O Primeiro Aniversário do Filho da Marisa Monte

Este é um dos melhores textos de humor que já recebi na Internet. Essa pérola que me chegou por email, com uma descrição do que seria a primeira festa de aniversário do filho da Marisa Monte. Leiam, se escangalhem de rir, e façam um brinde silencioso ao genial autor.

Reproduzo, sem nenhuma autorização, esse texto SENSACIONAL. Parabéns ao autor, e se alguém souber o email dele, por favor me passe!



A primeira festa de aniversário de Mano Wladimir


Por Vladimir Cunha

Em tempo: Mano Waldimir é o nome do filho da Marisa Monte.

Mano Wladimir está tenso. No colo da mãe, Marisa Monte, ele ainda não
conseguiu entender exatamente o que está se passando. Ao seu lado,
Carlinhos Brown conversa com Wally Salomão, que cita uma poesia de Caetano
Veloso, que dá um brigadeiro orgânico (sem chocolate e sem leite condensado,
cortesia do buffet Doces Bárbaros) para Zeca, que leva um pito da mãe, Paula
Lavigne.

Mano Wladimir está tenso. É a sua primeira festa de aniversário.

“Criança sã/De uma rã/Guardiã/Eu sou seu fã/Na manhã/Aramaçã/Cunhã”. A
música infantil escrita por Arnaldo Antunes especialmente para a festa
é a trilha sonora da dança das cadeiras. Nada da Turma da Mônica, nada de
atores desempregados vestidos de Pikachu. Aqui a coisa é diferente. MM
resolveu ser mãe em grande estilo e contratou a Companhia Bufa de Artes e
Performances do Absurdo para animar a festa.

Fantasiado de Ed Motta, um ator recita de
trás para a frente toda a obra de Eça de Queiroz para algumas crianças. Do
outro lado da sala, um grupo de clowns (sim, porque numa festa como essa é
proibido ter palhaço) ensaia uma volta à posição fetal enquanto
ostenta reproduções dos parangolés de Hélio Oiticica. Num canto, Carlinhos
Brown dá uma entrevista para uma repórter da revista Bravo, escalada
especialmente para cobrir o evento.

– E aí, Brown? Está feliz com o primeiro aninho do Mano Wladimir?

– É uma coisa da modernidade nagô, no que tange a referência espaço/tempo
do ciclo da história humana. O cósmico supremo da realização superlativa,
a poética da bioenergia enquanto motor da sublimação ótica. É onde o eu
e o tu fundem-se na epiderme inconsciente.

– E o que você deu de presente para ele?

– Pensei na questão do pacifismo, na guerra como catalisador das
emoções humanas ao mesmo tempo em que atrai e repudia o ser. A máquina
ceifadora que gera vibrações orgônicas, que tangencia e descontinua a unidade solar
dos povos.

– Como assim?

– Eu dei um boneco dos Comandos em Ação…

Enquanto as crianças não podem comer o bolo de cenoura, aniz e mel de
cana que traz estampado uma reprodução de O Abaporu, de Tarsila do Amaral,
em sua cobertura – Marisa Monte serve a elas copos de suco de gengibre e
balas de cravo da Índia. Até que Paula Lavigne tem a idéia de chamá-las para um
karaokê.

Quem começa a brincadeira é Benedito Tutankamon Pedro Baby, cinco anos
e filho de um dos roadies de Arnaldo Antunes, que canta O Avarandado do
Amanhecer, de Caetano Veloso. Em seguida é a vez de Zabelê Tucumã Nhenhé
Çairã, três anos e filha da empresária de Carlinhos Brown, que canta
Ana de Amsterdã, de Chico Buarque. Ao saber que a próxima criança a cantar é
a impronunciável Zadhe Akham Mahalubé Sinosukarnopatrionitnafilewathua,
filha da copeira de Marisa Monte, Paula Lavigne acha melhor suspender o
karaokê.

É hora do Parabéns a Você. Os convidados reúnem-se em torno da mesa. E
então, Marisa Monte anuncia uma surpresa: quem irá cantar o Parabéns é
Carlinhos Brown.

Brown, que andava meio sumido depois de sua entrevista para a Bravo,
aparece vestido com um cocar feito de canudinhos de plástico, uma camisa de
jornal e uma tanga de folhas de bananeira. Atrás dele, 315 percussionistas da
Timbalada, um videomaker e quatro poetas marginais. Brown pega um
garrafão de água mineral e começa a cantar sua versão para Parabéns a Você:

– Vim para cantar/A tropicália alegria de um povo/Azul, badauê, zumbi/Ela
não me quer/Mas sou um tacle regueiro/Viva o divino samba de João/Monarco
na rua/Meu bloco chegou.

Arnaldo Antunes se empolga e começa a recitar poesias descontroladamente,
Marisa Monte gorgeia e improvisa algumas melodias, a Timbalada toca um
samba-reggae, Paula Lavigne cai na farra e Caetano acha tudo “lindo”.
O videomaker filma e Wally Salomão escreve o release. Os poetas marginais
aproveitam a confusão para roubar uns docinhos.

Um executivo de uma grande gravadora, que entrou de penetra, contrata
todos os presentes e promete CD, DVD, livro, críticas favoráveis no New York
Times, participação de David Byrne e especial de televisão. Para
comemorar, Arnaldo Antunes põe um disco de Lupicínio Rodrigues. O ator vestido de
Ed Motta cospe fogo. Marisa Monte lê Mário Quintana em voz alta.

Mano Wladimir chora. É a sua primeira festa de aniversário.


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  • kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • raquel aliendre

    gostaria de receber isso no meu email

  • Fernando Mendon&cced

    Eu sou fã da cantora; mas reconheço que essa festa é no mínimo estranha. Eu quase chorei de rir! Mande pro meu e-mail.

  • Cassio Arcanjo

    que fraquinho

  • mt bom!!! huahauhaua -Arnaldo Antunes se empolga e começa a recitar poesias descontroladamente…caetano acha tudo lindo

    huahuahua

  • Pingback: QUE MÁXIMO! A MARISA MONTE LÊ O CONTRADITORIUM!()

  • Gente alternativa reunida me da medo….

  • O texto apenas traduz o mundo bizarro que esses artistas vivem. Acham que falando muita "arte" estão dizendo alguma coisa.

  • Sabrina Orgado Olive

    DEMAIS!!! MUITO BOM, MESMO!

  • Silvia

    Isso q é inveja de uma super Cantora etc & tal…seu Vladimir CUnha de bosta!Sem eira …nem beira…sem fim …nem começo…seu texto é um lixo e sem valor.

    • Vaz Folder

      Silvia, Silvia, quanto ódio neste coração. O que achei melhor foi a construção metafísica do xingamento proferido ao autor, xingamento este referenciado ao supracitado Arnaldo Antunes (que é ótimo, por sinal). Vejam que lindo :"Sem eira, nem beira. Sem fim, nem começo." É a poesia concretista metafísica pós-estruturalista dando o ar da graça.
      Prezada Silvia, a vida pode ser mais bela se não nos atermos aos cíclicos encantos do pós-modernismo niilista, expresso neste evento de representantes máximos da inquietude tupiniquim.
      Percebam que Vladimir Cunha representou em poucas palavras o que todos sabemos, a arte para o vazio alimenta o vazio humano.
      Ou seja, novamente trazendo os artistas desta festa: escrevi, escrevi e não disse nada.

  • Sil

    Abalei vc heim?! Qta importância deu ao meu comentário! Fez meu "ódio no coração" diminuir aproximadamente 0,01%…tá bom pra vc? Fiquei "bege" com uma resposta tão sarcástica ,acompanhada de uma pitada de humor. 1000 bjos

  • Maria

    O que mais gostei de tudo foi o que a Silvia causou….. nesse Vladimir…. onde aí sim, expôs com classe algo relevante….. numa frase interpretou todo o texto que de graça não tem nada.

  • Adorei o texto. Inteligente, bem escrito, expressou a maneira como simples mortais percebemos a vida desses artistas.

  • Guilherme

    Num gostei. não!

  • Muito bom, essa galera poética, que só fala besteira, nada se entende, porque não fala o português, babaquice do cara… po….

  • juliana

    achei uma merda num amostra nem uma foto

  • Laura

    ADOREI!!!! KKKKKKKKKKKK!!! Pobre Mano…

  • Nanda

    Muito criativo o texto. Adorei! Agora em relação aos comentários, eu fui professora da filha do Carlinhos Brown e, ele é como qualquer outra pessoa, não tenta ser alternativo. E nem fica falando o tempo todo de arte e cultura! Ele não tenta fingir algo ou 'se achar' e, pra quem disse que ele só fala besteira é pq nunca falou nenhuma burrice ou besteira na vida?! Só pode! rs. Essa galera poética sabe bem o que fala ( o nada faz parte de algo) rs