Chega! Ninguém mais aguenta essa música de negros e pobres destruindo a moral e os bons costumes!

É um absurdo, chamam de cultura popular mas esse ritmo da moda é pura poluição sonora, nenhuma família de bem toca esse tipo de música, esse ritmo  dançado de forma extremamente sensual1 vem das ruas, e em última análise é zombaria, sacanagem, sexista e desrespeitador. Não é à toa que é duramente criticado pela mídia e chegou até a ser proibido.

Agora essa música que fala de orgia, bebedeira e abuso está se infiltrado na sociedade, há quem cante esse lixo sem pudor nenhum diante de moças de família, e um nome conhecido por propagar esse tipo de música é -pasmem-  um homem que se veste de mulher. Sério, onde esse país vai parar?

Essas perguntas são tão válidas hoje quanto eram séculos atrás, quando surgiu o… Lundu.

Trazido por negros escravos d’Angola e do Congo, o Lundu era uma dança e estilo musical safado de nascença. Em uma roda uma mulher ia para o centro, onde se remexia na boquinha da garrafa até escolher um homem, que então ia para o centro da roda com ela. O contato inicial era a “umbigada”.

Os dois batiam barriga, numa esfregação marota a ponto de pais e filhos não poderem se escolher. Citando A música popular no romance brasileiro: Séculos XVIII e XIX , de José Ramos Tinhorão:

“Tanto as descrições literárias como as reproduções iconográficas mostram que o lundum era originalmente dançado de forma extremamente sensual pelos escravos africanos, com um típico balanceio em que os corpos dos bailarinos se tocavam regularmente à altura do ventre (a chamada umbigada), numa nítida sugestão do acto sexual. “

E também:  a umbigada é uma “representação dramática de um jogo amoroso capaz de conduzir ao clímax sexual”. uau!

O Lundu logo ganhou letra pra acompanhar a música, e as letras eram humorísticas, zombando dos portugueses ou de outros escravos. Também havia uma crítica social embutida, e muita sacanagem em geral escondida sob termos de duplo sentido. Também eram comuns letras insinuando romances entre as sinhazinhas e os negros escravos.

Ao contrário de Vegas, o que acontece na Bahia não fica na Bahia, e o Lundu também migrou para o Rio de Janeiro, ganhando espaço entre os escravos e a população mais pobre em geral. Aí se repetiu um fenômeno interessante: As pessoas que iam melhorando de vida e ingressavam na pequena burguesia de comerciantes e profissionais autônomos (vocês não, escravos, ainda estamos no Século XVII) levavam consigo o Lundu.

Eventualmente ele chegou nas casas das tais pessoas de bem, para desespero da sociedade. A viola portuguesa se mostrou parceira inseparável do Lundu, e até mulheres -o horror!- o cantavam. Nessa época D. Fr. Antônio do Desterro (1694-1773), Bispo do Rio de Janeiro decidiu que era hora de alguém fazer alguma coisa, e decretou a proibição do Lundu, como descrito3:

“Com efeito, o lundu, a cantiga folgasona, sarcástica, erótica e muito popular exagerava os seus direitos, e ia às vezes até a licença, ofendendo, arranhando os ouvidos da decência, e contribuindo insensivelmente para a corrupção dos costumes.”

Soa familiar, não? Só que aqui é Rio de Janeiro, motherfucker. A resposta popular foi simples e óbvia: Compuseram um Lundu pra zoar com o bispo.

“Já não se canta o lundu
Que não quer o senhor bispo
Mas eu já pedi licença
Da Bahia ao arcebispo:
“E hei de cantar,
E hei de dançar,
Saracotear
Com as moças brincar.
E impunemente,
Cantando o lundu,
Ao bispo furente
Direi uh! uh! uh!
“Fr. Antônio do Desterro
Quer desterrar a alegria;
Mas eu sou patusco velho,
E teimarei na folia
“E hei de cantar,
E hei de dançar,
Saracotear
Com as moças brincar.
E impunemente,
Cantando o lundu,
Ao bispo furente
Direi uh! uh! uh!”

Óbvio que o Lundu da Casa Grande não era o mesmo da Senzala (socorro, falei igual a um SJW). Ele seguia uma linha mais romântica e menos safada, mas mesmo assim sua introdução (epa!) foi gradual, como se percebe no romance As Muralhas de Mantilha4 (1870), de Joaquim Manuel de Macedo. Tem até Pabblo Vitar ;)

A um sinal de Jerônimo a senhora Inês foi sentar-se ao cravo, e as duas meninas levantaram-se, e ao som da música dançaram com explicável acanhamento, mas com graça natural, merecendo ser abraçadas de leve pelo Vice-Rei.

Isidora [que depois se saberia ser Isidoro, um rapaz travestido para fugir ao recrutamento] tomou em seguida uma guitarra, e cantou uma balada, e um lundu que era gracioso sem ter a menor inconveniência.

A voz de Isidora era um contralto admirável e ou fosse o encanto de sua voz, ou talvez a novidade da quele gênero de música para o sempre recolhido e melancólico Vice-Rei Conde da Cunha, certo é que este fez Isidora repetir o seu lundu já cantado, e cantar ainda outros

Lacrou, a mona!

Como sempre acontece, o Lundu invadiu a corte brasileira, migrou para Portugal e para a América Latina (não necessariamente nessa ordem). adaptando-se. A umbigada por exemplo foi disfarçada em forma de mesura4, aquele trololó com as mãos que o sujeito faz em cena de dança de baile na corte. Só que o Lundu de raiz continuava existindo, e continuava destruindo a sociedade. Veja alguns trechos do Lundu “Recordações”, cantado por Barros, em 19005:

Já passei noites inteiras no furor das bebedeiras muitas vezes pelo dia prolongava-se folia

Mas por fim hoje casado fiz-me à força comportado eu que andava tão contente eu que andava tão contente fui prender-me na corrente

Eu que Dalva sempre vejo sim na bela dar um beijo pois já dorme com uma trouxa velha e feia além de coxa.

Mas quem diria, pensaria, suporia na folia em que me via noite e dia mudaria casaria com harpia pois dizia que alegria na orgia acontecia.

Em ser bela ainda sonha já perdeu toda vergonha ainda quer esfuma dar-se, ainda quer esfuma dar-se de vermelho pinta a face seu nariz parece um paio fala mais que um papagaio, olhos cheios de remela sua boca é uma gamela

Quando fala cospe a gente, quando ri fica indecente mostre a boca desdentada, mostre a boca desdentada velha horrível descarada

Deus ficando mal comigo, quis me dar este castigo monstro feio e folgazão não suporto tal canhão.

 

A letra completa é uma pérola, digna dos Mamonas ou do Falcão. É um primor de machismo, sexismo e todos os ismos que tanto reclamam hoje em dia. De resto, é divertido ver que canhão já era gíria pra mulher feia 118 anos atrás.

O Lundu como você provavelmente já percebeu, não destruiu a sociedade. Ele evoluiu, se adaptou e em 1902 foi o primeiro gênero musical a ser gravado no Brasil. “Isto é Bom”, composição de Xisto Bahia e voz de Bahiano, gravado na Casa Edison, no Rio de Janeiro:

 

O Lundu é o Pai do Maxixe, e por conseguinte avô do samba. De música proibida obscena e associada com pobres e escravos se tornou um gênero aceito por toda a sociedade, Carlos Gomes e Villa Lobos compuseram lundus. Ele nunca perdeu sua essência, quem fazia o Lundu de sacanagem não parou por causa do Lundu Família. Bolas, Cartola compôs sambas maravilhosos e nem por isso o Dicró deixou de nos entreter com suas composições safadas.

“Ah, então você está defendendo o Mc Diguinho e a Surubinha de Leve? Você apóia estupro?”

Eu já falei e falo sempre: Funk é uma merda, e por funk entenda “funk carioca”, mas eu moro aqui então esse lixo é conhecido só como funk. Só que não quer dizer que ele deva ser confundido com funk funk. Funk do Soul Machine, Aretha Franklin, Tim Maia, James Brown.

Eu quero que esse tal Diguinho queime, como quero distância de MC Melody e todo o lixo correlato. Mas também quero distância de tudo que se relacione com família e bons costumes, pois historicamente quem defende essas coisas só quer continuar com suas putarias por baixo dos panos, proibindo as manifestações honestas e explícitas (no bom sentido).

Proibição aliás não adianta nada. Não adiantou pro bispo Antônio do Desterro e não adiantou pro Rio de Janeiro. Em 2000 foi votada uma Lei na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Lei Cachorra Safada Ordinária 3410/2000. Essa Lei regulava bailes funk, e tinha preciosidades como:

Art. 3º – Só será permitida a realização de bailes Funk em todo o território do Estado do Rio de Janeiro com a presença de policiais militares, do início ao encerramento do evento.

Art. 5º – A Força Policial poderá interditar o clube e/ou local em que ocorrer atos de violência incentivada, erotismo e de pornografia, bem como onde se constatar o chamado corredor da morte.

Art. 6º – Ficam proibidos a execução de músicas e procedimentos de apologia ao crime nos locais em que se realizam eventos sociais e esportivos de quaisquer natureza.

Essa Lei foi fruto entre outras coisas de uma fita que só perdia pro filme da Xuxa em termos de sucesso nas locadoras: Rio Funk Proibido (ou algo assim). Era basicamente uma hora de cenas de sacanagem que qualquer frequentador de baile funk diria “meh”, mas pra classe média Zona Sul que acha que as empregadas são trazidas por uma cegonha mais escurinha, foi um choque.

O Funk foi proibido por decreto, e na terra da Lei que Não Pega, essa foi especialmente ignorada.

Em 2008 a Lei foi revogada, e funk foi transformado em Patrimônio Cultural. Hoje Daku é bom. As pessoas, principalmente a esquerda esclarecida decidiram que funk é a voz do povo voz das comunidades e por isso é bom, ao contrário da música burguesa decadente. Só que para eles funk era Anitta e outras versões para consumo familiar, e não é, ou melhor, não é só isso.

Essas pessoas escutam as Narrativas e não vão atrás. Você verá um monte de gente exaltando o empoderamento das funkeiras, inclusive da MC Carol, que tem um puta discurso de luta, inclusive o hit “100% feminista“:

Presenciei tudo isso dentro da minha família
Mulher com olho roxo, espancada todo dia
Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia
Que mulher apanha se não fizer comida
Mulher oprimida, sem voz, obediente
Quando eu crescer, eu vou ser diferente

Uau, show, perfeito, né? Vejamos outros hits do cancioneiro dessa barda:

Fiquei um tempo te escoltando
Tu é lindo, sem defeitos
Até foi quando de repente
Eu descobri o seu segredo

Hoje, hoje me pararam
Revelaram seu passado
Todo baile que tu vai
Tu come viado

Ou

Novinho de 15 anos
Eu vou tirar sua virgindade
Vou tirar
Senta no sofá e fica a vontade
Porque a Carol Bandida vai tirar sua virgindade

E

Essas novinha são safada, elas quer sentar
Quando vê bandido, começa a rebolar
Até mulher casada tá perdendo a linha
O 762 fez ela esquecer a família

Ela desce no
Ela sobe no
Ela quica no
No piru, no piru, no piru, no piru

O funk é putaria, o Samba é putaria, o Rock é putaria, o Lundu é putaria. Todo gênero musical tem uma versão mais popular que é putaria. E sim, Rod Stewart não era sutil também:

Come on angel my hearts on fire
Don’t deny your man’s desire
You’d be a fool to stop this tide
Spread your wings and let me come inside

Eu estou cansado de caça às bruxas, todo dia é um Cristo diferente, assim não há romano que aguente, onde essa gente acha tanta superioridade moral pra não folgar um dia? Eu não fazia idéia de quem era MC Diguinho, eu odeio o Ceticismo por ter me apresentado à MC Carol. Isso é música ruim, música ruim me ofende. A mensagem é errada? Com certeza, mas vou contar um segredo:

 

Woodie Guthrie estava errado. Essa máquina não mata fascistas. Música não muda a sociedade, nem para o bem nem para o mal, a turma do Vandré teve que esperar trinta anos para acontecer o fim da Ditadura, e o Brasil não foi pra frente, mesmo com 90 milhões em ação.

A MC Carol canta:

Ele ria da tua cara enquanto você ligava
7 hora da manhã, seu marido me chupava

E daí? Você acha mesmo que a letra de “prazer – amante do seu marido” vai fazer alguma mulher pegar o marido da outra, ou algum homem decidir trair a esposa? Música é algo maravilhoso, música tem muitos poderes. Música inspira, música conforta, mas música nenhuma faz você fazer o que não quer ou se tornar algo que você já não é.

O Funk não vai destruir a sociedade, por mais que ela tema e mereça isso.

Minha resposta para isso tudo é, parafraseando a sabedoria imortal do Mestre Millôr, “parem de dar palco pra idiotas!”

Ao invés de dar milhões de Reais em exposição gratuita “denunciando” esses lixos, façam melhor: Divulguem coisas boas. O YouTube está cheio de vídeos do Soul Train, Em todos os vídeos criticando a tal Surubinha de Leve, ninguém fala de nada melhor. Pombas, vocês estão dizendo pras pessoas “a música que você gosta é uma merda” sem dar qualquer alternativa. Qual o objetivo, fazer o sujeito jogar fora todos os CDs (figura de linguagem, crianças) e ficar sem ouvir nada?

Escutem Earth, Wind and Fire, sugiro eu!

 

 


Bibliografia:

1 – Lundu: origem da música popular brasileira – José Fernando Saroba Monteiro

2 – A música popular no romance brasileiro: Séculos XVIII e XIX –  José Ramos Tinhorão

3 – História social da música popular brasileira –  José Ramos Tinhorão

4 – As Muralhas de Mantilha –  Joaquim Manuel de Macedo

5 – Letras de Lundus

6 – MC Carol – letras


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55 Comments

  1. Gilson Lorenti Fotografia

    Cardoso, estou junto com você. Faz tempo que parei de criticar o gosto musical dos outros, visto que muitos também não gostam do meu. Hoje eu indico algumas coisas, pois as pessoas podem mudar e descobrir coisas novas e impressionantes :)

  2. A musica mais legal de todos os tempos: sacode a bundinha….

    KC & The Sunshine Band, Shake your booty.

    • Rodrigo Elesbão

      Só perde pro lirismo inspiradíssimo de I Want to Hold Your Hand de Paul e John.

      • Dandalo Gabrielli

        Sprite há anos tinha um slogan que dizia “imagem não é nada…”
        Infelizmente imagem é tudo especialmente com música… Ou permite que sua cabeça estoure fazer um link que você nunca imaginou…
        O que importa é aos 40 segundos, quando a música fala “oh please say to me…
        https://www.youtube.com/watch?v=lvt1DFkeoDI

  3. Funk seria uma maravilha se quem escuta esse lixo não interditasse ruas pra “espalhar a CUltura” até de madrugada.

  4. Gabriel Sanchez

    O meu problema com o pancadão é a influência que ele tem. Tinha É o Tchan na minha época? Tinha. A diferença é de que antes não tinha internet pra nego clicar e assistir a boquinha da garrafa um milhão de vezes, tampouco baixar o som pra ouvir mais centenas de vezes e ficar “perpetuando” a parada.

    É cansativo ouvir funk tocando toda hora, me dá impressão de que as pessoas tem preguiça e não sabem muito bem pesquisar, baixar e consumir música. Vejo também muita criança e pré-adolescente ouvindo funk e baixando no celular. Uma coisa são os adultos que não se influenciam fácil, mas a galera jovem eu duvido.

    Tem putaria no sertanejo? Tem. No forró bagaceira? Também. Mas no pancadão é bem mais explícito, escrachado e de muito mal gosto sim. O problema de hoje em dia é que se você falar mal desse estilo é quase a mesma coisa de falar mal de pobre e favelado, aí todo mundo fica com medo de parecer preconceituoso ou moralistão do rolê.

    • Aí é que está: a música influencia ou retrata o cotidiano? “É o Tchan” é metalinguística pura, bem como os sertanejos que tocam em festa de peão – e que descrevem, com riqueza de detalhes, o que está acontecendo naquele momento (e o que vai acontecer em seguida, esteja o indivíduo interessado na bebedeira ou no sexo oposto).

      Não chamam os grandes hits de “hino” à toa.

      • Gabriel Sanchez

        Eu acredito que ambos. E eu concordo com você. É que a minha bronca é que funk sempre foi um estilo de música bem feião, no que se diz quanto as letras e acho uma má influência sim,senão não taria rolando esse escarcéu todo por causa do “surubinha de leve”. Claro que hoje a produção audiovisual evoluiu muito, o mercado descobriu como ganhar dinheiro em cima da coisa, e todo mundo compra a ideia pq “é a voz da periferia”.

        O que me deixa putíssimo também é que o pancadão sempre teve letra pesada, fazendo apologia ao estupro, misoginia e afins mas como hoje é coisa de playboy e esquerdinhas, todo mundo fica chocado com o surubinha de leve, sendo que as letras sempre foram daí pra pior.

        • Olha… se fosse uma mulher dizendo “vou tomar todas, ir para a cama e nem ligar” era empoderamento. Como era um cara, virou ofensa.

    • E o premio de melhor comentario vai….

    • Monstro Medieval

      O que me incomoda no funk é que em geral as músicas de maior sucesso são as porqueiras. Em 2016 era o Baile de Favela que falava em “os menor tão preparado pra foder com a xota dela”.

      Quando É o Tchan fazia sucesso tinha concurso de imitadora de Carla Perez mirim, até o João Gordo ficava putaço com aquilo, prato cheio pra pedófilo.

      Depois disso tudo ficam chocados com gravidez na adolescência.

  5. Rodrigo Elesbão

    Sim! Descobri tudo isso na prática, quando resolvi cavocar. Fiquei pasmo pela contemporaneidade de musicas de cem anos atrás.

    Essa aqui, que no texto se enquadraria no quesito senzala, parece que foi feita ontem pra ser lançada no carnaval de logo mais – uma aula de duplo sentido:
    https://www.youtube.com/watch?v=u0wKZ2UaCH8

    E uma casa grande, uma das minhas preferidas:
    https://www.youtube.com/watch?v=smDcja4ECI8

  6. Conheci Earth, Wind and Fire com September, no entanto apenas me interessei para ouvir mais do repertório, não ficou na minha lista de predileção.
    Acerca da libido, ainda há o fator: pessoas diferentes associando de formas diversas e ilimitadas sexo e “lirismo”, principalmente após à gravação das músicas.
    Quero dizer, ouvir recitarem um poema e pensar em sacanagem é um processo, enquanto ouvir algo que a pessoa pode dar um replay e ainda existe o estímulo do acompanhamento musical, outro processo bastante mais complexo.
    A situação do “Côncavo e Convexo”, por exemplo.
    No mais, bem redigido, eu não poderia dizer melhor, nem apresentar mais base histórica. Muito bom.

  7. Para mim, músicas são como carros: Há Ferraris e há Fuscas, a diferença é quem anda de fusquinha vê a Ferrari como o carro mais feio do mundo.

    • Felipe Vinhão

      Bem… a raposa desistiu das uvas, e falou que é porque estavam podres…

  8. Godzilla de Papelão

    Eu já fui otário, daqueles que diziam que “funk tem que ser proibido” e talz. Hoje, me limito a não ouvir, e recomendar o que gosto para meus chegados. E segue o barco…

  9. Rogério Rizzato

    Divulgar dá muito mais trabalho do que denunciar e dá muito menos audiência. To numas de postar uma banda por dia, desde o primeiro dia do ano. Salvo 3 ou 4 exceções, as postagens são as únicas em português. Minha audiência? 4 leitores por dia. Um tempo atrás tava puto com uma versão idiota de Dust In |The Wind e escrevi reclamando. Bingo, centenas de leitores e um monte de comentários. Mesmo assim prefiro a divulgação pra 4 do que denunciar pra 100.

  10. Luiz Rodrigo Martins Barbosa

    Sendo fã de Led Zeppelin a Raimundos, nenhuma letra me choca. A música não me agrada, mas a minha música também não agrada meu vizinho, ué.

    De qualquer forma, a música brasileira é a melhor coisa que esse país já produziu.

    • Só discordo de que a música seria a única, há mais uma meia dúzia de coisas daqui que gosto também. :)
      Mesmo porque sou contra ufanismo nacionalista.

      • Luiz Rodrigo Martins Barbosa

        Mas eu também não acho que seja a única, eu disse que acho que seja a melhor. Isso de forma nenhuma menospreza outras coisas boas, afinal a música brasileira é realmente riquíssima e tem uma identidade própria. Mesmo as coisas kibadas têm uma assinatura única.

        E não é ufanismo também, quando é pra criticar a gente critica, quando é pra elogiar a gente elogia.

  11. Rafael Rodrigues

    Em 1990, tive na 5a. série aula de música com o Prof Gilmar no Colégio Piedade (por onde andarás o impagável Gilmar…) Ele deu aula sobre lundu (junto com modinha). E dizia que se “Silvia” fizesse parte do repertório, eles deixariam para tocar na frente da igreja, pois as letras originais tinham muito mais putaria.

    O artigo me fez relembrar muitas aulas desse cara. Ele ensinava os instrumentos dos quartetos de cordas e sopros usando umas músicas muito loucas. Gordo, dava a batida das melodias usando seu “barrigofone”.

    bons tempos…

    • A aula de música no meu colégio infelizmente era bem fraca. O professor mais faltava do que ia, e quando ia não ensinava nada de nada. Queria eu ter tido um professor Gilmar.

  12. Aqui nos matos no interior do MT ninguém tinha ouvido funk, até que pelos idos de 2000 e pouco teve uma novela das… 9? em que uma patricinha ia pra favela dançar funk. Fui hit instantâneo, no radio só se ouvia isso, na rua e nas festas, e até hoje é praticamente a unica coisa que toca na rua(pelos amados carros de som) e nas festas jovens.

    Não tenho como afirmar, mas aposto que o funk carioca hoje seria tão nicho quanto o lundu se não fosse essa novela.

    Como indicação deixo o funk que mais ouço:
    Grand Funk Railroad

  13. A diferença, do passado para hoje? As pessoas estão mais explícitas, menos poéticas, mais objetivas – e não é só na música: tudo, hoje, é simplificado demais, para ser consumido (e descartado) rapidamente.

    Perfeito texto, Cardoso. Parabéns!

  14. Vinícius Santos

    ah, que falta faz mais gente com bom senso no mundo! Arrebentou Cardoso! E aqui também vale a máxima: quem chilica não consome!

  15. Massa, é por isso que tenho o meu Canal (
    https://www.youtube.com/user/henriquebeira ), para apresentar uma outra
    alternativa de música brasileira para as pessoas. :-)

  16. Olha que mesmo pros anos 70 Earth, Wind & Fire é um POUCO demais no visual… hahahha

  17. André Freitas

    “Música inspira, música conforta, mas música nenhuma faz você fazer o que não quer ou se tornar algo que você já não é.”

  18. Mais uma vez o Cardoso me fez mudar de opinião baseado em argumentos e contexto histórico. Valeu!

  19. Cardoso, acabei de fazer uma doação pelo Pagseguro. Tava te devendo do último livro, aproveitei e mandei unzinhos pelo trabalho no Contraditorium também. Obrigado!

  20. O que dizer desse artigo, que mal terminei de ler e considero pacas? A tremenda aula de história do começo já valeu!

  21. Mark Watney desaprova sua recomendação…

  22. Cesar Bianeck

    E eu compartilho esse clássico:
    https://www.youtube.com/watch?v=Jcqg7_94wQc

  23. Bruno do Acre - (Etevaldo)

    As pessoas podem ouvir o que quiserem….desde que não seja em um volume me absurdo incomodando o quarteirão todo em um carro mais velho que meu avô onde a única coisa que vale mais que um pedaço de pão mofado é o sistema de som.

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