Já fomos felizes com 16KB de RAM

No começo dos anos 80 surgiu um fenômeno chamado Curso de Informática. Os proto-geeks os freqüentavam, não para aprender a programar (isso aprendíamos no 1o curso) mas para ter acesso a computadores.

Eu mesmo era rato da… COMPUTRONIC.

Como sempre havia horários ociosos os empresários mais espertos permitiam que os alunos ficassem nas salas, brincando com as máquinas. Com isso a gente se matriculava no mesmo curso várias vezes, quando não havia nada novo para aprender, só para poder brincar.

Sim, para nós era brincadeira. Lembre-se, não havia Internet, as máquinas não estavam em rede, não tinham disco rígido, nada. Muitas vezes nem unidades de disquete, escrevíamos os programas , executávamos e no final,  dedo na tomada.

Nessa época, auge da Reserva de Mercado, empresas brasileiras descobriram que havia uma boa grana em copiar produtos de fora sem pagar royalties, daí surgiram os clones, como o CP200, CP300, CP500, TK82, TK83, TK3000 e tantos outros.

Eu lembro que fiquei fascinado pela idéia de ter um computador meu. Era ficção científica, era realização do mais sincero sonho dos Jetsons.

Minha avó, na época vivendo com uma pensão do INPS se compadeceu e comprou para mim, em 12 prestações um CP200 da Prológica.

Ficha, segundo o Museu da Computação e Informática:

  • Linha: Sinclair
  • Compatibilidade: ZX-81
  • Ano de lançamento: Out/1982
  • Processador: Z80 A, de 8 bits
  • Clock: 3,25 MHz
  • Memória RAM: 16KB
  • Memória ROM: 8KB (Sist. Operacional e interpretador BASIC)
  • Teclado: semelhante ao das calculadoras ou chiclete, 43 teclas
  • Tela: 24 linhas x 32 colunas
  • Modo gráfico: 44 linhas por 64 colunas

Eu não acreditei. Era um computador, de verdade! Ligado na televisão, totalmente programável.
Com o tempo aprendi a dominá-lo, primeiro no BASIC residente, depois programando em linguagem de máquina (graças a artigos de revistas como a Micro Sistemas).

Passado algum tempo ganhei um TK90X, que –pasmem- era colorido e tinha alta resolução (256×192 pixels). Depois fui para o Amiga, até hoje o melhor computador que já tive.

Todos esses computadores tinham algo que falta nas máquinas e hoje: Alma. Nós éramos micreiros, não usuários. Também não éramos pseudo-comunistas de software livre tentando transformar nossas máquinas em bandeiras da causa capenga que sobrou para ser abraçada, em tempos pós-Muro de Berlim.

Nós amávamos as nossas máquinas. Não eram ferramentas. Eram caixas maravilhosas que conhecíamos de dentro para fora. Podiam ser o cubo do Hellraiser, ou uma cornucópia mágica. Só dependia da gente.

Eu nunca em momento algum chamei meus amigos de “usuários”. Nós éramos “micreiros”.  Nossos computadores não eram ferramentas. Chamá-los assim seria chamar o robô de Perdidos no Espaço de ferramenta.

Tínhamos a ilusão de que estávamos a um passo de 2001. Que com o programa certo nossos computadores despertariam para a vida, ganharíamos um novo amigo, ou mais precisamente, daríamos o dom da fala para um velho amigo.

Quando ELIZA, um programa  do falecido Joseph Weizenbaum foi portado para a linha Sinclair, e caiu em nossas mãos, foi uma comoção. O computador estava, efetivamente pensando e se comunicando.

Vejam um exemplo de um dialogo entre eu e Eliza, em uma implementação em javascript:

> Hello, I am Eliza.
* I am Carlos.
> How long have you been Carlos?
* since forever
> Tell me more…
* are you a machine?
> Why are you interested in whether or not I am a machine?
* I want to know: Are you a Cylon?
> Would you prefer if I were not a Cylon?
* ye
> Are you Sure?
* yes.
> Come, come, elucidate your thoughts.

Pode parecer bobo, e é, comparado até com o clipe de papel do Office, mas estamos falando dos anos 1980.

Fim da Era Dourada

Com a decadência da Commodore e a saída de linha do Amiga, ficamos restritos aos PCs. Não mais nossas máquinas eram mágicas, completas e fechadas. Éramos “livres”, no sentido freetard da palavra, para montar nosso próprio computador.

A Imortal Lição de Tempos Modernos mais uma vez fez-se acontecer: Com a automatização, perdemos a alma. Não mais tínhamos um COMPUTADOR, tínhamos um amontoado de peças, escolhidas, encaixadas, testadas, conectadas.

De máquinas que “simplesmente funcionavam” passamos a lidar com modems, IRQs, páginas de código, portas COM, gerenciadores de memória, QEMM-386, Stacker, Doublespace, DOS, MS-DOS, PC-DOS, HIMEM, TSRs e um monte de outras coisas chatas que mais atrapalhavam do que ajudavam.

Deixamos de mexer nos micros para descobrir como eles funcionavam, e passamos a mexer neles apenas para fazer com que funcionassem.
 
De micreiros viramos suporte de nós mesmos.

Nunca mais eu interagi com um computador como fazia no passado. A primeira vez que vi um Amiga foi uma experiência religiosa. A primeira vez que vi um PC foi… meh. A última máquina que me causou esse senso de deslumbramento foi uma Silicon Graphics Power Challenger, que encontrei em uma visita na Fiocruz. Mesmo assim o pessoal que trabalhava com ela não dava a mínima.

Eu gostaria que computadores tivessem um destino melhor, mas a Ficção Científica se afastou das máquinas “falantes” e “pensantes”.  A idéia que tínhamos , de que no futuro computadores seriam encontrados em todas as casas, em todas a lojas e fariam parte de nossas vidas efetivamente aconteceu.

Se hoje computadores são tão comuns quanto geladeiras e televisões, não são menos mundanos.

Realizamos nosso sonho. Todos usam computadores.  O preço foi nosso deslumbramento, nossa inocência e a própria alma das máquinas que tanto gostávamos.

HAL-9000 se tornou uma realidade, mas na forma de uma torradeira. E isso é triste.


O Contraditorium vive de doações. Não veiculo anúncios no blog. Somente sua colaboração me incentiva a escrever artigos cada vez melhores, sem rabo preso com anunciantes, partidos ou militâncias. Prestigie essa liberdade, faça uma doação. Use o PagSeguro no botão abaixo ou via PayPal com o email cardoso@pobox.com. Caso você tenha uma carteira PicPay,meu usuário é @carloscardoso. Caso não tenha e queira uma forma de transferir pequenas (ou grandes, de preferência grandes) quantias sem taxas, é só se inscrever.  Eles te darão R$10,00 para experimentar, basta utilizar meu código promocional SKO4

Toda moeda é bem-vinda, desde que seja de país com luz elétrica e água encanada.




Leia Também:

  • Agora pondere a seguinte situação: usuários de computador/internet dependendo da sua real capacidade em escrever pequenos programinhas, executar scripts básicos e DEDO NA TOMADA, tudo isso para acessar o orkut ? Teríamos melhores usuários de computadores. Na condição de Professor de Informática, tomo antidepressivos ao final de cada aula.

    Não é brincadeira, fico constragido constantemente pelo fato de eles não terem a menor condição de aproveitar o que já vem mastigado para eles. E não acho graça em não ter de desenvolver para me comunicar com a máquina.

    "Sad but True"

  • Moisés

    OMG, QEMM-386!!!!

    Nostalgia do meu 386 33MHz… =/

  • CP 200 foi o primeiro computador que eu coloquei a mão. Eu lembro que o manual dele tinha um programa de um trem que andava de um lado para o outro. Você copia umas 50 linhas de código para no final ter um monte de quadrado movendo na tela, era muito bom hehehe.

    Eu não sei se era defeito no meu, mas toda vez que uma tecla era pressionada o computador emitia um bip. Imagina programar com isso :)

  • Meu primeiro computador foi um CP 400 COLOR!!!!
    Você conseguiu explicar muito bem o que sentíamos, muito bem! Ficava horas digitando códigos em Basic para depois Run, ver umas imagens aleatórias girando e então chamava mãe, pai e toda a vizinhança para ver aquela maravilha e então tinha que desligar hahahaha Mesmo assim, no outro diz digitava tudo novamente… Era mesmo um outro tipo de "relacionamento" :)

  • Quando eu entrei no "mundo da informática" os computadores já eram um pouco melhores. O primeiro contato foi com um pentium 100, 32Mb RAM, e video 800×600… Mas tive a oportunidade de lidar com um computador mais antigo que eu não lembro o modelo/marca, mas era algo começando com NX.

    Bom, eu adorava aquelas máquinas e suas possibilidades… Programar para mim era e ainda é o máximo! vc escreve "faça um bip" e a máquina faz um bip. :-)

    Mas…

    Terminada minha diversão, eu desligava o PC e acabou. Assim, seco.

    Antigamente todos que mexiam com computadores tinham de ser micreiros, na minha opinião, e então tinha uma tendencia a termos amigos micreiros, que eram vistos (assim como eu e você) como nerds, retardados, coisas desse tipo. E além disso, nós interagiamos com a máquina e com amigos que conheciam tudo que você conhecia, isso quando tinha amigos (eu por exemplo só tinha 2 amigos micreiros, o restante era tudo "normal").

    Hoje você pode escolher ser um simples usuário (inútil) de orkut, um programador com várias áreas para optar, ser um blogueiro… O importante e é aí que eu quero chegar: Hoje em dia nós interagimos com as máquinas e com as pessoas. Então eu não acho que a época dos micros antigos era a de ouro, eu acho que a atual é a de ouro pois você e eu somos livres sim!

    Há pouco tempo atrás eu aprendi C# e minha primeira aplicação foi um jogo da forca, que minhas sobrinhas adoram e meu filho provavelmente vai adorar quando tiver idade para entender um computador, apesar de já adorar ficar (me azucrinando) clicando com o mouse…

    Eu adorei sua matéria. Tinha parado de acompanhar depois de um post de muito mau gosto que você colocou há um tempo atrás, (mas isso não vem ao caso) mas voltei a ler porque querendo ou não você escreve bem.

    Mas não posso concordar com sua opinião.

    Pense: Você hoje excreve algo e milhares, talvez milhões de pessoas lêm. Isso não é o máximo?

    Você hoje pode ir numa loja de informática de decidir se quer uma placa de vídeo AGP ou PCI-E, com 128 ou 1024 dits…. Ou se não entende, pode ir no balconista e dizer "quero a placa de video mais F… que você tem". Isso não é o máximo?

    Você hoje pode fazer um programa para descobrir a origem do universo, e gravar para poder levar a outras pessoas, ou pode fazer um jogo da forca…

    Pode decidir de apoia ou se chama de freetards pessoas que como eu preferem não piratear…

    Isso não é o máximo???

    Somos livres, e liberdade tem preço. Deus nos deu o livre arbitrio, nós é que fazemos merda com esse poder… ;-)

    Caraca, mais um comentário gigante… vou acabar virando blogueiro também :-D

    • Eu estou doando uma caixa de Diazepan para o Marcus… embora não ache que seja suficiente !

      • Hua!hua!hua!uhau!hua!

        Manda uma caixa de coca-cola! :D

  • Esse seu post foi o mais melancólico do contraditorium!

    <abbr>Daniel Anand – último post do blog… Chegando em Molten Core</abbr>

    • Henrique

      Sem mais…

  • Zictor

    Vixe, Cardoso!

    Tás parecendo com aqueles órfãos do comunismo que permeiam o movimento estudantil.

  • eu tive um cp-400..

    era fantástio liga-lo e botar pra ler um fita k7, ficava um eternidade pra ler um programa (ou um joguinho)
    e eu tinha os manuais de programação, não tinha nem ideia do que eram aquelas linhas todas, mas ao final de uma tarde era mágico digitar aquilo tudo e ver um jipe desenahdo na tela :P

  • Pingback: Chá de Hortelã - O Blog da Liliana » Liliana, Programadora()

  • Caramba! Nostalgia pura! Eu sou dessa época também… Meu primeiro computador foi um TK82 que, como vc disse, tínhamos que programar à mão para rodar qualquer coisa. O auge do avanço era carregar os programas através de um toca-fitas! Lembro que tinha um jogo de labirinto com um dragão ou coisa parecida, que era todo em 3D! O preursor dos jogos em primeira pessoa! Como eles conseguiam fazer isso naquela época?

    E também tinha uma revista chamada Input, que trazia programinhas para a gente digitar e rodar. E no final, babau.

    Abraços!

    • Leandro

      O jogo do labirinto com um dragão que era em primeira pessoa se chamava "Grabber", que era o nome do dragão. Durante o jogo, conforme o jogador se movimentava se afastando ou se aproximando do dragão, apareciam mensagens na tela dizendo coisas como "Grabber está com fome", "Grabber está se aproximando". Até que por fim, Grabber comia o jogador. Eu também tinha muitas INPUTS. O problema é que de vez em quando havia erros nas linhas dos programas deles…

  • Meu primeiro PC foi um IBM Aptiva com 2 mb de ram e HD de 20 mb. Quando surgiu um novo modelo, com 8 mb de ram e HD de 80 mb eu vibrei: "Esse é definitivo", disse.

    As coisas evoluem muito rápido. Só o meu provedor de acesso não se dá conta disso e continua fornecendo 300 kbps de velocidade máxima (quando consegue fornecer os 300), que eles chamam de banda larga, mas é banda lenta mesmo. O acesso é via rádio e aqui, em Iguabinha, não há outra opção (3G, Velox, etc). Ainda estamos nos primórdios da internet.

  • Pô cardoso, naquela época tu era criança e teu computador era teu amigo imaginário … não foram os computadores que perderam a alma, mas tu que cresceste!

    Com relação ao título do post: Bill, o gates, uma vez disse: 16MB é mais que suficiente para qualquer um! Faz algum tempo, mas disse :P

    Abraços.

    • concordo em gênero, número e grau, como se dizia na escola…

  • Edberto Andrade

    Este post me deixou até emocionado. Relembrei toda a minha saga desde o CP300 passando depois pelo TK3000, os primeiros PCs "importabandeados" do Paraguai, o IBM Aptiva que foi o meu primeiro de grife. Realmente eram bons tempos, tudo era um desafio e dava prazer passar horas descobrindo tudo que aquelas maquinas podiam fazer e tudo que nós eramos capazes de fazer. Hoje nós sabemos tudo que elas conseguem fazer e a maior parte do tempo somos obrigados a pagea-las enquanto fazem sem a menor chance de diversão. Quem sabe um dia as coisas fiquem divertidas de novo.

  • Frattari

    Era uma bela época, realmente. Num dos cursos de informática lembro que tinha dias que o pessoal estava de bom humor e deixava "passar pro papel". Isso sem contar as horas "perdidas" digitando códigos para jogar um joguinho sem graça, mas que, aos nossos olhos, era o melhor do mundo. E as avós sempre quebravam o nosso galho. Fantásticas velhotas queridas.

  • Putz! Eu tive um DISMAC D-8000 (*)! E gravava em fita cassete. Fiz em Basic um programinha que gerava um gráfico hipertosco de parábola. Meu primeiro software gráfico! Valeu!

    (*) 1983

    <abbr>Junior – último post do blog… Objetos voadores</abbr>

  • Naquela (boa) época nossas brigas não eram políticas, eram mais parecidas com torcidas de futebol, mas sem tiros na saida do estádio.
    Nós do MSX desdenhávamos de vcs do Amiga ("micrinho de quem grava casamento" hehe), tínhamos briga dentro do próprio clã (Gradiente Expert X Sharp HotBit), etc.. mas era tudo numa boa, não partíamos para o xingamento.

    A diversão era pedir os catálogos das lojas para encomendar alguns jogos em 5 1/4 dupla face (ou ainda em fita cassete).

    O Amiga foi meu último sonho, mas nunca cheguei a realizar. Hoje em dia computador é apenas mais um eletrodoméstico.

  • Aloha Chefe!
    Puxa! Uma torradeira??!!?
    Isso doeu!
    Aloha!

  • Marcelo

    Realmente eram tempos magicos. Hoje em dia o que temos é um monte de idiotas com uma preguica mental assustadora. Parece que quanto mais existe facilidade de informação mais as pessoas se tornam idiotizadas. Para a grande maioria computador se resume a MSN, Orkut e Counter Strike e ainda chamam isso de inclusão digital.

    • Hublard

      Realmente, você disse tudo. Eu tinha um sharp hotbit (compardo usado). Quem imaginaria que os computadores iam chagar onde chegaram? Só que como a maioria dos usuários é preguiçosa e inútil (e realmene só usa computador par MSN e Orkut) a coisa est´voltando para trás: agora com a tal de "cloud computing" temos a volta do terminal burro (com um nome mais bonitinho) e os caras acham ótimo. Talves logo só tenhamos micros com chips anêmicos tipo intel atom que só prestem para entrar na internet (e , lógico acessar o amado Orkut, twitter MSN e o diabo que os carregue). Toda a evolução da informática então vai ser jogada no lixo para voltarmos ao fim dos anos 70 quando computador pessoal era um sonho e pílotávamos terminais burros conectados a mainframes. Vai acabar a liberdade de fazer o que quisermos (digitalmente falando) e os donos de coisas como o google vão cobrar prestação mensal para nos deixar usar o programinha on-line de planilha e processador de textos que hoje funcionam otimamente bem em nossos HDs. É a involução!!!

  • Marcelo

    A sim a frase (e o mico) do tio Bill não foi dizer que 16 megas seriam sempre suficientes (isso era ficção cientifica na epoca) Ele disse que 640K sempre seriam o suficiente… Nada mal pois meu primeiro micro tinha 64K.

    • Mamendes

      Ah, a velha lenda dos 640kb.
      O que seria da Internet sem essa.

  • Diogo Kersting

    "Todos esses computadores tinham algo que falta nas máquinas e hoje: Alma. Nós éramos micreiros, não usuários. Também não éramos pseudo-comunistas de software livre tentando transformar nossas máquinas em bandeiras da causa capenga que sobrou para ser abraçada, em tempos pós-Muro de Berlim."

    Olha não gostei muito da sua colocação. Eu uso software livre, gosto da causa do software livre, mas nem de longe gosto do comunismo(Na minha opinião comunismo e liberdade não combinam). Você já viu a quantidade de projetos de software livre que morrem? Isso é como capitalismo, onde os projetos de maior sucesso(produtos/empresas de maior sucesso?) sobrevivem e as outras não. Isso depende da comunidade,(no caso do capitalismo do mercado, mas na minha opinião dá na mesma).

    Mas a questão é… eu não uso porque é gratis ou por causa da filosofia, é justamente a questão que vc comentou, deixamos de ser donos da máquina para ser usuários, ou seja fazer aquilo que outras pessoas (desenvolvedores do seu hardware, do seu sistema operacional, das suas aplicações) acham que agente deve fazer. O legal do software livre é que vc pode (e é encorajado) a meter a mão na massa, e fazer o que VOCÊ quizer. Ao invés de ver uma coisa que não gosta e começar a reclamar nós podemos ir e muda-las. E após isso ao ver que seu trabalho ficou legal, vem aquele sentimento que vcs tinham quando terminavam um programa nos seus computadores arcaicos. Só que ao invés de apertarmos o botão e perdermos o resultado, agente compartilha, dessa forma ajudando outros que tenham o mesmo problema. Mas o principal ponto em compartilhar é conseguir ajuda na continuação do seu projeto.

    Acho que já me excedi aqui e vou parar.

    • A própria Free Software Foundation rejeita qualquer associação política, mas os freetards, principalmente no Brasil, transformaram o softtware livre em uma Luta Contra o Imperialismo.
      você não pensa assim? Lamento informar, és minoria absoluta.

  • Pingback: Qual foi seu primeiro computador? Ah meu TK95()

  • O primeiro computador que coloquei a mão foi um MSX da Gradiente, o famoso Expert. Confesso que tenho saudade dele até hoje. Lembro-me de passar um dia inteiro digitando uma sequência de programação que vinha impressas em páginas de revistas especializadas, como a Micro Sistemas, para jogar um game tosquinho no final do dia.

    Boooons tempos. :) Bom post!

  • O primeiro computador que operei era um Cobra 400 com aquele "disquetão" que parecia um LP (hoje é até ridículo pensar nisso)… Uma tela "maneiríssima" com seu blihante fósforo verde… (rs)

    E eu babava.

  • OMG…
    Eu nem de longe sou dessa época, estava pensando em nascer…

    O que tenho a dizer é que se você tem alguma dessas maravilhas, guarde para toda a vida.

    Eu consegui um laptop da Epson, processador 486, foi um encontro religioso como o supracitado, está na estante da minha casa.

  • Roberto Hache

    Olá, Cardoso. Não sei de você, mas eu, na minha 'insanidade', preservei meu TK83 + Expansão 16K, meu TK90X 48K e meu Unitron TI 64K (como você sabe, Apple II compatível e 'Teclado Inteligente', rs) funcionando! Bom, o Unitron não, ainda não consegui determinar qual o problema da fonte, assim, ele só funciona quando quer. Fora um monte de 'tralha' que inclui placas, microdrive, unidade de disquete (do Unitron) fitas, revistas (a Microsistemas, por exemplo, está desfalcada nos dois últimos números) e muito mais. Um verdadeiro museu, tristemente desorganizado em caixas :) Até já me ofereceram uma boa grana pela coleção – que não está à venda. Porém confesso que, só consegui concluir meu joguinho preferido do TK90X (o Knight Lore) usando um emulador para PC (no caso, o Spectaculator) + uns 'pokes' para dar uma forcinha. O teclado original não ajudava e como não tinha um joystick… Abs.

  • Roberto Hache

    Olá, Cardoso. Não sei de você, mas eu, na minha 'insanidade', preservei meu TK83 + Expansão 16K, meu TK90X 48K e meu Unitron TI 64K (como você sabe, Apple II compatível e 'Teclado Inteligente', rs) funcionando! Bom, o Unitron não, ainda não consegui determinar qual o problema da fonte, assim, ele só funciona quando quer. Fora um monte de 'tralha' que inclui placas, microdrive, unidade de disquete (do Unitron) fitas, revistas (a Microsistemas, por exemplo, está desfalcada nos dois últimos números) e muito mais. Um verdadeiro museu, tristemente desorganizado em caixas :) Até já me ofereceram uma boa grana pela coleção – que não está à venda. Porém confesso que, só consegui concluir meu joguinho preferido do TK90X (o Knight Lore) usando um emulador para PC (no caso, o Spectaculator) + uns 'pokes' para dar uma forcinha (eu sei, não devia, mas queria MUITO saber como o jogo terminava e como teclado original não ajudava e não tinha um joystick…) Abs.

  • Rodrigo Ramos

    Eu me lembro com carinho do meu TK-90 que era colorido, onde a gente gravava os dados em fita cassete.

    Mas o mais genial dos computadores daquela época é que vc ligava-os na tomada e eles funcionavam. Sem bsod.

    Tenho saudades também dos bbs…

  • Der Doppelgänge

    Bons tempos.

    Para os mais saudosos da linha Sinclair Z-80, seguem dois links interessantes:

    – Scans da revista Micro Sistemas. Olhar as propagandas antigas é muito engraçado. http://www.datacassete.com.br/

    – Projeto MicroBug. Revolucionário. Segue as descrições e os "áudios" de cada módulo. O site também vale a visita. http://www.zx81.megahospedagem.com.br/microbug.ht

    Abraço,

    Der Doppelgänger

  • Roberto Hache

    Se alguém quiser matar as saudades, aqui http://www.zxspectrum.net/ é possível jogar diversos clássicos do ZX Spectrum (TK90X) direto do browser. Abs.

  • O primeiro micro que tive acesso foi o CP200, mas meu sonho de consumo era o CP500.
    Da mesma maneira que você fala com saudosismo dos computadores, podemos citar também os aparelhos de som da época, Esotech, Quasar, Cygnus e outros hiends.
    Tínhamos também os LP's que vinham co encartes maravilhosos, letras das músicas e as vezes até a história do álbum.
    Fazíamos coleção de figurinha, jogávamos bolinha de gude e as mais bonitas entravam para a coleção, assim como os piões.
    Hoje em dia nada mais tem alma, o que sobrou foi a imensa necessidade dos fabricantes venderem e por este motivo o sentimento que vemos é o de consumo, onde tudo é descartável e a maioria das pessoas não dão valor a coisa alguma, é só sair um novo lançamento e pronto, o que se tem não vale mais nada.
    É a era da futilidade e do alienismo.

  • Ainda lembro do meu querido TK85 ;)

    <abbr>Terramel – último post do blog… Steve Wozniak DANÇANDO?????</abbr>

  • Luiz Louro

    TK-85; TK2000II; Unitron APII 64K. Basic, CP-M, dBaseII e III. Cada um deles foi uma vitória, antes do aparecimento do PC e do Windows. Para minha satisfação, o primeiro relatório anual da Seção de Emergência do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro foi feito, por mim, em casa, no Unitron e impresso em uma Epson LX800, matricial. Com direito a gráficos explicativos e desenhos ilustrativos. Uma verdadeira façanha, para a época, que impressionou bastante. As revistas Micro Sistemas e Nibble eram leitura obrigatória para aqueles que, como eu, não eram meros "escovadores de bits". Nós escovávamos e dávamos lustro! Nunca mais haverá ninguém assim…

  • Que nostalgia. :)

    Velhos e bons tempos que não voltam mais. :(

    Excelente texto, me identifiquei em gênero número e grau, embora meu primeiro PC já tivesse DOS.

  • Eric

    O primeiro computador que tive contato foi um ITAUTEC IS30 PLUS, há 20 anos. Foi uma excelente base, porque tive que aprender na unha a opera-lo. O SO dele era o SISNE, compatível com DOS, que tinha entre outras coisas, um jogo de truco que te xingava toda vez que você ganhava do computador. Mais tarde, ganhou o Win 3.1. E posso afirmar que esse computador tinha alma. Coisa que nenhum dos meus computadores posteriores tem.

  • Adalberto Pucineli

    Meu primeiro computador pessoal foi na verdade o console de videogame ODYSSEY da Philips, atraves de um programa no cartucho de Epron eu pude escrever na tela, pois este Console tinha teclado, isso foi no ano de 1983. Mas meu primeiro micro pessoal eu tive em 1985, um TK-85 16kb de Ram. Graças ao poder desse pequena maravilha me desenvolvi profissionalmente e meus filhos tambem, que tinham entre 4 e 7 anos. Agradeço a MICRODIGITAL por trazer até nós essa pequena maravilha da epoca. Ainda conservo hoje funcionando perfeitamente meu ODYSSEY com seus cartuchos de jogos e meu TK-85 com centenas de programas gravado em fita K-7.

  • Prof Paulo Sa

    DESCULPEM MINHA IGNORANCIA, MAS ONDE FICA O NOME DO AUTOR DESTE ARTIGO NESTA PAGINA? ( estou tentando compartilhar este link na minha pagina do facebook, mas eu queria dar o credito ao autor – a historia dele tem algumas coisas em comum com a minha propria, e se nao tiver autor, vai parecer que estou falando de mim

  • Renato Navarro

    Nunca é tarde para comentar um texto que de alguma maneira mexeu conosco.
    Viajei no tempo lendo isso.
    Sou nostalgico por natureza, mas quando o assunto são os queridos "micrinhos" da década de 80, aí então me torno um saudosista inveterado.
    Meu primeiro micro foi um TK-90X (comprado com muito sacrificio pelo meu pai), depois um TK-2000, MSX, Amiga 500, até finalmente me render (totalmente obrigado por questões profissionais) aos franksteins da era dos PC's montados.
    Sinto orgulho de ter participado de tudo isso, estudando, programando, acompanhando as revistas da época como a saudosa Micro-Sistemas. Guardo até hoje uma carta trocada com o Renato Degiovani, simplesmente o cara que me fez entender a beleza de um código bem escrito e pensado.
    Hoje não sou mais profissional da área, mas tudo aquilo que aprendi me tornou uma pessoa mais racional, organizada e preparada. Por isso guardo quase todos aqueles micros antigos até hoje qui em casa, aguardando o dia que terei um espaço especial para montá-los e exibi-los, pois são o registro físico de uma revolução que estava apenas começando e nós, meus queridos "micreiros" estávamos lá. Abraço Cardoso!

  • Cara, gostei muito, mas muito do seu texto. Meu primeiro computador foi um TK85, com fita cassete para armazenar dados. Era incrível o quanto meu irmão e eu passávamos horas aprendendo BASIC. O dia que fizemos uma soma funcionar, nem Colombo deve ter sido tão feliz quanto nós fomos. Valeu por compartilhar essa experiência. E eu penso o mesmo das velhas Palms em relação aos novos smartphones. Me lembro como cada qualquer novidade era incrível, enquanto hoje, coisas tão incríveis nos smartphones são tão méhs….

  • Grzegorz N

    Great article, totally what I was looking for. I am sending it to a few friends ans also sharing in delicious. And certainly, thank you to your effort! Visit my website toner