A Arte de Mudar de Opinião -ou: Nessa fecho com a Feminista

sarinha

Uma das coisas que mais me irrita é histeria, até por ser uma condição facilmente tratável. A internet, claro, sofre dela em proporções epidêmicas. Tudo é tratado com um exagero patológico. Crise na Ucrânia? Histéricos gritam 3a Guerra Mundial Iminente, Obama vai destruir o Mundo, Putin vai invadir Niterói. Avião sumiu? Illuminati, plano maligno, falha endêmica que ameaça todos os aviões do planeta.

Marcha da Família? Golpe de Direita prestes a ocorrer vão matar todos que não tatuem uma suástica na testa. Como? Marcha foi resposta ao Golpe Comunista que o PT estaria armando pra chegar ao poder? Quem governa o país tem uns 3 mandatos, o PDS?

Essa incapacidade de tratar qualquer assunto de forma racional, de não conseguir enxergar tons de cinza inviabiliza qualquer debate. Por isso inclusive estou me abstendo de sequer tomar conhecimento do tal Marco Gomes Civil, ou algo assim. TODAS as matérias que vi traziam mastigada a conclusão a qual eu deveria chegar, sob pena da Internet no Brasil se tornar uma ditatura gay, de esquerda, de direita, nazista, fascista ou reptiliana.

Isso torna o ato de se informar muito mais complicado. Por mais macaco velho que a gente seja, sempre passa algum ruído. Estou acompanhando e repassando o suposto conflito na Crimeia, mas 60% do que acho é material antigo ou falso passado como novo. A propaganda está a todo vapor, dos dois lados.

É preciso muito, muito bom-senso antes de sequer começar a formar uma opinião, como no caso da Professora Mireille Miller-Young. Ela dá aulas de Estudos Femininos (e você achava homeopatia inútil) na Universidade da Califórnia. É militante feminista, faz parte do movimento negro, pesquisa pornografia e seus efeitos e tem todo o jeito de ser uma das criaturas mais chatas do planeta pra qualquer um que não siga exatamente sua cartilha.

E à Professora Mireille eu peço profundas desculpas mesmo não tendo feito nada.

Ela está sendo acusada de (segundo uma das manchetes) agredir uma estudante de 16 anos, em uma manifestação anti-aborto.

Os relatos que vi descreviam o caso como se um grupo de manifestantes estivessem protestando, a professora tivesse chegado e arrancado os cartazes das mãos delas, machucando a pobre menina no processo. Dada a péssima imagem das feministas radicais, dada a mania delas de gritar Lobo! o tempo todo, fiquei propenso a acreditar, ainda mais com todo mundo falando que havia um vídeo do incidente.

Mea culpa, mea maxima culpa, não vi o vídeo. Achei que não precisava. Até ontem, quando descobri um esquema no Twitter. Propagandistas histéricos estão criando manchetes tipo “Mais tropas ucranianas abandonam seus postos”, e em anexo colocam links para CNN, Reuters, etc. Usando o encurtador oficial desses sites. Muita, muita gente dá RT sem clicar, mas se você seguir o link, verá que cai em uma página genérica, às vezes na home do site. A PRESUNÇÃO DE CREDIBILIDADE nubla o ceticismo. Maligno maquiavélico e genial.

Quanto ao vídeo da professora, é este aqui. Veja, não acredite em mim.

Viu? Pois é. A história mudou completamente de figura. As tais militantes, como você pode ler aqui, eram de um grupo cristão anti-aborto chamado Sobreviventes do Holocausto do Aborto. Estavam se manifestando no campus, onde sequer estudam, e o alvo era a professora. Começam a assediar, a aporrinhar a coitada, perseguindo com um daqueles cartazes de fetos esmigalhados. Uma delas fica mais atrás, filmando tudo.

Elas GRUDAM e não param de falar, enchendo o saco da professora, invadindo espaço pessoal. A coitada aguenta até o elevador, quando entram junto mas a babaquinha com a câmera mete o pé e trava. Nessa hora a Profa incorporou o estereótipo de Shirley de Community e deu uns safanões, empurrando a idiota com a câmera e rasgando o cartaz.

ESTÁ ABSOLUTAMENTE CERTA! Uma coisa é você protestar pacificamente, outra é aporrinhar os outros.

Quando Bart Sibrel, um daqueles idiotas que não aceitam o Pouso na Lua resolveu aporrinhar Buzz Aldrin, o astronauta se mostrou um poço de educação, desviando, não dando atenção, mas o imbecil do Sibrel continuou, chamando Buzz de LADRÃO por “ganhar dinheiro com palestras sobre algo que não fez”. Mesmo assim Buzz deixou passar, mas “covarde” foi demais. Veja até o fim, vale cada segundo:

Não digo que violência seja a melhor resposta sempre, mas não acredito em sangue de barata. Até chegar ao ponto de dar aula em uma universidade conceituada essa professora viu muita coisa pela vida, ainda mais sendo mulher e negra. Eu garanto que ela já abaixou a cabeça mais vezes do que gostaria, e ser aporrinhada, em seu local de trabalho, por duas merdinhas privilegiadas que quando precisarem de um aborto e ele for proibido(e vão precisar, as estatísticas mostram) vão pra alguma clínica de luxo na Europa, enquanto o resto da população se vira com açougueiros ilegais, isso é mais do que ela precisa aguentar.

Quer protestar, proteste, mas não seja um mala. Ou pelo menos siga o exemplo da Sara Winters e mostre os peitos, assim ainda sobra algo de bom.


O Contraditorium vive de doações. Não veiculo anúncios no blog. Somente sua colaboração me incentiva a escrever artigos cada vez melhores, sem rabo preso com anunciantes, partidos ou militâncias. Prestigie essa liberdade, faça uma doação. Use o PagSeguro no botão abaixo ou via PayPal com o email cardoso@pobox.com. Caso você tenha uma carteira PicPay,meu usuário é @carloscardoso. Caso não tenha e queira uma forma de transferir pequenas (ou grandes, de preferência grandes) quantias sem taxas, é só se inscrever.  Eles te darão R$10,00 para experimentar, basta utilizar meu código promocional SKO4

Toda moeda é bem-vinda, desde que seja de país com luz elétrica e água encanada.




Leia Também:

  • André

    Pelo que eu vi no vídeo a professora roubou a placa e deu para duas de suas alunas carregarem a placa embora.
    Ela até foi chamada de ladra. E por isso é que a garota estava seguindo elas e filmando.
    Além do mais as duas mulheres que estavam carregando a placa estavam caladas o tempo todo, como se estivessem justamente carregando a placa para a professora.

  • Dinheiro e porrada: Se não resolveu o problema é porque não foi suficiente.

    Não adianta. Tem gente que só aprende quando descem o cacete.

    • Bruno

      "Lições que não são aprendidas com sangue logo são esquecidas."

  • André

    Pelo que eu vi no vídeo a professora roubou a placa e deu para duas de suas alunas carregarem a placa embora.

  • Isso aí para mim são toda uma nova categoria de Gold Diggers: os cavadores de processo por lesão corporal. Não tem outra explicação, uma pessoa ficar aporrinhando a outra sem cessar, mesmo quando a outra está tentando te ignorar, até que a paciência esgota e a agressão acontece. E DUVIDO que os provocadores não contavam com isso. Filmam justamente para ter o material para processar o "agressor". Mas e o assédio moral? Não conta? O ser humano é um ser desprezível, mesmo :P

    • Você está absolutamente certo, Márcio Neves Machado.

  • Se bateu deve ter batido pouco, afinal ela ainda ficou de pé para pensar em processo.
    Tudo tem limites. Perseguir, aporrinhar, entrar no local de trabalho e ficar impedindo a outra de ir e vir é mais do que suficiente para ser espancada e processada por assédio.