As salsinhas e o desemprego

Esta eu descobri graças ao Guilherme, que me mandou um link sobre a Sylvia Kristel, no Verdes Trigos. Imediatamente me lembrei de um de meus desejos de infância, minha vizinha Rosane ser jornaleiro. Eu achava o máximo, poderia ler todos os jornais e revistas, e ainda ganharia dinheiro com isso. Depois vi que não era uma profissão muito rendosa, em uma banca de subúrbio, mas continuei a admirar a possibilidade de ter acesso a todo aquele material. Seguido a isso, só trabalhar em uma livraria.

Mas pelo visto, as salsinhas não compartilham dessa minha visão. Vejam o que encontrei, graças ao Verdes Trigos. Foi publicado na coluna do Gilberto Dimenstein, de hoje.

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Canssei, cancei ou cansei?
Um vendedor da Livraria Cultura, na avenida Paulista, consegue tirar até R$ 4.500 mensais, com direito a assistência médica e odontológica, além de receber bolsa para estudar na faculdade. Dependendo do seu desempenho, ganha um bônus no final do ano -sem contar os descontos para a compra de livros. Mesmo assim, um dos principais problemas daquela livraria é atrair e manter empregados. “É desesperador”, resume Pedro Herz, proprietário da livraria.

Desesperador porque os candidatos a vendedor apresentam falhas na sua formação, a tal ponto que muitos deles não perceberiam o erro no título desta coluna. Uma boa parte dos contratados não se adapta às exigências do trabalho, deixando o emprego na fase de experimentação. Resultado: vagas abertas há muitos meses, o que acaba por impactar a capacidade da livraria de elevar suas vendas.

Eu poderia escrever umas dez páginas, mas nada que eu diga vai ser mais contundente que os dois parágrafos acima.


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  • Marcelo

    Esse era o meu sonho de consumo. Trabalhar numa livraria e com um salário razoável.

    Contudo, devo admitir que não sou um bom cliente (para o vendedor): não gosto de ninguém torrando minha paciência e dando sugestões de livros. Eu me viro sozinho, consulto os preços e bagunço as prateleiras. Ainda vou sozinho ao caixa.

  • Igor

    Acabou seu arquivo de fotos de salsinhas?

    Ah… Eu já sonhei em trabalhar em uma locadora, mas é como dizem, não existe almoço grátis, (o google que o diga) no máximo livre como em liberdade de expressão, se você usar as receitas do open source food.

  • Eu participei de uma seleção da Livraria Cultura e os benefícios são esses mesmos. Vale muito a pena, principalmente se levarmos em consideração o salário de jornalista em início de carreira. Não fui selecionada por não ter inglês fluente, mas em compensação domino a minha língua e adoro ler. É triste ir em uma livraria, pedir uma sugestão de clássico do novo jornalismo e os caras te oferecerem “O caçador de pipas”. Nada contra, mas não é novo jornalismo. Enfim, eles perderam uma grande vendedora!

  • Só digo uma coisa: Porque eu não moro em São Paulo? Desde pequenininha eu sonho em trabalhar em uma livraria (na verdade o sonho inicial era meu pai ser dono de uma).

    Será que a Saraiva tá precisando de gente também?

  • Pedro Herz vai ser obrigado a diminuir um pouco o critério de seleção, nesses tempos em que a apologia à ignorância vem direto do Planalto.

    • Galvão

      Apoiado "companhêro". Enquanto as mentes privilegiadas passarem longe de brasília, nosso sofrido país vai continuar na mesma. Alguém aqui se habilita a um cargo político? No meu caso, não quero participar de quadrilhas centenárias. Vamos lá juventude, vamos às ruas protestar! Ou ir às urnas dá um fim nos Sarneys e Malufs da vida!

  • Nossa, o Ronaldo aí em cima falou e disse, parabéns, apologia à inguinorança comessa lá no Planauto. Bate no peito e vai pra galera.

    Agora, esse salário de R$4500,00 inclui quanto de comissões em vendas? Eu tenho minhas dúvidas se consigo vender salva-vidas em naufrágio.

  • Lu

    4.500?! Dá licença que vou preparar meu currículo.

    (Sério, se não fosse pela estabilidade que meu emprego me dá…)

  • Eu sei que sou um péssimo vendedor, e um ótimo leitor. Trabalhar numa livraria tendo de vender, e não podendo sumir num canto e devorar os livros seria uma tortura…

  • Quero trabalhar numa livraria! Sério, se não achar emprego bom depois que me formar na ingrata profissão de designer, e se não virar problogger, vou virar vendedora.

  • Será que eles aceitam um currículo da Bahia com desconto do salário final? o.O
    Me interessei, to abrindo a página da Livraria Cultura agora mesmo.

  • Pingback: Combate à praga! Plugin Anti-salsinha nos comentarios para Wordpress. | Cambio Desligo! =D()

  • Nossa, mas o salário da livraria em SP é bem maior que em Porto Alegre. E a propósito, os vendedores daqui não são assim não. A seleção é super criteriosa e são pouquíssimas vagas abertas por ano.

  • jhonatan

    concordo com a opinião do pedro…

    más tenho conciência de nossas limitações , se eu tivesse todas as qualificações que ele pedem para admitir um vendedor , concerteza não iria trabalhar na livraria cultura , eu iria prestar vestibular na usp e me formar deltorado em administração .

    menos pedro . brasil não é suiça.

  • Bruna

    Vale ressaltar que essa média de remuneração é válida para os vendedores da unidade do Conjunto Nacional, cujo faturamento é o maior de toda a rede. É a matriz, com maior estrutura e acervo. A remuneração dos vendedores é comissionada, no entanto a Livraria garante o mínimo de R$1000 por mês. O restante é variável conforme a venda da loja. Mas os benefícios são esses mesmo. VT, VR, convênio médico e odontológico, seguro de vida, 40% de desconto em livros e 15% de desconto em cds e dvds e possibilidade de subsídio para graduação e/ou idiomas aoós 1 ano na empresa.E os benefícios são os mesmo para qualquer função.
    É uma empresa deliciosa de se trabalhar e faz a gente crescer, além de construir uma biblioteca pessoal em casa…rs. Estou na Livraria há 1 ano e aos 9 meses fui promovida. E não pretendo mudar de empresa por um bom tempo… Abraços!

  • leonardo

    Só não trabalhem na saraiva que é onde seu sonhos de ser Livreiro morre diante a tanto capitalismo selvagem. Depois de dois anos eu pedi as contas daquele lugar comercial e hoje trabalho na Cultura que apesar de ser uma empresa, não vê as pessoas que entram na loja só como objetos de vendas e sim como pessoas. Recomendo a Cultura não porque sou funcionário, mas por ter visto os dois lados do mesmo ramo.