+veganismo&oq=pais+deixam+filho+morrer+por+veganismo&aqs=chrome..69i57.7811j0j1&sourceid=chrome&ie=UTF-8
          Fique a vontade em repetir noutras línguas.

          • Rodrigo

            Bom, nesse caso o problema não é do veganismo, mas dos pais desinformados, pois homeopatia, floral e essas bobagens não funcionam nem em adultos, muito menos em crianças.

  • Marombert Einstein

    Só passando pra lembrar que tem um motivo pra nós, XY, gostarmos tanto de cinturas finas e ancas largas…

    • Daniel Silva

      qual?

      • ochateador

        Maior facilidade de reprodução OU filhos mais saudáveis (e dá para jogar vários motivos).
        Só lembrar das aulas de história.

  • Daniel Plainview

    Isso tudo é muito complicado. Mas pensando bem, a dor é inerente ao fator da maternidade assim como o cara ter q trabalhar até o esgotamento é inerente ao fator da paternidade. Cada um carrega a sua cruz.

    • Daniel

      Não sei se é muito válida essa comparação, pois trabalhar até o esgotamento para criar depende muito do sujeito, tem de ser um sujeito certo, se for um qualquer ele dá um migué e some por ai e algumas mulheres “deixam pra lá”. Já a mulher do momento que engravida já sabe que de uma forma ou de outra vai ter que sair e provavelmente não será de uma maneira muito agradável.

      • Daniel Plainview

        Cara, uma das poucas coisas q dão cadeia aqui na barbárie é o não pagamento de pensão. A mulher só não vai atrás do cara cobrar a responsabilidade dele se ela não quiser.

        • Daniel

          Não queria expor tanto esse fato mas tens razão. Salvo uns casos mais sérios, quem acaba deixando o sujeito na “vida boa” e pronto para fazer mais alguns por ai, são as que deixam pra lá.

    • Petrus Augusto

      É… Não. Desculpe, mas, sua comparação não nada absolutamente nada haver.
      Tipo, vou dar só um exemplo de como isso já falha:
      1 – [Mas pensando bem, a dor é inerente ao fator da maternidade] -> Exato, independente de ser uma mulher que caga dinheiro (rica p/ kralho), ou uma que está dormindo na rua. Ambas tendem a sentir a dor do parto (se for normal).
      2 – [o cara ter q trabalhar até o esgotamento] -> Só se ele não for rico (de nascença então, esse não sabe nem o que é e o que significa a palavra trabalho).

      Sem falar que, eu posso engravidar uma mulher, encher o saco de tudo e picar a mula sem nunca pagar um tostão sequer (sim, no Brasil se a mulher for atrás ela consegue, mas apenas se o cara for encontrado ).

      Desculpe, mas, comparar reações fisiológicas com sociais não tem nada haver. Só for assim, vai validar o discurso de que o ‘sexo’ é construção social. :/

      • Daniel Plainview

        O Brasileiro e a velha mania de achar q rico não trabalha. Que eu saiba ainda não vi ninguém q seja capaz de cagar dinheiro. Mesmo se o cara receber uma herança gorda, se ele não trabalhar pra manter, ele torra ela. O q existe é apenas diferenças nas condições de trabalho.
        Com relação ao sumiço do cara, a polícia encontra cara. Como eu disse, aqui na barbárie, uma das poucas coisas q dão cadeia é o não pagamento de pensão. Faça um filho e tente fugir da sua responsabilidade pra ver o q vai acontecer com vc.

        • Petrus Augusto

          [O Brasileiro e a velha mania de achar q rico não trabalha.]
          Deixa eu repetir o trecho que, você falou mas acho que não absorveu direito.
          o cara ter q trabalhar até o esgotamento
          Uma pessoa rica ter que trabalhar até o esgotamento (se matar de trabalhar) p/ não ficar pobre, olha… Tem algo muuuuuuito errado com o uso que ele faz com o dinheiro.

          Mas tudo bem, é uma possibilidade.

          [Com relação ao sumiço do cara, a polícia encontra cara.]
          É… https://oglobo.globo.com/brasil/no-brasil-so-5-dos-homicidios-sao-elucidados-7279090

          Me responde com sinceridade. Você acredita em qual possibilidade:
          1 – O cara sumir e ninguém nunca mais o encontrar,
          2 – A policia se matar de trabalhar e investigar tudo, p/ encontrar o cara e forçar ele a pagar 100/200R$ de pensão.

          Sério, estou curioso qual será a sua resposta.

          • Petrus Augusto

            A sim,só um ponto. Estou falando de rico.
            Deixa eu repetir com calma. RI-CO.

            Não me refiro a classe média que ganha 6 mil por mês e acho que é “rico” por ganhar mais que 80% da população.

            Não me refiro ao empresario que trabalha de sab. à sab p/ não fechar (e/ou morrer de fome) MAS que se acha o ricasso por ter um CNPJ e comprar um TV de 52 pol. (parcelado em 12/20x).

            Estou me referindo aos Joesley da vida.

          • Daniel Plainview

            Cara, como eu te falei, esses caras não representam nem 0,000001% da população brasileira.
            Pare de se doer pelo fato deles terem alcançado um padrão de vida alto e trabalhe tb pra conseguir algo na vida. Se o cara se corrompeu pra conseguir, uma hora a conta vai chegar.

          • Petrus Augusto

            Ahh meu saco.
            Se disso tudo que eu falei, você entendeu:
            ‘- Hein, tenho inveja dos ricos’.

            Desculpe, mas volte 4 casas e comece de novo, com mais calma e sem ver ‘militância’ de porra nenhuma, apenas, sendo prático e objetivo na analise.

            Faça isso até você entende qual foi a minha observação sobre o seu coment (dica: Você comparando uma reação fisiológica com uma reação social).

            O pq usei o exemplo dos ricos e pq a sua base argumentativa foi tão no-sense quanto ‘Sexo é construção social’.

            Faça isso e você vera que não tem absolutamente nada haver com “inveja” de rico ou não.

          • Daniel Plainview

            Vc tá com invejinha de rico sim. Como eu te falei, o 99,99% dos pais de família brasileiros tem q ralar e muito pra sustentar suas famílias, a vida inteira. Como eu falei, cada um carregue a sua cruz e sem mimimi

          • Petrus Augusto

            Vamos analisar o que você falou com metáforas, talvez (nessa altura? já duvido. Mas não custa nada tentar) você entenda.

            1 – [a dor é inerente ao fator da maternidade]
            – Fato, ter filho p/ mulheres = dor. Ponto, não há o que discutir. OK?
            2 – [assim como o cara (o pai, o homem) ter q trabalhar até o esgotamento é inerente ao fator da paternidade.]
            – Errado, pois nem todos fazem isso.
            3 – [Mas, 99% fazem isso]
            – Certo, eles fazem. E?
            4 – [Se 99% fazem, então é inerente ao homem]
            – Errado, pois, 99 não é 100. Logo, não é inerente a todos os homens.
            5 – [Ahh, você está com inveja dos ricos(1%) pois, faz parte dos 99% e tem inveja desse 1%]
            – Não, não estou com inveja deles. Apenas estou dizendo que seu argumento está falho. Pois, tem homem que não precisa se esgotar de trabalhar.

            Tais sacando? Acho que ainda não…
            Vamos agora de modo simples, usando uma metáfora que você vai entender.
            1 – [Voar é inerente dos cisnes]
            – Fato, você está certo. Voar é inerente a todos os cisnes.
            2 – [Todos os cisnes são brancos]
            – Errado, pois nem todos são.
            3 – [Mas, 99% são brancos]
            – Certo, eles são. E?
            4 – [Se 99% sem brancos, então todos os cines são brancos]
            – Errado, pois, 99 não é 100. Logo, não é inerente que todos os cisnes são brancos.
            5 – [Ahh, você está com inveja dos não-brancos(1%) pois, faz parte dos 99% e tem inveja desse 1%]
            – Não, não estou com inveja deles. Apenas estou dizendo que seu argumento está falho. Pois, tem cisne ‘não-brancos’.

            Você entendeu agora? To pouco me fudendo p/ os ricos (p os cines ‘não-brancos’).
            Não é esse o meu ponto. O meu ponto foi que você inferiu um (na verdade foram dois) argumento falho.

          • Daniel Plainview

            Cara, vc já está indo pra meditações metafísicas, filosóficas e fugiu do escopo da discussão. Não tenho tempo pra isso. Passar bem.

          • Petrus Augusto

            metafísicas, filosóficas
            What?? Só estou sendo analítico. Se para você, ser analítico é ser metafisico e/ou filosófico… Apenas posso lamentar.

          • Rafael Rodrigues

            Conheço uma GALERA que é bem de vida e não precisa se matar de trabalhar.

            Aumenta esse 0.00001 aí que tá pouco. Podem não ser Joesleys, mas não sabem quanto custa um quilo da sal do mesmo jeito.

          • Daniel Plainview

            Esse rico q vc denominou (tipo Joesley Batista) não corresponde nem a 0,000001% da população brasileira, logo vc não pode tomar isso como parâmetro. Um cara de classe média tem sim q trabalhar muito pra pagar comida, escola, plano de saúde e o caramba para os filhos. Tome isso como parâmetro.
            Com relação aos homicídios q vc citou, como eu já disse: não pagamento de pensão é uma das únicas coisas q dá cadeia no Brasil.
            Além disso, hj eu dia digamos q é praticamente impossível esse “sumiço” a q vc se refere. Não estamos em 1800 não cara, estamos na era da informação.

          • Petrus Augusto

            [Esse rico q vc denominou (tipo Joesley Batista) não corresponde nem a 0,000001% da população brasileira]

            Concordo totalmente!
            Por isso me referi a ricos, e não a classe média. Essa sim tem que trabalhar até o esgotamento p/ sobreviver. (com ou sem filho)

    • Rafael Rodrigues

      Que comparação esdrúxula…

  • Hugo Marinho

    Vim aqui apenas para elogiar o seu francês.

  • Reinaldo Matos

    No final o grande problema era que o método, assim como Ruby não escala.

    https://uploads.disquscdn.com/images/a34c93f4a2e271be2a1fe3f1395e67feaeb171a00bddb307717b80d82b35183e.jpg

  • Reinaldo Matos

    Só espero que não voltem a querer fazer parto no estilo “Macunaíma”

    https://www.youtube.com/watch?v=RPsz70EDFYM