Ao contrário de Ayrton Senna a F1 está morta e enterrada

speed_racerComo todo brasileiro eu cresci assistindo Fórmula 1. Foi uma rara exceção no complexo de vira-latas glorificado pela cultura nacional.

Era um esporte que tinha tudo pra não fazer sucesso por aqui. Caro pra burro, eminentemente europeu, tecnológico e –maior pecado- individualista, trabalhando em cima do talento individual. Tudo que o brasileiro aprende a desprezar desde criança. Mesmo assim os Domingos de corrida eram sagrados.

Acho que era uma catarse, não podíamos viver 24/7 de viralatismo, as corridas eram a chance de vermos um brasileiro vencedor, competindo de melhor pra pior (igual pra igual my ass) com os melhores do mundo. Talvez Emerson, Piquet, Pace fossem aceitos por levarem a carga do viralatismo junto com eles, talvez o público os aceitassem pois venciam “apesar de brasileiros”.

Hoje a Fórmula 1 é uma piada. O nome Senna não é mais sinônimo de talento, o nome Piquet foi apagado para esta geração, só sendo respeitado no passado e o nome Fittipaldi se tornou o Opera dos pilotos. É bonzinho, todo mundo gosta mas ninguém usa.

Lembrando o Passado:

Em 1983 todo mundo falava mal do autódromo em Donnington Park, na Inglaterra. Mimimi não tem ponto de ultrapassagem, mimimi. A MacLaren reclamava que seu motor Honda era fraco. Os instrumentos de medição o colocavam 80 Harry Potters abaixo da concorrência.

Aí um Piloto chamado Ayrton Senna mostrou –não é que estivessem errados- que ele não tinha o menor respeito pelas Leis da Física. Não só ignorou solenemente a tal potência inferior do motor como achou criou não um mas quatro pontos de ultrapassagem. Impaciente, ele fez na primeira volta o que muita gente (estou olhando pra vocês, Rubinho,Nelsinho e todos que se definem por inhos) nunca fez na carreira inteira.

Ele saiu de um 5o lugar no grid para a pole position, deixando pra traz Prost, Schumacher e outros. No final ele ganhou a corrida com uma volta de vantagem em todo mundo menos o 2o colocado.

Outro momento de gênio:  GP da Hungria, 1986. Senna numa Lotus uns 30% além dos limites teóricos do carro. Piquet numa Williams, um caso de gênio gênio(sou Sennista, me processem) contra gênio com carro MUITO melhor. Senna segurou o que deu, até que Piquet lembrou que era gênio e gênio não precisa respeitar Leis da Física. Indo contra TODAS as regras de segurança existentes ele simplesmente jogou o carro na curva além do traçado e além do controle. É o que as pessoas comuns chamam de “entregar pra Deus”.

Seria assustador se Piquet não FOSSE Deus.

Após passar Senna com essa trapaça metafísica, Piquet fez o Mundo voltar ao normal, as Leis da Natureza voltaram a valer e ele seguiu adiante.

Hoje não vemos mais nada disso. A Fórmula 1 virou burocrática, é rara a corrida que tem algum momento emocionante, mas não estou escrevendo este post para reclamar disso. Este post é para avisar quem ainda gosta do esporte que seus dias estão contados.

A praga politicamente correta chegou à fórmula 1. Os Ecochatos venceram.

Lembra dos motores V12 3.0 da Ferrari? NUNCA MAIS. As regras da FIA para tornar a Fórmula 1 um esporte VERDE, valendo para a temporada de 2013 são:

  • Motores terão cilindrada reduzida de 2.4 para 1.6
  • RPMs máximas baixarão de 18 mil para 12 mil
  • Número de cilindros será limitado para 4
  • Biocombustíveis
  • Economia de 35% no consumo de combústível

Isso mesmo. Nem o Fiat Stilo do Morróida é tão fraco. Hoje só sai de fábrica com motor 1.8.

Quer dizer: Um carro de competição, de exibição, criado para correr menos de 20 corridas por ano para agradar os ecochatos tem que ser lobotomizado, aleijado até perder no SuperTrunfo pra um FIAT. Qualquer fusca rodando três vezes por semana consome mais recursos naturais que um F1 que corre 20 vezes por ano.

Se é assim, acabem logo com o esporte. Não tem nenhuma “utilidade”, pelo ponto de vista dos ecochatos, F1 não serve para puxar arados ou transportar alface orgânica até a lojinha do bairro.  Que a Fórmula 1 se vá com a cabeça erguida, que o último som que emita seja o ronco dos motores de verdade, não o patético murmúrio dos carros elétricos que com certeza os ecochatos estão pensando em introduzir como obrigatórios na categoria, em 2014, provavelmente.

Você que ama corridas, ama velocidade e ama essas máquinas maravilhosas, fique com esta jóia, que fala muito mais alto que esses gestos verdes vazios:

[ATUALIZAÇÃO]

Um bando de trollzinhos de merda™ saiu me atacando, com o ódio de sempre. mimimi só fala merda, mimimi não entende nada de Fórmula 1, etc, etc.

Uns dias atrás um sujeito de forma independente se solidarizou comigo. Disse ele: “esses motores são patéticos para a categoria mais importante do automobilismo mundial”. O sujeito também defendeu a inovação: “Concordo que precisamos cortar custos, mas essa abordagem ‘pobre’ da F-1 não é boa. Ser barato é diferente de não ser caro. Queremos que a F-1 esteja ligada a inovações, incentivando a tecnologia”.

Quem é esse sujeito, que concorda comigo então obviamente não entenda nada de Fòrmula 1? Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari.

Confira as declarações aqui, aqui e aqui


O Contraditorium vive de doações. Não veiculo anúncios no blog. Somente sua colaboração me incentiva a escrever artigos cada vez melhores, sem rabo preso com anunciantes, partidos ou militâncias. Prestigie essa liberdade, faça uma doação. Use o PagSeguro no botão abaixo ou via PayPal com o email cardoso@pobox.com. Caso você tenha uma carteira PicPay,meu usuário é @carloscardoso. Caso não tenha e queira uma forma de transferir pequenas (ou grandes, de preferência grandes) quantias sem taxas, é só se inscrever.  Eles te darão R$10,00 para experimentar, basta utilizar meu código promocional CARDOSO

Toda moeda é bem-vinda, desde que seja de país com luz elétrica e água encanada.




Leia Também:

  • Pozzebon

    É, acabou.

  • Vinny

    A corrida de Donnington Park foi 1993, só para corrigir. Quanto aos motores, eles serão turbo, por isso a redução de cilindrada. Fora isso, concordo com tudo, a F1 deixou de ser esporte e virou just business há tempos.

  • Muito bom o texto.

    Tenho alguns comentários.

    -Rubens Barrichello fez uma volta parecida na Alemanha em 2000, não é gênio claro mas gosto e defendo ele pelo tanto de anos que conseguiu se manter na maior categoria do mundo.

    -Sou Sennista mais acho Piquet um piloto mais completo.(me matem)

    -Li que os motores 1.6 terão a mesma quantidade de cavalos dos motores de hoje (+-650Cv)

    Era isso, ótimo texto.

    Abraço

  • Chorei. Sou sennista, me processem [2].

  • Bruno Barros

    Baixei as primeiras corridas da temporada de 84. Corridas absolutamente fantásticas. Mônaco (show de Senna e Bellof), Brasil (show de Piquet até quebrar), Detroit, Dallas (pista sem as mínimas condições com o asfalto esfarelando). Até pouco tempo eu pensava que jamais veria uma corrida com Senna, Lauda, Prost, Piquet, Keke Rosberg, Arnoux, Alboreto e Mansel.

  • _g

    Bem, agora eu posso dizer que meu peugeot 206 1.6 tem as quase todas as mesmas especificações de um F1, tirando as rotações.

    O bicho mal chega a 6 mil rotações :C

    PS: Logo depois que o Senna morreu meu pai disse: "A F1 já era". O véio tava certo hein? :/

    • Hawk

      Meu pai disse a mesma coisa. Os véios sabem das coisas né.

  • Lem0n

    Em 2014 a F1 vai ser disputada via Internet, em simuladores

    • eu

      Super Monaco GP pra MegaDrive

  • Aloha Chefe!

    Há esperança. (Ou pelo menos o General Esperanza!)

    O mundo pode acabar em 2012. :(

    Aloha!

  • A corrida de Donnington Park foi 1993, só para corrigir.[2]

    :)

    83 nem tinha shumi ainda! :P

    • Eu li errado :(

      • Só pra ser chato junto, o motor da McLaren era Ford, não que isso mude grande coisa no texto ou na realidade.

        Não sou fã de F1. Brasileiro ainda gosta de torcer, fica difícil achar graça no esporte sem ter pra quem torcer. Junta a isso todo esse marasmo sem ultrapassagens, etc e não tem graça nem de torcer por outros.

        No mais esse trecho foi foda:

        "Após passar Senna com essa trapaça metafísica, Piquet fez o Mundo voltar ao normal, as Leis da Natureza voltaram a valer e ele seguiu adiante."

  • Vinicius Matheus

    A Formula 1 está se mechendo para resolver os problemas de ultrapassagem que atualmente são o único impecilho para que hajam 'momentos emocionantes' durantes as corridas (que por sinal, eu vi vários nos últimos anos, acho que não preciso citar Interlagos 2008) já que a performance dos carros está tão equiparada.

    Essa mudança nos motores indica uma mudança geral no conceito no conceito, virá junto a mudanças na aerodinâmica dos carros de forma que eles se tornarão no geral muito mais eficientes e precisando de menos potência para atingir as mesmas velocidades, quiçá velocidades superiores… no mais, a Lotus que Senna pilotou em 1986 utilizava motores Renault, turbo e com 4 válvulas.

    No final você pode continuar assistindo a sua Formula 1, Cardoso, é só baixar as temporadas de 70 até 94 no piratebay.

    • Joãozinho

      Claro, e a aerodinâmica se aperfeiçoara tanto que os carros "correrão" no céu, longe do asfalto, respeitando a natureza.

  • Rodrigo Saraiva

    Ótimo texto.

    Também sinto falta de acordar domingo de manhã para assistir corridas fantásticas de F1.

    A emoção da fórmula 1 de hoje é quem vai sair dos boxes em primeiro lugar para ficar com a posição.

  • Bom… o argumento das restrições não da pra contar. Um Opala velho é 4.1. Desde sempre as restrições aumentam na F1 mas a tecnologia supera. E acho que eletricidade é um caminho sem volta, e há possibilidades técnicas de fazer carros velozes nesse modelo. Hoje ainda não teria condições de fazer a corida, mas alguns elementos já foram introduzidos. O KERS por exemplo, que infelizmente não pegou. Acho que o problema é justamente a grande evolução dos carros. Antigamente era uma aventura pilotar aqueles carros. Mas também, quanta gente morria? E pra nós brasileiro, o que falta é um Senna, um Piquet, um Fitipaldi…

  • Talvez seja só uma fase ruim (e longa).

    Quem sabe em alguns anos não tenhamos carros e pilotos tão bons e velozes como antigamente, só que verdes e elétricos? Não desanime, Cardoso!

  • Cardoso,

    " Ele saiu de um 5o lugar no grid para a pole position, deixando pra traz Prost, Schumacher e outros. "

    Acredito que tenha sido uma distração qualquer, mas o correto é deixando para trás.

  • Chorei de rir com esse post. Perder para um Fiat no Super Trunfo foi demais. Eu tenho um amigo com uma opinião parecida com a sua (http://paposegoles.com.br/?p=1066). Estou cada vez mais fã desse blog tão conhecido mas que comecei a acompanhar a tão pouco tempo. Parabéns!

  • Eu achava o Piquet, mais legal justamente por ser mais politicamente incorreto do que o Senna. As entrevistas com Nelson Piquet são divetidissimas, eu acho que muito provavelmente um piloto que falasse metade do que o Nelson Piquet fala já ia ter dificuldades para ter patrocinador.

  • Porra, quase chorei vendo os vídeos!

    Que a F1 vai acabar não sei. Agora com certeza nunca mais veremos Sennas e Piquets.

  • Um detalhe interessantíssimo nessa corrida de 1993 é que, na mesma volta que Senna cruza em primeiro largando em quarto, o "Primeiro Inho" da F1 cruzou em quarto largando em décimo segundo!

    Mas é verdade… A emoção foi embora da F1 de tanto tédio, e já faz tempo. Acho que meu olhos se arregalaram pela primeira vez em muitos anos naquela ultrapassagem do "Primeiro Inho" sobre o Dick. E foi só.

    • Roberto

      Bem, se o "inho" não fosse um piloto fora-de-série não estaria tantos anos na F1. E, ao contrário do valor que damos a ele aqui, no exterior é um piloto valorizado, pela experiência e pela capacidade técnica.

      • Se o "Inho" fosse grande coisa, não estaríamos chamando ele de "Inho" :-)

        • Concordo com o Roberto e discordo do Claudionor. Só chamei o Inho de "Inho" porque é assim que ele é conhecido. E foi, realmente, o primeiro "inho" da F-1.

          Particularmente eu sempre torci e ainda torço bastante para o Inho. Aqueles dois X no Dick quando ainda era da BUTECO (ou era BAR?) foram de perder o terceiro olho. Mas ele é um tipo de piloto diferente de Senna ou Piquet. Ele gosta de correr e o faz bem. Os dois gostavam de ganhar e o fizeram bem. É o mesmo que tentar o comparar o Mick Jagger com o João Gilberto. Alguns tem prazer na caminhada, outros somente querem ter o corpo pronto pro verão.

  • Pingback: Tweets that mention Ao contrário de Ayrton Senna a F1 está morta e enterrada -- Topsy.com()

  • Frattari

    "Um carro de competição, de exibição, criado para correr menos de 20 corridas por ano para agradar os ecochatos tem que ser lobotomizado(…)"

    Disseste tudo nesta frase. Ecochatos com suas sacolas retornáveis, suas lâmpadas de luz branca e seus peidos de couve crua devem fazer mais "mal para o planeta" (eu odeio este termo) que um ano de F1.

  • Mário

    Tanto o Ayrton Senna como a F1 estão mortos, mas ainda se fala deles… Não me importava nada de estar morto como a F1 e ganhar o que os pilotos ganham ou morto como o Senna e ainda se lembrarem de mim. E ainda como um aparte, a F1 pode não ser como nos anos 80 ou 90, mas passados 30 anos ainda rola. Dificel esta morte, não é? deve ser das maquinas de suporte à vida.

  • F1 pra mim acabou em 01/05/94

  • Gustavo

    Só espero ainda ter o meu pegeout 207 até 2013. Quem sabe não poderei correr na F1??? Pelo menos o motor será compatível…

    Grande texto!

    Abraço

  • melhor post…

    saudades do senna, meu primeiro e até hoje, único ídolo…

  • Fábio

    O mesmo pessoal que "espinafra" o Barrichello (11 vitórias) e o Massa (9 vitórias), idolatra o Pace que só ganhou 1 corrida.

    Mas ele morreu, virou gênio.

    A F1 é um esporte e como todo esporte há quem goste e quem não goste.

    Eu acompanho desde 1979 e continuo gostando de F1.

    Hoje há corridas boas e ruins, como sempre houve.

    As pistas novas, que o velho Bernie enfia no calendário pra ganhar dinheiro são um saco, mas as antigas ainda rendem grandes pegas.

  • Marcelo

    Schumacher sempre foi o melhor piloto do mundo …

    • Ricardo

      Ah, não ferra cara! O Schumacher só ganhava porque tinha o melhor carro e corria contra ABSOLUTAMENTE NINGUÉM.

  • @Skarabuz

    Não sou grande fã de F1. Talvez porque ninguém nunca tinha me mostrado os "momentos emocionantes" como você. De qualquer forma, ótimo texto.

    Vou tentar almoçar uma picanha em memória do Ayrton

  • Se uma volta pode transformar um piloto em genio o que dizer dessa do Rubens? http://migre.me/2VH0N … ah, sim … foi durante a tal "melhor volta da história" do Senna.

  • Alexandre

    A diferença é que Ayrton Senna passou todos que estavam na sua frente e não tinha mais ninguém, além dos ultrapassados serem pilotos do calibre de Schummacher e Alan Prost.

    O Rubinho também foi genial nesta volta, só que os pilotos que ele ultrapassou não eram do nível dos que o Senna passou.

    Mas como sabemos, não é uma volta que faz um gênio. Mas sim a sua carreira. E Senna indiscutivelmente foi um gênio, e para muitos outros pilotos, o melhor de todos os tempos.

  • Daniel Marques

    Ótima a matéria, mas só uma correção: O motor utilizado na McLaren era um Ford e não Honda. Inclusive, descobriram depois que a Ford fornecia motores de segundo nível para a McLaren naquela temporada (uma vez que ela fornecia os motores de primeiro nível para a Benneton). Senna havia assinado contrato para correr apenas na primeira corrida do ano, onde avaliaria se o carro teria condições de dar a ele o título mundial. O contrato do restante da temporada foi tratado de acordo com o andamento das corridas. Não lembro com detalhes qual era a prova, mas o Senna entrou para a troca de pneus e Michael Andretti já estava nos boxes. Senna passou direto e continuou a corrida! Mais tarde, viu que essa volta em que ele passou pelos boxes direto, foi a volta mais rápida da corrida e Senna disse que se fosse necessário passar pelos boxes pra vencer o Prost, ele o faria! Realmente, ele foi o melhor e ainda é o melhor!

    Quanto ao Schumacher? Não tiro o mérito de ter conquistado tantos campeonatos como conquistou, afinal ele estava ali (mesmo que fazendo manobras nada éticas e esportivas). Mas sempre teve o melhor carro a disposição, muitos pilotos não confrontavam diretamente, não fazendo o mínimo para defender a posição, tinha uma equipe sempre a disposição para suas vontades. Lembrando que em 1993 mesmo, ele fez uma cagada e tirou o Senna da prova e em troca tomou um esporro daqueles! Procurem um vídeo do Senna tentando controlar a Lotus em 1987 na corrida dos EUA, o carro simplesmente era descontrolado!

    Senna Rules!

  • Dany Lederman

    Saudades Senna…

  • Sérgio Deffen

    Acompanho a F1 desde os bons tempos da era Senna e continuo porque aprendi a gostar do esporte, mas mais uma vez penso em para de assistir as corridas depois da legalização da marmelada pela FIA, oficializando o jogo de equipe, é realmente o fundo do poço, lamentavel, mas ja esperado uma vez que o dirigente responsável usava do artificio para beneficiar o alemão, pra mim é o fim da linha.

  • Pois é. Também não gostei dessa mudança de motor, mas um detalhe ficou faltando. Os motores terão turbo, uma grande diferença. Buscando na internet não é difícil achar vários vídeos de pequenos motores gerando um grande desempenho.

    Esses motores de 2013 terão provavelmente algo em torno de 900 cavalos. Nada mal pra um motorzinho 1.6 V4 não é mesmo?

  • Rodrigo

    Lindo de se lembrar.

    Só lamento que, no dia-a-dia, essa imagem do Senna esportista genial esteja sendo gradativamente substituída pela de um Senna canonizado-casto-cafona. Opinião minha, o Senna está sendo bundamolizado, em geral já nem é mais associado à própria carreira na F1 quando falam dele por aí.

  • Philippe Hardardt

    No meu ponto de vista, obrigar a categoria a investir em eficiência é uma boa oportunidade de dar um destino útil aos milhões gastos em desenvolvimento. A proposta não é economizar combustível nas corridas, mas sim criar alternativas que possam ser levadas aos carros de passeio.

  • Alexandre

    Cardoso,

    Virou hater? Se fosse velocidade que fizesse a emoção da F1, hoje ela estaria melhor do que nunca!

    Além do mais a F1 é um laboratório de tecnologia automotiva. Com certeza eles farão grande contribuição para os motores econômicos que veremos em breve nas ruas. Acredito que o desenvolvimento da tecnologia tenha sido a maior motivação para abraçarem as mudanças.

    Abracetas!

  • Se ocorresse hoje uma ultrapassagem como aquela que o Piquet fez em cima do Senna, provavelmente o o piloto seria punido ou no mínimo julgado pelo fato de uma ultrapassagem daquelas gerar um risco elevado de acidente.

    • Marcos

      Nao esquecendo que o Senna ao longo da carreira sempre fez várias manobras arriscadas e que uma vez bateu propositalmente no Prost pra se vingar de uma parada da temporada anterior.

      • Ricardo

        Aquilo foi genial. Um verdadeiro "carrinho de zagueiro uruguaio na canela" do Prost.

  • Gabriele

    Não peguei essa fase de ouro da F1, tenho apenas vagas memórias do Senna. Como só acompanhei de uns anos para trás, tenho uma opinião muito escrota sobre o esporte, acho entediante. Sou uma pessoa que apóia muitas medidas ecológicas, mas essas aí achei muito idiotas mesmo. Excelente texto.

  • Uma correção: o episódio de Donington Park foi em 1993, e não 1983, como está escrito no post.

  • O Piquet era mais foda. Fazia uma balada no seu apê em Mónaco com as quengas mais caras de lá, saía e ia direto prá corrida. E ganhava.

  • Já perdeu a graça mesmo, e olha que eu era fã. Pra mim começou a cair quando começaram a restringir os avanços tecnológicos.

  • felipe

    Uma corrida com motor elétrico seria até uma boa idea, pra agente poder ver estes sendo levados ao máximo… mas realmente, continuar com a combustao e acabar o carro é foda. Nada impede a criação de uma nova modalidade pra esses tipos de carros ecológicos, não precisava estragar a F1.

  • Cardoso, só uma correção.

    Os ecochatos não obterão êxito em introduzir (ui) motores elétricos nos carros da F1 em 2014 por um motivo muito simples, o mundo terá sido extinto há 2 anos.

    Você esqueceu completamente do fim do mundo em 2012 ao fazer sua profecia.

    Não precisa me agradecer!

  • bruno

    Pelo que me lembro, o Rubinho, na mesma volta em Donnington Park'93, também fez um trabalho genial. Coisa de largar em 16º e terminar a volta em 4º. Não querendo defender, mas ele teve seu momento promissor. Nessa volta habilitaram o cheat que dava turbo infinito pros carros.

    • Lucas

      Por isso que eu acho a formula 1 uma coisa escrota…

      Ficar em QUARTO lugar é considerado 'genial'.

      Genial seria ter terminado em 1º!

      • Leisses

        Lucas, você entende que, segundo o bruno, o Rubinho fez 12 ultrapassagens em UMA volta?

        e genialidade não é necessariamente chegar em 1º, normalmente existem outras variáveis que podem influenciar o resultado, além da genialidade do piloto.

  • @jrventurim

    Na ultrapassagem do Piquet sobre o Senna há algo muito curioso, ele contra-esterça os pneus dianteiros, impedindo assim que o carro gire … Consegue fazem uma manobra típica do WRC, só que no WRC em geral em manogras são feitas na terra, areia ou neve … Considerando a diferença de downforce, realmente foi como fazer um looping em um 747.

    A volta do Senna foi fantástica, Senna foi o piloto das apoteoses, dos feitos magestosos, das voltas impossíveis e acima de tudo da pilotagem na chuva. Mas, para mim, Piquet foi mais piloto, tinha mais técnica, muito parecido com o Schumacher, queria ver os dois no auge, um contra o outro …

    Outra ultrapassagem fantástica foi a do Mika Häkkinen, outro excepcional piloto, sobre o Michael Schumacher em Spa na Bélgica em 2000, quando ele e Schumacher passaram um de cada lado do Ricardo Zonta (eterno retardatário brasileiro) e o Mika ultrapassou os dois ao mesmo tempo … Para mim a ultrapassagem mais arriscada da história da fórmula 1.

    A fórmula 1 não morreu. Os circuitos do oriente (exceto Japão, Malásia e Austrália) é que são chatos e burocráticos … Pilotos como Kubica, Huckemberg e Vettel, prometem temporadas boas …

    Quando à cilindrada (termo errado mas muito difundido) do motor, na década de 80 com os motores turbo, a capacidade cúbica do motor também era baixa.

    O motor BMW que era usado na Brabham BT52 que Piquet dirigiu em 1983 quando foi bicampeão tinha 1499 cc (isso mesmo, era um 1.5 L) de 4 cilindros e produzia 850 bhp para classificação e 600 bhp em corrida (baixavam a pressão do turbo para o motor aguentar).

    Será bom ver motores turbo novamente na F1, talvez os carros fiquem mais imprevisíveis e a performance dependa mais dos pilotos.

  • @jrventurim

    Sorry pelo "manogras" e "magestosos" … Só depois de enviar o comentário é que fui ler o que tinha escrito …

    Achei o vídeo da ultrapassagem de Häkkinen sobre Schumacher em Spa (2000): http://www.youtube.com/watch?v=K1WuWu8kGak

    E também este com várias boas ultrapassagens na F1: http://www.youtube.com/watch?v=iB2bFX7U01A&fe

  • xavier

    Pra mim depois que o senna morreu a F1 acabou, eu não perco mais meu tempo assistindo as corridas.

    Eu cai aqui no blog por acaso, atraves de um link que encontrei no http://reduggy.net/, parabens pelo blog ele é bem legal.

    Um grande abraço a todos e um feliz natal.

  • xavier

    Pra mim depois que o senna morreu a F1 acabou, eu não perco mais meu tempo assistindo as corridas.

    Eu cai aqui no blog por acaso, atraves de um link http://reduggy.net/noticia/ao-contrario-ayrton-se… que encontrei no http://reduggy.net/, parabens pelo blog ele é bem legal.

    Um grande abraço a todos e um feliz natal

  • Ricardo Carioca

    Cardoso, sou amigo do Johnny (@proveisso) e ele me pediu para comentar esse post. Farei isso em topicos.

    Dizer que o nome Senna nao é sinonimo de talento é se render a uma analise superficial. Afinal fica dificil mostrar serviço quando a maquina nao oferece um minimo de desempenho. Nao se esqueça: Alonso era piloto da Minardi em 2001 e nao mostrava serviço algum e tal ideia foi desmistificada anos depois. Tanto ele como di Grassi merecem chances melhores, pois sao sim bons pilotos.

    O caso da volta milagrosa do Senna foi em 93 e nao em 83. Senna corria por uma McLaren que usava um motor Ford DFZ Serie 7, inferior aos serie 8 da Banetton. porem esse carro era reconhecidamente estavel e amigavel com seu piloto. Tanto que, mesmo com o motor inferior, ele usou de suas habilidades e ainda foi vice do mundial. Na minha opiniao a melhor temporada da carreira dele, disparado, soando ate como um canto do cisne, ja que ele morreria 6 meses depois.

    Que a F-1 esta chata e politicamente incorreta, eu concorrdo plenamente, mas suas criticas vieram no item errado. A mudança nos motores como sugerido sao SIM uma necessidade. A tendencia mundial é o chamado "downsizing turbo engines", que significa fazer motores de baixa cilindrada, apoiados em sobre alimentaçao (turbo, charger), para compensar a baixa potencia da situaçao. Apesar dos numeros parecerem pequenos, os reais mostram desempenhos de motores 1.6 ou 1.8, com consumo de 1.2. Alias, eu adoraria ver esse tipo de mentalidade por aqui. A F-1, que deve servir muito mais como um laboratorio para nossos carros simples do que ficar apenas esbanjando dinheiro e potencia, tem a obrigatoriedade de seguir essa tendencia. E se pensa que os numeros serao pequenos, deixe-me lembrar de um fato do passado: quando a F-1 usou motores turbo, nos anos 80, as potencias atingidas chegaram a expressivos 1500 HP!!! Logico que atualmente essa potencia deve ficar em torno dos atuais 750-800 HP, mas isso seria uma mostra de desenvolvimento. Afinal, teriamos o mesmo depempenho dos motores da atualidade, consumindo MUITO menos (num chute sem muita referencia, o consumo iria para algo em torno de 8 km/l, bem melhor que os atuais 1,25).

    Vim deixar minha opiniao aqui a pedido de um amigo, que sabe o modo que penso. Acompanho a categoria ha mais de 25 anos (tudo que vc mencionou no post eu vi ao vivo) e sou formado em engenharia ficada ao automobilismo. Espero que esse meu longo reply sirva de alguma coisa.

    Um abraço,

    Ricardo "Carioca" Arcuri

  • Longe do mimizento saudosismo, concordo contigo, a F1 já deu o que tinha de dar. Hoje mais do que nunca é um show de negocios e marcas. Tudo bem que no seu começo as questões de segurança eram absurdas. Nego pegava fogo no carro e não vinha um carro de bombeiro. Mas, hoje em dia, tá cada dia mais sem graça.

  • Concordo com muita coisa que você disse, porém, sobre a utilização de motores elétricos, multi combustivel, etc… acho que a F1 DEVE ser o laboratorio do mundo. Se forcarem utilizar combustiveis "limpos", a F1 da um jeito de "tirarmos" potencia deles, melhor utilizaçao, etc, etc.

  • José Neto

    Amigo Cardoso, você deveria se informar antes de sair falando.

    Primeiro: o nome da equipe é McLaren, e não MacLaren.

    Os motores 1.6 serão turbo, e fora que vai ter o KERS, sistema que dar mais potência aos motores da energia que é gerada pelas freadas.

    Isso é a mais alta tecnologia, e os motores vão ser até mais potentes que os de hoje.

    E a fórmula 1 continua a bater recordes de audiência em todo o mundo, fora que o campeonato desse ano foi emocionante.

    Abraços.

  • Caramba, onde é que eu estava que só vi esse artigo AGORA? Como sempre, um excelente material de leitura e informação. Ainda curto assistir à Formula 1, mas as perspectivas futuras não são realmente muito animadoras. Mas a gente segue assistindo com esperança, enquanto for possível :D

  • Só uma correção: A vitória citada do Senna em Donnington Park foi em 1993.
    Fora esse erro, o texto está ótimo. Falou realmente a verdade.
    Tenho saudades do tempo que a F-1 era para poucos e para "os bons", não para quem tem mais dinheiro como é hoje.

  • post fantástico, cenas históricas, conteúdo interessante.

    mas sou obrigado a fazer duas coisas.
    1) esqueceu do schumacher largando dos boxes e ultrapassando TODO MUNDO, ganhando a corrida… infelizmente não lembro o GP e a data, mas, se não me engano, foi pós-senna.

    2) discordo em partes sobre sua opinião da abordagem ecológica da Fórmula 1. A questão é justamente a inovação. As tecnologias desenvolvidas nessa categoria de ponta influenciam decisões de design, engenharia e segurança em toda a indústria automobilística do mundo, assim como acontece com os Rallys, onde os carros acabam ganhando uma versão de rua no ano seguinte. Isso exigirá dos mecânicos e pilotos muito mais para produzir um carro decente. A idéia é que se vc puder fazer um carro 1.4 correr tanto quanto um 1.8, isso exigirá muita evolução tecnológica que tem muito mais probabilidade de acontecer quando engenheiros e mecânicos DEVEM fazer isso. Senão eles simplesmente iam continuar produzindo carros cada vez mais poderosos e poluentes, que alimentariam a tendência de mercado de criar carros mais poderosos e poluentes. Ao invés disso, eles têm a chance de mostrar que é possível criar motores melhores e mais eficazes, utilizar os conhecimentos de aerodinâmica e física estudados exaustivamente durante toda a história da Fórmula 1.

    Acredite, se tem alguém que conseguiria desenvolver esse tipo de tecnologia para melhroar a indústria automobilística mantendo o alto desempenho, esse alguém está nos boxes de uma dessas equipes, esperando para criar o próximo grande motor.

    Se o presidente da Ferrari acha isso ruim, é porque ele gosta de se aparecer dizendo que tem o motor mais fodão do universo, quer fazer logo uma ferrari 5.0 e foda-se quanta gasolina ele vai gastar, em vez de passar trabalho e gastar dinheiro criando algo que possa fazer diferença no mundo, e não ao ego de quarentões ferraristas que nunca poderão utilizar toda a potência de seus incríveis motores na rua.
    minha opinião né, cada um com a sua….

  • eEUcomISSO [Tassio Bruno]

    oi cardoso, nossa, tem anos q nao visito seu blog.

    bom, sobre ayrton, Cardoso, ele foi o maior de todos, de uma geração — e de muitas posteriores tbm.
    foi melhor q o schume, q alonso, pra mim, q proust, q piquet. ele foi o melhor dos anos 80-presente.
    ponto final. nao havera outro ayrton dentro de pelos menos 50 anos — estatisticamente falando.
    do MUNDO Cardoso, do Mundo. nao ha como comparar ele com rubens ou massa.

    Rubens e massa sao bons pilotos, no maximo com capacidade para ser camp mundiais — mas nao tao geniais como foi ayrton, q sempre buscou Ser o Melhor, no que Fazia!
    quantos desses vc encontra na fisica, na medicina, na ciencia?
    quantos phds nao chegam a ser um Tesla, um Kant?
    Quantos?

    isso é totalmente normal, portanto nao há como comparar Genios com Normais.
    nao q vc tenha comparado, mas da pra ficar com essa impressao.

    ps:Eu nao lembro de ver Ayrton correndo, mas sempre quando assisto 5min dele em qualquer coisa, me arrepio, pq tendo como idolo mikka hakkinen, sei q nenhum dos pilotos q eu vi sao capazes de fazer oq ele fazia. e so pra deixar a coisa bem feinha, considero Fanjo — o argentino — melhor q Ayrton.
    mas é so opiniao.

    abraços.

  • Menosferato

    Cara, eu concordo e discordo de ti.
    Concordo que a F1 tá um lixo hoje em dia. Se eu assisto, eu faço por que não tá passando Gugu, Faustão, Eliana ou coisa melhor naquele momento. Mas as razões disso pra mim são diferentes.
    A tecnologia inovou tanto a F1 que ficou sem graça. Os carros são tão fodas que o piloto não faz nada além de sentar no cockpit e acelerar. Não é como na época do Fitipaldi em que ele queimou o pé numa corrida, por que a refrigeração do motor era na frente (no bico do carro). Sabe? O que falta isso. Falta EMOÇÃO e coisas totalmente inesperadas, e não o Rubinho deixando o Schummacher passar ele na última volta por pressão da Ferrari. Falta drifts, motor estourando, carro sem gasolina, ultrapassagens na chuva…
    Agora, se os ecochatos tão obrigando a F1 a mudar os carros, pra mim tanto faz. A F1 já tá no buraco faz tempo.

  • Nossa. Muitas lembranças. De fato era muito bom ver o Senna correr e toda a emoçao. Ultrapassava qualquer tipo de competição. O cara era fenomenal. Merece toda a fama que ganhou. Adorei o filme que saiu dele faz uns 2 anos. Quem nao viu, recomendo.

  • Hugo Marinho

    Eu li esse texto usando o Opera. hahahahah

  • Andre

    Donington não foi 83 foi 93. É curioso é que o Rubinho também fez uma corridaça, que foi ofuscada pelo feito do Senna. Pilotos paulistas são sempre bons de chuva.

    • Andre

      Além disso o menino verstappen com 18 anos fez algo parecido em Sp ano passado e essa ano na China. Ultrapassou uma infinidade de carros na chuva.

  • Andre

    Cardoso, Donington não era considerado uma porcaria, era de fato. Tanto que foi a primeira e única corrida de F1 lá.

  • Andre

    Cardoso, nada a ver a comparação com Stilo. Tamanho de motor não quer dizer nada. Esse 1.6 zinho da F1 tem singelos 1000 cv. Mesmo ecológicos os F1 continuam sendo o supra sumo do esporte a motor.