Quando o maior derramamento de sangue da história foi ótimo para a menstruação

Menstruação é um processo natural, mas não tem nada de bonito. É o corpo dizendo “pô, sacanagem, me preparei todo pra uma gravidez e você me sacaneou. Agora aguenta!”. A culpa é de nossa biologia complicada, e somente alguns primatas e morcegos menstruam (piadas por sua conta). Ah sim, e este bicho aqui:

O tema sempre foi tabu, mesmo hoje causa extremo desconforto e poucas coisas traumatizam mais um garoto do que a mãe pedir para ele ir buscar um Modess no mercado. Temos aversão natural a sangue, ele é um contaminante biológico E atraí predadores. Instintivamente associamos sangramento a algo errado muito antes de evoluirmos o suficiente para menstruarmos.

Mais ainda: Menstruação não é normal.

O estado natural das fêmeas da espécie humana é estar grávida. A Natureza não está preocupada com estabilidade financeira ou se é o momento para a fêmea investir na carreira. Nós humanos que inventamos essas coisas e mexemos no ciclo natural. Sem nossa tecnologia para garantir alimentos abundantes, abrigo contra predadores e uma baixíssima mortalidade infantil, uma espécie com a taxa de reprodução de uma humana urbana moderna seria basicamente um panda.

Temos poucas crias por fornada e a gestação é muito longa. Sem tecnologia a única forma de manter a espécie é parir sem parar. Claro, quando nos tornamos racionais as mulheres mudaram isso, inventando mil meios de não engravidar, o que tornou a menstruação algo bem mais cotidiano, para horror de todo mundo que não menstrua.

Essas mudanças acabaram criando um tabu imenso. Sério mesmo. Que o diga…

Levítico 15:19

Quando uma mulher tiver sua menstruação, ficará impura pelo período de sete dias. Quem tocar nela durante esse tempo será igualmente considerado impuro até o pôr do sol.

E nem pense no velho ditado “se o sinal estiver vermelho, pegue a estrada de barro”

Levítico 20:18

O homem que se deitar com uma mulher durante as regras e descobrir sua nudez, põe a descoberto a fonte do seu sangue, e ela mesma descobriu a fonte do seu sangue; serão ambos exterminados do meio do meu povo.

E aproveitando, uma misoginiazinha básica:

Levítico 12:2 e 12:15

Quando uma mulher der à luz um menino será impura durante sete dias, como nos dias de sua menstruação.

Se ela der á luz uma menina, será impura durante duas semanas, como nos dias de sua menstruação, e ficará sessenta e seis dias no sangue de sua purificação.

Esse horror todo não é exclusividade do cristianismo. Todas as sociedades e religiões têm tabus contra menstruação, e se você acha que os exageros são coisas de sociedades primitivas, aviso que o Nepal passou uma Lei em 2017 tornando ilegal o Chhaupadi, tradição hindu de exilar menstruandas forçando-as a ficar nos estábulos e celeiros, por todo o período que durar seu período. E não é apenas o incômodo de dormir com as galinhas, mulheres morrem por causa dessa prática.

Em Julho uma moça de 19 anos morreu picada por uma cobra que entrou na cabaninha reservada às fãs do ex da Marieta. Outra de 15 anos morreu sufocada depois que acendeu uma fogueira para se aquecer, na cabana de barro e pedra que era forçada a ocupar, pelo terrível crime de sangrar 5 dias sem morrer.

Várias religiões consideram mulheres impuras quando estão menstruando, ou todo o tempo, motivo pelo qual não podem ser ordenadas como pregadoras. Outras vão além, é comum em templos Hindus banir a entrada de mulheres durante o catamênio. (bota no Google)

Como se não bastasse todos esses incômodos, as mulheres incomodadas ainda têm que lidar com a realidade prática da menstruação. Fora as alterações de humor, cólicas e outros sintomas, sangrar pela rua não é agradável.

Historicamente sempre foi algo intimo, passado de mãe para filha e qualquer conversa sobre o tema garante que os homens saiam correndo do recinto. O método mais comum era a famigerada toalhinha. Comprovando que Douglas Adams estava certo, antigamente toda mulher sempre andava com uma toalhinha na bolsa, caso a Tia Flo (essa só funciona em inglês) aparecesse para uma visita surpresa.

Tks ao Dr cLimão

Problema é que pano por muito tempo foi algo caro, e as toalhinhas, feitas de retalhos de lençóis e roupas acabavam sendo lavadas, e quem já tentou tirar sangue de roupa sabe como isso é complicado. A absorção também não era grande coisa, e se fosse um mês caprichado fatalmente os vestidos e móveis ficariam manchados com aquele líquido azul que as mulheres emitem, segundo aprendi com os comerciais de Sempre Livre.

Com o começo da sociedade industrial surgiram opções como os Cintos Sanitários, para facilitar a fixação das toalhinhas, algumas já vendidas em farmácias cortadas no tamanho correto.

Não resolvia muito. Poucos lugares vendiam, era uma coisa mais de venda por catálogo, e acidentes aconteciam com frequência, dada a baixa capacidade de absorção de tecido comum.

A grande virada aconteceu quando a Primeira Guerra Mundial começou a pegar fogo. Soldados eram mortos e feridos aos milhares. Os hospitais de campanha não davam conta, e um produto em especial estava em falta e era muito caro mesmo quando disponível: Algodão. Não havia bandagens suficientes, e soldados morriam por causa disso.

Nos EUA a Kimberly-Clark já estava pesquisando alternativas, e em 1914 inventou o Cellu-cotton, um material feito com polpa de madeira com cinco vezes a capacidade de absorção do algodão, e custando uma fração do preço. O Exército Americano imediatamente adotou as bandagens feitas com o material, e a Kimberly-Clark ganhou rios de dinheiro estancando rios de sangue.

Rios de sangue não eram problema só dos baleados estropiados baionetados. Quem cuidava deles também tinha esse problema, e dado o tabu, as forças armadas não previam qualquer tipo de apoio para as enfermeiras na frente de batalha, se elas sangrassem por qualquer orifício que não tivesse origem germânica.

Como sempre elas se viravam com retalhos e toalhinhas, mas logo perceberam que tinham à disposição as bandagens de Cellu-Cotton, que passaram a usar. O resultado é que logo todas elas estavam jogando tênis, indo à praia, recebendo flores e todas aquelas coisas que as mulheres menstruadas que usam absorventes fazem.

Várias escreveram para a Kimberly-Clark, relatando o uso e agradecendo pelo produto. Certeza que os homens que receberam as cartas ficaram horrorizados e desconfortáveis, mas desconforto mesmo veio quando a guerra acabou, eles tinham centenas de toneladas de Cellu-Cotton e não sabiam o que fazer com aquilo. Era preciso um fluxo constante de sangue para estancar o prejuízo, mas onde conseguiriam tanto sangue e…

Bingo! Um sujeito chamado Walter Luecke lembrou das cartas das enfermeiras, fez as contas e viu que com metade da população do país sangrando todo mês, o mercado estava garantido. O próximo passo era arrumar um fabricante para transformar o Cellu-Cotton em um produto, e aí a coisa desandou.

Luecke tentou várias empresas, e todos disseram não. Menstruação era algo íntimo e constrangedor demais, seria impossível anunciar um produto relacionado com isso. Jornais não publicariam, cartazes gerariam reclamações, mulheres ficariam envergonhadas de ser vistas com o produto.

Walter insistiu, e a direção da Kimberly-Clark comprou a idéia. Iriam eles mesmos industrializar o produto, que depois de muita experimentação foi batizado de Kotex, de Cotton Texture.

A campanha inicial sequer mencionava explicitamente o uso do Kotex. Contavam com a inteligência das mulheres para deduzir o que estava sendo dito nas entrelinhas. As farmácias e lojas por sua vez tinham pruridos em vender esse tipo de produto, em geral era algo comprado de forma quase subversiva.

As próprias mulheres não se sentiam bem, o que é bem-feito, por zoarem adolescentes embaraçados quanto têm que comprar preservativos.

Um dos slogans da campanha era “peça pelo nome”, assim você não precisava dizer o quê queria, só o produto. Claro, só funciona se ninguém sabe do que se trata. Hoje em dia quem quer ser discreto chega na farmácia e pede Sildenafil, e não Viagra. Dizem.

Outra técnica foi deixar as embalagens no balcão, com um cofrinho para a consumidora botar as moedinhas, pegar a caixa e ir embora. Funcionou bem, as caixas eram discreta, com o nome do produto e nenhuma descrição, mas outro método foi mais eficiente ainda. Foi o primeiro uso registrado do modelo de self-service em lojas.

Algumas farmácias começaram a embalar Kotex em papel branco com uma fita azul, e deixar em uma pilha com um discreto aviso “Kotex – US$0,65”. As consumidoras pegavam a caixa branca, e ninguém fora o pessoal da farmácia sabia o que havia nela.

Nos primeiros anos o Kotex não rendeu muito dinheiro, a Kimberly-Clark teve que investir fortunas em publicidade até o público tomar conhecimento e ter curiosidade de experimentar o produto, mas depois que a demanda desandou, tiveram que sair comprando novas fábricas para manter a oferta.

Foi preciso uma guerra mundial, um sujeito teimoso e uma empresa determinada para emplacar um produto considerado básico e essencial para metade da população do planeta. Ou seja: mesmo quando há um mercado potencial imenso e cativo, não é fácil fazer sucesso, e Economia vai muito além de números. Em última análise envolve pessoas, e às vezes elas precisam ser convencidas que precisam de seu produto.

 

 


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Leia Também:

  • Danilo Melo

    Sensacional o texto…. Porque vc não escreve um livro Cardoso :-)

    • Diogo

      Mas ele já escreveu… dois pra ser mais exato. Só ver o banner lateral, lá em cima.

      • Só dois? HAHAHUAUHAUHAUHAHUAUHHUAUHA

        • Diogo

          Não tinha conhecimento dos outros, tanto é que ele só divulga esses dois aqui no site… :P

          • Eu chuto (sou ruim de mira) que ele não divulga os outros por dois motivos:
            1) são livros técnicos e antigos, por tanto precisariam de alguma atualização;

            2) estão amarrados à algum contrato de editora e para ele não vale a pena a divulgação.

          • Reinaldo Matos

            São DLCs

        • Rodrigo Cavalcante da Silva

          Os demais só para iniciados…

    • Alexsander

      Escreveu dois … e já ta na hora do terceiro, ein Cardoso.

      • André K

        Na verdade ele escreveu mais do que dois, só que são mais antigos e específicos – Linux, Flash, etc. De todo modo, vale a pena ler, ainda hoje.

  • Monstro Medieval

    “O ex da Marieta”
    Vontade de te bater por essa!

    Agora a onda parece estar mudando e muitas estão começando a migrar para o coletor. Infelizmente parece não ser suficiente dizer que A é melhor do que B, tem que demonizar B e dizer que causa doenças, contaminações, etc. Parecido com a pílula, que parece ter virado o maior veneno pras mulheres agora mas quando há uns anos eu falei pra uma conhecida sobre os riscos quase apanhei. A pílula devia ter pelo menos um lugar cativo como responsável pela libertação sexual feminina.

    • Não, não estão, isso é modinha de universitária descolada.

      • Oberaldo Gilmentoo

        descolada e também meio porca, convenhamos.

      • tem a modinha, mas tem mulher que não pode tomar, ou até as que devem tomar. tudo isso, claro, sob supervisão médica.

  • João Santana

    As citações são da parte judaica da bíblia, apenas para constar. De fato, um dos milagres de Cristo, relatado por Lucas, um médico, foi justamente o encerramento de um fluxo de sangue numa mulher que certamente sofreu toda sorte de discriminação por isso durante 12 anos, IMSM. Agisse conforme tais preceitos, Jesus, que era judeu, nem passaria perto dela, que dirá permitir, dentro da narrativa, que de si saísse poder para cura-la. Sempre houveram judaizantes no cristianismo, vivendo e exigindo que outros vivam cumprindo os preceitos do judaísmo APESAR de cristãos, então infelizmente coisas similares ainda acontecem.

    • NestorBendo

      Considerando que Jesus disse que não aboliu nada da Lei Mosaica, ela ainda tá valendo, escrota ou não.

      • LG

        E ele segue dizendo “não vim abolir, [b]mas cumprir a lei[/b]”. Ou seja, a lei judaica se cumpre em Cristo. Em outras palavras, Jesus não seria um rompimento do judaísmo, em que se joga toda a tradição fora; antes, seria uma nova versão, muito mais “user friendely”. Em termos simples, Jesus mostrou uma forma mais “humana” de se cumprir a lei, sem ser apenas o “olho por olho, dente por dente”.

        • André Luiz

          Religião fazendo religiaozice.

          • LG

            E aqui, senhoras e senhores, vemos uma argumentação ad hominem digna de quinta série!

          • André Luiz

            Ad homem?

            Nao ofendi ninguém, mas é engraçado ver os caras discutindo sobre um suposto X-man e mais um bocado de groselha teológica
            ( cof, mitológica, cof)

          • NestorBendo

            Meus serviços a seu serviço!

          • LG

            E que ainda não aprendeu a diferença entre ofensa e “ad hominen”.

        • NestorBendo

          Lembrando também que Jesus termina a citação dizendo que a Lei valeria eternamente, então a versão user friendly teria que já estar no texto, mudanças não são válidas, seria abolir o que já existe em prol do novo.

          • LG

            Não! O que ele diz é que a lei não passaria “até que tudo se cumpra“. Agora volte duas casas e releia meu comentário anterior sobre o cumprimento da lei.

          • NestorBendo

            Na verdade ele diz que céus e terra passarão antes de passar qualquer coisa da Lei. Nada de cumprir antes disso.

          • LG

            Vamos lá!

            NOVA VERSÃO INTERNACIONAL

            “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra.”

            ALMEIDA REVISADA
            “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.”

            KING JAMES:
            “Think not that I am come to destroy the law, or the prophets: I am not come to destroy, but to fulfil. For verily I say unto you, Till heaven and earth pass, one jot or one tittle shall in no wise pass from the law, till all be fulfilled.”

            NEW AMERICAN STANDARD:
            ““Do not think that I came to abolish the Law or the Prophets; I did not come to abolish but to fulfill. For truly I say to you, until heaven and earth pass away, not the smallest letter or stroke shall pass from the Law until all is accomplished.”

            Mas e quanto ao texto original grego?

            GREGO (NA 28):
            Μὴ νομίσητε ὅτι ἦλθον καταλῦσαι τὸν νόμον ἢ τοὺς προφήτας οὐκ ἦλθον καταλῦσαι ἀλλὰ πληρῶσαι· ἀμὴν γὰρ λέγω ὑμῖν, ἕως ἂν παρέλθῃ ὁ οὐρανὸς καὶ ἡ γῆ, ἰῶτα ἓν ἢ μία κεραία οὐ μὴ παρέλθῃ ἀπὸ τοῦ νόμου, ἕως ἂν πάντα γένηται

            PS: Jogue no Google tradutor. Não é perfeito, mas vai te dar uma ideia aproximada.

            Talvez essa confusão nasceu por causa da versão católica do mesmo texto, que possui uma acepção diametralmente oposta:

            VERSÃO CATÓLICA:
            “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição. Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.”

            Aí é uma questão de ver se estamos na mesma página aqui!

          • NestorBendo

            Pergunta:

            O quê, especificamente, deve ser cumprido?

          • LG

            Essa já foi respondida lá atrás:

            LG >> NestorBendo • 6 dias atrás

            E ele segue dizendo “não vim abolir, mas cumprir a lei”.
            Ou seja, a lei judaica se cumpre em Cristo. Em outras palavras, Jesus
            não seria um rompimento do judaísmo, em que se joga toda a tradição
            fora; antes, seria uma nova versão, muito mais “user friendely”. Em
            termos simples, Jesus mostrou uma forma mais “humana” de se cumprir a
            lei, sem ser apenas o “olho por olho, dente por dente”.

          • LG

            Traduzindo, segundo a fé cristã, a lei se cumpre em Cristo. A partir da morte e ressurreição de Jesus, estamos livres da tutela da lei judaica, vivendo agora sob a estância da graça e da fé.

            O apóstolo Paulo reconhece isso quando escreveu:”Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados (…), de maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo“.

            Existem outros exemplos, como quando Deus ordena que Pedro coma comidas outrora consideradas impuras, no livro de Atos.

          • NestorBendo

            Eu adoro quando citam esses excertos de Paulo logo depois de alguém mencionar que Jesus falou que não viria abolir nada da Lei.

            Não apenas é uma contradição patente, tomado por base que Jeová das Candongas não deveria nunca mudar de ideia, como é um erro histórico grosseiro:

            A narrativa bíblica diz que Paulo veio depois de Jesus, enquanto que os dados históricos mostram que as Epístolas Paulinas são datadas de antes dos próprios Evangelhos. Ou seja: a versão que Jesus defende diretamente, de acordo com os Evangelhos, é contradita de antemão por Paulo, antes mesmo dos Evangelhos chegarem à redação.

            É como se eu mandasse um menino comprar um remédio numa farmácia, errasse o nome do remédio, mandasse um segundo menino pra corrigir o primeiro, e o segundo menino chegasse na farmácia antes do primeiro.

            Isso é uma salada que qualquer salsa simplesmente absorve. Como eu não sou nenhuma salsa, não engulo isso. É comprovação patente de que Paulo não passava de um esquizofrênico, e que o Jesus que ele menciona é diferente do Jesus dos Evangelhos.

          • LG

            OK, agora que acabaram os seus argumentos, você parte pras falácias. Vamos a elas!

            Primeiro, não está sendo discutido a fé. Nunca disse sequer que eu acredito nisso (e embora não seja a questão aqui, respondo, não, não creio inteiramente nisso). Apenas estou interpretando a tradição cristã, a qual você é livre pra concordar ou não. Logo, esse link que você colocou ali não só é INÚTIL, como não resolve a questão original. Menos um ponto pra você.

            Segundo, não estamos debatendo a divindade de Cristo, estamos debatendo a interpretação da frase e apenas isso, a qual, já comprovei que você interpretou errado. Você criou um espantalho e mudou de assunto. Menos dois pontos para você.

            Terceiro, você citou que as epistolas paulinas vieram antes. Qual a fonte dessa afirmação? Assim é fácil jogar dados que lhe dão suporte, sem uma referência sólida. Quero fontes, senão não passa de especulação. Mais uma falácia e menos três pontos.

            Quarto, citei Paulo, o fiz como um complemento. Poderia ter citado o próprio Hebreus e não faria diferença. A citação original – e que se discutia desde o começo – era sobre a duração da lei, com base na frase do livro de Mateus. E até lhe dei um argumento, ao apontar que na bíblia católica há uma aparente contradição de tradução em relação a outras versões. Mas que as versões mais fieis à original (e citei ainda a versão original em grego), dão conta da interpretação que eu dei lá em cima. De novo, não discuto o credo, apenas a hermenêutica. Menos quatro pontos.

            Por fim, se você quiser continuar debatendo numa boa, estamos aí. Porém, se quiser falar grosso e apelar ao “ad hominem“, encerramos a conversa (que até então, vinha se dando em um nível bacana), pois isso prova que você não quer aprender, que apenas provar o seu ponto acima de tudo.

            E eu é que sou a salsinha…

          • NestorBendo

            OK, agora que acabaram os seus argumentos, você parte pras falácias. Vamos a elas!

            *Grabs popcorn

            Primeiro, não está sendo discutido a fé. Nunca disse sequer que eu acredito nisso (e embora não seja a questão aqui, respondo, não, não creio inteiramente nisso). Apenas estou interpretando a tradição cristã, a qual você é livre pra concordar ou não. Logo, esse link que você colocou ali não só é INÚTIL, como não resolve a questão original. Menos um ponto pra você.

            Você acreditar ou não é absolutamente irrelevante. O único cumprimento da Lei que interessa no caso não é justamente Jesus ser o Messias? Que eu saiba, foi este o ponto que você levantou. Se sim, apontar os motivos de ele não o ser (como o fiz) derruba, SIM, sua argumentação.

            Segundo, não estamos debatendo a divindade de Cristo, estamos debatendo a interpretação da frase e apenas isso, a qual, já comprovei que você interpretou errado. Você criou um espantalho e mudou de assunto. Menos dois pontos para você.

            Você alegou que a Lei se cumpria com Jesus, i.e.: ele necessariamente tem que ser o Messias. Demoli seu argumento com o excelente artigo do Ceticismo.net. Se não for isso, melhor você me responder o que tem que se cumprir, porque foi isso o que você respondeu.

            Terceiro, você citou que as epistolas paulinas vieram antes. Qual a fonte dessa afirmação? Assim é fácil jogar dados que lhe dão suporte, sem uma referência sólida. Quero fontes, senão não passa de especulação. Mais uma falácia e menos três pontos.

            Não pensei que eu tivesse que mostrar isso a você. Perdão pela assunção preemptiva de conhecimentos que eu não sabia que você não tinha.

            https://en.wikipedia.org/wiki/Pauline_epistles#Authenticity

            https://en.wikipedia.org/wiki/Gospel#Composition

            Diferencinha básica, uns 10 a 20 aninhos, só.

            Quarto, citei Paulo, o fiz como um complemento. Poderia ter citado o próprio Hebreus e não faria diferença. A citação original – e que se discutia desde o começo – era sobre a duração da lei, com base na frase do livro de Mateus. E até lhe dei um argumento, ao apontar que na bíblia católica há uma aparente contradição de tradução em relação a outras versões. Mas que as versões mais fieis à original (e citei ainda a versão original em grego), dão conta da interpretação que eu dei lá em cima. De novo, não discuto o credo, apenas a hermenêutica. Menos quatro pontos.

            A hermenêutica que, inserida dentro do contexto, é destruída. Mas, é sempre assim. Quando interessa, enfia-se o contexto goela adentro; quando não, foda-se o contexto.

            Por fim, se você quiser continuar debatendo numa boa, estamos aí. Porém, se quiser falar grosso e apelar ao “ad hominem”, encerramos a conversa (que até então, vinha se dando em um nível bacana), pois isso prova que você não quer aprender, que apenas provar o seu ponto acima de tudo.

            Por mim, estamos numa ótima, ainda. Não te xinguei de nada, não falei grosso e não estou aqui apenas pra provar pontos.

            E eu é que sou a salsinha…

            Essa conclusão é sua e só sua. Eu não falei especificamente de você. Só mostra que você tá queimando ruim de graça.

          • LG

            João Santana >> 8 dias atrás: “As citações são da parte judaica da bíblia, apenas para constar….”

            NestorBendo >> 7 dias atrás: “Considerando que Jesus disse que não aboliu nada da Lei Mosaica, ela ainda tá valendo, escrota ou não.”

            LG >> 7 dias atrás: “E ele segue dizendo, não vim abolir, mas cumprir a lei…”

            Toda a discussão foi sobre esse versículo. Jamais entrei no mérito sobre a divindade ou o messianismo de Cristo. Repito, o que disse lá em cima, os seguidores de Cristo entendem que a lei foi cumprida, e por isso pode ser abolida (ou adotada em uma versão user friendly, com base nos ensinos de Cristo). A divindade de Cristo é condição “sine qua non” da minha argumentação. Se Cristo não é o messias, bom, então a conversa muda.

            Não entendo, onde posso haver me expressado mal, a ponto de não ter ficado claro que estou apenas discutindo o versículo que citaste lá em cima.

            E pra ficar claro, meu ponto é: você usou um versículo de forma incompleta. Escreveu que Jesus disse que não aboliu a lei, e eu complementei dizendo que ele não aboliu a lei ATÉ QUE… Lendo todo o versículo, fica claro que o contrário do que você alegou, que a lei não foi abolida. O versículo diz que a lei não passaria ATÉ que fosse cumprida.

            Estamos bem até aqui?

            Aí você entrou na questão se a lei foi cumprida ou não. A partir daí a discussão torna-se subjetiva, pois envolve elementos de fé. Errei, admito, ao ter caído nessa sua jogada. Deveria ter encerrado a discussão aí, ou então alertado para que a partir desse ponto, a discussão se daria em um terreno pantanoso (como de fato aconteceu).

            Você pode acreditar que a Lei foi ou não cumprida. Pode acreditar ou não em Jesus. Pode acreditar ou não na Bíblia. O que não pode negar é que o versículo de Mateus que você citou lá em cima, não acaba, mas continua e coloca uma condição para que a lei acabe. E os cristãos acreditam, com base nesse versículo, que a lei foi cumprida e, portanto, já foi abolida.

            PS: Sobre as datas das cartas, realmente, não sabia disso. Admito que estava errado. Me baseei apenas na datação dos fragmentos encontrados, e não na data da publicação em si. Menos dois pontos pra mim.

          • NestorBendo

            Lembra quando eu perguntei o que deveria ser cumprido? Na verdade, na verdade, a pergunta é uma pegadinha. Porque cumprir com uma Lei e cumprir uma profecia são coisas diferentes. Cumprir e abolir, no contexto em questão, são antagônicos. Cumprir com uma lei perpétua, sem revogá-la, implica em mantê-la perpétua. Cumprir uma profecia implica em acabar com ela.

            As Leis Mosaicas não são profecias, por isso o cumprimento delas não as apaga da existência. Jesus coaduna com esta interpretação quando afirma que passarão céus e terra antes que passe um til da Lei.

            Por isso é que Paulo simplesmente não poderia ter relatado coisa distinta, tal como fez. Não sem destruir o embasamento teológico da própria vinda do Messias. Ainda mais sem levar em conta o que Jesus tinha dito diretamente aos Apóstolos, como se Jesus tivesse esquecido do que havia dito a eles.

          • Anayran Pinheiro

            Tentar resumir um ponto para ver se há alguma tentativa de esclarecimento.

            No AT nós vemos 3 tipos de leis, as cíveis, as morais e as cerimoniais. Após a vinda de Jesus, as leis cíveis e cerimoniais não eram mais necessárias serem cumpridas, uma vez que Israel não era mais uma terra física, mas uma nação formada por cristãos de várias nações.

            Hoje em dia cristãos não cumprem as leis cíveis e cerimoniais por não ser mais necessário, por exemplo, sacrificar bichos e aspergir sangue por aí, uma vez que o sangue já foi derramado em Cristo. Por não precisar mais de tais sacrifícios, se tem a pureza adquirida após o sacrifício de Cristo. Por isso que leis sobre impureza não são mais aplicadas, somente àquelas de aspecto moral (com a punição sendo divina, por agora o Rei de Israel não ser mais homem).

          • NestorBendo

            Cite textualmente onde Jesus aboliu essas Leis.

          • NestorBendo

            Falou pouco, mas falou merda. MUITA merda:

            https://ceticismo.net/religiao/o-messias-desmascarado/

        • João Santana

          Engraçado que eu havia feito essa mesma complementação, mas misteriosamente os bits foram comidos.

  • André K

    Sensacional! O livro “Oportunidades Disfarçadas” do Carlos Domingos (que por sinal “também” é publicitário) tem várias histórias assim, muito bom também.

    • Alvaro Carneiro

      Sensacional a sua divulgação do livro.

  • Thiago

    Ou seja, a Religião Católica sempre esteve certa: evite menstruar, tenha filhos.

  • gfg

    Não acho que o nepal seja lá um exemplo de sociedade avançada.

    Agora legal é que na minha região, os índios recebem salario do governo, andam de carro, usam nossas roupas, bebem nossa cachaça E isolam as meninas menstruadas.
    Infanticídio? Tá liberado.
    Queimadas? Nenhum problema.
    Desde que se tenha cabelo liso pele parda e rosto sem pelo.

    • Rodrigo Dias Javornik

      Sabe me dizer qual o motivo dos índios praticarem queimadas na sua região?

      • gfg

        Caçar ou fuder com algum fazendeiro vizinho.

        • Rodrigo Dias Javornik

          Obrigado

        • Pedro Lira

          menos do que eles se fuderam desde que o brasil foi colonizado com certeza.
          Mermão, a galera invadiu a terras deles, comeu suas mulheres, os escravizou e de retorno eles só tiveram um espelhinhos.

          • gfg

            Ah vá? Conquistados tendem a se fuderem?
            Nossa! Quem imaginaria.

          • Pedro Lira

            Então põe o membro pra fora e fode com os coitados que sobraram. Não, faz melhor, toca fogo!

          • gfg

            Pelos seus comentários o inverso deveria ser permitido.

          • Pedro Lira

            Falácia do espantalho.

          • gfg

            Tipo essa aqui:
            “Então põe o membro pra fora e fode com os coitados que sobraram. Não, faz melhor, toca fogo!” ?

          • Pedro Lira

            Não, isso foi ironia mesmo. Porque conquistados tendem a se fuderem.

    • Márcio Chaves

      A definição de “índio” nesse país é uma piada.

  • Rodrigo Dias Javornik

    Texto muito bom para ser usado como case em sala de aula.

    • esse texto me lembrou aqueles de exemplo nos livros de português da escola

  • kleber peters

    “Quem cuidava deles também tinha esse problema, e dado o tabu, as forças
    armadas não previam qualquer tipo de apoio para as enfermeiras na frente
    de batalha, se elas sangrassem por qualquer orifício que não tivesse
    origem germânica.” Obrigado Cardoso… vou precisar de um teclado novo agora… ele não vai aguentar o tanto de café que espirrou nele. kkkkkkkkkkk

  • Leonardo Bopp

    Sobre a afirmação de só alguns primatas e morcegos menstruarem, tenho quase certeza que as cadelas da minha casa menstruavam também.

    • Leonardo Bopp

      Pesquisando a respeito, descobri que apesar de sintomas semelhantes, não é um ciclo menstrual.

  • Harlley Sathler

    “Economia vai muito além de números. Em última análise envolve pessoas”
    Houve uma época em minha que vida que andei pensando em cursar economia. Até que um amigo meu comentou que, por envolver pessoas e o sentimento em relação a mercados e produtos, o curso quase que podia ser considerado como Humanas. Desisti ao ouvir.

  • “O resultado é que logo todas elas estavam jogando tênis, indo à praia,
    recebendo flores e todas aquelas coisas que as mulheres menstruadas que
    usam absorventes fazem.”

    Nossa, mas eu perdi forte nessa frase hahahahaha.