Quem ri por último é retardado mas ao menos ainda ri


Sarah Silverman é uma comediante americana considerada ofensiva por um monte de gente que só consegue entender o básico das piadas. No vídeo acima ela conta de uma jóia sensacional, uma pedra que só é encontrada na ponta do cóccix de bebês etíopes. Ela tenta descrever a tal jóia, diz que é fantástica, mas que tem um certo problema moral, os trabalhadores que desossam os bebês são muito maltratados.

O espectador mediano só consegue enxergar “crueldade contra bebês”, enquanto o espectador inteligente lê claramente a crítica à pseudo-preocupação que algumas pessoas finger ter, afinal comprar diamantes “limpos” continua sendo um gesto totalmente egoísta, você gasta o salário de um ano de um infeliz em uma pedra e ainda se sente moralmente superior.

O povo moralmente superior em geral é o primeiro a se ofender com qualquer coisa que tenha camadas, seja uma boa piada, seja um ogro, seja uma cebola. E isso não depende de inteligência. O TED (Tecnologia Entretenimento, Design) é uma conferência criada por Chris Anderson (não o da Wired) que reúne gente muito inteligente fazendo apresentações fantásticas dos mais variados temas. Não é brinquedo, o ingresso custa US$6 mil.

Na última edição resolveram chamar a Sarah Silverman, que fez seu show habitual. Uma hora ela começou a falar que estava na moda adotar crianças retardadas, para mostrar que pessoa maravilhosa você era. Só que uma criança assim seria trabalho pra vida inteira, ela não queria. Então para mostrar que era uma pessoa mais maravilhosa ainda (sem se comprometer por muito tempo), iria adotar uma criança retardada doente terminal.

A maior parte da platéia ficou chocada. Um grupo riu, mas o resto, que estava ali para se sentir o máximo e que provavelmente invejam a admiração social obtida por quem adota crianças retardadas  terminais entendeu como ofensa pessoal.

Chris Anderson chegou a twitar criticando a Sarah Silverman, algo extremamente deselegante para com sua convidada. Poucos saíram em sua defesa, até mesmo porque ninguém quer se queimar com o Anderson e ser barrado no TED.

Uma das poucas que vi defendendo foi uma leitora, desconhecida. Ela reclamou da falta de senso de humor, da dificuldade das pessoas em entenderem a quem estão direcionadas as críticas. Também lembrou que o alvo NUNCA foi a criança deficiente, e sim o pessoal que as usa como muletas sociais.

A leitora também lembrou aos indignados que a Sarah Silverman havia se comprometido, uma semana ANTES do TED a participar do Twenty Wonder, uma maratona de eventos em prol de portadores de Síndrome de Down em Los Angeles.

Recentemente Family Guy anunciou que iria ao ar um episódio com uma personagem com Síndrome de Down. Na história Chris Griffin se interessa por Ellen, que questionada sobre o que seus pais faziam responde que o pai era contador e a mãe ex-governadora do Alaska.

A piada foi direto para Sarah Palin, política republicana, conservadora, ex-governadora do Alaska com cinco filhos sendo um portador de Down.

A reação foi épica. A mídia conservadora caiu de pau, Sarah Palin emitiu um comunicado em conjunto com sua filha Bristol (mãe solteira aos 15 anos, belo exemplo dos Valores Familiares da ex-governadora) chamando os criadores de Family Guy de “babacas sem coração”.

Quem se deu ao trabalho de assistir ao episódio viu algo completamente diferente. Nele a personagem com Down NÃO é o foco da piada. Ela não é mostrada de forma paternalista, não é mostrada como deficiente coitadinha, nem como o anjo de candura que os comerciais da APAE tentam vender.

Ellen é uma garota independente, decidida, com personalidade, dominadora e que trata o pobre Chris como cachorro.

Já na casa dela, Chris tenta agradá-la de todo jeito, e prepara um sorvete. Claro, não consegue (ela nunca está satisfeita). Perde a paciência, joga o pote no chão e desabafa:

“OK, chega! Não importa o quanto você seja gostosa, não agüento ser tratado assim! Eu costumava ouvir que gente com Síndrome de Down era diferente do resto de nós, mas vocês não são! Vocês não são diferentes, são um bando de babacas como todo mundo!”

Para quem quer inclusão, integração, foi algo lindo de se ver. Para o pessoal metido a bonzinho que gosta de tratar deficientes como retardados, foi algo terrível, pois uma personagem como a Ellen não desperta piedade, não desperta pena. Não pode ser manipulada politicamente nem excluída de forma segura do resto da sociedade. Ela é só uma pessoa comum e pessoas comuns não contam, para essa gente. Eles não acharam graça.

Ao contrario da atriz Andrea Fay Friedman, 39 anos, portadora de Síndrome de Down e dubladora da personagem no episódio, além de modelo para seu visual. Diante da polêmica, Andrea declarou:

“Creio que a ex-governadora Palin não tem senso de humor. Penso que a frase ‘sou filha da ex-governadora do Alaska’ foi muito engraçada. Imagino que a palavra seja ‘sarcasmo’. Na minha família achamos que rir é bom. Meus pais me criaram para ter um senso de humor e levar uma vida normal”

Eu concordo plenamente com a Andrea, e muita gente me acha retardado por isso.

PS: Para um excelente apanhado sobre humor e moralismo politicamente correto, visite o site do Danilo Gentili e procure pelo post do dia de hoje, 19/2/2010.


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Leia Também:

  • Sinceramente não gosto da Sarah Silverman, ela se julga superior a raça humana e vejo isto nos olhos dela, ela olha o resto do mundo como se todos fossem uns babacas com o QI menor que o dela e não é exatamente assim, ela devia respeitar ao menos quem se dá ao trabalho de liberar um mínimo tempo para ouvir suas críticas ofensivas, que são até interessantes e inteligentes em certo ponto.

    Concordo que o mundo não esteja preparado para este tipo de humor, vivemos em uma realidade coberta de valores, de fantasias. As pessoas se imaginam de uma maneira e fecham os olhos para o resto, quando o que realmente importa é este resto, que não deveria ser resto e sim prioridade.

    E o Danilo Gentili, é uma pena que ele tenha sido solto.. Deveria ter ficado preso, teríamos um Brasil um pouco menos babaca.

    • Temos aqui alguém que não entendeu porra nenhuma do que leu. Típico… ¬¬

      • Uber

        Calma, ele está apenas retardado…

        • Vinny… :) – Foi mal crânio, seja feliz ae no MIT.

          Uber :) – :)

        • Aliás, só mais duas coisas Vinny: Não gosto das suas músicas, aquele lance da cadeira, mexe, mexe… sei lá, não curto. E por favor me explica este post, eu não entendi nada aparentemente.

      • Não entendeu mesmo. Se encaixa na seleção que Cardoso fez no inicio.

        • Até tu Sarrah? Agora eu fiquei triste mesmo. Vou evitar discutir com você que está tantos e tantos degraus acima de nós pobres mortais. (Parabéns pelo blog, muito bom mesmo)

          Obs – Blargh

          Obs 02 – Se precisar te explico em qual seleção você se encaixa.

      • Zeca

        Por que vocês tem que ser tão puxa sacos do Cardoso? É sempre a mesma história: qualquer um que discorde um pouquinho sequer do ele disse é logo taxado de idiota, não entendeu nada, é ignorante, crente, etc. Será que é tão difícil imaginar que existem pessoas que entendem os posts do mesmíssimo jeito que vocês, mas simplesmente não concordam com ele? Ou acham que vão se tornar leitores preferenciais se continuarem dando uma de babá?

        • Zeca:

          Puxar o saco do Cardoso se encaixa na regra de adquisição N° 33.

          Fernando:

          Foi mal. Não se ofenda para não dar razão à seleção.

          Estou aqui para me divertir e para discutir com um tal de "anonimo" em outro post.

          Ah…!

          Não estou nem aí para a Sara Silverman.

          Ah…! parte II:

          Fernando, obrigado por elogiar meu blog. você foi o N° 0001.

    • Fernnando,

      Então pra se fazer humor, o cara tem que tomar cuidado com as PIADAS que faz, porque pode ser ofensivo pra uma ou outra pessoa? Que mundo sem graça o seu!

      O mundo é babaca, acredito que sempre será, e somos nós que fazemos dele um mundo babaca. Não deixe de ficar com parte da glória que você mereceu com seu comentário…Parabéns pra nós!

      • Não disse que tem que tomar cuidado com nada, nem que tenha que parar de fazer algo porque uma ou outra pessoa não goste, disse que não gosto dela, da personalidade, da pessoa.

        Meu comentário não foi mais ofensivo ou pretensioso que o seu, e eu continuo achando o Danilo Gentilli um otário, sendo que esta é somente minha opinião, a qual você de longe seria obrigado a concordar.

        Clap! Clap! Clap! Parabéns pra nós! (Mesmo)

        • Tá. (aprendi com @naosalvo)

      • :) (Coisa minha, aprendi sozinho)

    • Primeiro, a Sarah Silverman não se julga superior à humanidade – ela É superior à humanidade. Não tem essa de que ela "devia respeitar" quem a ouve, porque quem vai a um show dela tem que saber onde está entrando.

      E quanto ao Danilo Gentili, que você chamou de babaca, otário, imbecil e escroto sem dar ao menos uma razão, acho que ele é um ótimo comediante, e é um dos poucos motivos pelos quais ainda assisto ao CQC.

      • Ok, é a sua opinião, e meus motivos são MEUS motivos, não vejo razão para explica-los a você.

        Não concordo com Vsa. Senhoria mas respeito seu direito de achar o que quiser.

  • Como diria Fred Simpson: Yaba daba dããã.

    Excelente texto. Concordo que as pessoas se ofendem sem nem ao menos questionar o homor. Por mais negro e distorcido que seja, sendo inteligente ele se sobressai. Me lembro de rir sozinho no cinema porque ninguém pega a piada, referência ou easter egg.

    E por falar na Sarah Silverman, baixei aqui uns eps do show dela e ainda não assiti. Vou lá ver alguns antes que eu seja o último.

  • Lucas

    Que raiva desses falsos moralistas que

    acham que serão pessoas melhores por ter

    adotado uma criança com Down poe exemplo.

    É ridículo,mais a mídia promove e o povo cai.

    • Limao

      Lucas o que vc disse não tem nexo, falsa moral não se resolve ou se mascara adotando um criança.

      Alias o que vc escreve é tipico de gente que ouve certos "jargões" mas não consegue encaixar corretamente no seu texto.

      Para terminar nem sempre ou quase nunca a pessoa que adota uma criança com deficiência ou não é um "falso moralista", o humor é como uma caricatura, espoem o pior, ridiculariza um traço marcante da sociedade ou de uma situação.

      Vc esta formulando um pensamento através de uma piada, reveja seus conceitos.

      ps. não tenho filho adotado.

  • O que não é dito não precis ser encarado. O humor verdadeiro foi feito para trincar as paredes de cristal que protegem as pessoas da verdade. Se eles não aguentam, sorry. Tentem ser melhores, aos invés de calar os seus defeitos. Fantástico o texto.

  • Paulo

    Ah muito bom! Post diferente!

  • Uber

    Tô chocado!

    Pensei que portadores de Síndrome de Down fossem retardados!

    Essa Andrea Fay Friedman falou bonito.

    Ainda vai ser presidente dos EUA!

    Te cuida, Sarah Palin!

    • O presidente anterior a o atual era assim…

  • O tom desse post foi praticamente igual ao do Danilo. E os dois textos são ótimos, pena que poucas pessoas vão entendê-los.

    • ainda bem.

    • Rafael

      Esse tipo de humor é para poucos. O povão se dói demais por pouca coisa e não percebe o papel de besta qua acaba fazendo.

      Acho triste que a queda de QI tenha chegado a esse ponto…

  • É muito complexo se fazer entender.

    Quando não entendidos passamos a ser expurgados.

  • Henrique

    O Brasil só consegue ter 7% de toda uma população inteligente porque tem pessoas como Danilo Gentili, Cardoso, entre outras pessoas que enxergam além do que a sociedade os manda enxergar. Sem mais.

    • Rafael

      Porcentagem aparentemente correta. Existem outros 12 ou 13% que tem a semente para se destacar da massa. Os outros 80%, não tem jeito.(Quem pescou, pescou ;))

  • Eu recomendo a utilização de infográficos, preferencialmente coloridos, explicando a piada passo a passo. Evitaria muitos problemas…

  • Ok, vamos lá: Eu entendo que a Sarah Silverman é verdadeira e inteligente em suas piadas doa a quem doer, naquele esquema "foda-se quem não gostou", que suas visões do mundo e suas críticas são fortes e reais, que sua inteligência é algo quase sobrenatural e que tudo que ela diz merece e compensa ser ouvido.

    Também entendo que as pessoas que fazem um tipo de humor que mostra de forma objetiva um problema ou ferida social acaba sendo cruelmente alvejado por ações e críticas de outros com mente mediana e pouco entendimento da profundidade e verdade naquilo que foi dito.

    As pessoas as vezes concordam com o fato, mas não com a maneira que o mesmo foi exposto, entende-se que somos humanos e cheios de defeitos, julgar é um deles.

    Ficou entendido que portadores de Síndrome de Down podem viver normalmente com o resto da humanidade, o que não tenho certeza que seja uma completa verdade, talvez alguns sim e outros não.

    Também entendi que as pessoas idiotas de mente mediana se prendem em valores antiquados fechando os olhos para a verdadeira realidade por trás da hipocrisia, tal como comprar diamantes a preços absurdos mesmo sabendo sua procedência sangrenta, mesmo gastando um bom tempo de vida própria para bancar tal Status.

    Entendo que Sarah Silverman ganharia muitos pontos com a sociedade hipócrita adotando uma criança deficiente e terminal, caso é claro nunca admita que quis desta forma para que a criança morra logo e não seja um fardo eterno, se fez uma piada expondo isto com certeza foi uma facada nos idiotas que usam a peneira como Guarda-Sol, não me ofendeu porque não sou assim, mas entendo que seja difícil mudar o mundo e a cabeça das pessoas que só conseguem ver a mesma coisa em vários desenhos. Lógico que os alvos nunca foram as crianças e sim quem se beneficia delas tentando acreditar que estão fazendo um bem, e pior, querendo que todos acreditem nisto.

    Agora por favor Pseudo-intelectuais brasileiros, eu me dou ao luxo de não gostar da Sarah Silverman e do imbecil do Danilo Gentilli, aqueles que não estão satisfeitos com isto uni-vos e deêm as mãos para juntos pularem de um lugar bem alto, saibam que não afetará meu sono.

  • Se bobear, muita gente que se sente ofendida com a piada não é pelo "desrespeito" aos excepcionais, mas pelo fato da piada ter realmente atingido quem merecia.

    • Uber

      Um velho dito popular resume isso tudo:

      "A verdade incomoda."

  • Algumas pessoas com Down são mais inteligentes que algumas pessoas sem Down. Por que não estou surpreso?

    P. S.: ri alto no quarto parágrafo e no primeiro parágrafo azul.

    • Não preciso adotar uma criança retardada para me destacar, já me destaco com meus filhos adultos e bem criados. Se eu quiser me destacar, deverei fazer como diz a Sara: adotar uma criança retadada com doença terminal, para não perder muito tempo e dinheiro. O cúmulo da hipocrisia.

      Não da Sara, senão das pessoas que ela atingiu com a sua piada.

      *******

      Alguns autistas, são capazes de proezas matemáticas que pessoas normais não conseguem realizar.

      Mas ainda assim são anormais.

      *******

      Agora podem cair de pau encima de mim, aqueles que não viram o filme Rain Man.

  • Não posso evitar esse comentário: Lindo Texto, Cardoso!

  • "Amanhã um estranho dirá, com magistral bom senso, exatamente o que pensamos e sentimos desde sempre" Ralph Waldo Emerson

    é isso que penso ao ler seu post agora. Nós vivemos numa cultura que "sentir pena" dos outros é algo louvável, é uma forma de demonstrar solidariedade, altruísmo e interesse pelas causas sociais, pena é um sentimento que eu não gosto e prefiro não sentir pelos outros porque quem sente pena de alguém incute nesse sentimento um ar de superioridade, porque por vezes sente-se pena de quem de algum modo parece ser inferior a nós, porque nós não vamos ficar com pena de pessoas como xuxa e pelé por exemplo? acho que acreditam que não precisam ter pena de alguém que aparentemente não precisam de nada e já tem tudo, portanto não seres distintos e sem problemas.

    algumas pessoas que lidam com a deficiencia tendo uma, convivendo com alguém que tem ou trabalhando com quem tem acaba por escolher dois lados distintos: ou "vitimam" os deficientes para que a sociedade os ajudem ou clamam para que a sociedade respeite suas limitações e encarem as "diferenças" como algo natural.

    essa história só confirma um jargão popular: "a maldade está nos olhos dos outros" e acredito que pouca gente tem sensibilidade pra perceber as entrelinhas. ofensa moral tem tantas conotações, não é uma coisa de verdade absoluta, me parece que seja muito subjetivo e interpretado de acordo com seus principios de vida.

    Mas se não ampliamos nosso horizonte e acreditamos que nossa visão é a verdade universal então desse jeito o mundo lá fora nunca vai ser justo e moral o suficiente, estaremos sempre insatisfeitos e chocados com tudo. Então, opto por encarar o mundo de forma mais livre, sem censura, sem medo, sem falso moralismo e sem piedade calculada.

    Abraços.

  • gabi

    Texto muito bom.

    Como já dizia Freud, o humor muitas vezes é uma válvula de escape para muitos conteúdos inconscientes que preferimos não ver. Quando se fala de pessoas com deficiência, o tabu é grande, como se fossem pessoas intocáveis, santas, que deveriam ser colocadas no topo de um pedestal – o que vai contra toda a idéia de integração social. Deficientes também tem seus defeitos, fazem suas mancadas e besteiras. E isso não faz deles nem melhores e nem piores.

    Vou procurar esse episódio de Family Guy :)

  • Sei bem como é esse tipinho de gente sem o mínimo senso de humor, aliás, é o humor típico do brasileiro, que só enxerga pastelões Zorra Total pra baixo.

    Humor bom é humor inteligente, despido de QUALQUER preconceito, feito para pessoas que SABEM que quando é hora de rir, desliga-se a porra do falso moralismo que temos só pra ajuste ao modelo social e simplesmente rimos. Se não entende o real sentido da piada, fazer o que, de retardados-não-diagnosticados o mundo está cheio (mesmo, creio que 80%+), mas se ofender?

    Puta que pariu, nem a Sarah – que é brilhante -, nem ninguém deveria aturar isso.

    Gente que não consegue enxergar uma crítica social debaixo dos próprios olhos não tem moral pra falar da humorista, pelo contrário, é o tipo de gentinha que adota os filhotes de gente miserável pra parecer o messias aos olhos das salsas em geral.

  • Guida

    Na semana passada, Jonh Mayer fez um comentário considerado racista ao relatar que nunca teve relações sexuais com uma mulher negra. E ele tem culpa? Cardoso gostaria de ler um post seu sobre este comentário do cantor que foi banido do programa da Oprah.

  • Perfecto. Um dia os reacionários serão minoria e aí faremos piadas mais óbvias com eles…

    • Só as pessoas inteligentes têm senso de humor.

  • roberto

    "

    Fernnando Reply:

    February 19th, 2010 at 6:31 pm

    Aliás, só mais duas coisas Vinny: Não gosto das suas músicas, aquele lance da cadeira, mexe, mexe… sei lá, não curto. E por favor me explica este post, eu não entendi nada aparentemente.

    "

    huahuahuhahah "Não gosto das suas músicas, aquele lance da cadeira, mexe, mexe… sei lá, não curto." que engraçado… muito boa!

  • Admito, Excelente Texto.. :)

  • Não costumo comentar nada aqui porque estes posts "polêmicos" sempre despertam a velha dicotomia "vocês não entenderam a idéia" versus "essa idéia é absurda". Obviamente todos nós nos entrincheiramos de um lado e a coisa nunca avança. Neste caso, excepcionalmente, eu resolvi entrar na brincadeira (ficando à parte da meta-discussãozinha nos comentaristas, que com freqüência esquecem o texto original e vão discutir os próprios comentários).

    O que eu defendo sobre um dos temas centrais do post (a questão da deficiência) é que só existem duas maneiras de ver os portadores de necessidades especiais, incluindo para eles próprios.

    – Primeira forma: o deficiente deve ser tratado como alguém normal, desde que sejam dados os meios para isso, sem necessariamente ter a preferência em lugar algum, esperando como todo mundo, estacionando longe como todo mundo, e convivendo abertamente com seu problema, tentando superar suas dificuldades como qualquer cidadão faz.

    – Segunda forma: o deficiente leva uma vida complicadíssima, demora quinze minutos para fazer um xixi que as outras pessoas fazem em 30 segundos, corre o risco de bater a cabeça num orelhão mal sinalizado, não consegue ver TV sem closed caption, enfim, anda por aí com um encosto o tempo todo e quer, sim, ser melhor tratado do que a maior parte da população normal, como forma de compensação por uma vida -potencialmente- pior.

    Ambas as interpretações para mim são válidas e aceitáveis, e sei que o assunto nunca será esgotado porque cada um defende um lado. O problema que eu vejo hoje é a mistura destas duas visões conforme a conveniência.

    Sou arquiteto e convivo há muito tempo com projetos especiais para acessibilidade, e o que acontece na maioria das vezes é o indivíduo querer que todos o olhem como uma pessoa normal, que o tratem da mesma forma que os outros, mas na hora da fila não pode esperar. Não quer precisar de ajuda, quer ter a liberdade de ir e vir aonde for, mas se o cinema estiver lotado e não houver ingresso disponível, corre para a Promotoria de Acessibilidade do Ministério Público para tirar satisfação com o cinema que deixou ocuparem sua vaga especial.

    Outro fato é que assumir uma postura de "superação diante das dificuldades" como as novelas da Globo tentam empurrar é muitas vezes uma cilada. Outro dia mesmo vi um depoimento de um cadeirante dizendo que "a deficiência me mudou para melhor, porque eu não morri no acidente e aprendi a respeitar a vida"; isso é uma idiotice: se algo "mudou sua vida" foi a tragédia do acidente, a deficiência foi apenas uma das seqüelas. Se ele pudesse escolher entre a cadeira de rodas ou as pernas, alguém tem dúvida do resultado? Eu não tenho.

    Qualquer tipo de deficiência é sempre um transtorno na vida do indivíduo, não se pode querer tapar o sol com a peneira. O que ninguém deve fazer é ficar chorando num canto e deixar o que sobrou de lado, porque geralmente ainda é muita coisa. Agora dizer que é um indivíduo perfeitamente normal, e realmente acreditar nisso, eu dou total apoio – mas vai ter que aturar esse nosso mundinho de merda como todos fazemos.

    P.S.: Family Guy, que foi tratado como "babaca" pela digníssima Sra. Palin, tratou da questão com uma sensibilidade dura, difícil de absorver pacificamente para a maior parte das pessoas. É um dos melhores espelhos da sociedade que o mundo do entretenimento oferece hoje, e é por isso que não perco um episódio.

    • …"como as novelas da Globo tentam empurrar é muitas vezes uma cilada. Outro dia mesmo vi um depoimento de um cadeirante dizendo que “a deficiência me mudou para melhor, porque eu não morri no acidente e aprendi a respeitar a vida”; isso é uma idiotice:

      Claro que é.

      Concordo.

      Uma idiotice.

      Um cadeirante QUER ter as pernas funcionando, QUER não precisar guardar seus excrementos e urina num saquinho, a espera de um lugar onde esvazia-los, um cadeirante QUER seu penis funcionando para poder fazer sexo normal.

      De onde "a deficiência me mudou para melhor"???

      Só em novelas da globo, mesmo!!!

  • Em tempo: o que a maior parte dos comentaristas aqui desse post acha do George Carlin?

  • Cardoso, assino embaixo. Se o mal dos anos oitenta foram os yuppies e nos anos noventa os administradores, nesta década o mal é a hipocrisia. A sua frase sobre "muletas sociais" diz tudo.

    Pena que muitos não terão inteligência suficiente para entender seu artigo.

    Parabéns

    Luis Pereira

  • Até entendo que ela faz uma critica aos "manipuladores", e nesse caso consigo dar um sorriso. No entanto, ao me colocar no lugar das PNE em estado terminal, chego a conclusão de que, para esses, a piada definitivamente faz chorar! Além disso, ninguém é obrigado a adivinhar o recado que ela queria passar com a piada. E não venha dizer que é por falta de inteligência.

    Sarah Silverman é a mais bonita das comediantes de Stand Up. Só!

    • Rafael

      Não é questão de advinhar o recado, e sim de entender seu significado.

      E é sim falta de inteligencia.

  • Deh

    Só vim aqui para direcionar meu comentário à este FERNNANDO e perguntá-lo: E DAÍ? Foda-se que você não gosta da Silverman. Foda-se o que você acha sobre o Danilo Gentili. Ninguém quer saber. E outra, se for xingar alguma coisa, seja homem e explique o motivo, senão fica parecendo uma menininha fresca que não vai com a cara das coisas e acha que tem o direito de falar o que bem entender. Agora vá brincar e deixe os titios em paz, ok?

    Agora, voltando ao que INTERESSA, concordo plenamente com o texto. As pessoas estão acostumadas a serem IRRACIONAIS. É evidente que uma piada envolvendo crianças etíopes ou portadores de deficiência choca. Ao menos no início. Assim é pois estamos acostumados a não debater assuntos como estes. É muito melhor falarmos sobre outras merdas quaisquer, ao invés de pararmos para pensar em coisas delicadas que dizem respeito, DE VERDADE, à vida das pessoas. São muitas as implicações ao se tratar de assuntos como esse, e Sarah Silverman foi EXTREMAMENTE FELIZ em fazer o que fez. Trouxe à tona um assunto delicado, e simultaneamente fez uma crítica NECESSÁRIA e muito INCISIVA à essa piada de mundo em que vivemos, onde a imagem é o que importa, é algo sagrado e intocável. Gentili, por sua vez, já fez a mesma coisa em diversas outras ocasiões. E voilá, à eles cabe o ônus de ouvir comentários babacas de gente que, por usarem o SENTIMENTO acima da RAZÃO, por se sentirem incomodadas com um certo comentário, bloqueiam seus cérebros para aquilo que foram propostos, que é a REFLEXÃO. Aí é pau e pedra pra cima deles. E assim caminha a humanidade. Com certeza Gentili, Silverman e muitos outros vão ter que ouvir comentários infelizes como o do bostinha do Fernnando, mas paciência, é isso que as pessoas tem capacidade de produzir e interpretar com seus intelectos primitivos. E isso, honestamente, me entristece.

    Espero, mesmo desiludido, ver uma revolução intelectual até o dia de minha morte. Que alguma geração futura se desprenda desse falso moralismo filho da puta que serve de escudo pra tudo de ruim que existe dentro das pessoas. Uma hora teremos que nos por à prova e questionar aquilo que consideramos CERTO ou ERRADO.

    Abraços a todos (menos à bicha do Fernnando, com seu nome afetado e dois "N", vai que babaquice contagia?)

    • E tipo, foda-se você… eu não acho que tenho direito de alguma coisa… EU TENHO SIM de não gostar de quem eu não quiser e falar(escrever) o que eu bem entender, cuide de sua vida de merda, menininha fresca é o seu C¨%$%¨, e meus motivos de não gostar vão além de sua humilde compreensão.

      Nasce de novo antes de escrever esta quantidade de borracha para quem você não conhece, defendendo gente escrota(Da sua laia, claro), pessoas como você.

      Claro que babaquice contagia, imagina como sofrem as pessoas que são obrigadas a conviver com a sua pessoa.

      A pobreza espiritual é a pior de todas, e você é somente um mendigo. (Provavelmente em todos os pontos)

      Fala sério, deixa um link para que eu possa admirar seu trabalho, seu Merda.

      Obs – Quer falar de nomes afetados? DEH? DEHsgraça? VTC prego (Ou prega, sei lá que porra é esta)

      Obs 2 – Danilo Gentilli e Sarah Silverman trepando, fica triste não… mas não cabe você.

      :)

    • Nós aqui do lado bom do mundo estamos torcendo ferozmente pela revolução intelectual, que ela venha o mais rápido possível e você possa finalmente morrer em paz.

  • Eduardo Marques

    Muito bom o texto.

  • Mariana

    imagino que vc ja conheça, mas é sempre bom rever, sobre eesse mesmo assunto:

    http://videos.orange.es/video/iLyROoaftccl.html

    os caras sao demais

  • Cardoso, suas considerações são muito pertinentes. Existe uma onda de hipocrisia em relação ao tema da inclusão, muitas pessoas acham que tratar a questão é colocar o deficiente como vítima e, portanto, não pode ser alvo ou participar de brincadeiras e piadas (qualquer piada, mesmo as que não falem sobre sua condição), de repressão, de contrariedade, enfim, não podem verdadeiramente viver em sociedade (contradição total). Isso não é incluir ninguém, ao contrário, é marginalizar mais ainda, pois isso estimula a visão de que o deficiente vive uma vida de sofrimento por ser deficiente, gerando o sentimento de piedade, entre outras coisas que você citou no texto.

    Outro fato que acho engraçado é (tenho uma amiga com deficiência e já vivenciei isso), que muitas dessas pessoas que acham um absurdo fazer essas brincadeiras dificilmente tem algum tipo de relacionamento com um portador de necessidades, algumas até apresentam uma certa resistência em simplismente puxar uma conversa. Grande hipocrisia.

    O blog está muito bom. Abraços

  • Judy

    Curti a Family Guy, mas não a comediante… Não é questão de entender ou não, é questão de não gostar mesmo.

    • Estamos juntos e misturados na mesma idéia.

  • humor inteligente é para poucos.

  • Zé Már

    Seu texto é uma pérola, pena que tenhamos tantos porcos por perto.

  • E o teor dessa lista de comentários continua sendo a razão pela qual eu leio e raramente comento alguma coisa.

    • Ás vezes vale a pena fazer algum comentário.

      Se aprende bastante lendo as repercussões.

      A única coisa que não gosto é dos ditos "anônimos", que se escondem para opinar.

      Eu não sou assim. Todos sabem quem eu sou. Assim como o Cardoso.

  • hahaha ……

    inteligência e para poucos!!!

    que bom!!

  • Gustavo

    Faltou honestidade no post ao omitir o fato que a filha com Down da Sarah Palin não é adotada. Seja a garota filha da própria Sarah, ou de sua filha Bristol (como alguns dizem), ela definitivamente não é adotada. O contexto do post faz o leitor crer o contrário.

    • HEIN?

      Primeiro, é um FILHO. Segundo, que diferença faz ser adotado ou não? Onde isso influencia a história? Terceiro, Desonesto é a putaqueopariu.

      • Gustavo

        Pelo nome (Trig) achei que fosse mulher, mas independente disso, ao entrelaçar as duas histórias (Family Guy e Sarah Silverman) mencionando a opinião que a Silverman tem sobre pessoas que adotam crianças com down só para mostrar ao mundo e se sentirem bem com elas mesmas, mas deixando de mencionar que a Palin *não* entra na lista dessas pessoas, eu vejo uma tentativa do autor a induzir o leitor a acreditar o contrário.

        • Você está realmente inteirado do assunto, impressionante. Agora só falta aprender interpretação de texto e entender que um evento não tem NADA a ver com o outro e a Sarah Silverman não é obrigada a citar todas as exceções de uma piada, ainda mais quando ela não faz NENHUMA referência à Sarah Palin.

        • Na verdade, Cardoso, acho que desta vez você é que não soube interpretar o texto. :) O que o Gustavo disse é que VOCÊ deixou de mencionar que a Palin não tem nada a ver com o assunto, e não a Sarah Silverman.

    • Em momento nenhum do post eu achei que o filho da Sarah Palin era adotado. Realmente acho que isso não ficou subentendido em momento algum.

  • Que tem gente sem senso de humor que não entende piadas que não sejam auto-explicativas eu sei. Mas meu medo maior é quando as pessoas que riem da piada também não a entenderam.

    Em Glee também teve um espisódio interessante envolvendo uma menina com down. A "vilã" da série é convencida a aceitar alguém fora dos padrões para seu time de cheerleaders. Uma menina com down é escolhida e ela trata a menina com rigor, igual a todas as outras. O outro professor (que vive às turras com ela) diz que a menina precisa de tratamento diferente das outras e ela diz que enquanto ele vê alguém que por sua deficiência precisa ser tratada diferente, ela vê alguém que quer ser tratada exatamente como todas as outras.

    Achei interessante justamente a vilã passar essa mensagem. Pena que depois colocam um finalzinho meio piegas com ela tendo uma irmã com down.

  • Acredito que se os futurólogos estiverem certos, a humanidade será – de fato – extinta. Mas os primeiros seres que vão sumir, com certeza, serão os humoristas! Não há mais campo de trabalho pra eles! Ninguém pode mais fazer piada com nada!

  • Well, foi o que falávamos sobre a questão do preconceito é MUITO maior de quem diz não ter.
    Quando fazemos piadas de loiras, portugueses, papagaios, ninguém reclama, mas é só fazermos uma piada sobre uma minoria que o bicho pega. Se todos são iguais, todos merecem ser alvo de piadas também.

    Quem me acompanha no twitter sabe que participei de um concurso valendo um Kindle.
    Ganhei (\o/), mas isso não importa para o texto. O que importa é que minha concorrente é tetraplégica.
    O concurso consistia em gravar um vídeo dizendo o porquê de gostar de trabalhar na empresa.
    Nos últimos dias do concurso, conforme eu fazia propaganda e divulgava tencionando ganhar (a mesma coisa que ela fazia, diga-se de passagem), fui agredido pelos familiares e amigos dela, como se estivesse roubando o pirulito de uma criança. Vejam que amáveis e despojados de preconceito são esses familiares:

    "Clau, nao fique triste se voce nao ganhar. O importante é participar e fazer as pessoas verem que voce e limitada em seus movimentos e que nao consegue folhar um livro.

    Agora…………..fico admirada do seu concorrente nao ter o minimo de vergonha na cara de nao apoia-la numa situacao desta. Mas tudo bem Clau…….O concorrente nao sabe o que é ser uma pessoa LIMITADA. Alias, LIMITADO é ele que nem sequer consegue tocar seu proprio coracao."

    "Ainda Bem que sua deficiencia não é mental. Parabens!

    Vc sempre será uma vencedora! Bjs."

    Aí, teve uma que foi no meu vídeo e fez o seguinte comentário:
    "Vc já tem sorte de não ir em cadeira de rodas!!!!"

    Vê-se claramente de onde vem o preconceito. E tudo isso porque eu cometi o CRIME INAFIANÇÁVEL de tratar uma colega de trabalho deficiente como alguém "normal".

    Conforme falei no twitter, se Achmed viesse ao Brasil, ele sairia do teatro de camburão.

    "Coisas materias se vao com o tempo.Hoje ja temos um Ipad que faz muito mais que um Kindle" <- isso depois de ela ter perdido.

  • Detalhe que o post é antigo, mas continua atual…

  • Glória Celeste

    que algumas pessoas finger ter, 2 parágrafo não é FINGEM ter?? pode apagar este comment

  • Alguns amigos vivem falando do Family Guy, pelo jeito vou ter que começar a assistir também. Não é a todo instante que encontramos fontes do humor ligeiramente acima do medíocre, encontrar algo inteligente então é jóia rara, mas não precisa desossar!

  • Lucas

    Fiz questão de voltar a este post um porrilhão de anos depois para postar este vídeo altamente relacionado.