Alguns jornalistas merecem mais do que respeito

Eu implico muito com os jornalistas da velha mídia, que não aceitam críticas, odeiam leitores impertinentes que os questionam e blogs em geral, mas alguns representantes do 4o Poder estão acima disso tudo. Seja por suas idéias progressistas, seja por suas atitudes.

De todos os que mais admiro são os correspondentes de guerra. Uma coisa é ficar com a bunda em uma cadeira confortável, comento Doritos (algum fabricante quer patrocinar lanche de blogueiro? Eu topo) e apontando o dedo para as falhas miseráveis de estratégia de Saddam Hussein.

Outra coisa é ficar no terraço de um hotel em Bagdá, durante o maior ataque aéreo desde a 2a Guerra Mundial.

Vejam por exemplo os quatro jornalistas turcos do vídeo abaixo.

Estavam na Geórgia, dia 10/8, percorrendo uma região onde tropas russas e georgianas se enfrentavam.

Do nada o carro começa a ser atingido. Um deles toma um tiro de raspão na cabeça, mas sem nenhum efeito “Rambo”, continua lúcido e consciente da roubada que se meteram.

Ao mesmo tempo o cameraman continua filmando tudo.

É um perrengue como eles jamais passaram, e pra piorar não tinham nem uma camiseta para fazer de bandeira branca, que dirá uma bandeira francesa, símbolo internacional de rendição imediata.

No final todos sobreviveram, embora o jornalista atingido, Levent Öztürk, tenha perdido o olho esquerdo. Mesmo assim ele quer voltar para cobrir o front assim que for possível.

Dá pra não respeitar um cara desses? A única coisa questionável é sua sanidade. O resto, boto a mão no fogo.


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Leia Também:

  • É bem tenso mesmo o que esse pessoal passou.

    Vi esse vídeo no Fantástico, no domingo. Se você procurar lá no G1, deve ter o vídeo completo também com a repórter que é baleada no braço por um franco atirador enquanto fazia a introdução de uma matéria.

  • Felipe

    Nao sou de comentar.. somente de ler
    mas esse video foi demais
    gostei foi da atitude e calma.. logicamente eles estavam em lugar errar
    nota 10 para o jornalismo [ponha o nome da rede de tv aqui]

    • Experientes os caras eram.

  • Eu também fico impressionado com esses jornalistas que cobrem esses conflitos.
    No Brasil o Lourival Santanna está fazendo cobertura para o Estadão. Não sei se você teve a oportunidade de ler a materia dele no domingo passado mas se não leu, vale a pena. É de arrepiar os cabelos do peito do pé. Os perrengues que ele passou e descreve são incriveis (para nós que lemos, para ele deve ter sido o cão).
    Vale lembrar que antes da fase "magazine" o Pedro Bial também fez uma excelente cobertura da guerra dos Balcãs, inclusive salvo engano, perdeu a audição do ouvido esquerdo por causa de uma granada.
    E como o Brasil tem seus momentos de guerra civil teve um caso do Carlos Nascimento, ele estava cobrindo algum crime que envolveu tiroteio pesado entre PMs e bandidos e mostrou uma coragem incrivel. Alias acho que ele ganhou o premio Herzog, isso nos idos de 81, por essa reportagem.

  • Jornalistas desse tipo não são comuns no Brasil. A espécie 'jornalistica' daqui é no mínimo a que você citou, que fica sentado (num vibrador extra-grande) comendo doritos.
    E pelo jeito, o novo passatempo deles agora é reclamar de blogs.
    Mas vai entender, talvez seja porque eles trabalham numa empresa à altura. ¬¬

  • Fabrício

    "…que dirá uma bandeira francesa, símbolo internacional de rendição imediata…"

    HAUHUAHUAHUAUHAHUAUHAUHAUHAUHAUHAUHAHAUHAUHAUHA

  • Lukas Mathias

    "que dirá uma bandeira francesa, símbolo internacional de rendição imediata."
    Táquiupariu. hAUSdhUASdasUHuhsa Muito bom, Cardoso.

    Outra coisa que respeito muito é o jornalismo investigativo (do verbo 'Tim Lopes') – Não querendo fazer do cara um Mártir, claro. – Mas a coragem desses homens de fato é honrosa.

  • Me lembrei agora de um filme… Se não me engano, o nome é "Fomos Heróis"… Muito bom…

    Mas também pode não ser esse.

  • Finalmente alguém mostra que jornalismo não é sinônimo de Diogo Mainardi.

  • Também tinha visto no Fantástico. Um dos jornalistas começa a rezar ja achando que vai morrer.
    A, e o cara perdeu "só" a visão do olho esquerdo ,e não o olho esquerdo.
    *pelo menos pra mim são coisas diferentes hehehe

  • Jornalistas assim, acho, estão em extinção. Ou sendo extinguidos (vide Pedro Bial, que cobriu a queda do Muro de Berlin e hoje apresenta o BBB). Tem também o Jose Hamilton Ribeiro, que perdeu uma parte da perna na cobertura da Guerra do Vietnã. Hoje ele trabalha no Globo Rural.

    Esse momento Capitão América foi foda hein?

    • Extinguidos não né? Extintos.

    • Estava prestes a comentar sobre o José Hamilton Ribeiro. Se não me falha a memória ele é sogro do Sérgio Dávilla. Vai aqui um link onde ele conta o episódio em que perdeu parte da perna esquerda: http://almanaque.folha.uol.com.br/mundo_25mar1968….

  • Coragem o caralho. Andar numa área NO MEIO do fogo cruzado. Eu achmo isso de burrice.

  • Renato Fernandes

    Sou jornalista desde 1992 e cm certeza você tem razão.
    O mais impressionante é perceber que entre os jornalistas, principalmente aqueles formados, existe uma certa resistência em encarar o trabalho em campo e preferem atuar realmente sentados em cadeiras confortáveis acionando fontes através de telefone.
    Na minha opinião, isso é vergonhoso, por outro lado sou contra essa picuinha entre blogueiros e jornalistas, nem todo jornalista é pelego e nem todo o blogueiro é 100%.
    Na real…. Somos todos farinha do mesmo saco.
    você busca leitores e os jornalistas também, porque não unir as forças???
    Criticar quem fica a atrás das póltronas é fácil……

  • Meu pai foi enviado internacional de guerra da CNN (se eu não me engano era a CNN), cobriu Balcãs, Golfo e guerras civis na África, e em uma delas "tomou" uma facada, que passou pelo colete a prova de balas (que é a prova de balas, mas não de facadas), porém não sou muito ligado ao meu pai, então conheço apenas poucas estórias dele, conheço umas quatro apenas, pouco para quem ficou mais de 18 anos cobrindo esse tipo de evento.

    Os caras do vídeo foram realmente rápidos, isso é reporter, é aquele que vai atrás da notícia, que fala por experiência em campo, e não aqueles que escrevem besteiras nos jornais e não tiram a bunda gorda da cadeira.