Site de jornal serve pra forrar a gaiola do Twitter?

Eu comentei sobre a Síndrome do Peixe, onde o conteúdo se torna efêmero em tempos diferentes, de acordo com a mídia. Um livro de tecnologia por exemplo tem uma vida muito curta, já um livro de contos de fadas dura séculos. Só que existe uma diferença entre o conteúdo ser efêmero e perder a utilidade. As notícias da edição de ontem não interessam mais para quem compra o jornal de hoje, mas não quer dizer que devam ser eliminadas da face da Terra.

O jornal físico tem o problema de amarelar, ocupar espaço, ser difícil de manusear. Por isso ele raramente é arquivado em sua forma original. No máximo é microfilmado ou escaneado. Mas a versão eletrônica não traz essas limitações. Pelo contrário, podem fornecer muito, muito conteúdo, de forma ágil.

Ter um histórico de matérias publicadas é essencial para as próprias matérias futuras, pois se faz mais referência interna (o que é bom) e coleta-se mais dados para o novo texto.

Os blogs carecem de um bom sistema de arquivos. Na parte de busca, nós apelamos, usamos o Google. Por outro lado nenhum de nós tem a enormidade de conteúdo de um grande jornal.

Espera-se que a Imprensa dê o exemplo, aproveitando a oportunidade de disponibilizar toneladas de conteúdo a um custo muito baixo. Mas não é o que acontece.

Os jornais online valorizam muito a edição atual, mas fazem muito pouco para dar acesso ao arquivo.

Quando há uma busca com resultados decentes, como a Folha de S. Paulo, o resultado é apresentado da forma mais seca, mais Web 0.1 pre-alfa possível. HELLO, MCFLY, estamos no século XXI, onde está a multimídia, onde estão os resultados agregados, onde está a busca contextual verdadeira?

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Vejam só. O resultado, com um link, trecho do texto e repetição da URL. Pra quê? Ainda por cima colocam dois blocos de anúncios no alto da página, atrapalhando o texto. Que tipo de mercenário faz uma coisa dessas?

Não há opção de filtros avançados, opção de refinar a busca, uma nuvem de tags, nada. A "Busca Detalhada" se resume a delimitar por editoria e cronologicamente. Como se a gente soubesse exatamente QUANDO saiu a notícia que não sabe ainda se foi sequer publicada.

O campo de busca aceita modificadores, como "-" para trazer conteúdo que não tenha determinada palavra. Como descobri? Testando. Não existe descrito em lugar nenhum.

O Globo então é sofrível.

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Eles pagam por byte? Por que diabos limitar o tamanho dos títulos nas respostas? E DUAS linhas de resumo?

O detalhamento da busca também se limita a escolher editoria e data.

A busca do Globo é assinada pelo Yahoo, o que torna bem mais fácil de entender como eles estão perdendo terreno direto pro Google e sendo comprados pela Microsoft por duas mariolas e um saco de pitombas.

Notem que eu procurei por "encontrado padre", pois precisava de uma matéria sobre o Padre Voador para referenciar em um post que estou escrevendo. E o Globo me retorna… Padre é preso por suspeita de pedofilia em Minas, DO FUCKING DIA 16 DE FUCKING MAIO. A busca do Yahoo não tem inteligência NENHUMA, a da folha foi muito mais eficiente, mesmo com sua pobreza de apresentação de resultados.

Se eu fizesse questão (na verdade faço, sou bairrista) de publicar um link do Globo, eu ficaria chupando dedo. O site foi incapaz de responder uma questão absolutamente simples. É um sistema de busca defeituoso, ineficiente e que enterra o conteúdo do jornal, tornando-o inacessível ao leitor.

Ah, mimimi Cardoso só sabe reclamar da Imprensa (apesar de eu ter dito que a busca da Folha é feia mas funciona) bla bla bla mimimimi. A turma do "ah coitado" vai provavelmente dizer "vai que o Globo não publicou nada sobre o Padre, ou não usou esses termos".

OK, vamos perguntar a quem sabe:

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Notaram os dois primeiros resultados?

Dr Roberto, por favor, baixe (ou suba, segundo as más-línguas) nos sonhos de quem é responsável pelo site do seu jornal, mande-os chutar aquele lixo de busca do Yahoo e inserir a do Google. É di grátis, ou no mínimo fazem um precinho camarada pro senhor. Aliás, mande pagarem o que pedirem.

Afinal todos os estudos dizem que a imprensa tradicional vem perdendo leitores, mas eu nunca pensei que fosse porque alguém escondeu o jornal.


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Leia Também:

  • Rafael Netto

    Os jornais são o que temos aqui no Brasil de mais parecido com a RIAA na postura em relação à internet.
    Eles não querem largar o osso – jornal impresso – e tentam fazer da Web uma mera extensão/cópia da velha mídia. Isso ficou muito claro tempos atrás quando vários deles trocaram o formato HTML tradicional por um "simulador de papel" em flash. O Globo ainda teve a coragem de fazer disso um produto fechado e pago. Será que tem quem compre?

    • "Será que tem quem compre?"
      Cara, não duvide da (in)capacidade humana, você pode morrer de susto.

  • Leonardo Monteiro

    Eu já tive alguns problemas para achar artigos, notícias e até mesmo lista dos classificados para o vestibular, esses sistemas de buscas dos jornais e dos portais brasileiro ( globo.com, terra.com.br, uol.com, etc e por aí vai) são uma verdadeira porcaria, as vezes penso que o google deveria monopolizar esse serviço pois parece que não existe melhor sistema do que o dele, enquanto isso não acontece e enquanto nao inventam um sistema de busca que funcione melhor do que o google, ficamos com o que temos e sofremos para encontrar artigos e notícias da mídia convencional na internet.

    A experiência que mais me deixou indignado foi com o site globo.com na parte de vídeos, estava procurando alguns vídeos do programa "marília gabriela entrevista" e embora aleguem colocar vários vídeos do respectivo programa, eu só conseguia achar 5 deles e nunca era a entrevista completa, há de se ressaltar que eu tenho assinatura da globo.com assim como a assinatura do canal GNT que passa o programa.

    Ainda é muito difícil ter acesso ao conteúdo da mídia convencional através da internet, mas eu espero que um dia isso mude, para o bem de todos nós.

  • E ainda perguntam porque o Google vai dominar o mundo.

    Eu já caí na besteira de tentar usar a busca do Terra. Lamentável…

  • Eu já trabalhei um tempo num jornal local, onde era o responsável por desenvolver o "novo" website deles. As reuniões para decidir o projeto eram compostas por mim e por todos os editores do jornal impresso, além do editor chefe. Eu ouvi cada barbaridade que você nem acredita. Tivemos vários "embates".

    Um deles foi porque tinham decidido que as matérias não teriam links, senão os leitores iriam sair do site!!! Foi mais de um mês, e trocentas reuniões, pra convencer os caras a colocar links relevantes nas matérias.

    Outra briga foi sobre o conteúdo. A ordem era fechar tudo e cobrar mensalidade pra quem quisesse ler. Essa eu tive que ir no diretor do jornal, pessoalmente, e dizer com todas as letras que se fosse pra fazer o site assim eu pediria demissão, porque eles jogariam milhares de reais no lixo, o projeto não daria certo e no final a culpa seria minha. Deu certo.

    Sobre as buscas… bem… outra guerra. Eles não queriam disponibilizar qualquer tipo de busca! Só uma listona com as edições do jornal.

    Bom, trabalhei dois anos lá e não aguentei, saí antes que minha carreira fosse pro espaço! E adivinhem, o site não "decola". Por que será, né?

  • A referência a "contos de fadas" foi genial. Já pensei sobre essa…hmmmm…"pubricação" de algumas maneiras diferentes, mas contos de fadas realmente nunca me passou como classificação.

    • Esse livro cabe em qualquer classificação: mitologia, direito, militarismo, auto-ajuda, culinária, saúde, astronomia, comédia…

      • Tudo menos "não-ficção".

  • Aliás, nada haver com o post, mas é só comigo que o Contraditorium ficou deformado no Firefox 3? A barra lateral ta aparecendo embaixo do texto e o corpo da página ocupa a página toda.

    • curioso. Aqui no meu FF3 não fica. Qual resolução você está usando?

      • Cardoso, comigo também está acontecendo a mesma coisa que acontece com o Eric. E eu estou usando o FF 2.0.0.15.

        A minha resolução é 1024×768.

      • Cardoso, o mesmo acontecendo aqui, no comp. da empresa, com FF3 e resol. 1024×768. Mas na sexta não estava assim…
        []s!

      • Rafael Almeida

        aqui estava acontecendo mas parou.

      • Agora ficou normal de novo. o.O

    • Uso em 1152×864

      Aqui como fica: http://img360.imageshack.us/img360/8809/uo0001ha7

  • Sei não, cara. Coincidentemente, antes de ler o seu post, estive comparando no Mahalo, um site que faz buscas em outros sites de busca, e me surpreendi com a quantidade de resultados do Yahoo. http://www.mahalo.com/
    Para "Contraditorium", o resultado no Google é de 179.000 contra 749.000 do Yahoo, apesar do seu site não estar em primeiro lugar, os resultados são bem relevantes.

    • A busca interna deles não presta. É um fato. Eu demonstrei. Que parte do "procurei por encontrado padre via Yahoo no Globo e não achei, procurei no Google e achei" você não entendeu?

      PS: A busca online não tem nada a ver com a ferramenta de busca interna.

    • A busca do Yahoo! é mais redundante e menos relevante. Comparar as buscas pela quantidade de resultados geralmente não é uma boa idéia. O importante são os resultados que aparecem na primeira página (e é nisso que o Google ganha), pois ninguém se importa com o 700.000º resultado.

  • Cardoso:

    Fiquei boquiaberta ao ver os resultados de busca do Globo. O G1 sempre tem notícias com melor descrição que as apresentadas na tua busca. Mas o G1 é on-line, certo?

    Gostaria de ver o jornal como é impresso mas o sistema pago é bem ridículo. A gente aqui assina o Los Angeles Times mas também consulta o latimes.com. Minha família gosta de papel.

    Entretanto você está coberto de razão. Uso o Daddy O'Google pra tudo, sempre.

  • Mauricio

    A Folha tinha um sistema de busca, até 1997, que retornava o numero de encontrado por palavra e por combinações entre elas, e trazia índice e conteúdo a escolher, o resultado era complicado, mas cumpria o papel como buscador para um banco de dados de um jornal diário, era como uma ida a biblioteca, mas acho que para um usuário normal, procurando o padre ficava muito confuso, imagina uma salsinha então.

  • Excelente post!! Nunca tinha parado pra pensar nisso. Infelizmente, a tal da usabilidade na web ainda é um sonho… São raros os sites que se preocupam com ela…

  • Rafael Almeida

    Hahahahaha, por que os portais fazem questão de passar vergonha? Mas posso perguntar? Voce testou o sistema do Jornal do Brasil? Do Extra?
    hahaha, é melhor não fazer isso…

  • Pal

    Bom, no meu entender, os sitemas de busca mudam permanentemente e acredito que google sempre será na frente, mas grandes mudanças com um sistema semantica estão para vir…

  • Ronaud Pereira

    Vendo a coisa de um ângulo mais amplo, apesar de toda essa revolução frenética, a internet não tem nem 20 anos de uso efetivo. No Brasil só agora o uso massivo está completando 10 anos. No início do surgimento dos automóveis, muitos preferiam continuar com as carroças. Somente décadas após o surgimento do automóvel a sociedade se adaptou para usufruir dos benefícios que ele oferecia. Até o povo se acostumar com uma idéia nova e enxergar os benefícios dela, demooooora!!! Porque para nós que respiramos internet, tudo é muito óbvio, mas pra quem veio antes e já viveu a vida muito bem sem ela, é difícil incorporar esses conceitos.

    • Rafael Netto

      O problema é que os grandes jornais no início quebraram/lançaram paradigmas, mas resolveram andar pra trás na evolução da internet. Seus sites originais eram bem mais acessíveis e completos do que os atuais, metidos a reproduzir o jornal de papel na tela. Mas talvez o cúmulo da involução tenha sido o Estadão que em certa época resolveu oferecer o conteúdo online apenas em PDF.

  • Não há nada na Internet e no seu uso que uma burra velha de quase 56 anos, meu aniversário é nove de julho, não tenha aprendido rapidinho.
    Vi um dos primeiros IBMs na PUC-RJ na época dos cartões de papel em 1968.
    Usei um AT&T para escrever minha dissertação em LaTeX em 1987. Sobrevivi.
    Aprendi a usar o Mac e vários programas para o meu curso em educação em 1989, talvez?
    O Mac me fascinou e olha que era um Mac Classic.
    Desde então passei a usar Macs, recomendo. Em 2005, aprendi HTML para blogar…

    A única coisa que pega na Net é a falta de modos de algumas pessoas. Uma professora da Unisinos escreveu sobre "A invasão brasileira na Internet." A falta de conhecimento da língua portuguesa faz com que muita coisa passe sem percepção dos provedores de serviços, sediados aqui nos EUA. No Twitter reparei que tem muito japonês flodando com spam. Esta é minha ressalva. Gente de idade avançada não aprende por resistência não por incapacidade. Pode crer, camaradinha. Falou?

  • Cab

    Ei Cardoso, terei que descordar de toda sua inteligência, a busca da Globo.com é muito eficiente (só não sei se é a mesma utilizada no site do Jornal O Globo) para se achar assuntos recentes.
    Por quê? Simplesmente porque ela é organizada por ordem cronológica. Bastou digitar "Padre Voador" e eu me deparei logo de cara com 3 ou 4 notícias, uma delas em vídeo, do fato… Sempre que quero achar algo que li há algum tempo por lá uso a própria busca deles e não a do Google e não costumo me decepcionar. Ainda por cima dão a opção de dividir por texto, vídeo e deixa você ordenar por data ou relevância. =)
    PS: Esse trecho "Ainda por cima colocam dois blocos de anúncios no alto da página, atrapalhando o texto. Que tipo de mercenário faz uma coisa dessas?" não faz muito sentido lendo via feeds, mas ao acessar teu blog me estourei de rir! =D

  • fab

    quanto nerd junto aqui… kkkkkkkk

  • Pingback: Editoras Globo e Abril - Dois gigantes que despertam para as mídias sociais | Boombust()

  • Concordo que muitas dessas buscas internas são uma porcaria… mas acho que antes de ressuscitar o Roberto Marinho você poderia testar a busca da Globo.com ou do G1. Procurei pelas mesmas palavras que você e encontrei dezenas de resultados corretos e atuais, tanto de vídeos quando de texto (e não é powered by Google). OK, não são sites de jornais tradicionais, mas devem aliviar a consciência do Dr. Roberto :-)

    • Julio, se dois PORTAIS que custaram uma baba não tivessem uma busca decente, aí que o Dr Roberto levantaria da tumba.

      O foco deste texto foram os sites de jornais, como diz o título.