A história de como Hitler não era bobo e preferiu não pagar a conta do gás

Hoje em dia muita gente acha que o pior conflito da História da Humanidade foi o dia em que o pessoal do Occupy Wall Street foi proibido de usar o banheiro do Starbucks, mas o consenso geral é que a Primeira Guerra Mundial foi o mais terrível que a perversidade humana conseguiu imaginar. A guerra de trincheiras, a metralhadora, o tanque de guerra. Nunca se matou tanto, foi a morte em escala industrial.

Também foi a primeira guerra da Ciência. As armas químicas que começaram a aparecer em conflitos passados agora eram produzidas em escala industrial, cientistas de todos os lados testavam novos compostos, e apesar de todo mundo achar que a Alemanha seria a vilã, o primeiro país a usar armas químicas na Primeira Guerra foi a França, ao atacar tropas alemães com gás lacrimogêneo.  Os alemães retaliaram com Cloro, depois gás Mostarda, e logo todos os lados estavam protestando contra as armas cruéis e destruidoras, mas ninguém deixou de usá-las.

Ao final 1.3 milhões de baixas foram causadas por armas químicas, fora 260 mil baixas entre a população civil, que como vimos na Mulher-Maravilha, costumava ficar no caminho das nuvens letais.

Vendo o tenebroso resultado, as incontáveis mortes, sequelas, gente sofrendo e definhando por anos, assim que a Primeira Guerra Mundial acabou  os países envolvidos fizeram a única coisa razoável e aceitável: Começaram a produzir e estocar armas químicas feito loucos, preparando-se para o próximo conflito.

Só de gás Mostarda foram estocados:

  • Inglaterra: 40.719 toneladas
  • União Soviética: 77.400 toneladas
  • Estados Unidos: 87.000 toneladas
  • Alemanha: 27.597 toneladas

Apesar disso, fora o Japão em pequenas quantidades, ninguém usou armas químicas na Segunda Guerra. es alemães fizeram um ataque à Polônia em 1939 mas ficaram desesperados quando perceberam, o gás foi usado por engano, e o caso permaneceu oculto pelos dois lados por vários anos.

Existem várias teorias do motivo de Hitler não ter usado armas químicas na Segunda Guerra. Note que sempre colocam o pobre Adolf como vilão da história, mas desta vez a mais popular é que ele teria visto os efeitos das armas químicas nas trincheiras da Primeira Guerra, e não as usou na Segundo com medo de que seus soldados fossem atacados por elas na inevitável retaliação.

Nobre, singelo mas a rigor nenhum dos lados usou armas químicas por isso mesmo, medo de que o outro lado revidasse na mesma moeda mas a verdade é que Hitler não era esse cara legal que tentam vender. Ele estava preocupado não com soldados, mas com… cavalos.

No livro Of Spies & Stratagems, é contada uma entrevista de Hermann Göring, após e guerra e prisioneiro em Nuremberg. Uma dúvida do autor foi repassada pelo General William Donovan, que perguntou a Göring o motivo de não terem usado armas químicas para repelir a invasão da Normandia.

Ele respondeu: Die Pferde. Ou, em bom português “os cavalos”.

Göring explicou:

“Um cavalo se deita entre os estribos assim que tem a respiração restrita. Nós nunca conseguimos criar uma máscara de gás que um cavalo tolerasse.

Nós não tínhamos gasolina suficiente para suprir adequadamente a Força Aérea ea Divisão de Panzers, então nós usávamos transporte equino em todas as operações. Vocês devem ter sadido que a primeira coisa que fizemos na Polônia, França, em todo lugar foi consfiscar os cavalos. Todo o nosso material era transportado por eles. Se nós tivéssemos usado gás vocês teriam retaliado e imediatamente nos imobilizado.

Eu digo a você, vocês teriam vencido a guerra anos atrás se tivessem usado gás. Não em nossos soldados, mas em nosso sistema de transporte. Seus homens de inteligência são imbecis!”

Ele fala a verdade. A incrível Máquina de Guerra alemã era de carne e osso e tinha quatro patas.

De uma forma ou de outra todo mundo usou cavalos na Segunda Guerra, mas os alemães dependiam deles. Dependendo de petróleo importado, eles viviam em racionamento, mesmo sendo complicado logisticamente eles utilizaram 2.75 milhões de cavalos e mulas durante a Guerra, transportando 80% das cargas.

Eles serviam não só para transporte, mas havia Divisões inteiras de cavalaria, que foram aos poucos sendo reduzidas pois os cavalos morriam muito e eram mais úteis na retaguarda. Os generais alemães não eram burros de lançar cargas de cavalaria contra tanques, como reza a lenda uma tropa polonesa tentou certa vez.

Esse importante lado das forças alemães se não foi escondido, foi diminuído nos livros de História e principalmente em Hollywood, e e compreensível durante a guerra faz sentido você zoar o inimigo, uma desmoralizada é essencial para as suas tropas não ficarem com medo, mas depois que você ganha a situação se inverte. A vitória perde parte do sabor se você descobre que o inimigo não era isso tudo.

Por mais que a Alemanha tenha sido um inimigo formidável e feito excelente uso de seus cavalos, simplesmente não dá bom cinema. Convenhamos, o que fica melhor na fita, os nazistas malvadões chegando numa Divisão Panzer, ou cada um montado numa Egüinha Pocotó?


O Contraditorium vive de doações. Não veiculo anúncios no blog. Somente sua colaboração me incentiva a escrever artigos cada vez melhores, sem rabo preso com anunciantes, partidos ou militâncias.

Prestigie essa liberdade, faça uma doação, ou melhor ainda, assine meu crowdfunding, torne-se um colaborador mensal e ajude a combater a mediocridade! Cada centavo diminui a chance de você me ver em uma banheira de Nutella!

Leia Também: